Livro
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ESTAÇÃO BRASIL

Rogéria

Rogéria

MARCIO PASCHOAL

Uma mulher e mais um pouco

Uma mulher e mais um pouco

“Um homem vestido de mulher está a um passo do ridículo. Mas para o artista não existe ridículo.” – Rogéria

Marcio Paschoal mergulha na alma de Astolfo e mostra como, com talento e superação, ele transformou sua maior criação, Rogéria,num sucesso absoluto.

 

A história de Rogéria mais parece ficção. Nascida Astolfo Barroso Pinto, teve de enfrentar grandes desafios para se afirmar como homossexual, ícone do transformismo e, acima de tudo, artista.

Movida por uma enorme paixão pela arte e pela vida, conquistou, aolongo de mais de 50 anos de carreira, seu espaço no teatro, no cinema e na televisão, consagrando-se como uma personagem irresistível, quase mítica: Rogéria, o travesti da família brasileira.

Neste livro, Marcio Paschoal reconstrói a intensa trajetória de Astolfo-Rogéria desde seus primeiros passos como maquiador das cantoras da era do rádio e das estrelas da TV Rio, passando por sua estreia nos palcos em plena época da ditadura, o sucesso internacional e o reconhecimento artístico em seu retorno ao Brasil.

Para traçar um retrato fiel de Rogéria, o autor fez uma grande pesquisa iconográfica, reunindo fotos lindíssimas. Também optou por dar voz à biografada, que conta, com toda a sua irreverência, deliciosas histórias do showbiz.

Sem citar nomes, mas dando pistas suficientes para instigar os leitores, Rogéria revela detalhes picantes de seus casos de amor com políticos, artistas, empresários, esportistas e jornalistas.

Rogéria costuma dizer que um travesti precisa de inteligência e talento para saber que não é mulher de verdade. Essas são qualidades que não faltam a Rogéria, mulher e mais um pouco.

“Um homem vestido de mulher está a um passo do ridículo. Mas para o artista não existe ridículo.” – Rogéria

Marcio Paschoal mergulha na alma de Astolfo e mostra como, com talento e superação, ele transformou sua maior criação, Rogéria,num sucesso absoluto.

 

A história de Rogéria mais parece ficção. Nascida Astolfo Barroso Pinto, teve de enfrentar grandes desafios para se afirmar como homossexual, ícone do transformismo e, acima de tudo, artista.

Movida por uma enorme paixão pela arte e pela vida, conquistou, aolongo de mais de 50 anos de carreira, seu espaço no teatro, no cinema e na televisão, consagrando-se como uma personagem irresistível, quase mítica: Rogéria, o travesti da família brasileira.

Neste livro, Marcio Paschoal reconstrói a intensa trajetória de Astolfo-Rogéria desde seus primeiros passos como maquiador das cantoras da era do rádio e das estrelas da TV Rio, passando por sua estreia nos palcos em plena época da ditadura, o sucesso internacional e o reconhecimento artístico em seu retorno ao Brasil.

Para traçar um retrato fiel de Rogéria, o autor fez uma grande pesquisa iconográfica, reunindo fotos lindíssimas. Também optou por dar voz à biografada, que conta, com toda a sua irreverência, deliciosas histórias do showbiz.

Sem citar nomes, mas dando pistas suficientes para instigar os leitores, Rogéria revela detalhes picantes de seus casos de amor com políticos, artistas, empresários, esportistas e jornalistas.

Rogéria costuma dizer que um travesti precisa de inteligência e talento para saber que não é mulher de verdade. Essas são qualidades que não faltam a Rogéria, mulher e mais um pouco.

