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AUTOAJUDA

O poder da presença

O poder da presença

AMY CUDDY

Como a linguagem corporal pode ajudar você a aumentar sua autoconfiança e a enfrentar os desafios

Como a linguagem corporal pode ajudar você a aumentar sua autoconfiança e a enfrentar os desafios

“Realista e inspirador, simples, porém ambicioso, e acima de tudo realmente poderoso.” – The New York Times

“Amy Cuddy é a deusa da autoconfiança para os inseguros. Em O poder da presença, usa sua paixão, empatia e inteligência aguçada para decodificar os mistérios da presença em cenários de pressão social. – Susan Cain, autora de O poder dos quietos

 

Qual foi a última vez que você tentou passar a melhor impressão possível mas se deixou dominar pela ansiedade e não se saiu nada bem? Em um mundo dominado por prazos, expectativas e distrações, às vezes deparamos com momentos decisivos que acabam sendo vividos de forma insatisfatória, nos deixando tensos e arrependidos.

Em uma das TED Talks mais populares – com mais de 35 milhões de visualizações –, a psicóloga e pesquisadora de Harvard Amy Cuddy explicou como tirar proveito da linguagem corporal para ganhar segurança e passar uma imagem positiva, mesmo quando não nos sentimos tão confiantes assim, e o impacto que isso pode ter em nossas chances de sucesso.

Em O poder da presença, ela revela que a transformação da mente parte de uma simples mudança de comportamento e nos ensina técnicas para superar o medo em momentos de alta pressão e melhorar nosso desempenho.

Está cientificamente comprovado que manter posturas “de poder” aumenta a autoconfiança e garante tranquilidade para se conectar com as pessoas que você quer impressionar. Nesse estado mais calmo e seguro, você consegue ser mais autêntico, marcar presença e exibir competência, mesmo em situações desafiadoras.

“Realista e inspirador, simples, porém ambicioso, e acima de tudo realmente poderoso.” – The New York Times

“Amy Cuddy é a deusa da autoconfiança para os inseguros. Em O poder da presença, usa sua paixão, empatia e inteligência aguçada para decodificar os mistérios da presença em cenários de pressão social. – Susan Cain, autora de O poder dos quietos

 

Qual foi a última vez que você tentou passar a melhor impressão possível mas se deixou dominar pela ansiedade e não se saiu nada bem? Em um mundo dominado por prazos, expectativas e distrações, às vezes deparamos com momentos decisivos que acabam sendo vividos de forma insatisfatória, nos deixando tensos e arrependidos.

Em uma das TED Talks mais populares – com mais de 35 milhões de visualizações –, a psicóloga e pesquisadora de Harvard Amy Cuddy explicou como tirar proveito da linguagem corporal para ganhar segurança e passar uma imagem positiva, mesmo quando não nos sentimos tão confiantes assim, e o impacto que isso pode ter em nossas chances de sucesso.

Em O poder da presença, ela revela que a transformação da mente parte de uma simples mudança de comportamento e nos ensina técnicas para superar o medo em momentos de alta pressão e melhorar nosso desempenho.

Está cientificamente comprovado que manter posturas “de poder” aumenta a autoconfiança e garante tranquilidade para se conectar com as pessoas que você quer impressionar. Nesse estado mais calmo e seguro, você consegue ser mais autêntico, marcar presença e exibir competência, mesmo em situações desafiadoras.

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Ficha técnica
Lançamento 07/10/2016
Título original PRESENCE
Tradução IVO KORYTOWSKI
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 256
Peso 280 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0390-7
EAN 9788543103907
Preço R$ 44,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788543103914
Preço R$ 24,99
Lançamento 07/10/2016
Título original PRESENCE
Tradução IVO KORYTOWSKI
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 256
Peso 280 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0390-7
EAN 9788543103907
Preço R$ 44,90

E-book

eISBN 9788543103914
Preço R$ 24,99

Leia um trecho do livro

Introdução

Estou sentada junto ao balcão da minha cafeteria favorita em Boston, laptop aberto, escrevendo. Dez minutos atrás pedi café e um muffin. A atendente – jovem, cabelos escuros, sorriso largo e óculos – fez uma pausa e falou tranquilamente:

– Só queria dizer que sua palestra no TED significou muito para mim e que me inspirou. Alguns anos atrás, um professor meu a divulgou durante a aula na universidade. Agora estou me matriculando na faculdade de medicina e só quero que você saiba que me postei no banheiro igual à Mulher-Maravilha antes das provas de admissão e que aquilo realmente ajudou. Então, embora não me conheça, você me levou a descobrir o que eu realmente queria fazer na vida: cursar a faculdade de medicina. E me ensinou o caminho para chegar lá. Obrigada.

Com lágrimas nos olhos, perguntei:

– Qual é o seu nome?

– Fetaine – respondeu.

Depois disso, ainda conversamos um pouco sobre os desafios passados de Fetaine e sua empolgação recém-descoberta com o futuro.

Todas as pessoas que me abordam são únicas e memoráveis, mas esse tipo de interação ocorre com muito mais frequência do que eu poderia imaginar: um desconhecido me cumprimenta calorosamente, conta uma história pessoal sobre como enfrentou um desafio específico com sucesso e depois simplesmente agradece pela minha participação nele. São homens e mulheres, velhos e jovens, tímidos e sociáveis, assalariados e abastados. Mas têm algo em comum: todos se sentiram impotentes diante de grandes pressões e da ansiedade, e todos descobriram um jeito bem simples de se livrar daquela sensação de impotência, pelo menos naquele momento.

