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RELIGIÃO

Quem é Deus, afinal?

Quem é Deus, afinal?

ROB BELL

Um convite a buscar a verdade que pode nos libertar

Um convite a buscar a verdade que pode nos libertar

“Este livro se sustenta em torno de três conceitos que desencadearam em mim novas formas de pensar sobre Deus, de compreendê-lo e, mais importante ainda, de vivenciá-lo. Eles tornaram minha vida melhor, e a minha esperança é que façam o mesmo por você.

Conosco: Para mim, Deus é a energia, o poder e a fonte de tudo o que sabemos ser a essência da vida. Quero que você entenda como essa proximidade confronta o senso comum que o coloca em algum outro lugar. Quero que você veja o perigo dessa perspectiva e enxergue Deus ao seu lado o tempo todo.

Por nós: Deus é por todos nós, independentemente de crenças, pontos de vista, ações, falhas, erros, pecados ou opiniões. Deus deseja que cada um de nós floresça para que possamos nos tornar o melhor que podemos ser. Quero que você veja como as doutrinas que mostram Deus mal-humorado e vingativo tornam as pessoas infelizes e estressadas a tal ponto que elas acabam acreditando que Deus é realmente assim.

Adiante de nós: Quando falo de Deus, não estou me referindo a um ser divino que ficou ultrapassado, que tenta nos arrastar de volta para uma era primitiva, pré-científica. Deus não está focado no atraso, não se opõe à razão, à liberdade nem ao progresso – ao contrário, está convidando toda a humanidade para ir em frente, em direção a experiências cada vez mais plenas de paz, amor, justiça, empatia, honestidade, compaixão e alegria.

Quero que você enxergue que o Deus da Bíblia está adiante das pessoas, como sempre esteve. Ainda que muita gente o veja como coisa do passado, eu não penso assim, e quero que você o veja como uma realidade vital e ativa em sua vida cotidiana.

Temos um longo caminho pela frente, mas minha expectativa é que, ao terminar este livro, você venha a dizer:

Agora eu sei quem é Deus.”

****

“Rob Bell está na vanguarda do novo pensamento sobre o cristianismo.” – Time

 

Com mais de 500 mil livros vendidos no mundo, Rob Bell é considerado um dos pensadores mais influentes do século por sua maneira franca e original de abordar os assuntos relacionados à fé.

Este livro vai questionar as verdades que você escutou a vida inteira sobre quem é Deus, seu verdadeiro papel em nossa vida e o real sentido de estarmos aqui.

Com argumentos surpreendentes – baseados em princípios que vão da filosofia à física quântica –, Bell desconstrói a visão ultrapassada da religião, mostrando outras formas de compreender a mensagem de Jesus e de nos reconectarmos com o Deus que está sempre ao nosso lado.

Polêmico, provocador e absolutamente fascinante, Quem é Deus, afinal? vai fazer você se tornar mais alerta e consciente, compreender a estreita ligação entre a fé e a ciência, e descobrir que é possível extrair da vida uma experiência muito mais profunda do que jamais imaginamos.

“Este livro se sustenta em torno de três conceitos que desencadearam em mim novas formas de pensar sobre Deus, de compreendê-lo e, mais importante ainda, de vivenciá-lo. Eles tornaram minha vida melhor, e a minha esperança é que façam o mesmo por você.

Conosco: Para mim, Deus é a energia, o poder e a fonte de tudo o que sabemos ser a essência da vida. Quero que você entenda como essa proximidade confronta o senso comum que o coloca em algum outro lugar. Quero que você veja o perigo dessa perspectiva e enxergue Deus ao seu lado o tempo todo.

Por nós: Deus é por todos nós, independentemente de crenças, pontos de vista, ações, falhas, erros, pecados ou opiniões. Deus deseja que cada um de nós floresça para que possamos nos tornar o melhor que podemos ser. Quero que você veja como as doutrinas que mostram Deus mal-humorado e vingativo tornam as pessoas infelizes e estressadas a tal ponto que elas acabam acreditando que Deus é realmente assim.

Adiante de nós: Quando falo de Deus, não estou me referindo a um ser divino que ficou ultrapassado, que tenta nos arrastar de volta para uma era primitiva, pré-científica. Deus não está focado no atraso, não se opõe à razão, à liberdade nem ao progresso – ao contrário, está convidando toda a humanidade para ir em frente, em direção a experiências cada vez mais plenas de paz, amor, justiça, empatia, honestidade, compaixão e alegria.

Quero que você enxergue que o Deus da Bíblia está adiante das pessoas, como sempre esteve. Ainda que muita gente o veja como coisa do passado, eu não penso assim, e quero que você o veja como uma realidade vital e ativa em sua vida cotidiana.

Temos um longo caminho pela frente, mas minha expectativa é que, ao terminar este livro, você venha a dizer:

Agora eu sei quem é Deus.”

****

“Rob Bell está na vanguarda do novo pensamento sobre o cristianismo.” – Time

 

Com mais de 500 mil livros vendidos no mundo, Rob Bell é considerado um dos pensadores mais influentes do século por sua maneira franca e original de abordar os assuntos relacionados à fé.

Este livro vai questionar as verdades que você escutou a vida inteira sobre quem é Deus, seu verdadeiro papel em nossa vida e o real sentido de estarmos aqui.

Com argumentos surpreendentes – baseados em princípios que vão da filosofia à física quântica –, Bell desconstrói a visão ultrapassada da religião, mostrando outras formas de compreender a mensagem de Jesus e de nos reconectarmos com o Deus que está sempre ao nosso lado.

Polêmico, provocador e absolutamente fascinante, Quem é Deus, afinal? vai fazer você se tornar mais alerta e consciente, compreender a estreita ligação entre a fé e a ciência, e descobrir que é possível extrair da vida uma experiência muito mais profunda do que jamais imaginamos.

