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AUTOAJUDA

O ponto de equilíbrio

O ponto de equilíbrio

CHRISTINE CARTER

Como obter o máximo de resultados com o mínimo de esforço

Como obter o máximo de resultados com o mínimo de esforço

“Estar em seu ponto de equilíbrio é sentir-se ao mesmo tempo calmo e energizado, realizado e feliz, forte e tranquilo. Neste livro, a Dra. Christine Carter ilumina o caminho simples e sólido que leva a esse estado precioso.” – Deepak Chopra

 

“Nossa vida é um conjunto de engrenagens de diferentes tamanhos. Em geral, tentamos melhorá-la modificando as peças maiores: casando ou divorciando, mudando para outra cidade ou pedindo demissão. Às vezes é mesmo necessário girar esse mecanismo. Mas as engrenagens maiores são difíceis de mover. Este livro vai ajudar você a mudar as menores, aquelas que correm com relativa facilidade. E, como todas estão interligadas, ao ajustarmos uma engrenagem menor, as maiores também se moverão – e sem esforço.” – Christine Carter

Você não precisa abrir mão da carreira para viver sem estresse nem deve sacrificar suas poucas horas de lazer para ser mais produtivo – basta encontrar seu ponto de equilíbrio, um estado em que você é capaz de fazer mais se esforçando menos.

Essa foi a conclusão a que chegou a socióloga Christine Carter. Sentindo-se sobrecarregada ao tentar conciliar os papéis de escritora, palestrante e mãe, ela lançou mão de seu vasto conhecimento sobre felicidade e alta performance e testou em si mesma diversas técnicas que prometiam trazer mais eficiência ou mais tranquilidade.

Acabou descobrindo que o ideal é unir nossas paixões, nossa vocação e nosso trabalho – três forças que, quando combinadas, nos dão entusiasmo e serenidade para enfrentar qualquer situação.

Abordando temas como o excesso de trabalho, a falta de tempo e a distração causada pelo mundo virtual, O ponto de equilíbrio apresenta técnicas para você promover uma mudança significativa em sua vida.

Seja instituindo micro-hábitos que poupam tempo ou girando grandes engrenagens para converter a tensão em energia criativa, você vai aprender a:

• Aumentar a proporção de emoções positivas no seu dia a dia e eliminar os hábitos negativos que sabotam o seu bem-estar.

• Parar de tentar fazer tudo certo e começar a fazer apenas as coisas certas.

• Aprender a dizer “não” quando necessário – sem se sentir culpado por isso.

• Deixar de ser multitarefa e ganhar mais eficiência.

• Usar a tecnologia para aumentar – e não drenar – sua energia.

“Estar em seu ponto de equilíbrio é sentir-se ao mesmo tempo calmo e energizado, realizado e feliz, forte e tranquilo. Neste livro, a Dra. Christine Carter ilumina o caminho simples e sólido que leva a esse estado precioso.” – Deepak Chopra

 

“Nossa vida é um conjunto de engrenagens de diferentes tamanhos. Em geral, tentamos melhorá-la modificando as peças maiores: casando ou divorciando, mudando para outra cidade ou pedindo demissão. Às vezes é mesmo necessário girar esse mecanismo. Mas as engrenagens maiores são difíceis de mover. Este livro vai ajudar você a mudar as menores, aquelas que correm com relativa facilidade. E, como todas estão interligadas, ao ajustarmos uma engrenagem menor, as maiores também se moverão – e sem esforço.” – Christine Carter

Você não precisa abrir mão da carreira para viver sem estresse nem deve sacrificar suas poucas horas de lazer para ser mais produtivo – basta encontrar seu ponto de equilíbrio, um estado em que você é capaz de fazer mais se esforçando menos.

Essa foi a conclusão a que chegou a socióloga Christine Carter. Sentindo-se sobrecarregada ao tentar conciliar os papéis de escritora, palestrante e mãe, ela lançou mão de seu vasto conhecimento sobre felicidade e alta performance e testou em si mesma diversas técnicas que prometiam trazer mais eficiência ou mais tranquilidade.

Acabou descobrindo que o ideal é unir nossas paixões, nossa vocação e nosso trabalho – três forças que, quando combinadas, nos dão entusiasmo e serenidade para enfrentar qualquer situação.