Para a maioria dos escritores, primeiro vem o livro, depois, as reações. Para mim, foi o contrário. Primeiro conduzi uma série de experimentos que deram origem a uma palestra na conferência TEDGlobal em 2012. Naquela palestra, apresentei algumas descobertas intrigantes, de pesquisas pessoais e de terceiros, sobre como nosso corpo pode influenciar nosso cérebro e nosso comportamento. (Foi aí que descrevi aquele negócio da Mulher-Maravilha no banheiro mencionado por Fetaine – que detalharei a seguir –, um gesto capaz de aumentar rapidamente nossa confiança e reduzir nossa ansiedade em situações desafiadoras.) Também compartilhei minhas batalhas pessoais contra a síndrome do impostor e como aprendi a me induzir a me sentir e realmente me tornar mais confiante. Referi-me a esse fenômeno como “Finja até virar verdade”.

Com certeza aqueles temas eram importantes para mim, mas eu não sabia se teriam repercussão na plateia. E então, imediatamente após o vídeo de 21 minutos da palestra ser postado na internet, comecei a receber feedback das pessoas que o viram.

Claro que assistir à minha palestra não forneceu a Fetaine os conhecimentos dos quais ela necessitava para se sair bem nas provas. Ela não adquiriu milagrosamente a absoluta compreensão das características das bactérias ou da aplicação do teorema da energia cinética. Mas minhas palavras talvez a tenham libertado do medo que a impedia de expressar as coisas que sabia. A sensação de impotência nos engole – levando junto tudo aquilo em que acreditamos, que sabemos e sentimos. Encobre quem somos, tornando-nos invisíveis. Chega até a nos alienar de nós mesmos.

O contrário de impotência deve ser poder, certo? Em certo sentido, é verdade, mas não é tão simples assim. As pesquisas que venho fazendo há anos agora se juntam a um grande corpo investigativo a respeito de uma qualidade que denomino presença. A presença advém de acreditar e confiar em si – em seus sentimentos, valores e habilidades reais e genuínos. Isso é importante porque, se você não confiar em si, como os outros poderão confiar? Não importa se estamos falando diante de duas pessoas ou de 5 mil, sendo entrevistados para um emprego, negociando um aumento ou vendendo uma ideia de negócio a investidores em potencial, falando por nós ou por terceiros, todos vivemos momentos intimidantes que precisam ser encarados com equilíbrio se quisermos alcançar a satisfação e progredir em nossa vida. A presença nos permite crescer para estar à altura desses momentos.

O caminho que me levou àquela palestra e a essa descoberta revolucionária foi tortuoso, para dizer o mínimo. Mas o seu começo é bem nítido.

Consigo me lembrar com clareza das caricaturas e dos recados carinhosos deixados pelos meus amigos no quadro de avisos. Estou no segundo ano da faculdade. Acordo num quarto de hospital e olho em volta – cartões e flores por todos os lados. Estou exausta. Mas também ansiosa e agitada. Mal consigo manter os olhos abertos. Nunca me senti assim. Não entendo o que acontece, mas me falta energia para tentar compreender. Adormeço.

A situação se repete – muitas vezes.

Minha última lembrança clara antes de acordar no hospital era a de estar viajando de Missoula, Montana, até Boulder, Colorado, na companhia de duas amigas com quem eu dividia o apartamento. Havíamos ido a Missoula para ajudar a organizar uma conferência dos alunos da Universidade de Montana e visitar amigos. Deixamos Missoula no início da noite de um domingo. Estávamos tentando voltar a Boulder a tempo de pegar as aulas da manhã. Fazendo um retrospecto agora, especialmente hoje que sou mãe, vejo como aquilo foi insensato, considerando que a viagem de carro entre Missoula e Boulder leva de 13 a 14 horas. Mas tínhamos 19 anos.

Dispúnhamos do que julgávamos ser um bom plano: cada uma de nós dirigiria um terço da viagem. Uma passageira ficaria acordada para ajudar a motorista a permanecer alerta, enquanto a outra descansaria num saco de dormir na traseira do Jeep Cherokee. Cumpri meu turno ao volante. Depois fui a passageira ativa, de olho na motorista. Eu adorava as pessoas que estavam comigo. Adorava a vastidão do Oeste. Adorava o descampado. Nenhum farol para nos ofuscar na rodovia. Aí chegou minha vez de dormir no banco traseiro.

Conforme fiquei sabendo mais tarde, eis o que aconteceu: minha amiga estava dirigindo no pior turno – aquela hora da noite em que você sente que é a única pessoa acordada no mundo inteiro. Não apenas estávamos no meio da noite como estávamos no meio da noite no meio do estado de Wyoming. Muito escuro, muito vasto, muito solitário. Pouca coisa para manter você acordado. Lá pelas quatro da madrugada, a amiga que dirigia saiu da estrada. Ao passar pelo sonorizador no acostamento, deu uma guinada na direção oposta. O carro capotou várias vezes. As meninas no banco da frente estavam usando cinto de segurança. Eu, que dormia atrás, fui ejetada. O lado direito da minha testa bateu na estrada.

