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ESTAÇÃO BRASIL

Achados & Perdidos da História: Escravos

Achados & Perdidos da História: Escravos

LEANDRO NARLOCH

A vida e o cotidiano de 28 brasileiros esquecidos pela história

A vida e o cotidiano de 28 brasileiros esquecidos pela história

Com mais de um milhão de livros vendidos, Leandro Narloch inaugura com Escravos a coleção Achados & Perdidos da História, que tem o objetivo de resgatar biografias de personagens diversos – conhecidos ou anônimos – que retratam momentos fundamentais da humanidade.

A coleção contará a história do Brasil e do mundo por meio de histórias de vida. Não há caminho melhor para se reconectar ao passado do que conhecer dramas e aventuras de homens e mulheres que construíram a nossa identidade.

 

A partir da biografia de escravos, este livro percorre os três séculos da escravidão e suas diversas fases. Muitas histórias confirmam a brutalidade que, como sabemos, marcava aquele sistema. Outras espantam: no século 18, uma mulher livre se vendeu como escrava; um negro liberto mandava dinheiro à viúva de seu antigo dono ao saber que ela havia empobrecido.

São relatos tão surpreendentes que só conseguimos entendê-los se abandonarmos nossa mentalidade acostumada à liberdade e aos direitos humanos do século 21.

Ao revirar este baú de achados e perdidos, o leitor chegará à conclusão de que não houve só uma escravidão no Brasil. Mas várias, de diversos tipos e cenários, com um grau de complexidade muito maior do que imaginávamos.

***

Em 1780, Joanna Baptista, uma mulher livre de Belém, no Pará, decidiu se vender como escrava. Na escritura de compra e venda de si própria, ela afirma que fechou o negócio por 80 mil-réis: metade em dinheiro e metade em joias e acessórios de ouro.

João de Oliveira foi um ex-escravo que fundou, no século 18, dois grandes portos de venda de negros na África Ocidental. Chegou a bancar guerras contra reis africanos para garantir embarques ao Brasil. Ao saber que a viúva de seu antigo dono passava por dificuldades em Salvador, mandou dois escravos de presente para ela.

Em 1770, a escrava Esperança Garcia mandou uma carta ao governador do Piauí denunciando a violência de seu senhor. “Há grandes trovoadas de pancadas em um  filho meu”, relatou. “Em mim não posso explicar que sou colchão de pancadas…”

Nicolau, funcionário de uma fazenda da Ordem Beneditina de Pernambuco, era um escravo dono de escravos. Antes mesmo de obter a própria liberdade, comprou dois escravos para si próprio.

Por volta de 1750, o cônego Januário Barbosa percebeu que um de seus escravos, o garoto Manuel da Cunha e Silva, tinha vocação para a arte. Liberou o garoto do trabalho e o mandou para uma escola de artes em Lisboa. Vinte anos depois, Manuel, ainda escravo, era um pintor renomado do Rio de Janeiro.

Com mais de um milhão de livros vendidos, Leandro Narloch inaugura com Escravos a coleção Achados & Perdidos da História, que tem o objetivo de resgatar biografias de personagens diversos – conhecidos ou anônimos – que retratam momentos fundamentais da humanidade.

A coleção contará a história do Brasil e do mundo por meio de histórias de vida. Não há caminho melhor para se reconectar ao passado do que conhecer dramas e aventuras de homens e mulheres que construíram a nossa identidade.

 

A partir da biografia de escravos, este livro percorre os três séculos da escravidão e suas diversas fases. Muitas histórias confirmam a brutalidade que, como sabemos, marcava aquele sistema. Outras espantam: no século 18, uma mulher livre se vendeu como escrava; um negro liberto mandava dinheiro à viúva de seu antigo dono ao saber que ela havia empobrecido.

São relatos tão surpreendentes que só conseguimos entendê-los se abandonarmos nossa mentalidade acostumada à liberdade e aos direitos humanos do século 21.

Ao revirar este baú de achados e perdidos, o leitor chegará à conclusão de que não houve só uma escravidão no Brasil. Mas várias, de diversos tipos e cenários, com um grau de complexidade muito maior do que imaginávamos.

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Em 1780, Joanna Baptista, uma mulher livre de Belém, no Pará, decidiu se vender como escrava. Na escritura de compra e venda de si própria, ela afirma que fechou o negócio por 80 mil-réis: metade em dinheiro e metade em joias e acessórios de ouro.

João de Oliveira foi um ex-escravo que fundou, no século 18, dois grandes portos de venda de negros na África Ocidental. Chegou a bancar guerras contra reis africanos para garantir embarques ao Brasil. Ao saber que a viúva de seu antigo dono passava por dificuldades em Salvador, mandou dois escravos de presente para ela.

Em 1770, a escrava Esperança Garcia mandou uma carta ao governador do Piauí denunciando a violência de seu senhor. “Há grandes trovoadas de pancadas em um  filho meu”, relatou. “Em mim não posso explicar que sou colchão de pancadas…”

Nicolau, funcionário de uma fazenda da Ordem Beneditina de Pernambuco, era um escravo dono de escravos. Antes mesmo de obter a própria liberdade, comprou dois escravos para si próprio.