Abordando temas como o excesso de trabalho, a falta de tempo e a distração causada pelo mundo virtual, O ponto de equilíbrio apresenta técnicas para você promover uma mudança significativa em sua vida.

Seja instituindo micro-hábitos que poupam tempo ou girando grandes engrenagens para converter a tensão em energia criativa, você vai aprender a:

• Aumentar a proporção de emoções positivas no seu dia a dia e eliminar os hábitos negativos que sabotam o seu bem-estar.

• Parar de tentar fazer tudo certo e começar a fazer apenas as coisas certas.

• Aprender a dizer “não” quando necessário – sem se sentir culpado por isso.

• Deixar de ser multitarefa e ganhar mais eficiência.

• Usar a tecnologia para aumentar – e não drenar – sua energia.

Compre agora:

Ficha técnica
Lançamento 15/03/2016
Título original THE SWEET SPOT
Tradução ANDRÉ FIKER
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 256
Peso 400 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0346-4
EAN 9788543103464
Preço R$ 34,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788543103471
Preço R$ 21,99
Lançamento 15/03/2016
Título original THE SWEET SPOT
Tradução ANDRÉ FIKER
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 256
Peso 400 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0346-4
EAN 9788543103464
Preço R$ 34,90

E-book

eISBN 9788543103471
Preço R$ 21,99

Leia um trecho do livro

INTRODUÇÃO

Encontrando força e tranquilidade

“Todos nós temos um ponto de equilíbrio, um ponto certo em que tudo parece fluir, onde nos sentimos felizes, competentes, em sintonia com tudo ao nosso redor e especialmente talentosos e bem-sucedidos. Parece mágica, mas não é.”
– Peter Bregman

Este livro nasceu de uma tentativa de ter tudo. Seria possível atingir o meu pleno potencial profissional e também ter uma vida familiar gratificante? Seria possível ser uma ótima mãe e ao mesmo tempo satisfazer as minhas próprias necessidades? Seria possível ser bem-sucedida e feliz sem ter estresse e ansiedade?

Passei a última década estudando bem-estar e desempenho, então sei muito bem o que fazer para ser feliz e bem-sucedida. Afinal, oriento pessoas do mundo todo acerca destes tópicos. Mas, para ser honesta, no que dizia respeito à minha vida pessoal, eu costumava falar mais do que fazer. Cinco anos atrás eu era uma mãe solteira, com três cansativos empregos de meio período, e minha vida era uma confusão. Sim, eu e meus filhos conseguíamos jantar juntos quase todas as noites e expressar gratidão pelo que tínhamos. Em alguns aspectos eu praticava aquilo que pregava. Mas, em outros, era contaminada pela pressa do mundo moderno – sempre com medo de desacelerar. Eu tinha perdido o meu equilíbrio.

A vida hoje é cheia de pressão. Até as pessoas mais talentosas e privilegiadas lutam para equilibrar infindáveis compromissos profissionais e familiares, administrar uma torrente massiva de informação e e-mails e lidar com níveis extraordinários de estresse. Apenas 17% da população adulta prospera cumprindo seu potencial de felicidade, sucesso e produtividade.

Observe esta descrição da vida de um trabalhador americano, feita pela filósofa Sara Robinson, em uma dissertação sobre o desaparecimento da semana de 40 horas de trabalho:

Se neste momento você for sortudo o bastante para ter um emprego, deve estar fazendo de tudo para mantê-lo. Se seu chefe pede 50 horas de trabalho, você cumpre 55. Se ele demanda 60, você desiste dos sábados e cumpre 65. Talvez esteja fazendo isso há meses, ou anos, à custa da sua vida familiar, da rotina de exercícios, da dieta e da sua sanidade. Pode estar estafado e inteiramente esquecido por seu cônjuge, seus filhos e seu cachorro. Mas segue em frente mesmo assim, pois todos sabem que trabalhar sem parar demonstra que você é “entusiasmado” e “produtivo” – o tipo de pessoa que talvez tenha uma chance de sobreviver à próxima rodada de demissões.