Sofri uma lesão cerebral traumática. Mais especificamente, sofri uma lesão axonal difusa, LAD. Numa LAD, o cérebro é submetido à chamada “tensão de cisalhamento”, que geralmente ocorre devido a uma aceleração rotacional grave, algo bem comum em acidentes de carro. Imagine o que acontece num desastre automobilístico em alta velocidade: com a mudança súbita e extrema de velocidade no impacto, seu corpo para abruptamente, mas seu cérebro continua a se mover e às vezes até gira dentro da caixa craniana, coisa que não deveria fazer, e pode colidir contra as paredes do crânio. A força do impacto da minha cabeça na estrada (fato que causou uma fratura craniana) também não ajudou.

O cérebro foi feito para existir num espaço seguro, protegido pelo crânio e amortecido por diversas membranas finas, chamadas meninges, e pelo líquido cefalorraquidiano. O crânio é amigo do cérebro, mas os dois nunca devem se tocar. As tensões de cisalhamento de uma lesão grave na cabeça rasgam e estiram neurônios e suas fibras, denominadas axônios, dentro do cérebro. Assim como fios elétricos, os axônios são isolados por um revestimento protetor que se chama bainha de mielina. Mesmo que um axônio não seja danificado, o dano à bainha de mielina pode reduzir significativamente a velocidade com que as informações viajam de um neurônio a outro.

Em uma LAD, a lesão ocorre por todo o cérebro, diferentemente do que ocorre em uma lesão cerebral focal, como um tiro de arma de fogo, onde o dano atinge um ponto bem específico. Tudo que o cérebro faz depende da comunicação entre os neurônios. Quando os neurônios por todo o cérebro estão danificados, sua comunicação inevitavelmente fica prejudicada. Assim, quando você sofre uma LAD, nenhum médico irá lhe dizer: “Bem, a lesão se deu na região motora, portanto você terá problemas com os movimentos.” Ou: “É na região da fala; você terá dificuldades para elaborar e processar a fala.” Eles não saberão se você vai ser recuperar, até que ponto se recuperará ou quais funções cerebrais serão afetadas: sua memória ficará prejudicada? Suas emoções? Seu raciocínio espacial? Sua coordenação motora fina? Considerando o pouco que se entende sobre LADs, as chances de um médico fornecer um prognóstico preciso são pequenas.

Após uma LAD, você se torna uma pessoa diferente. De várias maneiras. O modo como pensa, sente, se expressa, reage, interage: todas essas extensões são afetadas. Além disso tudo, sua capacidade de compreender a si mesmo provavelmente também é afetada, de modo que você não é mais capaz de saber exatamente como seu eu mudou. E ninguém – NINGUÉM – pode lhe dizer o que esperar.

Deixe-me dar uma explicação sobre o que ocorreu com meu cérebro tal como entendi naquela época.

Então lá estava eu no hospital. Naturalmente, havia sido afastada da faculdade e meus médicos expressaram sérias dúvidas sobre se chegaria a ficar cognitivamente apta a retornar aos estudos. Dadas a gravidade da minha lesão e as estatísticas de pessoas com lesões semelhantes, eles disseram: Não espere concluir a faculdade. Você vai ficar bem – “altamente funcional” –, mas deveria pensar em achar outra coisa para fazer. Soube que meu QI havia caído 30 pontos – dois desvios padrão. Soube disso não porque um médico me explicou, mas porque o QI fazia parte de uma bateria de dois dias de testes de neuropsicologia que precisei enfrentar, e recebi um longo relatório que incluía esse resultado. Os médicos não julgaram importante explicar isso para mim. Ou será que acharam que eu não era inteligente o suficiente para entender? Não quero dar ao QI mais crédito do que ele merece. Não estou fazendo nenhuma alegação sobre sua capacidade de prever os resultados da vida. Mas na época era algo que eu acreditava quantificar minha inteligência. Assim, pela minha compreensão, segundo os médicos, deixei de ser inteligente, e senti isso fortemente.

Passei por terapia ocupacional, terapia cognitiva, fonoaudiologia, fisioterapia, orientação psicológica. Cerca de seis meses após o acidente, eu estava em casa para passar o verão e algumas das minhas amigas mais íntimas, as quais haviam nitidamente se afastado de mim, disseram: “Você não é mais a mesma.” Como duas pessoas que pareciam me entender mais do que todo mundo eram capazes de dizer que eu já não era mais eu? De que jeito eu estava diferente? Elas não conseguiam me enxergar ali; eu também não conseguia mais me enxergar naquela pessoa.

Uma lesão na cabeça deixa você confuso, ansioso e frustrado. Quando seus médicos informam não saber o que você deve esperar e seus amigos dizem que você está diferente, isso com certeza amplia toda a confusão, ansiedade e frustração.

Passei o ano seguinte na incerteza: ansiosa, desorientada, tomando decisões ruins, sem saber direito o que faria a seguir. Depois, voltei à faculdade. Mas ainda era cedo. Eu não conseguia raciocinar. Não conseguia processar as informações orais adequadamente. Era como se estivesse ouvindo alguém falando metade numa língua que eu conhecia, metade numa língua que eu ignorava, o que me deixava ainda mais frustrada e ansiosa. Tive de largar a faculdade porque não estava acompanhando as aulas.

Embora tivesse fraturado vários ossos e ganhado umas cicatrizes feias no acidente, eu parecia fisicamente inteira. E, como as lesões cerebrais traumáticas costumam ser invisíveis aos outros, as pessoas diziam coisas do tipo: “Uau, você é sortuda! Poderia ter quebrado o pescoço!”