Compre agora:

Ficha técnica
Lançamento
Título original
Tradução JOEL MACEDO
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 192
Peso 220 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0120-0
EAN 9788543101200
Preço R$ 29,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788543101217
Preço R$ 19,99
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Título original
Tradução JOEL MACEDO
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 192
Peso 220 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0120-0
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Leia um trecho do livro

Capítulo 1

Sussurro

Quando uso a palavra Deus no título deste livro, sei que posso estar pisando em um campo minado. Por acaso existe alguma palavra mais volátil, mais carregada de histórias, suposições e expectativas do que a antiga, desgastada, provocadora, onipresente, familiar e desconhecida palavra Deus?

É por isso que faço uso dela.

Quando se trata de Deus, nosso foco é bem difuso: pessoas arriscam suas vidas para servir aos pobres porque acreditam que Deus as chamou para isso; pastores anunciam que as catástrofes naturais são obras Dele; professores afirmam que Deus é apenas produto de nossa imaginação; amigos discutem o poder da fé numa mesa de bar; cantores agradecem ao Senhor quando são premiados por uma canção que fala sobre sexo casual.

Assim como um espelho, Deus parece ser cada vez mais um reflexo de quem está falando Dele no momento.

As últimas pesquisas, que revelam quantos de nós creem ou não creem em Deus e mostram que frequentamos cada vez menos as igrejas, induzem os analistas a especular sobre uma série de coisas (demografia, tecnologia, estilos de culto, diferença entre gerações), tudo isso para evitar a verdade óbvia que nos salta aos olhos como um elefante no meio da sala.

E esta verdade é: nós temos um problema com Deus.

Não é só um problema de definição – quem é Deus, afinal? – e não é só um problema de sentido (é cada vez mais comum duas pessoas conversarem sobre Deus e falarem de coisas completamente diferentes enquanto usam a mesma palavra).

O nosso problema com Deus vai mais além e é muito mais profundo do que isso.

Sou pastor há mais de 20 anos e o que tenho visto são pessoas que buscam uma vida com significado, paz e alegria, mas que, no entanto, não conseguem ver sentido nos conceitos dominantes sobre Deus. E esses conceitos não estão apenas deixando-as mais frágeis: estão lhes causando sérios danos.

Estamos mais envolvidos do que nunca com as questões da alma e do espírito, e temos a perturbadora desconfiança de que tudo isso dever ser mais do que um simples acaso. Mas um número crescente de pessoas está se perguntando: e o que Deus tem a ver com isso?

Então escrevi este livro sobre esse assunto porque estamos no meio de um movimento que vem ganhando impulso: há uma sensação crescente de que estamos no fim de uma era e no começo de outra, num momento em que o nosso velho modo de compreender e de falar sobre Deus está morrendo enquanto algo diferente está sendo gestado.

Há uma antiga história sobre um homem chamado Jacó, que tem um sonho maravilhoso e quando acorda diz: “Sem dúvida Deus está aqui, eu é que não sabia!”

Até agora.

O poder dessa história está na afirmação de que Deus não mudou; Jacó é quem desperta para uma nova consciência a respeito de quem Deus é – e de onde Ele está.

Isso me remete novamente a esse momento de mudança, à descoberta de que estamos despertando para outras maneiras de olhar para o Deus que esteve aqui o tempo todo.

Estou consciente de que escrever um livro sobre isso implica todo tipo de risco.

Eu sei disso.

Estamos rodeados de amigos, vizinhos, familiares, intelectuais e religiosos defendendo a ferro e fogo suas crenças profundamente arraigadas nos sistemas religiosos tradicionais – ou sua total descrença neles. Ou seja, há atiradores de elite em todos os telhados. E, nesse sentido, ser polêmico não é nem um pouco interessante.

Mas e o amor, o significado, a alegria, a esperança?

Isso me convence.

É o que me interessa.

É o que faz o risco valer a pena.

O grande acadêmico alemão Helmut Thielicke disse, certa vez, que uma pessoa que fala para a necessidade do momento está beirando a heresia, mas somente quem se arrisca a tal heresia pode atingir a verdade.

E a verdade é que temos um problema – temos uma necessi­dade –, e há sempre a chance de que este possa ser o momento.

Primeiro, então, vamos falar um pouco mais sobre esse nosso problema com Deus.

Quando tinha 20 anos, eu dirigia um Oldsmobile.

Você se lembra deles?

Era um modelo Delta 88, prata, quatro portas. O  banco da frente era inteiriço e tinha um descanso de braço no meio, que reclinava. Dava para sete ou oito passageiros tranquilamente. Numa tacada de gênio da engenharia, a placa traseira era presa por uma dobradiça, atrás da qual ficava o orifício do tanque de gasolina. A mala era tão grande que era possível colocar cinco pranchas de snowboard  lá dentro ao mesmo tempo, ou uma bateria completa, vários amplificadores e até um corpo, se fosse preciso. (Estou só brincando em relação ao corpo.) Meus amigos chamavam o carro de “O Trenó”.

O Trenó era um automóvel magnífico e ele me serviu muito bem naquela época.

Mas não se fabricam mais Oldsmobiles.

Eles eram muito bem conceituados, e pode ser que o seu avô ainda tenha um, mas as fábricas que os produziam já fecharam. Os exemplares que restaram são relíquias de outra época.

Os Oldsmobiles não conseguiram se manter e, pouco a pouco, se tornaram parte do passado, e não do futuro.

Eles, não nós.

Estão no passado, não no presente.

Estou lhe falando sobre o carro que eu dirigia quando era jovem porque, para muitas pessoas no mundo em que vivemos, Deus é como os Oldsmobiles.

Para explicar o que quero dizer quando comparo Deus a um carro antigo, aqui vão algumas histórias: minha amiga Cathi me contou que esteve em um evento onde um importante líder cristão afirmou que as mulheres não deveriam ensinar nem liderar na igreja. Cathi, que tem dois mestrados, ficou chocada.

Recebi um e-mail de meu amigo Gary contando que foi a uma igreja com sua família no domingo de Páscoa e ouviu uma pregação que dizia que todo gay vai parar no inferno.