Agora pense nestes dados: 66% dos pais com empregos dizem que não dão conta de tudo que têm para fazer; 57% sentem que não passam tempo suficiente com a família; e 46% reconhecem que não têm tempo para o lazer. De fato, nossos ancestrais, 100 anos atrás, dedicavam mais tempo ao lazer do que a maioria de nós atualmente.

E o mais estranho é que, segundo Robinson, na maior parte do século XX o consenso geral era que “trabalhar mais de 40 horas por semana é excessivo, perigoso e dispendioso – e consiste no sintoma mais claro de uma gestão incompetente”. Além disso, mais de 100 anos de pesquisas revelam que “cada hora que você trabalha acima do patamar de 40 horas semanais reduz sua eficiência e produtividade, tanto a curto como a longo prazo”. A maioria das pessoas enxerga isso de forma intuitiva, mas ainda assim se surpreende ao ouvir que é verdade.

O bom senso é tão amplamente ignorado que a sobrecarga de trabalho – e os problemas de saúde, estado de espírito e produtividade que a acompanham – é epidêmica. Os mesmos dispositivos que, nos dias de hoje, facilitam a nossa vida também nos fazem trabalhar mais. Podemos nos comunicar com colegas a qualquer hora do dia ou da noite, por telefone, mensagem de texto ou e-mail. Em vez de iniciarmos o trabalho às oito da manhã, começamos às seis, quando desligamos o despertador em nossos smartphones e verificamos os e-mails que chegaram durante a noite. Embora seja verdade que novas tecnologias poupam tempo, às vezes isso não importa muito, pois preenchemos o “novo” tempo de formas que não aumentam nem nossa produtividade nem nossa felicidade. Compreendo este paradoxo tanto no plano intelectual quanto no pessoal, quando penso na vida que eu tinha alguns anos atrás.

Eu fazia trabalhos que realmente amava – era mãe e coach pessoal, socióloga no Greater Good Science Center, na Universidade de Berkeley, dava palestras, escrevia livros e mantinha um blog. Mas a logística da vida de mãe solteira com três empregos estava me deixando exausta e sem paciência com as pessoas que mais amava. Eu parecia nunca descansar; não sentava para ver um filme ou ler um bom livro, e jamais encontrava minhas amigas. Cada minuto do dia era necessário para responder a e-mails, resolver questões práticas, levar as crianças de um lado para outro e organizar as coisas em alguma das diversas listas de tarefas e agendas.

Enquanto a vida profissional ia muito bem, sentia que meu desempenho como mãe deixava a desejar. Eu havia lançado uma plataforma de ensino on-line, tinha acabado de me mudar para outra cidade e viajava o tempo todo para dar palestras. Os diversos fusos horários e a necessidade de providenciar cuidados para meus filhos enquanto estava longe me deixaram esgotada.

Certa manhã, fui parar no hospital com uma dor excruciante, desidratação, febre de 39 graus e infecção renal. Para piorar tudo, na semana seguinte teria que dar uma palestra para um grande público em Atlanta. Sabia que não seria capaz. Comecei a torcer para que o médico insistisse em minha permanência no hospital. Estava tendo uma “fantasia hospitalar” – algo de que já tinha ouvido falar, mas que em minha mente acometia apenas outras mulheres. Não precisava ser nada sério, só o bastante para passar alguns dias no hospital e poder dormir!

Eu tinha consciência de que em breve melhoraria, mas estava cansada demais. Escrevi para os organizadores da conferência, que ficaram furiosos por eu enviar um e-mail em vez de telefonar e por não ter avisado antes de adoecer tanto a ponto de ser hospitalizada. Eles não tornariam a agendar palestras minhas. Fiquei arrasada. Após uma vida inteira de sucesso e perfeccionismo, decepcionar aquelas pessoas foi tão doloroso quanto a própria infecção que eu sofrera.

Aquele breve período no hospital me levou a começar a série de experimentos que culminariam neste livro. Seria possível trazer a alegria de volta à minha vida? Parecia arriscado, como se eu tivesse que abrir mão de recompensas financeiras e sucesso profissional em troca de tempo para descansar. Mas eu queria uma vida mais tranquila: poder parar e conversar com o vizinho, brincar com meu cachorro e apreciar sua alegria (sem estar ao mesmo tempo no telefone, cuidando de negócios), desfrutar de fins de semana inteiros indo a exposições de arte, lendo por puro prazer e simplesmente aproveitando a companhia dos meus filhos.