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Ficha técnica
Lançamento 17/10/2016
Título original ROGÉRIA
Tradução
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 272
Peso 350 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-5608-014-1
EAN 9788556080141
Preço R$ 44,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788556080356
Preço R$ 29,99
Selo
Estação Brasil
Lançamento 17/10/2016
Título original ROGÉRIA
Tradução
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 272
Peso 350 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-5608-014-1
EAN 9788556080141
Preço R$ 44,90

E-book

eISBN 9788556080356
Preço R$ 29,99

Selo

Estação Brasil

Leia um trecho do livro

Astolfo,
Homem-mulher

A história de vida de Astolfo Barroso Pinto mais parece ficção. Suas aventuras, os sucessivos desafios, a forte personalidade e a afirmação profissional o tornaram único e abriram caminho para o surgimento do artista irresistível, quase mítico: Rogéria, também conhecido, carinhosa e anacronicamente, pelo epíteto de “travesti da família brasileira”.

Meus fãs são as avós, as mães, as tias que chegam e falam pros filhos, netos e sobrinhos: “Olha, esta é a Rogéria!” Me apresentam como se me conhecessem há anos. Engraçado, os homens me chamam de senhora, eu construí essa imagem de respeito.

Falo com muita gente. Quando vejo uma senhora que me sorri, vou até ela e converso. Ouço muito as pessoas dizerem:“Sempre tive vontade de falar que acho você uma simpatia, Rogéria!” Adoro. Também recebo críticas e aceito numa boa. Quase sempre têm razão.

Meu Facebook, meu Twitter é andar na rua. Tenho essa disponibilidade, gosto disso. Meus amigos sempre reclamam: “Você parece um trem parador!” Sou cobrada, testada pelo povo, talvez por isso represente, de certa forma, um pedaço da família brasileira.

No conto “O homem-mulher” do livro homônimo do escritor carioca Sérgio Sant’Anna, o protagonista, Adamastor Magalhães, ou Zezé, desde a sua origem, em Belém do Pará, queria ser um misto de menino e menina. Morando com a mãe, a tia solteirona e duas irmãs, já na adolescência começou a representar o feminino, vestindo-se de mulher. Primeiro no Carnaval, para depois perder-se de si mesmo tentando atestar no seu cotidiano essa realidade dúbia. Longe de querer se transformar num travesti, Adamastor, heterossexual, foi aproveitando cada vez mais seu corpo-figurino, ambivalente, que queria se oferecer ao mundo como um personagem único, o de homem-mulher. Na verdade, um lésbico. O único caminho possível para ele era a representação cênica e o teatro. No êxito ou no fracasso, um personagem de vida e palco, que só na teatralização poderia encontrar refúgio.

Seria possível traçar um sutil paralelo com a realidade que aqui se quer contar. De Belém para Cantagalo, norte do Rio de Janeiro, Astolfo Barroso Pinto seria o Adamastor que criara o seu próprio Zezé performático. Cada qual com seu modo e grau, realidade e ficção dando vida a seus personagens e assumindo opções sexuais (Rogéria com homens, Zezé com mulheres), na antevisão da arte como única saída. Destaque-se a diferença de resultados na trajetória de cada um: na ficção, Adamastor não consegue o sucesso de Zezé e comete suicídio. Já Astolfo, no dia a dia, leva sua Rogéria, com talento e superação, ao improvável êxito.

Ficcional ou real, a conjunção de verdade e ilusão na construção dessas vidas está na sua maravilhosa capacidade de dar voz e alento às próprias fantasias.

A estreia

Não nasci, eu estreei.

No dia 25 de maio de 1943, uma quarta-feira ensolarada, num quarto de uma casa no município de Cantagalo, a jovem Eloah Barroso entrava em trabalho de parto. Dois médicos e um padre foram chamados para uma emergência. A indicação era o uso de fórceps, cuja fama, ao longo da história, nunca fora boa. Se mal utilizado, poderia causar danos ao cérebro, aos olhos, às orelhas, ao nariz e aos nervos faciais do bebê. A mãe perdia sangue, e era preciso abreviar o período expulsivo, quando a mulher faz força para dar à luz a criança. Depois de algumas horas e muita tensão, nascia Astolfo Barroso Pinto, um bebê saudável de 3,10 quilos, primeiro filho da união de Eloah com Dídimo Acácio Pinto, um maquinista da Leopoldina.