Por volta de 1750, o cônego Januário Barbosa percebeu que um de seus escravos, o garoto Manuel da Cunha e Silva, tinha vocação para a arte. Liberou o garoto do trabalho e o mandou para uma escola de artes em Lisboa. Vinte anos depois, Manuel, ainda escravo, era um pintor renomado do Rio de Janeiro.

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Ficha técnica
Lançamento 06/11/2017
Título original ACHADOS & PERDIDOS DA HISTÓRIA: ESCRAVOS
Tradução
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 208
Peso 300 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-5608-023-3
EAN 9788556080233
Preço R$ 39,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788556080240
Preço R$ 24,99
Selo
Estação Brasil
Lançamento 06/11/2017
Título original ACHADOS & PERDIDOS DA HISTÓRIA: ESCRAVOS
Tradução
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 208
Peso 300 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-5608-023-3
EAN 9788556080233
Preço R$ 39,90

E-book

eISBN 9788556080240
Preço R$ 24,99

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Estação Brasil

Leia um trecho do livro

Achados & Perdidos da História

Uma seção de achados e perdidos costuma reunir coisas diversas – carteiras, documentos, guarda-chuvas, alianças, sapatos de bebês, óculos, livros… Em comum, esses objetos são vestígios da aventura humana. Impregnados de vida e tempo, guardam a história de pessoas que construíram, destruíram, choraram, sorriram, sentiram saudades, se aventuraram, viveram.

Assim como objetos esquecidos no metrô ou num terminal de ônibus, personagens do passado facilmente se perdem no meio de páginas e estantes de bibliotecas. Alguns chegam a encantar uma geração, motivam discussões e grandes obras, mas de repente deixam de provocar interesse e as gerações seguintes crescem sem ter ouvido falar deles. Ficam esquecidos até que um historiador vasculhe arquivos empoeirados e tenha a sorte de resgatá-los e dar a eles uma vida nova.

A coleção Achados & Perdidos da História tem o objetivo de resgatar biografias de personagens diversos – conhecidos ou anônimos – que retratam momentos fundamentais da humanidade. Conta a história do Brasil e do mundo por meio de histórias de vida. Não há caminho melhor para se reconectar ao passado do que conhecer dramas e aventuras de homens e mulheres que construíram a nossa identidade.

Introdução

Calhamaços com documentos e registros sobre a escravidão ficaram por muito tempo esquecidos em arquivos brasileiros simplesmente porque não havia quem os analisasse. A transcrição e a interpretação de documentos antigos são processos lentos, difíceis e muitas vezes tediosos – o historiador precisa passar por muitos textos cheios de instruções burocráticas até encontrar histórias que revelem preciosidades do passado. Mas dos anos 1990 para cá, com o aumento dos cursos de graduação e pós-graduação em história, um exército de jovens historiadores avançou sobre os arquivos. Eles descobriram que, embora o ministro Rui Barbosa, em 1890, tenha mandado queimar registros da escravidão para evitar que os antigos senhores pedissem indenização ao governo pela perda dos escravos, muitos outros documentos haviam sido preservados.

Famintos por novas histórias e interpretações, esses estudiosos vasculharam registros de batismo e de óbito, testamentos, cartas de alforria, anúncios e notícias de jornais, cartas e correspondências administrativas, relatos de viajantes estrangeiros, tabelas de movimentação de portos, ações de liberdade movidas por escravos contra seus senhores, processos comerciais, criminais e da Justiça eclesiástica, entre muitos outros. Das décadas do trabalho vagaroso e extenuante desses pesquisadores, surgiram personagens extraordinários da escravidão brasileira.

A missão deste livro é contar a história da escravidão por meio de algumas dessas histórias de vida. A partir da biografia de escravos, percorro os três séculos da escravidão e suas diversas fases: a escravidão portuguesa de povos não africanos, a captura de negros na África, a negociação com os reis africanos, a travessia do Atlântico a bordo dos navios negreiros, a vida nas fazendas, os quilombos, o cotidiano agitado nas cidades quando a abolição se aproximava. Muitas histórias confirmam a brutalidade que, como sabemos, marcava aquele sistema. Como a da piauiense que dizia ser “um colchão de pancadas”, a do rapaz com “sinais de chicote pela barriga, costas e pescoço” que pareciam “cicatrizes de fogo”, a do menino livre que foi sequestrado e vendido como escravo. Outras histórias espantam: no século 18, uma mulher livre se vendeu como escrava; um negro liberto mandava dinheiro a viúva de seu antigo dono após saber que ela tinha empobrecido. São relatos tão surpreendentes que só conseguimos entendê-los se abandonarmos nossa mentalidade acostumada à liberdade e aos direitos humanos do século 21.