“Sortuda?”, eu pensava. Aí me sentia culpada e envergonhada por estar irritada com aqueles comentários bem-intencionados.

Jamais esperamos que nossa forma de pensar, nosso intelecto, nosso afeto, nossa personalidade se modifiquem um dia; nós os consideramos definitivos. Tememos sofrer um acidente que nos deixe paralisados, mude nossa capacidade de locomoção ou provoque a perda da audição ou da visão. Mas não pensamos num acidente que cause a perda de nós mesmos.

Por muitos anos após a lesão na cabeça, fiquei tentando simular meu eu anterior… embora não soubesse realmente quem era aquele eu anterior. Eu me sentia uma impostora, uma impostora no meu próprio corpo. Tive de reaprender a aprender. Vivia tentando recomeçar a faculdade, pois não conseguia aceitar as pessoas me dizerem que eu não era capaz.

Estudar era bem mais difícil para mim do que para os outros. Aos poucos, enfim, e para meu alívio absoluto, minha clareza mental começou a voltar. Concluí a faculdade quatro anos depois de meus colegas pré-acidente.

Uma das razões para eu ter persistido foi haver encontrado algo que gostava de estudar: psicologia. Após a faculdade, consegui ingressar numa profissão que requeria um cérebro em pleno funcionamento. Ao longo do percurso, não surpreende que eu tenha me tornado uma pessoa para quem todos aqueles questionamentos sobre presença e poder, confiança e dúvida assumiram uma enorme importância.

Minha lesão me levou a estudar a ciência da presença, mas foi minha palestra no TED que me fez perceber como o anseio por ela é universal. Pois a verdade é que a maioria das pessoas lida com desafios estressantes diariamente. Indivíduos em todos os cantos do mundo de todas as profissões tentam ganhar coragem para falar em público, encarar uma entrevista de emprego, fazer um teste para um papel, enfrentar uma adversidade a cada dia, lutar por suas crenças ou simplesmente encontrar a paz sendo quem são. Isto se aplica tanto aos sem-teto quanto a profissionais altamente bem-sucedidos pelos padrões tradicionais. Vítimas de bullying, preconceito e violência sexual, refugiados políticos, pessoas com distúrbios mentais ou que sofreram ferimentos graves – todas elas enfrentam esses desafios. Assim como todas aquelas que trabalham para ajudar essa gente: pais, cônjuges, filhos, orientadores, médicos, colegas e amigos.

Todas essas pessoas me obrigaram a examinar minhas pesquisas de um jeito novo: elas ao mesmo tempo me afastam e me aproximam da ciência. Ouvindo suas histórias, fui obrigada a refletir sobre como as descobertas da ciência social de fato se aplicam ao mundo real. Comecei a me interessar por realizar estudos que mudem vidas de uma forma positiva. Mas comecei também a formular perguntas básicas que talvez jamais me ocorressem caso eu tivesse permanecido dentro do laboratório, mergulhada em literatura.

A princípio fiquei aturdida com as reações à palestra no TED e dominada pela sensação de que talvez tivesse cometido um grande erro ao partilhar minhas pesquisas e minha história pessoal. Não esperava que tantos desconhecidos assistissem ao vídeo e não tinha ideia de como ia me sentir vulnerável e exposta. É o que acontece com qualquer um que é acolhido pela internet e depois apresentado ao mundo todo de uma só vez. Algumas pessoas reconhecerão você em público. E isso requer certa adaptação – seja um desconhecido pedindo para eu posar de Mulher-Maravilha com ele para uma selfie ou alguém berrando de um riquixá (como aconteceu em Austin): “Ei! É a moça do TED!”

Fora tudo isso, me sinto incrivelmente sortuda por ter tido a oportuni­dade de dividir aquela pesquisa e minha história com tantas pessoas, e ainda mais sortuda por tantas pessoas dividirem suas histórias comigo.

Adoro o ambiente acadêmico, mas encontro muita inspiração fora do laboratório e da sala de aula. Uma das vantagens de estar na Harvard Business School é que sou incentivada a transpor aquela fronteira entre teoria e prática, de modo que eu já havia começado a falar às pessoas nas empresas sobre como a pesquisa se aplica, o que vem funcionando, onde estão os problemas e coisas semelhantes. Mas não previ que aquele mundo de desconhecidos atenciosos se abriria para mim depois que a palestra do TED foi postada.

Agora vejo que uma palestra pode funcionar como uma canção – percebo como as pessoas a personalizam, conectam-se a ela, sentem-se validadas sabendo que outra pessoa sentiu o mesmo que elas. Como disse certa vez Dave Grohl, da banda Foo Fighters: “Esta é uma das grandes virtudes da música: você pode cantar uma canção para 85 mil pessoas e elas a cantarão de volta por 85 mil razões diferentes.”

Eu estava falando num abrigo para jovens sem-teto e pedi aos moradores que me contassem sobre as situações que achavam mais desafiadoras. Um adolescente disse: “Chegar à entrada deste abrigo.” Em outro abrigo, uma mulher disse: “Ligar para solicitar serviços, ajuda ou apoio. Sei que vou aguardar por um bom tempo e aí a pessoa do outro lado da linha vai ser rude e intolerante.” Ouvindo isso, outra mulher no abrigo respondeu: “Eu já trabalhei num call center e ia dizer: ‘Atender chamadas de pessoas que você sabe que estão frustradas e zangadas, e que estavam aguardando há um bom tempo enquanto eu tentava lidar com mil outras chamadas.’”