E outro amigo meu, Michael, falou que ouviu o líder de uma grande comunidade cristã afirmar que, se alguém negar que Deus criou o mundo em seis dias, estará negando também o restante da Bíblia, porque o que a ciência diz não interessa.

E há também dois pastores que me contaram que suas esposas não querem mais nada com Deus. Ambas foram criadas em ambientes muito religiosos que davam grande importância à crença de que Deus é bom e que é fundamental ter um relacionamento pessoal com Ele. Porém, as duas passaram por grandes sofrimentos na juventude e a doutrina que elas seguiam não foi capaz de ajudá-las a lidar com suas experiências. E, assim, elas se afastaram. Deus, para elas, tornou-se uma figura incômoda e estranha. Como alguém que elas um dia conheceram e que não conhecem mais.

Por fim, há um famoso jornalista que conheci em uma festa em Nova York. Quando lhe disseram que eu era pastor, ele quis saber se todos vocês pastores usam quadros, linhas do tempo e gráficos para mostrar às pessoas quando o mundo irá acabar e de que forma os cristãos escaparão enquanto os que forem deixados para trás padecerão sofrimentos terríveis.

Contei sobre Cathi assustada naquele auditório, sobre Gary escutando a pregação, sobre Michael ouvindo o líder cristão, sobre as esposas desencantadas dos pastores e sobre mim naquela festa, pois, para muita gente, acreditar e confiar naquele Deus parece ser um passo atrás, em direção ao passado, a uma época menos informada e menos iluminada que felizmente já abandonamos.

Há uma pergunta oculta em todas essas histórias, um questionamento que um número crescente de pessoas vem fazendo a respeito de Deus:

Há lugar para Ele no mundo moderno?

As coisas mudaram. Hoje temos mais informação e tecnologia do que nunca. Interagimos com mais gente do que jamais imaginamos. E o Deus tribal, aquele que é o único a quem a maioria de nós foi apresentada – aquele que está sempre certo (o que significa que todos os demais estão errados) – é cada vez mais visto como

pequeno,

limitado,

irrelevante,

perverso,

e às vezes não muito inteligente.

Deus será deixado para trás?

Como um carro antigo?

______

Não é que Deus esteja ultrapassado ou seja incapaz de lidar com a complexidade da vida; para muita gente, Ele nunca ocupou um lugar de destaque. Nos últimos anos, temos escutado um número expressivo de cientistas, professores e escritores afirmarem categoricamente a inexistência de Deus. Tais pessoas acreditam que os seres humanos não são nada além de interações altamente complexas de átomos, moléculas e neurônios, conectados para responder a determinados estímulos e para elaborar significados que nos protejam desta verdade incômoda: no fundo, não há sentido maior nisso tudo porque somos apenas a soma de nossas partes – nada mais.

E isso é tudo que há.

No final das contas,

é tudo que há.

Esta negação de Deus não é nenhuma novidade, mas vem conquistando muitos adeptos nos últimos anos, aparentemente como reação ao fato de Deus se assemelhar a um carro velho – e por as pessoas acreditarem que Ele não é apenas ultrapassado, mas também destrutivo.

Recentemente, fui convidado a participar de um debate no qual o tema era “A religião é boa ou ruim?”. Os organizadores me disseram que eu era livre para escolher de qual lado ficaria. Isso não é revelador?

Essa história me faz lembrar de uma entrevista que Jane Fonda deu alguns anos atrás à revista Rolling Stone. O repórter escreveu na matéria:

“A mais nova transformação da atriz – e talvez a mais radical – foi tornar-se cristã. Mesmo com sua propensão à polêmica, esta é uma decisão chocante.”

Podemos extrair muita coisa desse pequeno texto. É como se houvesse uma pergunta oculta por trás do comentário do jornalista. Parece que o que ele realmente quer é perguntar a Jane Fonda: “Por que alguém se tornaria um cristão, afinal?”

Essa é uma pergunta que muita gente se faz – pessoas cultas, sensatas e modernas que acham que tornar-se cristão é uma coisa “chocante”, para não dizer inconcebível.

Jane Fonda declarou ter sido atraída pela fé porque “sentiu a reverência sussurrando dentro dela”.

Reverência sussurrando dentro de mim. Gosto dessa frase. Ela fala de experiências que todos nós já tivemos – aqueles momentos em que ficamos plenamente conscientes de que a vida tem um significado especial, de que não estamos aqui por acaso.

Para muitas pessoas, negar essa voz interior e acreditar que somos apenas um conjunto aleatório de átomos nos torna frios, vazios e desiludidos.   

Porém, quando elas buscam as fontes religiosas convencionais para dar vazão a essa reverência, muitas vezes são levadas até aquele Deus que ficou no passado, lá atrás, como os carros antigos.      

Tudo isso levanta as perguntas:

Há outras maneiras de falar sobre a reverência sussurrando dentro de nós?

Há outro modo de falar sobre a sensação de que há algo mais acontecendo aqui?

Há outro jeito de falar de Deus?

A minha resposta é sim. Eu acredito que há. Mas, antes de falarmos sobre isso, gostaria de lhe contar por que este livro irrompeu do meu coração desta maneira.

______

Alguns anos atrás, numa manhã de domingo, me vi frente a frente com a possibilidade de Deus não existir, de realmente estarmos aqui por conta própria e de não haver sentido nenhum nisso tudo.

Hoje vejo uma infinidade de pessoas tendo essas mesmas dúvidas. Mas aquele era um domingo de Páscoa, e eu era pastor. Eu estava dirigindo o culto no qual deveria pregar sobre a existência de Deus, sobre Ele ter vindo à Terra com o objetivo de fazer algo miraculoso e ter ressurgido dos mortos para que nós pudéssemos viver para sempre.

A expectativa de todos era que eu fizesse isso de maneira ardorosa, confiante e persuasiva o bastante para provocar esperança, alegria e encantamento.