Eu precisava sair da roda-viva corporativa e retomar meu equilíbrio. Esse equilíbrio é um estado em que você é capaz de realizar mais com menos esforço. É possível compreender esse conceito fazendo uma analogia com alguns esportes. Por exemplo, ao jogar tênis percebo quando acerto a bola no ponto perfeito da raquete – a bola é lançada com tranquilidade e potência por cima da rede. Quando acerto a bola com outra parte da raquete, o golpe é mais fraco e há um elemento de desgaste. Consigo sentir a resistência – uma espécie de solavanco no meu corpo. Se passo tempo demais acertando a bola longe daquele ponto específico, tendo a ficar cansada ou dolorida de uma forma que ultrapassa a fadiga normal.

Na vida acontece como nos esportes. Mesmo quando “acertamos” com algum sucesso, por vezes sentimos o desgaste, o estresse e a resistência. Como uma jovem gestora de marketing, eu fazia bem meu trabalho, e fui recompensada com projetos interessantes e várias promoções. Mas, como trabalhar no marketing de uma grande corporação não combinava com minha personalidade, não conseguia encontrar o encaixe perfeito. Eu acertava, mas não havia real tranquilidade. Sempre existia um elemento de estresse e de resistência, que vinha da sensação de estar no emprego errado da raquete. Eu acertava a bola, mas no ponto errado da raquete.

Uma década depois, embora continuasse “acertando”, me sentia fora do meu ponto de equilíbrio de novo; dessa vez não necessariamente por me encontrar na área errada. Havia atividades que eu amava, mas o problema era a estrutura do meu trabalho. Eu tinha um livro na lista dos mais vendidos e uma posição de prestígio como diretora executiva do reverenciado centro de pesquisas da Universidade de Berkeley – mas estar fora do meu eixo era exaustivo e acabou prejudicando minha saúde.

Como mãe, também há dias nos quais perco completamente o equilíbrio. Não que eu falhe em minhas obrigações, mas, quando isso acontece, alimentar as crianças e colocá-las para dormir, por exemplo, me deixa exausta. Consigo dar conta de tudo, mas encarar essa rotina tão trivial torna-se um fardo.

Quando estamos fora de nosso eixo, seja no emprego ou em casa, não só sentimos mais fadiga e exaustão, como também deixamos de atingir nosso potencial máximo. Perdemos a sensação de “fluxo”, que é quando o tempo para e os sentimentos de pressão desaparecem, e a vida e o trabalho não parecem mais tão difíceis.

Atletas aumentam suas chances de atingir aquele ponto perfeito – o equilíbrio, para onde todas as forças parecem convergir – no momento em que aprendem a “sentir a tacada”. A sensação de encaixe exato é clara, e eles sabem intuitivamente que tudo está alinhado.

Atingir o ponto de equilíbrio não exige pensamento consciente; nossa mente inconsciente demonstra, através do corpo, que estamos lá. O conhecimento inconsciente é poderoso – e muito mais abrangente do que o consciente. Pense que o cérebro consciente processa informações a mais ou menos 50 bits por segundo, enquanto a mente inconsciente as processa a cerca de 11 milhões de bits por segundo. Cinquenta contra 11 milhões. Não é uma diferença pequena, e significa que nossa mente inconsciente está o tempo todo nos informando acerca das experiências que vivemos, tanto internas como externas, por meio do nosso corpo. É só prestarmos atenção.

Tente dar ouvidos ao que seu corpo lhe diz neste exato momento. Fale algo profundamente falso em voz alta, de preferência para outra pessoa. Alguma coisa como “eu adoro quando meu chefe me humilha na frente da equipe” ou “eu amo ter gastrite”. Como seu corpo reage? A reação é muito sutil: um espasmo muscular quase imperceptível, uma tensão no maxilar ou uma leve contração dos ombros. Quando digo coisas que minha mente inconsciente odeia, meu corpo tenta me alertar. Se passo tempo demais fora do meu ponto de equilíbrio, fazendo aquilo que me parece errado, acabo sentindo alguma dor.