A conclusão a que o leitor provavelmente chegará ao final do livro é que não houve só uma escravidão no Brasil. Mas várias, de diversos tipos e cenários. Alguns exemplos do relacionamento entre escravos e senhores lembram o que Gilberto Freyre chamava de “escravidão branda”, aquela em que o senhor era bondoso e o escravo, fiel. Outras convergem com as ideias de Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso, os acadêmicos da escola paulista que nos anos 1960 contrariaram Gilberto Freyre ao mostrar a rotina de terríveis castigos que os escravos sofriam. Se há alguma afirmação neste livro, é a de que a escravidão brasileira foi muito mais diversa, complexa e interessante do que imaginamos.

Achados & Perdidos da História

Uma seção de achados e perdidos costuma reunir coisas diversas – carteiras, documentos, guarda-chuvas, alianças, sapatos de bebês, óculos, livros… Em comum, esses objetos são vestígios da aventura humana. Impregnados de vida e tempo, guardam a história de pessoas que construíram, destruíram, choraram, sorriram, sentiram saudades, se aventuraram, viveram.

Assim como objetos esquecidos no metrô ou num terminal de ônibus, personagens do passado facilmente se perdem no meio de páginas e estantes de bibliotecas. Alguns chegam a encantar uma geração, motivam discussões e grandes obras, mas de repente deixam de provocar interesse e as gerações seguintes crescem sem ter ouvido falar deles. Ficam esquecidos até que um historiador vasculhe arquivos empoeirados e tenha a sorte de resgatá-los e dar a eles uma vida nova.

A coleção Achados & Perdidos da História tem o objetivo de resgatar biografias de personagens diversos – conhecidos ou anônimos – que retratam momentos fundamentais da humanidade. Conta a história do Brasil e do mundo por meio de histórias de vida. Não há caminho melhor para se reconectar ao passado do que conhecer dramas e aventuras de homens e mulheres que construíram a nossa identidade.

Introdução

Calhamaços com documentos e registros sobre a escravidão ficaram por muito tempo esquecidos em arquivos brasileiros simplesmente porque não havia quem os analisasse. A transcrição e a interpretação de documentos antigos são processos lentos, difíceis e muitas vezes tediosos – o historiador precisa passar por muitos textos cheios de instruções burocráticas até encontrar histórias que revelem preciosidades do passado. Mas dos anos 1990 para cá, com o aumento dos cursos de graduação e pós-graduação em história, um exército de jovens historiadores avançou sobre os arquivos. Eles descobriram que, embora o ministro Rui Barbosa, em 1890, tenha mandado queimar registros da escravidão para evitar que os antigos senhores pedissem indenização ao governo pela perda dos escravos, muitos outros documentos haviam sido preservados.

Famintos por novas histórias e interpretações, esses estudiosos vasculharam registros de batismo e de óbito, testamentos, cartas de alforria, anúncios e notícias de jornais, cartas e correspondências administrativas, relatos de viajantes estrangeiros, tabelas de movimentação de portos, ações de liberdade movidas por escravos contra seus senhores, processos comerciais, criminais e da Justiça eclesiástica, entre muitos outros. Das décadas do trabalho vagaroso e extenuante desses pesquisadores, surgiram personagens extraordinários da escravidão brasileira.

A missão deste livro é contar a história da escravidão por meio de algumas dessas histórias de vida. A partir da biografia de escravos, percorro os três séculos da escravidão e suas diversas fases: a escravidão portuguesa de povos não africanos, a captura de negros na África, a negociação com os reis africanos, a travessia do Atlântico a bordo dos navios negreiros, a vida nas fazendas, os quilombos, o cotidiano agitado nas cidades quando a abolição se aproximava. Muitas histórias confirmam a brutalidade que, como sabemos, marcava aquele sistema. Como a da piauiense que dizia ser “um colchão de pancadas”, a do rapaz com “sinais de chicote pela barriga, costas e pescoço” que pareciam “cicatrizes de fogo”, a do menino livre que foi sequestrado e vendido como escravo. Outras histórias espantam: no século 18, uma mulher livre se vendeu como escrava; um negro liberto mandava dinheiro a viúva de seu antigo dono após saber que ela tinha empobrecido. São relatos tão surpreendentes que só conseguimos entendê-los se abandonarmos nossa mentalidade acostumada à liberdade e aos direitos humanos do século 21.

A conclusão a que o leitor provavelmente chegará ao final do livro é que não houve só uma escravidão no Brasil. Mas várias, de diversos tipos e cenários. Alguns exemplos do relacionamento entre escravos e senhores lembram o que Gilberto Freyre chamava de “escravidão branda”, aquela em que o senhor era bondoso e o escravo, fiel. Outras convergem com as ideias de Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso, os acadêmicos da escola paulista que nos anos 1960 contrariaram Gilberto Freyre ao mostrar a rotina de terríveis castigos que os escravos sofriam. Se há alguma afirmação neste livro, é a de que a escravidão brasileira foi muito mais diversa, complexa e interessante do que imaginamos.

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Leandro Narloch

Sobre o autor

Leandro Narloch

Jornalista nascido em Curitiba em 1978. Foi repórter e editor de diversas revistas, como Aventuras na HistóriaSuperinteressante Veja. Seus livros, entre eles o Guia politicamente incorreto da história do Brasil, venderam mais de um milhão de exemplares. É colunista da Folha de S.Paulo e mestre em Filosofia pela Universidade de Londres.

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