É assim que um sermão de Páscoa deve ser, certo? Imagine se eu chegasse lá e dissesse: “Bem, eu estive refletindo sobre essas coisas por algum tempo e preciso ser honesto com vocês: acho que estamos ferrados.”

Não funcionaria, não é?

Vou fazer uma pausa para uma confissão: quando você é pastor, seu coração, sua alma, seu contracheque, suas dúvidas, sua fé, suas esperanças, suas lutas, seu intelecto e suas responsabilidades são embrulhados todos juntos numa vida/profissão que é muito pública. E domingo é um dia em que se espera que tenhamos alguma coisa inspiradora para dizer, independentemente do que estivermos sentindo ou pensando em relação a Deus naquele momento. Às vezes, isso pode criar uma tensão sufocante, porque queremos servir às pessoas e dar a elas o que temos de melhor, mas também somos seres humanos. E, no meu caso, um ser humano cheio de dúvidas sérias a respeito de quem realmente é esse Deus.

Aquele domingo de Páscoa foi bastante traumático porque eu descobri que sem muita reflexão e estudo eu não poderia continuar seguindo aquele caminho sem perder a sanidade. A única solução era mergulhar de cabeça nas minhas questões e nadar até descobrir qual a profundidade daquela piscina. E se, no final, eu tivesse que ir embora da igreja, eu iria. Mas iria com a consciência limpa e a integridade intacta.

Este livro, portanto, é intensamente pessoal para mim. Muito do que escrevi aqui vem da minha dúvida, do meu ceticismo, das noites escuras da alma, quando me flagrei questionando absolutamente tudo. Sentimos um arrepio na espinha quando ficamos diante da possibilidade de estarmos sozinhos nesse labirinto. Confiar que existe um ser divino que cuida de nós, que nos ama e nos guia é como dar um salto para atravessar um oceano.

Então, quando falo de Deus, fé e crença, não uso uma postura arrogante do tipo “Venha, una-se ao grupo!”. Eu abordo o tema com cuidado, consciente de quanto ele pode ser incômodo, confuso, frustrante, exasperador e até mesmo traumático.

O que experimentei por um longo período foi um despertar gradual para novas perspectivas da compreensão de Deus – especificamente do Deus de quem Jesus falou. Percebi que havia outras dimensões nas antigas tradições hebraica e cristã que vinham de encontro aos meus questionamentos e lutas para entender 

quem é Deus

o que é Deus

por que isso importa

e em quê isso afeta a nossa vida.

Nesse processo – que continua até hoje –, minhas dúvidas não desapareceram de repente nem minhas crenças assumiram novas perspectivas de uma hora para outra. O que aconteceu foi algo muito mais profundo. Foi uma coisa extraordinariamente libertadora, inspiradora, revigorante e muito útil, que me inspirou a me sentar, dia após dia, mês após mês, para escrever este livro.

Isso me remete a duas breves verdades antes de prosseguirmos:

Primeiro, sou cristão e, portanto, Jesus é o meio através do qual eu compreendo Deus. Para algumas pessoas, Jesus limita a discussão a respeito Dele, mas minha experiência mostra exatamente o oposto. As experiências que tive com Jesus abriram minha mente e meu coração para um Deus maior, mais expansivo, misterioso e amoroso, que eu acredito estar por trás de tudo o que acontece neste mundo.

Em seguida, percebi que as pessoas querem falar sobre Deus. Não importa o que elas aprenderam quando crianças, o que lhes traz inspiração ou repulsa, o que lhes dá esperança ou temor: elas estão extremamente ávidas por desabafar sobre sua fé ou sua descrença em Deus. O que tenho observado é que, ainda que queiramos estar ligados a essa reverência que sussurra dentro de nós, muitas vezes não sabemos por onde começar, que passos dar ou para onde ir.

Assim, se de alguma forma este livro conseguir oferecer a você alguma orientação em relação a essas questões, ficarei extasiado. Mas preciso deixar um ponto muito claro: este livro não é uma tentativa de provar que Deus existe. Se você pudesse comprovar a existência de Deus, desconfio que nesse momento estaria conversando sobre alguma outra coisa com alguma outra pessoa.

Este é um livro sobre como se tornar mais vivo e consciente; um livro que nos guia para o Deus que está na base de nosso ser e que permeia nossos gostos, nossas visões e todas as dimensões da vida – da alegria ao desespero.

______

Agora vamos falar um pouco sobre o que encontraremos nas próximas páginas.

Este livro se sustenta em torno de três conceitos que desencadearam em mim novas formas de pensar sobre Deus, de compreendê-lo e, mais importante ainda, de vivenciá-lo. Eles tornaram minha vida melhor, e minha esperança é que façam o mesmo por você.

Mas, antes de revelar quais são esses conceitos, quero falar sobre duas palavras. São elas que irão nos preparar para compreender as três expressões que formam a coluna vertebral do livro.

Primeiro, precisamos estar abertos, porque, quando falamos de Deus, levamos expectativas e presunções para a discussão sobre como o mundo funciona e em que tipo de universo vivemos. Muitas vezes questionamos a existência de Deus quando pensamos sobre o que realmente importa no mundo de hoje, já que relegamos ao passado todas as nossas crenças primitivas e supersticiosas. Temos a ciência, a razão e a lógica – o que Deus tem a ver com tudo isso? Na verdade, tudo. Porque o universo é muito mais misterioso do que qualquer um de nós pensava. E essa estranheza demandará que estejamos abertos.

Então, primeiro, devemos estar abertos.

Depois iremos discutir sobre o “falar”, pois quando falamos de Deus usamos a linguagem – e a linguagem ao mesmo tempo ajuda e atrapalha nossas tentativas de entender e descrever a natureza paradoxal do Deus que está além das palavras.

Primeiro, abertos,

depois, juntos.

Então, depois dessas duas palavras,

chegamos aos três conceitos fundamentais,

aqueles que irão definir a maneira como falaremos de Deus neste livro.