Milhares de pessoas me escreveram para contar sobre seus desafios – uma gama de problemas que me surpreendeu, contextos nos quais jamais imaginei poder aplicar esta pesquisa. A maioria dos e-mails começava com algo do tipo “Como sua palestra ajudou a…”, e, entre os mais diversos assuntos, estavam: lidar com familiares portadores da doença de Alzheimer; um colega com lesão cerebral, adultos com deficiências físicas, um veterano da Segunda Guerra Mundial que “perdeu seu orgulho”; crianças vítimas de bullying, estudantes do quinto ano com medo de matemática; o filho com autismo; encarar uma entrevista para ser admitido na faculdade; fechar um grande negócio; comprar a casa própria; recuperar-se de um trauma; competir num torneio esportivo importante; ter autoconfiança; passar numa prova concorrida; propor uma ideia nova ao chefe; encontrar a própria voz e expressar suas ideias. E isso é só uma amostra.

Todas as reações que recebi à palestra do TED são dádivas que me ajudaram a entender melhor como e por que esta pesquisa repercute. Em suma: as histórias me ajudaram a escrever este livro e me motivaram a fazê-lo. Elas vêm de todas as partes do mundo, de indivíduos de todas as profissões, e vou compartilhar muitas delas nas páginas a seguir. Talvez, no meio desses relatos, você encontre ecos da sua história.

Introdução

Estou sentada junto ao balcão da minha cafeteria favorita em Boston, laptop aberto, escrevendo. Dez minutos atrás pedi café e um muffin. A atendente – jovem, cabelos escuros, sorriso largo e óculos – fez uma pausa e falou tranquilamente:

– Só queria dizer que sua palestra no TED significou muito para mim e que me inspirou. Alguns anos atrás, um professor meu a divulgou durante a aula na universidade. Agora estou me matriculando na faculdade de medicina e só quero que você saiba que me postei no banheiro igual à Mulher-Maravilha antes das provas de admissão e que aquilo realmente ajudou. Então, embora não me conheça, você me levou a descobrir o que eu realmente queria fazer na vida: cursar a faculdade de medicina. E me ensinou o caminho para chegar lá. Obrigada.

Com lágrimas nos olhos, perguntei:

– Qual é o seu nome?

– Fetaine – respondeu.

Depois disso, ainda conversamos um pouco sobre os desafios passados de Fetaine e sua empolgação recém-descoberta com o futuro.

Todas as pessoas que me abordam são únicas e memoráveis, mas esse tipo de interação ocorre com muito mais frequência do que eu poderia imaginar: um desconhecido me cumprimenta calorosamente, conta uma história pessoal sobre como enfrentou um desafio específico com sucesso e depois simplesmente agradece pela minha participação nele. São homens e mulheres, velhos e jovens, tímidos e sociáveis, assalariados e abastados. Mas têm algo em comum: todos se sentiram impotentes diante de grandes pressões e da ansiedade, e todos descobriram um jeito bem simples de se livrar daquela sensação de impotência, pelo menos naquele momento.

Para a maioria dos escritores, primeiro vem o livro, depois, as reações. Para mim, foi o contrário. Primeiro conduzi uma série de experimentos que deram origem a uma palestra na conferência TEDGlobal em 2012. Naquela palestra, apresentei algumas descobertas intrigantes, de pesquisas pessoais e de terceiros, sobre como nosso corpo pode influenciar nosso cérebro e nosso comportamento. (Foi aí que descrevi aquele negócio da Mulher-Maravilha no banheiro mencionado por Fetaine – que detalharei a seguir –, um gesto capaz de aumentar rapidamente nossa confiança e reduzir nossa ansiedade em situações desafiadoras.) Também compartilhei minhas batalhas pessoais contra a síndrome do impostor e como aprendi a me induzir a me sentir e realmente me tornar mais confiante. Referi-me a esse fenômeno como “Finja até virar verdade”.

Com certeza aqueles temas eram importantes para mim, mas eu não sabia se teriam repercussão na plateia. E então, imediatamente após o vídeo de 21 minutos da palestra ser postado na internet, comecei a receber feedback das pessoas que o viram.

Claro que assistir à minha palestra não forneceu a Fetaine os conhecimentos dos quais ela necessitava para se sair bem nas provas. Ela não adquiriu milagrosamente a absoluta compreensão das características das bactérias ou da aplicação do teorema da energia cinética. Mas minhas palavras talvez a tenham libertado do medo que a impedia de expressar as coisas que sabia. A sensação de impotência nos engole – levando junto tudo aquilo em que acreditamos, que sabemos e sentimos. Encobre quem somos, tornando-nos invisíveis. Chega até a nos alienar de nós mesmos.

O contrário de impotência deve ser poder, certo? Em certo sentido, é verdade, mas não é tão simples assim. As pesquisas que venho fazendo há anos agora se juntam a um grande corpo investigativo a respeito de uma qualidade que denomino presença. A presença advém de acreditar e confiar em si – em seus sentimentos, valores e habilidades reais e genuínos. Isso é importante porque, se você não confiar em si, como os outros poderão confiar? Não importa se estamos falando diante de duas pessoas ou de 5 mil, sendo entrevistados para um emprego, negociando um aumento ou vendendo uma ideia de negócio a investidores em potencial, falando por nós ou por terceiros, todos vivemos momentos intimidantes que precisam ser encarados com equilíbrio se quisermos alcançar a satisfação e progredir em nossa vida. A presença nos permite crescer para estar à altura desses momentos.