Agora diga em voz alta qualquer coisa que seja verdade para você, como “amo o mar” ou “adoro embalar o meu bebê”. Como seu corpo responde? Quando falo, ou ouço de outra pessoa, uma afirmação muito verdadeira para mim, sinto um “arrepio da verdade”. Se estou enfrentando uma questão complicada e de repente a resposta certa me ocorre, tenho “lágrimas da verdade”. Elas me proporcionam uma sensação qualitativamente diferente das lágrimas que vêm do pesar ou da dor.

Buda certa vez disse que “assim como podemos reconhecer o oceano porque ele sempre tem gosto de sal, também reconhecemos a luz porque ela sempre tem gosto de liberdade”. Nosso ponto de equilíbrio tem gosto de liberdade e força. Fora dele, o gosto é de restrição e contrição. Na vida, assim como nos esportes, sentimos no corpo o desgaste por não estarmos bem. Os ombros incomodam, as costas doem, o estômago revira. Sentimos a resistência quando acertamos a bola com a beirada da raquete. Talvez a bola até passe da rede – ou apareça algum cliente ou promoção –, mas sentimos a tensão.

As táticas normalmente usadas para dar conta do trabalho – fazer muitas coisas ao mesmo tempo e usar a tecnologia para amontoar mais obrigações – tendem a sair pela culatra. Foi o que aconteceu comigo: fiquei doente, exausta e muito menos produtiva, feliz e inteligente do que sou agora. Encontramos o equilíbrio ao compreender a arquitetura da nossa mente e a biologia da tranquilidade. Mudamos a vida para melhor quando usamos táticas que fluem em harmonia com nosso cérebro e nossa fisiologia, não contra eles.

Para muitas pessoas, estar em equilíbrio consiste em voltar a viver com tranquilidade. E tranquilidade significa coisas diferentes para indivíduos diferentes. Alguns buscarão este livro porque precisam navegar em águas menos turbulentas. Outros, porque necessitam impulsionar sua criatividade e sua habilidade de manter um alto desempenho numa economia muito competitiva. Há aqueles que procuram apenas uma vida mais prazerosa e gratificante. Muitos são como eu era, felizes de modo geral, mas também exaustos e sobrecarregados.

Não importa qual seja o seu propósito: todos podemos encontrar nosso ponto de equilíbrio e dele tirarmos a força para nos tornar mais produtivos e bem-sucedidos, assim como a tranquilidade e a liberdade para conquistar a felicidade.

INTRODUÇÃO

Encontrando força e tranquilidade

“Todos nós temos um ponto de equilíbrio, um ponto certo em que tudo parece fluir, onde nos sentimos felizes, competentes, em sintonia com tudo ao nosso redor e especialmente talentosos e bem-sucedidos. Parece mágica, mas não é.”
– Peter Bregman

Este livro nasceu de uma tentativa de ter tudo. Seria possível atingir o meu pleno potencial profissional e também ter uma vida familiar gratificante? Seria possível ser uma ótima mãe e ao mesmo tempo satisfazer as minhas próprias necessidades? Seria possível ser bem-sucedida e feliz sem ter estresse e ansiedade?

Passei a última década estudando bem-estar e desempenho, então sei muito bem o que fazer para ser feliz e bem-sucedida. Afinal, oriento pessoas do mundo todo acerca destes tópicos. Mas, para ser honesta, no que dizia respeito à minha vida pessoal, eu costumava falar mais do que fazer. Cinco anos atrás eu era uma mãe solteira, com três cansativos empregos de meio período, e minha vida era uma confusão. Sim, eu e meus filhos conseguíamos jantar juntos quase todas as noites e expressar gratidão pelo que tínhamos. Em alguns aspectos eu praticava aquilo que pregava. Mas, em outros, era contaminada pela pressa do mundo moderno – sempre com medo de desacelerar. Eu tinha perdido o meu equilíbrio.

A vida hoje é cheia de pressão. Até as pessoas mais talentosas e privilegiadas lutam para equilibrar infindáveis compromissos profissionais e familiares, administrar uma torrente massiva de informação e e-mails e lidar com níveis extraordinários de estresse. Apenas 17% da população adulta prospera cumprindo seu potencial de felicidade, sucesso e produtividade.