Eles são (imagine um rufar de tambores neste momento):

Conosco,

Por nós,

Adiante de nós.

Conosco, porque, para mim, Deus é a energia, a liga, a força, a vida, o poder e a fonte de tudo o que nós sabemos ser a profundidade, a plenitude e a essência da vida. Creio que Deus está conosco porque acredito que todos nós já experimentamos a presença Dele de várias maneiras. Quando falo que Deus está conosco, quero que você entenda como essa proximidade confronta diretamente o senso comum que coloca Deus em algum outro lugar mais distante. Quero que você veja o perigo desta perspectiva e enxergue Deus ao seu lado o tempo todo.

Por nós, porque eu acredito que Deus é por todos nós, independentemente de crenças, pontos de vista, ações, falhas, erros, pecados ou opiniões a respeito Dele. Acredito que Deus deseja que cada um de nós floresça e prospere para que possamos nos tornar o melhor que podemos ser. Ao abordar esse assunto, quero que você veja como as doutrinas que mostram Deus mal-humorado, irado e vingativo tornam as pessoas infelizes e estressadas a tal ponto que elas acabam acreditando que Deus é realmente assim. Quero que você enxergue a inclusão radical e consoladora que está no núcleo da mensagem de Jesus sobre como Deus transforma a nossa vida.

Por fim, adiante de nós, porque quando falo de Deus não estou me referindo a um ser divino que ficou ultrapassado, que tenta nos arrastar de volta para uma era primitiva, bárbara, pré-científica, quando acreditávamos que a Terra era plana e o centro do universo. Acredito que Deus não está focado no atraso, não se opõe à razão, à liberdade nem ao progresso – ao contrário, está convidando toda a humanidade para ir em frente, em direção a experiências cada vez mais plenas de paz, amor, justiça, empatia, honestidade, compaixão e alegria. Com isso, quero que você enxergue que o Deus da Bíblia está, sim, adiante das pessoas, grupos e culturas, como sempre esteve. Ainda que muita gente o veja como coisa do passado, eu não penso assim, e quero que você o veja como uma realidade vital e ativa em sua vida cotidiana.

Todas essas coisas nos levam a mais um conceito, para finalizar: no dia a dia. A pergunta “Como vivenciamos isso no dia a dia?” envolve toda essa conversa sobre nossos pensamentos, sentimentos e experiências.

Recapitulando:

Abertos,

Juntos,

Conosco,

Por nós,

Adiante de nós

e

No dia a dia.

Mais uma coisa: a referência completa dos versículos bíblicos citados, assim como os créditos de outras fontes de informação e sugestões de leituras estão incluídos nas notas no final do livro, organizados por capítulo.

Ainda temos um longo caminho pela frente, mas minha expectativa é que, ao terminar este livro, você venha a dizer:

“Agora eu sei quem é Deus.”

Capítulo 1

Sussurro

Quando uso a palavra Deus no título deste livro, sei que posso estar pisando em um campo minado. Por acaso existe alguma palavra mais volátil, mais carregada de histórias, suposições e expectativas do que a antiga, desgastada, provocadora, onipresente, familiar e desconhecida palavra Deus?

É por isso que faço uso dela.

Quando se trata de Deus, nosso foco é bem difuso: pessoas arriscam suas vidas para servir aos pobres porque acreditam que Deus as chamou para isso; pastores anunciam que as catástrofes naturais são obras Dele; professores afirmam que Deus é apenas produto de nossa imaginação; amigos discutem o poder da fé numa mesa de bar; cantores agradecem ao Senhor quando são premiados por uma canção que fala sobre sexo casual.

Assim como um espelho, Deus parece ser cada vez mais um reflexo de quem está falando Dele no momento.

As últimas pesquisas, que revelam quantos de nós creem ou não creem em Deus e mostram que frequentamos cada vez menos as igrejas, induzem os analistas a especular sobre uma série de coisas (demografia, tecnologia, estilos de culto, diferença entre gerações), tudo isso para evitar a verdade óbvia que nos salta aos olhos como um elefante no meio da sala.

E esta verdade é: nós temos um problema com Deus.

Não é só um problema de definição – quem é Deus, afinal? – e não é só um problema de sentido (é cada vez mais comum duas pessoas conversarem sobre Deus e falarem de coisas completamente diferentes enquanto usam a mesma palavra).

O nosso problema com Deus vai mais além e é muito mais profundo do que isso.

Sou pastor há mais de 20 anos e o que tenho visto são pessoas que buscam uma vida com significado, paz e alegria, mas que, no entanto, não conseguem ver sentido nos conceitos dominantes sobre Deus. E esses conceitos não estão apenas deixando-as mais frágeis: estão lhes causando sérios danos.

Estamos mais envolvidos do que nunca com as questões da alma e do espírito, e temos a perturbadora desconfiança de que tudo isso dever ser mais do que um simples acaso. Mas um número crescente de pessoas está se perguntando: e o que Deus tem a ver com isso?

Então escrevi este livro sobre esse assunto porque estamos no meio de um movimento que vem ganhando impulso: há uma sensação crescente de que estamos no fim de uma era e no começo de outra, num momento em que o nosso velho modo de compreender e de falar sobre Deus está morrendo enquanto algo diferente está sendo gestado.

Há uma antiga história sobre um homem chamado Jacó, que tem um sonho maravilhoso e quando acorda diz: “Sem dúvida Deus está aqui, eu é que não sabia!”

Até agora.

O poder dessa história está na afirmação de que Deus não mudou; Jacó é quem desperta para uma nova consciência a respeito de quem Deus é – e de onde Ele está.

Isso me remete novamente a esse momento de mudança, à descoberta de que estamos despertando para outras maneiras de olhar para o Deus que esteve aqui o tempo todo.

Estou consciente de que escrever um livro sobre isso implica todo tipo de risco.

Eu sei disso.