O nome foi herdado do avô materno, Astolfo Barroso, figura importante da comarca de Cantagalo, terra de Euclides da Cunha. A escolha tinha sido de Eloah, que morava em Niterói mas quis ter o filho onde seu pai nascera. Curiosamente, antes de se decidir pela homenagem ao velho Astolfo, o casal cogitava dar ao menino o nome de Edmundo.

Mãe e filho passaram apenas 15 dias na cidade antes de retornar a Niterói, onde moravam na rua Doutor Carlos Maximiano, 186, Fonseca.

O casamento de Eloah e Dídimo dava evidentes sinais de que não iria longe e, de fato, não demorou a ocorrer a separação. Eloah confessava que ficara arrependida já na lua de mel. Ao entrar no quarto e tirar seu vestido de noiva, na célebre frase “Enfim, sós”, ela certamente preferiria ter ficado só. Ainda assim, antes da separação, o casal teve outro filho, Cyr Assis Barroso Pinto.

Astolfo,
Homem-mulher

A história de vida de Astolfo Barroso Pinto mais parece ficção. Suas aventuras, os sucessivos desafios, a forte personalidade e a afirmação profissional o tornaram único e abriram caminho para o surgimento do artista irresistível, quase mítico: Rogéria, também conhecido, carinhosa e anacronicamente, pelo epíteto de “travesti da família brasileira”.

Meus fãs são as avós, as mães, as tias que chegam e falam pros filhos, netos e sobrinhos: “Olha, esta é a Rogéria!” Me apresentam como se me conhecessem há anos. Engraçado, os homens me chamam de senhora, eu construí essa imagem de respeito.

Falo com muita gente. Quando vejo uma senhora que me sorri, vou até ela e converso. Ouço muito as pessoas dizerem:“Sempre tive vontade de falar que acho você uma simpatia, Rogéria!” Adoro. Também recebo críticas e aceito numa boa. Quase sempre têm razão.

Meu Facebook, meu Twitter é andar na rua. Tenho essa disponibilidade, gosto disso. Meus amigos sempre reclamam: “Você parece um trem parador!” Sou cobrada, testada pelo povo, talvez por isso represente, de certa forma, um pedaço da família brasileira.

No conto “O homem-mulher” do livro homônimo do escritor carioca Sérgio Sant’Anna, o protagonista, Adamastor Magalhães, ou Zezé, desde a sua origem, em Belém do Pará, queria ser um misto de menino e menina. Morando com a mãe, a tia solteirona e duas irmãs, já na adolescência começou a representar o feminino, vestindo-se de mulher. Primeiro no Carnaval, para depois perder-se de si mesmo tentando atestar no seu cotidiano essa realidade dúbia. Longe de querer se transformar num travesti, Adamastor, heterossexual, foi aproveitando cada vez mais seu corpo-figurino, ambivalente, que queria se oferecer ao mundo como um personagem único, o de homem-mulher. Na verdade, um lésbico. O único caminho possível para ele era a representação cênica e o teatro. No êxito ou no fracasso, um personagem de vida e palco, que só na teatralização poderia encontrar refúgio.

Seria possível traçar um sutil paralelo com a realidade que aqui se quer contar. De Belém para Cantagalo, norte do Rio de Janeiro, Astolfo Barroso Pinto seria o Adamastor que criara o seu próprio Zezé performático. Cada qual com seu modo e grau, realidade e ficção dando vida a seus personagens e assumindo opções sexuais (Rogéria com homens, Zezé com mulheres), na antevisão da arte como única saída. Destaque-se a diferença de resultados na trajetória de cada um: na ficção, Adamastor não consegue o sucesso de Zezé e comete suicídio. Já Astolfo, no dia a dia, leva sua Rogéria, com talento e superação, ao improvável êxito.

Ficcional ou real, a conjunção de verdade e ilusão na construção dessas vidas está na sua maravilhosa capacidade de dar voz e alento às próprias fantasias.

A estreia

Não nasci, eu estreei.