O caminho que me levou àquela palestra e a essa descoberta revolucionária foi tortuoso, para dizer o mínimo. Mas o seu começo é bem nítido.

Consigo me lembrar com clareza das caricaturas e dos recados carinhosos deixados pelos meus amigos no quadro de avisos. Estou no segundo ano da faculdade. Acordo num quarto de hospital e olho em volta – cartões e flores por todos os lados. Estou exausta. Mas também ansiosa e agitada. Mal consigo manter os olhos abertos. Nunca me senti assim. Não entendo o que acontece, mas me falta energia para tentar compreender. Adormeço.

A situação se repete – muitas vezes.

Minha última lembrança clara antes de acordar no hospital era a de estar viajando de Missoula, Montana, até Boulder, Colorado, na companhia de duas amigas com quem eu dividia o apartamento. Havíamos ido a Missoula para ajudar a organizar uma conferência dos alunos da Universidade de Montana e visitar amigos. Deixamos Missoula no início da noite de um domingo. Estávamos tentando voltar a Boulder a tempo de pegar as aulas da manhã. Fazendo um retrospecto agora, especialmente hoje que sou mãe, vejo como aquilo foi insensato, considerando que a viagem de carro entre Missoula e Boulder leva de 13 a 14 horas. Mas tínhamos 19 anos.

Dispúnhamos do que julgávamos ser um bom plano: cada uma de nós dirigiria um terço da viagem. Uma passageira ficaria acordada para ajudar a motorista a permanecer alerta, enquanto a outra descansaria num saco de dormir na traseira do Jeep Cherokee. Cumpri meu turno ao volante. Depois fui a passageira ativa, de olho na motorista. Eu adorava as pessoas que estavam comigo. Adorava a vastidão do Oeste. Adorava o descampado. Nenhum farol para nos ofuscar na rodovia. Aí chegou minha vez de dormir no banco traseiro.

Conforme fiquei sabendo mais tarde, eis o que aconteceu: minha amiga estava dirigindo no pior turno – aquela hora da noite em que você sente que é a única pessoa acordada no mundo inteiro. Não apenas estávamos no meio da noite como estávamos no meio da noite no meio do estado de Wyoming. Muito escuro, muito vasto, muito solitário. Pouca coisa para manter você acordado. Lá pelas quatro da madrugada, a amiga que dirigia saiu da estrada. Ao passar pelo sonorizador no acostamento, deu uma guinada na direção oposta. O carro capotou várias vezes. As meninas no banco da frente estavam usando cinto de segurança. Eu, que dormia atrás, fui ejetada. O lado direito da minha testa bateu na estrada.

Sofri uma lesão cerebral traumática. Mais especificamente, sofri uma lesão axonal difusa, LAD. Numa LAD, o cérebro é submetido à chamada “tensão de cisalhamento”, que geralmente ocorre devido a uma aceleração rotacional grave, algo bem comum em acidentes de carro. Imagine o que acontece num desastre automobilístico em alta velocidade: com a mudança súbita e extrema de velocidade no impacto, seu corpo para abruptamente, mas seu cérebro continua a se mover e às vezes até gira dentro da caixa craniana, coisa que não deveria fazer, e pode colidir contra as paredes do crânio. A força do impacto da minha cabeça na estrada (fato que causou uma fratura craniana) também não ajudou.

O cérebro foi feito para existir num espaço seguro, protegido pelo crânio e amortecido por diversas membranas finas, chamadas meninges, e pelo líquido cefalorraquidiano. O crânio é amigo do cérebro, mas os dois nunca devem se tocar. As tensões de cisalhamento de uma lesão grave na cabeça rasgam e estiram neurônios e suas fibras, denominadas axônios, dentro do cérebro. Assim como fios elétricos, os axônios são isolados por um revestimento protetor que se chama bainha de mielina. Mesmo que um axônio não seja danificado, o dano à bainha de mielina pode reduzir significativamente a velocidade com que as informações viajam de um neurônio a outro.

Em uma LAD, a lesão ocorre por todo o cérebro, diferentemente do que ocorre em uma lesão cerebral focal, como um tiro de arma de fogo, onde o dano atinge um ponto bem específico. Tudo que o cérebro faz depende da comunicação entre os neurônios. Quando os neurônios por todo o cérebro estão danificados, sua comunicação inevitavelmente fica prejudicada. Assim, quando você sofre uma LAD, nenhum médico irá lhe dizer: “Bem, a lesão se deu na região motora, portanto você terá problemas com os movimentos.” Ou: “É na região da fala; você terá dificuldades para elaborar e processar a fala.” Eles não saberão se você vai ser recuperar, até que ponto se recuperará ou quais funções cerebrais serão afetadas: sua memória ficará prejudicada? Suas emoções? Seu raciocínio espacial? Sua coordenação motora fina? Considerando o pouco que se entende sobre LADs, as chances de um médico fornecer um prognóstico preciso são pequenas.

Após uma LAD, você se torna uma pessoa diferente. De várias maneiras. O modo como pensa, sente, se expressa, reage, interage: todas essas extensões são afetadas. Além disso tudo, sua capacidade de compreender a si mesmo provavelmente também é afetada, de modo que você não é mais capaz de saber exatamente como seu eu mudou. E ninguém – NINGUÉM – pode lhe dizer o que esperar.