Observe esta descrição da vida de um trabalhador americano, feita pela filósofa Sara Robinson, em uma dissertação sobre o desaparecimento da semana de 40 horas de trabalho:

Se neste momento você for sortudo o bastante para ter um emprego, deve estar fazendo de tudo para mantê-lo. Se seu chefe pede 50 horas de trabalho, você cumpre 55. Se ele demanda 60, você desiste dos sábados e cumpre 65. Talvez esteja fazendo isso há meses, ou anos, à custa da sua vida familiar, da rotina de exercícios, da dieta e da sua sanidade. Pode estar estafado e inteiramente esquecido por seu cônjuge, seus filhos e seu cachorro. Mas segue em frente mesmo assim, pois todos sabem que trabalhar sem parar demonstra que você é “entusiasmado” e “produtivo” – o tipo de pessoa que talvez tenha uma chance de sobreviver à próxima rodada de demissões.

Agora pense nestes dados: 66% dos pais com empregos dizem que não dão conta de tudo que têm para fazer; 57% sentem que não passam tempo suficiente com a família; e 46% reconhecem que não têm tempo para o lazer. De fato, nossos ancestrais, 100 anos atrás, dedicavam mais tempo ao lazer do que a maioria de nós atualmente.

E o mais estranho é que, segundo Robinson, na maior parte do século XX o consenso geral era que “trabalhar mais de 40 horas por semana é excessivo, perigoso e dispendioso – e consiste no sintoma mais claro de uma gestão incompetente”. Além disso, mais de 100 anos de pesquisas revelam que “cada hora que você trabalha acima do patamar de 40 horas semanais reduz sua eficiência e produtividade, tanto a curto como a longo prazo”. A maioria das pessoas enxerga isso de forma intuitiva, mas ainda assim se surpreende ao ouvir que é verdade.

O bom senso é tão amplamente ignorado que a sobrecarga de trabalho – e os problemas de saúde, estado de espírito e produtividade que a acompanham – é epidêmica. Os mesmos dispositivos que, nos dias de hoje, facilitam a nossa vida também nos fazem trabalhar mais. Podemos nos comunicar com colegas a qualquer hora do dia ou da noite, por telefone, mensagem de texto ou e-mail. Em vez de iniciarmos o trabalho às oito da manhã, começamos às seis, quando desligamos o despertador em nossos smartphones e verificamos os e-mails que chegaram durante a noite. Embora seja verdade que novas tecnologias poupam tempo, às vezes isso não importa muito, pois preenchemos o “novo” tempo de formas que não aumentam nem nossa produtividade nem nossa felicidade. Compreendo este paradoxo tanto no plano intelectual quanto no pessoal, quando penso na vida que eu tinha alguns anos atrás.

Eu fazia trabalhos que realmente amava – era mãe e coach pessoal, socióloga no Greater Good Science Center, na Universidade de Berkeley, dava palestras, escrevia livros e mantinha um blog. Mas a logística da vida de mãe solteira com três empregos estava me deixando exausta e sem paciência com as pessoas que mais amava. Eu parecia nunca descansar; não sentava para ver um filme ou ler um bom livro, e jamais encontrava minhas amigas. Cada minuto do dia era necessário para responder a e-mails, resolver questões práticas, levar as crianças de um lado para outro e organizar as coisas em alguma das diversas listas de tarefas e agendas.

Enquanto a vida profissional ia muito bem, sentia que meu desempenho como mãe deixava a desejar. Eu havia lançado uma plataforma de ensino on-line, tinha acabado de me mudar para outra cidade e viajava o tempo todo para dar palestras. Os diversos fusos horários e a necessidade de providenciar cuidados para meus filhos enquanto estava longe me deixaram esgotada.

Certa manhã, fui parar no hospital com uma dor excruciante, desidratação, febre de 39 graus e infecção renal. Para piorar tudo, na semana seguinte teria que dar uma palestra para um grande público em Atlanta. Sabia que não seria capaz. Comecei a torcer para que o médico insistisse em minha permanência no hospital. Estava tendo uma “fantasia hospitalar” – algo de que já tinha ouvido falar, mas que em minha mente acometia apenas outras mulheres. Não precisava ser nada sério, só o bastante para passar alguns dias no hospital e poder dormir!