Estamos rodeados de amigos, vizinhos, familiares, intelectuais e religiosos defendendo a ferro e fogo suas crenças profundamente arraigadas nos sistemas religiosos tradicionais – ou sua total descrença neles. Ou seja, há atiradores de elite em todos os telhados. E, nesse sentido, ser polêmico não é nem um pouco interessante.

Mas e o amor, o significado, a alegria, a esperança?

Isso me convence.

É o que me interessa.

É o que faz o risco valer a pena.

O grande acadêmico alemão Helmut Thielicke disse, certa vez, que uma pessoa que fala para a necessidade do momento está beirando a heresia, mas somente quem se arrisca a tal heresia pode atingir a verdade.

E a verdade é que temos um problema – temos uma necessi­dade –, e há sempre a chance de que este possa ser o momento.

Primeiro, então, vamos falar um pouco mais sobre esse nosso problema com Deus.

Quando tinha 20 anos, eu dirigia um Oldsmobile.

Você se lembra deles?

Era um modelo Delta 88, prata, quatro portas. O  banco da frente era inteiriço e tinha um descanso de braço no meio, que reclinava. Dava para sete ou oito passageiros tranquilamente. Numa tacada de gênio da engenharia, a placa traseira era presa por uma dobradiça, atrás da qual ficava o orifício do tanque de gasolina. A mala era tão grande que era possível colocar cinco pranchas de snowboard  lá dentro ao mesmo tempo, ou uma bateria completa, vários amplificadores e até um corpo, se fosse preciso. (Estou só brincando em relação ao corpo.) Meus amigos chamavam o carro de “O Trenó”.

O Trenó era um automóvel magnífico e ele me serviu muito bem naquela época.

Mas não se fabricam mais Oldsmobiles.

Eles eram muito bem conceituados, e pode ser que o seu avô ainda tenha um, mas as fábricas que os produziam já fecharam. Os exemplares que restaram são relíquias de outra época.

Os Oldsmobiles não conseguiram se manter e, pouco a pouco, se tornaram parte do passado, e não do futuro.

Eles, não nós.

Estão no passado, não no presente.

Estou lhe falando sobre o carro que eu dirigia quando era jovem porque, para muitas pessoas no mundo em que vivemos, Deus é como os Oldsmobiles.

Para explicar o que quero dizer quando comparo Deus a um carro antigo, aqui vão algumas histórias: minha amiga Cathi me contou que esteve em um evento onde um importante líder cristão afirmou que as mulheres não deveriam ensinar nem liderar na igreja. Cathi, que tem dois mestrados, ficou chocada.

Recebi um e-mail de meu amigo Gary contando que foi a uma igreja com sua família no domingo de Páscoa e ouviu uma pregação que dizia que todo gay vai parar no inferno.

E outro amigo meu, Michael, falou que ouviu o líder de uma grande comunidade cristã afirmar que, se alguém negar que Deus criou o mundo em seis dias, estará negando também o restante da Bíblia, porque o que a ciência diz não interessa.

E há também dois pastores que me contaram que suas esposas não querem mais nada com Deus. Ambas foram criadas em ambientes muito religiosos que davam grande importância à crença de que Deus é bom e que é fundamental ter um relacionamento pessoal com Ele. Porém, as duas passaram por grandes sofrimentos na juventude e a doutrina que elas seguiam não foi capaz de ajudá-las a lidar com suas experiências. E, assim, elas se afastaram. Deus, para elas, tornou-se uma figura incômoda e estranha. Como alguém que elas um dia conheceram e que não conhecem mais.

Por fim, há um famoso jornalista que conheci em uma festa em Nova York. Quando lhe disseram que eu era pastor, ele quis saber se todos vocês pastores usam quadros, linhas do tempo e gráficos para mostrar às pessoas quando o mundo irá acabar e de que forma os cristãos escaparão enquanto os que forem deixados para trás padecerão sofrimentos terríveis.

Contei sobre Cathi assustada naquele auditório, sobre Gary escutando a pregação, sobre Michael ouvindo o líder cristão, sobre as esposas desencantadas dos pastores e sobre mim naquela festa, pois, para muita gente, acreditar e confiar naquele Deus parece ser um passo atrás, em direção ao passado, a uma época menos informada e menos iluminada que felizmente já abandonamos.

Há uma pergunta oculta em todas essas histórias, um questionamento que um número crescente de pessoas vem fazendo a respeito de Deus:

Há lugar para Ele no mundo moderno?

As coisas mudaram. Hoje temos mais informação e tecnologia do que nunca. Interagimos com mais gente do que jamais imaginamos. E o Deus tribal, aquele que é o único a quem a maioria de nós foi apresentada – aquele que está sempre certo (o que significa que todos os demais estão errados) – é cada vez mais visto como

pequeno,

limitado,

irrelevante,

perverso,

e às vezes não muito inteligente.

Deus será deixado para trás?

Como um carro antigo?

______

Não é que Deus esteja ultrapassado ou seja incapaz de lidar com a complexidade da vida; para muita gente, Ele nunca ocupou um lugar de destaque. Nos últimos anos, temos escutado um número expressivo de cientistas, professores e escritores afirmarem categoricamente a inexistência de Deus. Tais pessoas acreditam que os seres humanos não são nada além de interações altamente complexas de átomos, moléculas e neurônios, conectados para responder a determinados estímulos e para elaborar significados que nos protejam desta verdade incômoda: no fundo, não há sentido maior nisso tudo porque somos apenas a soma de nossas partes – nada mais.

E isso é tudo que há.

No final das contas,

é tudo que há.

Esta negação de Deus não é nenhuma novidade, mas vem conquistando muitos adeptos nos últimos anos, aparentemente como reação ao fato de Deus se assemelhar a um carro velho – e por as pessoas acreditarem que Ele não é apenas ultrapassado, mas também destrutivo.

Recentemente, fui convidado a participar de um debate no qual o tema era “A religião é boa ou ruim?”. Os organizadores me disseram que eu era livre para escolher de qual lado ficaria. Isso não é revelador?