Deixe-me dar uma explicação sobre o que ocorreu com meu cérebro tal como entendi naquela época.

Então lá estava eu no hospital. Naturalmente, havia sido afastada da faculdade e meus médicos expressaram sérias dúvidas sobre se chegaria a ficar cognitivamente apta a retornar aos estudos. Dadas a gravidade da minha lesão e as estatísticas de pessoas com lesões semelhantes, eles disseram: Não espere concluir a faculdade. Você vai ficar bem – “altamente funcional” –, mas deveria pensar em achar outra coisa para fazer. Soube que meu QI havia caído 30 pontos – dois desvios padrão. Soube disso não porque um médico me explicou, mas porque o QI fazia parte de uma bateria de dois dias de testes de neuropsicologia que precisei enfrentar, e recebi um longo relatório que incluía esse resultado. Os médicos não julgaram importante explicar isso para mim. Ou será que acharam que eu não era inteligente o suficiente para entender? Não quero dar ao QI mais crédito do que ele merece. Não estou fazendo nenhuma alegação sobre sua capacidade de prever os resultados da vida. Mas na época era algo que eu acreditava quantificar minha inteligência. Assim, pela minha compreensão, segundo os médicos, deixei de ser inteligente, e senti isso fortemente.

Passei por terapia ocupacional, terapia cognitiva, fonoaudiologia, fisioterapia, orientação psicológica. Cerca de seis meses após o acidente, eu estava em casa para passar o verão e algumas das minhas amigas mais íntimas, as quais haviam nitidamente se afastado de mim, disseram: “Você não é mais a mesma.” Como duas pessoas que pareciam me entender mais do que todo mundo eram capazes de dizer que eu já não era mais eu? De que jeito eu estava diferente? Elas não conseguiam me enxergar ali; eu também não conseguia mais me enxergar naquela pessoa.

Uma lesão na cabeça deixa você confuso, ansioso e frustrado. Quando seus médicos informam não saber o que você deve esperar e seus amigos dizem que você está diferente, isso com certeza amplia toda a confusão, ansiedade e frustração.

Passei o ano seguinte na incerteza: ansiosa, desorientada, tomando decisões ruins, sem saber direito o que faria a seguir. Depois, voltei à faculdade. Mas ainda era cedo. Eu não conseguia raciocinar. Não conseguia processar as informações orais adequadamente. Era como se estivesse ouvindo alguém falando metade numa língua que eu conhecia, metade numa língua que eu ignorava, o que me deixava ainda mais frustrada e ansiosa. Tive de largar a faculdade porque não estava acompanhando as aulas.

Embora tivesse fraturado vários ossos e ganhado umas cicatrizes feias no acidente, eu parecia fisicamente inteira. E, como as lesões cerebrais traumáticas costumam ser invisíveis aos outros, as pessoas diziam coisas do tipo: “Uau, você é sortuda! Poderia ter quebrado o pescoço!”

“Sortuda?”, eu pensava. Aí me sentia culpada e envergonhada por estar irritada com aqueles comentários bem-intencionados.

Jamais esperamos que nossa forma de pensar, nosso intelecto, nosso afeto, nossa personalidade se modifiquem um dia; nós os consideramos definitivos. Tememos sofrer um acidente que nos deixe paralisados, mude nossa capacidade de locomoção ou provoque a perda da audição ou da visão. Mas não pensamos num acidente que cause a perda de nós mesmos.

Por muitos anos após a lesão na cabeça, fiquei tentando simular meu eu anterior… embora não soubesse realmente quem era aquele eu anterior. Eu me sentia uma impostora, uma impostora no meu próprio corpo. Tive de reaprender a aprender. Vivia tentando recomeçar a faculdade, pois não conseguia aceitar as pessoas me dizerem que eu não era capaz.

Estudar era bem mais difícil para mim do que para os outros. Aos poucos, enfim, e para meu alívio absoluto, minha clareza mental começou a voltar. Concluí a faculdade quatro anos depois de meus colegas pré-acidente.

Uma das razões para eu ter persistido foi haver encontrado algo que gostava de estudar: psicologia. Após a faculdade, consegui ingressar numa profissão que requeria um cérebro em pleno funcionamento. Ao longo do percurso, não surpreende que eu tenha me tornado uma pessoa para quem todos aqueles questionamentos sobre presença e poder, confiança e dúvida assumiram uma enorme importância.

Minha lesão me levou a estudar a ciência da presença, mas foi minha palestra no TED que me fez perceber como o anseio por ela é universal. Pois a verdade é que a maioria das pessoas lida com desafios estressantes diariamente. Indivíduos em todos os cantos do mundo de todas as profissões tentam ganhar coragem para falar em público, encarar uma entrevista de emprego, fazer um teste para um papel, enfrentar uma adversidade a cada dia, lutar por suas crenças ou simplesmente encontrar a paz sendo quem são. Isto se aplica tanto aos sem-teto quanto a profissionais altamente bem-sucedidos pelos padrões tradicionais. Vítimas de bullying, preconceito e violência sexual, refugiados políticos, pessoas com distúrbios mentais ou que sofreram ferimentos graves – todas elas enfrentam esses desafios. Assim como todas aquelas que trabalham para ajudar essa gente: pais, cônjuges, filhos, orientadores, médicos, colegas e amigos.