Eu tinha consciência de que em breve melhoraria, mas estava cansada demais. Escrevi para os organizadores da conferência, que ficaram furiosos por eu enviar um e-mail em vez de telefonar e por não ter avisado antes de adoecer tanto a ponto de ser hospitalizada. Eles não tornariam a agendar palestras minhas. Fiquei arrasada. Após uma vida inteira de sucesso e perfeccionismo, decepcionar aquelas pessoas foi tão doloroso quanto a própria infecção que eu sofrera.

Aquele breve período no hospital me levou a começar a série de experimentos que culminariam neste livro. Seria possível trazer a alegria de volta à minha vida? Parecia arriscado, como se eu tivesse que abrir mão de recompensas financeiras e sucesso profissional em troca de tempo para descansar. Mas eu queria uma vida mais tranquila: poder parar e conversar com o vizinho, brincar com meu cachorro e apreciar sua alegria (sem estar ao mesmo tempo no telefone, cuidando de negócios), desfrutar de fins de semana inteiros indo a exposições de arte, lendo por puro prazer e simplesmente aproveitando a companhia dos meus filhos.

Eu precisava sair da roda-viva corporativa e retomar meu equilíbrio. Esse equilíbrio é um estado em que você é capaz de realizar mais com menos esforço. É possível compreender esse conceito fazendo uma analogia com alguns esportes. Por exemplo, ao jogar tênis percebo quando acerto a bola no ponto perfeito da raquete – a bola é lançada com tranquilidade e potência por cima da rede. Quando acerto a bola com outra parte da raquete, o golpe é mais fraco e há um elemento de desgaste. Consigo sentir a resistência – uma espécie de solavanco no meu corpo. Se passo tempo demais acertando a bola longe daquele ponto específico, tendo a ficar cansada ou dolorida de uma forma que ultrapassa a fadiga normal.

Na vida acontece como nos esportes. Mesmo quando “acertamos” com algum sucesso, por vezes sentimos o desgaste, o estresse e a resistência. Como uma jovem gestora de marketing, eu fazia bem meu trabalho, e fui recompensada com projetos interessantes e várias promoções. Mas, como trabalhar no marketing de uma grande corporação não combinava com minha personalidade, não conseguia encontrar o encaixe perfeito. Eu acertava, mas não havia real tranquilidade. Sempre existia um elemento de estresse e de resistência, que vinha da sensação de estar no emprego errado da raquete. Eu acertava a bola, mas no ponto errado da raquete.

Uma década depois, embora continuasse “acertando”, me sentia fora do meu ponto de equilíbrio de novo; dessa vez não necessariamente por me encontrar na área errada. Havia atividades que eu amava, mas o problema era a estrutura do meu trabalho. Eu tinha um livro na lista dos mais vendidos e uma posição de prestígio como diretora executiva do reverenciado centro de pesquisas da Universidade de Berkeley – mas estar fora do meu eixo era exaustivo e acabou prejudicando minha saúde.

Como mãe, também há dias nos quais perco completamente o equilíbrio. Não que eu falhe em minhas obrigações, mas, quando isso acontece, alimentar as crianças e colocá-las para dormir, por exemplo, me deixa exausta. Consigo dar conta de tudo, mas encarar essa rotina tão trivial torna-se um fardo.

Quando estamos fora de nosso eixo, seja no emprego ou em casa, não só sentimos mais fadiga e exaustão, como também deixamos de atingir nosso potencial máximo. Perdemos a sensação de “fluxo”, que é quando o tempo para e os sentimentos de pressão desaparecem, e a vida e o trabalho não parecem mais tão difíceis.

Atletas aumentam suas chances de atingir aquele ponto perfeito – o equilíbrio, para onde todas as forças parecem convergir – no momento em que aprendem a “sentir a tacada”. A sensação de encaixe exato é clara, e eles sabem intuitivamente que tudo está alinhado.

Atingir o ponto de equilíbrio não exige pensamento consciente; nossa mente inconsciente demonstra, através do corpo, que estamos lá. O conhecimento inconsciente é poderoso – e muito mais abrangente do que o consciente. Pense que o cérebro consciente processa informações a mais ou menos 50 bits por segundo, enquanto a mente inconsciente as processa a cerca de 11 milhões de bits por segundo. Cinquenta contra 11 milhões. Não é uma diferença pequena, e significa que nossa mente inconsciente está o tempo todo nos informando acerca das experiências que vivemos, tanto internas como externas, por meio do nosso corpo. É só prestarmos atenção.