Essa história me faz lembrar de uma entrevista que Jane Fonda deu alguns anos atrás à revista Rolling Stone. O repórter escreveu na matéria:

“A mais nova transformação da atriz – e talvez a mais radical – foi tornar-se cristã. Mesmo com sua propensão à polêmica, esta é uma decisão chocante.”

Podemos extrair muita coisa desse pequeno texto. É como se houvesse uma pergunta oculta por trás do comentário do jornalista. Parece que o que ele realmente quer é perguntar a Jane Fonda: “Por que alguém se tornaria um cristão, afinal?”

Essa é uma pergunta que muita gente se faz – pessoas cultas, sensatas e modernas que acham que tornar-se cristão é uma coisa “chocante”, para não dizer inconcebível.

Jane Fonda declarou ter sido atraída pela fé porque “sentiu a reverência sussurrando dentro dela”.

Reverência sussurrando dentro de mim. Gosto dessa frase. Ela fala de experiências que todos nós já tivemos – aqueles momentos em que ficamos plenamente conscientes de que a vida tem um significado especial, de que não estamos aqui por acaso.

Para muitas pessoas, negar essa voz interior e acreditar que somos apenas um conjunto aleatório de átomos nos torna frios, vazios e desiludidos.   

Porém, quando elas buscam as fontes religiosas convencionais para dar vazão a essa reverência, muitas vezes são levadas até aquele Deus que ficou no passado, lá atrás, como os carros antigos.      

Tudo isso levanta as perguntas:

Há outras maneiras de falar sobre a reverência sussurrando dentro de nós?

Há outro modo de falar sobre a sensação de que há algo mais acontecendo aqui?

Há outro jeito de falar de Deus?

A minha resposta é sim. Eu acredito que há. Mas, antes de falarmos sobre isso, gostaria de lhe contar por que este livro irrompeu do meu coração desta maneira.

______

Alguns anos atrás, numa manhã de domingo, me vi frente a frente com a possibilidade de Deus não existir, de realmente estarmos aqui por conta própria e de não haver sentido nenhum nisso tudo.

Hoje vejo uma infinidade de pessoas tendo essas mesmas dúvidas. Mas aquele era um domingo de Páscoa, e eu era pastor. Eu estava dirigindo o culto no qual deveria pregar sobre a existência de Deus, sobre Ele ter vindo à Terra com o objetivo de fazer algo miraculoso e ter ressurgido dos mortos para que nós pudéssemos viver para sempre.

A expectativa de todos era que eu fizesse isso de maneira ardorosa, confiante e persuasiva o bastante para provocar esperança, alegria e encantamento.

É assim que um sermão de Páscoa deve ser, certo? Imagine se eu chegasse lá e dissesse: “Bem, eu estive refletindo sobre essas coisas por algum tempo e preciso ser honesto com vocês: acho que estamos ferrados.”

Não funcionaria, não é?

Vou fazer uma pausa para uma confissão: quando você é pastor, seu coração, sua alma, seu contracheque, suas dúvidas, sua fé, suas esperanças, suas lutas, seu intelecto e suas responsabilidades são embrulhados todos juntos numa vida/profissão que é muito pública. E domingo é um dia em que se espera que tenhamos alguma coisa inspiradora para dizer, independentemente do que estivermos sentindo ou pensando em relação a Deus naquele momento. Às vezes, isso pode criar uma tensão sufocante, porque queremos servir às pessoas e dar a elas o que temos de melhor, mas também somos seres humanos. E, no meu caso, um ser humano cheio de dúvidas sérias a respeito de quem realmente é esse Deus.

Aquele domingo de Páscoa foi bastante traumático porque eu descobri que sem muita reflexão e estudo eu não poderia continuar seguindo aquele caminho sem perder a sanidade. A única solução era mergulhar de cabeça nas minhas questões e nadar até descobrir qual a profundidade daquela piscina. E se, no final, eu tivesse que ir embora da igreja, eu iria. Mas iria com a consciência limpa e a integridade intacta.

Este livro, portanto, é intensamente pessoal para mim. Muito do que escrevi aqui vem da minha dúvida, do meu ceticismo, das noites escuras da alma, quando me flagrei questionando absolutamente tudo. Sentimos um arrepio na espinha quando ficamos diante da possibilidade de estarmos sozinhos nesse labirinto. Confiar que existe um ser divino que cuida de nós, que nos ama e nos guia é como dar um salto para atravessar um oceano.

Então, quando falo de Deus, fé e crença, não uso uma postura arrogante do tipo “Venha, una-se ao grupo!”. Eu abordo o tema com cuidado, consciente de quanto ele pode ser incômodo, confuso, frustrante, exasperador e até mesmo traumático.

O que experimentei por um longo período foi um despertar gradual para novas perspectivas da compreensão de Deus – especificamente do Deus de quem Jesus falou. Percebi que havia outras dimensões nas antigas tradições hebraica e cristã que vinham de encontro aos meus questionamentos e lutas para entender 

quem é Deus

o que é Deus

por que isso importa

e em quê isso afeta a nossa vida.

Nesse processo – que continua até hoje –, minhas dúvidas não desapareceram de repente nem minhas crenças assumiram novas perspectivas de uma hora para outra. O que aconteceu foi algo muito mais profundo. Foi uma coisa extraordinariamente libertadora, inspiradora, revigorante e muito útil, que me inspirou a me sentar, dia após dia, mês após mês, para escrever este livro.

Isso me remete a duas breves verdades antes de prosseguirmos:

Primeiro, sou cristão e, portanto, Jesus é o meio através do qual eu compreendo Deus. Para algumas pessoas, Jesus limita a discussão a respeito Dele, mas minha experiência mostra exatamente o oposto. As experiências que tive com Jesus abriram minha mente e meu coração para um Deus maior, mais expansivo, misterioso e amoroso, que eu acredito estar por trás de tudo o que acontece neste mundo.