Todas essas pessoas me obrigaram a examinar minhas pesquisas de um jeito novo: elas ao mesmo tempo me afastam e me aproximam da ciência. Ouvindo suas histórias, fui obrigada a refletir sobre como as descobertas da ciência social de fato se aplicam ao mundo real. Comecei a me interessar por realizar estudos que mudem vidas de uma forma positiva. Mas comecei também a formular perguntas básicas que talvez jamais me ocorressem caso eu tivesse permanecido dentro do laboratório, mergulhada em literatura.

A princípio fiquei aturdida com as reações à palestra no TED e dominada pela sensação de que talvez tivesse cometido um grande erro ao partilhar minhas pesquisas e minha história pessoal. Não esperava que tantos desconhecidos assistissem ao vídeo e não tinha ideia de como ia me sentir vulnerável e exposta. É o que acontece com qualquer um que é acolhido pela internet e depois apresentado ao mundo todo de uma só vez. Algumas pessoas reconhecerão você em público. E isso requer certa adaptação – seja um desconhecido pedindo para eu posar de Mulher-Maravilha com ele para uma selfie ou alguém berrando de um riquixá (como aconteceu em Austin): “Ei! É a moça do TED!”

Fora tudo isso, me sinto incrivelmente sortuda por ter tido a oportuni­dade de dividir aquela pesquisa e minha história com tantas pessoas, e ainda mais sortuda por tantas pessoas dividirem suas histórias comigo.

Adoro o ambiente acadêmico, mas encontro muita inspiração fora do laboratório e da sala de aula. Uma das vantagens de estar na Harvard Business School é que sou incentivada a transpor aquela fronteira entre teoria e prática, de modo que eu já havia começado a falar às pessoas nas empresas sobre como a pesquisa se aplica, o que vem funcionando, onde estão os problemas e coisas semelhantes. Mas não previ que aquele mundo de desconhecidos atenciosos se abriria para mim depois que a palestra do TED foi postada.

Agora vejo que uma palestra pode funcionar como uma canção – percebo como as pessoas a personalizam, conectam-se a ela, sentem-se validadas sabendo que outra pessoa sentiu o mesmo que elas. Como disse certa vez Dave Grohl, da banda Foo Fighters: “Esta é uma das grandes virtudes da música: você pode cantar uma canção para 85 mil pessoas e elas a cantarão de volta por 85 mil razões diferentes.”

Eu estava falando num abrigo para jovens sem-teto e pedi aos moradores que me contassem sobre as situações que achavam mais desafiadoras. Um adolescente disse: “Chegar à entrada deste abrigo.” Em outro abrigo, uma mulher disse: “Ligar para solicitar serviços, ajuda ou apoio. Sei que vou aguardar por um bom tempo e aí a pessoa do outro lado da linha vai ser rude e intolerante.” Ouvindo isso, outra mulher no abrigo respondeu: “Eu já trabalhei num call center e ia dizer: ‘Atender chamadas de pessoas que você sabe que estão frustradas e zangadas, e que estavam aguardando há um bom tempo enquanto eu tentava lidar com mil outras chamadas.’”

Milhares de pessoas me escreveram para contar sobre seus desafios – uma gama de problemas que me surpreendeu, contextos nos quais jamais imaginei poder aplicar esta pesquisa. A maioria dos e-mails começava com algo do tipo “Como sua palestra ajudou a…”, e, entre os mais diversos assuntos, estavam: lidar com familiares portadores da doença de Alzheimer; um colega com lesão cerebral, adultos com deficiências físicas, um veterano da Segunda Guerra Mundial que “perdeu seu orgulho”; crianças vítimas de bullying, estudantes do quinto ano com medo de matemática; o filho com autismo; encarar uma entrevista para ser admitido na faculdade; fechar um grande negócio; comprar a casa própria; recuperar-se de um trauma; competir num torneio esportivo importante; ter autoconfiança; passar numa prova concorrida; propor uma ideia nova ao chefe; encontrar a própria voz e expressar suas ideias. E isso é só uma amostra.

Todas as reações que recebi à palestra do TED são dádivas que me ajudaram a entender melhor como e por que esta pesquisa repercute. Em suma: as histórias me ajudaram a escrever este livro e me motivaram a fazê-lo. Elas vêm de todas as partes do mundo, de indivíduos de todas as profissões, e vou compartilhar muitas delas nas páginas a seguir. Talvez, no meio desses relatos, você encontre ecos da sua história.

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Amy Cuddy

Sobre o autor

Amy Cuddy

Pesquisadora, palestrante e professora da Harvard Business School, mas sua carreira ficou muito próxima de nem sequer ter começado. Quando era adolescente, Amy sofreu um traumatismo craniano em um grave acidente de carro, e, contrariando o diagnóstico dos médicos, conseguiu recuperar completamente a capacidade mental e se formou em Psicologia. Em Harvard, ela estuda as relações entre sucesso, influência e linguagem corporal. Suas pesquisas foram publicadas em jornais acadêmicos de grande prestígio e mencionadas em periódicos como The New York Times, The Wall Street Journal, The Economist, Wired e Fast Company. Foi apontada pela Business Insider como uma das 50 Mulheres que estão Mudando o Mundo e eleita Jovem Líder Global pelo Fórum Econômico Mundial. O poder da presença é baseado na palestra de Amy Cuddy “Sua linguagem corporal molda quem você é”, a segunda TED Talk mais assistida de todos os tempos.

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