No dia 25 de maio de 1943, uma quarta-feira ensolarada, num quarto de uma casa no município de Cantagalo, a jovem Eloah Barroso entrava em trabalho de parto. Dois médicos e um padre foram chamados para uma emergência. A indicação era o uso de fórceps, cuja fama, ao longo da história, nunca fora boa. Se mal utilizado, poderia causar danos ao cérebro, aos olhos, às orelhas, ao nariz e aos nervos faciais do bebê. A mãe perdia sangue, e era preciso abreviar o período expulsivo, quando a mulher faz força para dar à luz a criança. Depois de algumas horas e muita tensão, nascia Astolfo Barroso Pinto, um bebê saudável de 3,10 quilos, primeiro filho da união de Eloah com Dídimo Acácio Pinto, um maquinista da Leopoldina.

O nome foi herdado do avô materno, Astolfo Barroso, figura importante da comarca de Cantagalo, terra de Euclides da Cunha. A escolha tinha sido de Eloah, que morava em Niterói mas quis ter o filho onde seu pai nascera. Curiosamente, antes de se decidir pela homenagem ao velho Astolfo, o casal cogitava dar ao menino o nome de Edmundo.

Mãe e filho passaram apenas 15 dias na cidade antes de retornar a Niterói, onde moravam na rua Doutor Carlos Maximiano, 186, Fonseca.

O casamento de Eloah e Dídimo dava evidentes sinais de que não iria longe e, de fato, não demorou a ocorrer a separação. Eloah confessava que ficara arrependida já na lua de mel. Ao entrar no quarto e tirar seu vestido de noiva, na célebre frase “Enfim, sós”, ela certamente preferiria ter ficado só. Ainda assim, antes da separação, o casal teve outro filho, Cyr Assis Barroso Pinto.

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Marcio Paschoal

Sobre o autor

Marcio Paschoal

Nasceu no Rio de Janeiro e se formou em Economia. É escritor, redator e autor com mais de dez livros publicados. Trabalhou para a Fundação Getúlio Vargas no Cederj (Centro de Ensino Universitário a Distância) e foi colaborador do Jornal do Brasil nas áreas de música e literatura. Publicou os romances Sofá branco – menção honrosa Graciliano Ramos- UBE e pré-seleção do Prêmio Nestlé de Literatura –, Odara e Os atalhos de Samanta, além dos ensaios de humor Cada louco com sua mania, com ilustrações de Jaguar, e o Horóscopo sexual para praticantes (todos pela Record). Escreveu também A morte tem final feliz (InVerso), o livro de crônicas A maconha está bêbada (Mirabolante) e o infantil O livro maluco e a caneta sem tinta, em parceria com Tereza Malcher (Zit). É autor da biografia sobre o compositor maranhense João do Vale (Lumiar).

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Destaques na mídia

Aos 73, Rogéria conta tudo na biografia ‘Uma mulher e mais um pouco’

No elevador do prédio em uma famosa rua do Leme, na Zona Sul do Rio, um aviso lista algumas medidas para a boa convivência. No terceiro item, o condomínio recomenda “evitar andar de salto alto dentro de casa”. Pois Rogéria, a moradora mais ilustre daquele endereço, prova que não se atém às regras impostas pela sociedade e recebe a equipe do GLOBO em cima do salto. — Não um salto 15, como antigamente, que eu não aguento mais, mas não deixo de usar — brincou a travesti mais famosa do país. No livro, escrito por Márcio Paschoal, Rogéria repassa sua vida, desde quando nasceu Astolfo Barroso Pinto até descobrir que o que gostava mesmo era de se vestir de mulher. Ou de quando começou a trabalhar como maquiador das estrelas na extinta TV Rio, até se tornar ela mesma vedete, cantando e dançando em musicais e programas de TV. Rogéria é uma pessoa complexa: acolhida em sua homossexualidade pela família (“tive uma mãe maravilhosa”), não se deixava abater pelo bullying dos colegas (ao contrário, encarava todos no braço), não quis fazer cirurgia para mudar o sexo (“continuo com peru, acho mais fácil”) e, graças ao carisma inabalável, tornou-se a “travesti da família brasileira”, como gosta de dizer.

Liv Brandão - O Globo

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