Em seguida, percebi que as pessoas querem falar sobre Deus. Não importa o que elas aprenderam quando crianças, o que lhes traz inspiração ou repulsa, o que lhes dá esperança ou temor: elas estão extremamente ávidas por desabafar sobre sua fé ou sua descrença em Deus. O que tenho observado é que, ainda que queiramos estar ligados a essa reverência que sussurra dentro de nós, muitas vezes não sabemos por onde começar, que passos dar ou para onde ir.

Assim, se de alguma forma este livro conseguir oferecer a você alguma orientação em relação a essas questões, ficarei extasiado. Mas preciso deixar um ponto muito claro: este livro não é uma tentativa de provar que Deus existe. Se você pudesse comprovar a existência de Deus, desconfio que nesse momento estaria conversando sobre alguma outra coisa com alguma outra pessoa.

Este é um livro sobre como se tornar mais vivo e consciente; um livro que nos guia para o Deus que está na base de nosso ser e que permeia nossos gostos, nossas visões e todas as dimensões da vida – da alegria ao desespero.

______

Agora vamos falar um pouco sobre o que encontraremos nas próximas páginas.

Este livro se sustenta em torno de três conceitos que desencadearam em mim novas formas de pensar sobre Deus, de compreendê-lo e, mais importante ainda, de vivenciá-lo. Eles tornaram minha vida melhor, e minha esperança é que façam o mesmo por você.

Mas, antes de revelar quais são esses conceitos, quero falar sobre duas palavras. São elas que irão nos preparar para compreender as três expressões que formam a coluna vertebral do livro.

Primeiro, precisamos estar abertos, porque, quando falamos de Deus, levamos expectativas e presunções para a discussão sobre como o mundo funciona e em que tipo de universo vivemos. Muitas vezes questionamos a existência de Deus quando pensamos sobre o que realmente importa no mundo de hoje, já que relegamos ao passado todas as nossas crenças primitivas e supersticiosas. Temos a ciência, a razão e a lógica – o que Deus tem a ver com tudo isso? Na verdade, tudo. Porque o universo é muito mais misterioso do que qualquer um de nós pensava. E essa estranheza demandará que estejamos abertos.

Então, primeiro, devemos estar abertos.

Depois iremos discutir sobre o “falar”, pois quando falamos de Deus usamos a linguagem – e a linguagem ao mesmo tempo ajuda e atrapalha nossas tentativas de entender e descrever a natureza paradoxal do Deus que está além das palavras.

Primeiro, abertos,

depois, juntos.

Então, depois dessas duas palavras,

chegamos aos três conceitos fundamentais,

aqueles que irão definir a maneira como falaremos de Deus neste livro.

Eles são (imagine um rufar de tambores neste momento):

Conosco,

Por nós,

Adiante de nós.

Conosco, porque, para mim, Deus é a energia, a liga, a força, a vida, o poder e a fonte de tudo o que nós sabemos ser a profundidade, a plenitude e a essência da vida. Creio que Deus está conosco porque acredito que todos nós já experimentamos a presença Dele de várias maneiras. Quando falo que Deus está conosco, quero que você entenda como essa proximidade confronta diretamente o senso comum que coloca Deus em algum outro lugar mais distante. Quero que você veja o perigo desta perspectiva e enxergue Deus ao seu lado o tempo todo.

Por nós, porque eu acredito que Deus é por todos nós, independentemente de crenças, pontos de vista, ações, falhas, erros, pecados ou opiniões a respeito Dele. Acredito que Deus deseja que cada um de nós floresça e prospere para que possamos nos tornar o melhor que podemos ser. Ao abordar esse assunto, quero que você veja como as doutrinas que mostram Deus mal-humorado, irado e vingativo tornam as pessoas infelizes e estressadas a tal ponto que elas acabam acreditando que Deus é realmente assim. Quero que você enxergue a inclusão radical e consoladora que está no núcleo da mensagem de Jesus sobre como Deus transforma a nossa vida.

Por fim, adiante de nós, porque quando falo de Deus não estou me referindo a um ser divino que ficou ultrapassado, que tenta nos arrastar de volta para uma era primitiva, bárbara, pré-científica, quando acreditávamos que a Terra era plana e o centro do universo. Acredito que Deus não está focado no atraso, não se opõe à razão, à liberdade nem ao progresso – ao contrário, está convidando toda a humanidade para ir em frente, em direção a experiências cada vez mais plenas de paz, amor, justiça, empatia, honestidade, compaixão e alegria. Com isso, quero que você enxergue que o Deus da Bíblia está, sim, adiante das pessoas, grupos e culturas, como sempre esteve. Ainda que muita gente o veja como coisa do passado, eu não penso assim, e quero que você o veja como uma realidade vital e ativa em sua vida cotidiana.

Todas essas coisas nos levam a mais um conceito, para finalizar: no dia a dia. A pergunta “Como vivenciamos isso no dia a dia?” envolve toda essa conversa sobre nossos pensamentos, sentimentos e experiências.

Recapitulando:

Abertos,

Juntos,

Conosco,

Por nós,

Adiante de nós

e

No dia a dia.

Mais uma coisa: a referência completa dos versículos bíblicos citados, assim como os créditos de outras fontes de informação e sugestões de leituras estão incluídos nas notas no final do livro, organizados por capítulo.

Ainda temos um longo caminho pela frente, mas minha expectativa é que, ao terminar este livro, você venha a dizer:

“Agora eu sei quem é Deus.”

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Rob Bell

Sobre o autor

Rob Bell

Pastor-fundador da Mars Hill Bible Church em Grand Rapids, no estado americano de Michigan. Graduado no Wheaton College e no Seminário Teológico Fuller, Bell faz conferências em todo o mundo e participou da série de vídeos chamada NOOMA. Em 2011, foi incluído na lista das pessoas mais influentes do mundo da revista Forbes. Ele e sua esposa, Kristen, têm três filhos.

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