Tente dar ouvidos ao que seu corpo lhe diz neste exato momento. Fale algo profundamente falso em voz alta, de preferência para outra pessoa. Alguma coisa como “eu adoro quando meu chefe me humilha na frente da equipe” ou “eu amo ter gastrite”. Como seu corpo reage? A reação é muito sutil: um espasmo muscular quase imperceptível, uma tensão no maxilar ou uma leve contração dos ombros. Quando digo coisas que minha mente inconsciente odeia, meu corpo tenta me alertar. Se passo tempo demais fora do meu ponto de equilíbrio, fazendo aquilo que me parece errado, acabo sentindo alguma dor.

Agora diga em voz alta qualquer coisa que seja verdade para você, como “amo o mar” ou “adoro embalar o meu bebê”. Como seu corpo responde? Quando falo, ou ouço de outra pessoa, uma afirmação muito verdadeira para mim, sinto um “arrepio da verdade”. Se estou enfrentando uma questão complicada e de repente a resposta certa me ocorre, tenho “lágrimas da verdade”. Elas me proporcionam uma sensação qualitativamente diferente das lágrimas que vêm do pesar ou da dor.

Buda certa vez disse que “assim como podemos reconhecer o oceano porque ele sempre tem gosto de sal, também reconhecemos a luz porque ela sempre tem gosto de liberdade”. Nosso ponto de equilíbrio tem gosto de liberdade e força. Fora dele, o gosto é de restrição e contrição. Na vida, assim como nos esportes, sentimos no corpo o desgaste por não estarmos bem. Os ombros incomodam, as costas doem, o estômago revira. Sentimos a resistência quando acertamos a bola com a beirada da raquete. Talvez a bola até passe da rede – ou apareça algum cliente ou promoção –, mas sentimos a tensão.

As táticas normalmente usadas para dar conta do trabalho – fazer muitas coisas ao mesmo tempo e usar a tecnologia para amontoar mais obrigações – tendem a sair pela culatra. Foi o que aconteceu comigo: fiquei doente, exausta e muito menos produtiva, feliz e inteligente do que sou agora. Encontramos o equilíbrio ao compreender a arquitetura da nossa mente e a biologia da tranquilidade. Mudamos a vida para melhor quando usamos táticas que fluem em harmonia com nosso cérebro e nossa fisiologia, não contra eles.

Para muitas pessoas, estar em equilíbrio consiste em voltar a viver com tranquilidade. E tranquilidade significa coisas diferentes para indivíduos diferentes. Alguns buscarão este livro porque precisam navegar em águas menos turbulentas. Outros, porque necessitam impulsionar sua criatividade e sua habilidade de manter um alto desempenho numa economia muito competitiva. Há aqueles que procuram apenas uma vida mais prazerosa e gratificante. Muitos são como eu era, felizes de modo geral, mas também exaustos e sobrecarregados.

Não importa qual seja o seu propósito: todos podemos encontrar nosso ponto de equilíbrio e dele tirarmos a força para nos tornar mais produtivos e bem-sucedidos, assim como a tranquilidade e a liberdade para conquistar a felicidade.

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Christine Carter

Sobre o autor

Christine Carter

Socióloga e membro sênior do Greater Good Science Center da Universidade da Califórnia em Berkeley, um centro de pesquisa que “traduz” o estudo da felicidade, resiliência e inteligência emocional para o público. Autora de Educar para a felicidade, a Dra. Carter escreve para os sites GreaterGoodThe Huffington Post e Psychology Today. Já participou dos programas The Oprah Winfrey ShowThe Dr. Oz ShowThe Rachael Ray ShowThe Daily Show with Jon Stewart e Today. Por meio de suas palestras e aulas on-line, tem ajudado milhares de pessoas a levar uma vida mais feliz e produtiva. Sua newsletter tem mais de 50 mil inscritos. Ela vive com o marido, os filhos e o cachorro perto de São Francisco.

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