Como fazer amigos e influenciar pessoas - Sextante
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AUTOAJUDA

Como fazer amigos e influenciar pessoas

Como fazer amigos e influenciar pessoas

DALE CARNEGIE

Um dos maiores clássicos de todos os tempos, Como fazer amigos e influenciar pessoas é considerado a Bíblia dos relacionamentos interpessoais. 

“O livro de autoajuda mais bem-sucedido de todos os tempos. Carnegie nunca foi tão relevante.”  – The Times

MAIS DE 16 MILHÕES DE LIVROS VENDIDOS.

 

Ao longo de oito décadas, este livro se tornou a referência quando o assunto é o desenvolvimento das relações humanas, das habilidades sociais e da comunicação eficiente.

Partindo do princípio de que é preciso se interessar genuinamente por aqueles com quem interagimos, ele mudou a vida de milhões de pessoas, fazendo-as se sentirem mais seguras, abertas e confiantes em seus encontros sociais e profissionais.

Com saborosas histórias, exemplos práticos e ótimos conselhos, esta é uma leitura prazerosa e fundamental para quem deseja criar bons vínculos, se tornar mais persuasivo, deixar uma marca positiva e inspirar os outros com energia e gentileza.

“Os princípios ensinados neste livro só funcionam quando são de coração. Não estou defendendo um conjunto de truques. Estou falando sobre um novo estilo de vida.

Se inspirarmos as pessoas a perceber os próprios tesouros ocultos, poderemos fazer bem mais do que mudá-las – poderemos literalmente transformá-las.” – Dale Carnegie

Um dos maiores clássicos de todos os tempos, Como fazer amigos e influenciar pessoas é considerado a Bíblia dos relacionamentos interpessoais. 

“O livro de autoajuda mais bem-sucedido de todos os tempos. Carnegie nunca foi tão relevante.”  – The Times

MAIS DE 16 MILHÕES DE LIVROS VENDIDOS.

 

Ao longo de oito décadas, este livro se tornou a referência quando o assunto é o desenvolvimento das relações humanas, das habilidades sociais e da comunicação eficiente.

Partindo do princípio de que é preciso se interessar genuinamente por aqueles com quem interagimos, ele mudou a vida de milhões de pessoas, fazendo-as se sentirem mais seguras, abertas e confiantes em seus encontros sociais e profissionais.

Com saborosas histórias, exemplos práticos e ótimos conselhos, esta é uma leitura prazerosa e fundamental para quem deseja criar bons vínculos, se tornar mais persuasivo, deixar uma marca positiva e inspirar os outros com energia e gentileza.

“Os princípios ensinados neste livro só funcionam quando são de coração. Não estou defendendo um conjunto de truques. Estou falando sobre um novo estilo de vida.

Se inspirarmos as pessoas a perceber os próprios tesouros ocultos, poderemos fazer bem mais do que mudá-las – poderemos literalmente transformá-las.” – Dale Carnegie

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Ficha técnica
Lançamento 08/10/2019
Título original How to Win Friends and Influence People
Tradução Livia de Almeida
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 256
Peso 360 g
Acabamento brochura
ISBN 978-85-431-0868-1
EAN 9788543108681
Preço R$ 49,90
Ficha técnica e-book
eISBN 978-85-431-0869-8
Preço R$ 29,99
Lançamento 08/10/2019
Título original How to Win Friends and Influence People
Tradução Livia de Almeida
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 256
Peso 360 g
Acabamento brochura
ISBN 978-85-431-0868-1
EAN 9788543108681
Preço R$ 49,90

E-book

eISBN 978-85-431-0869-8
Preço R$ 29,99

Leia um trecho do livro

Parte um

Técnicas fundamentais para lidar com as pessoas

“Se você quer colher o mel, não chute a colmeia”

Em 7 de maio de 1931, a mais sensacional caçada humana até então testemunhada em Nova York chegava a seu clímax. Após semanas de busca, “Two Gun” Crowley – um assassino e pistoleiro que não fumava nem bebia – tinha sido localizado e estava encurralado no apartamento da namorada na West End Avenue.

O cerco a seu esconderijo no último andar do prédio teve a participação de 150 policiais e detetives. Eles abriram buracos no telhado. Tentaram expulsar Crowley, conhecido como o “Matador de Policiais”, jogando gás lacrimogênio no apartamento. Em seguida, montaram as metralhadoras nos edifícios vizinhos e, durante mais de uma hora, uma das melhores áreas residenciais de Nova York foi tomada pelos estampidos das pistolas e o rá-tá-tá-tá das armas automáticas. Agachado atrás de uma poltrona estofada, Crowley atirava contra a polícia sem parar. A batalha foi assistida por 10 mil espectadores empolgados. A cidade de Nova York nunca tinha visto nada parecido.

Quando Crowley foi capturado, o comissário de polícia E. P. Mulrooney declarou que “Two Gun” era um dos criminosos mais perigosos da história de Nova York. “Ele mata sem hesitar”, constatou o homem da lei.

Mas como “Two Gun” se enxergava? Nós temos a resposta para essa pergunta porque, enquanto a polícia atirava na direção do apartamento, ele escreveu uma carta “A quem possa interessar”. E, enquanto escrevia, o sangue de suas feridas deixou uma mancha vermelha no papel. Na carta, Crowley dizia: “Sob o meu casaco bate um coração cansado, mas bondoso, um coração que nunca faria mal a ninguém.”

Pouco tempo antes, Crowley estava aos beijos com a namorada numa estrada próxima de Long Island, quando, de repente, um policial se aproximou do carro e ordenou:

– Mostre sua carteira de motorista!

Sem dizer uma palavra, Crowley sacou sua arma e derrubou o policial com uma chuva de tiros. Com o homem já caído e em seus últimos suspiros, Crowley saltou do carro, pegou o revólver do policial e deu mais um tiro no corpo abatido. E foi esse o assassino que pouco tempo depois, ao se ver cercado, escreveria aquela carta.

Crowley foi condenado à cadeira elétrica. Quando chegou ao corredor da morte, no presídio de Sing Sing, ele não disse “Isso é o que eu ganho por matar pessoas”. O que ele disse foi:

“Isso é o que eu ganho por me defender.”

Moral da história: “Two Gun” Crowley não assumia nenhuma responsabilidade pelo que fazia. Você acha que essa é uma postura incomum entre os criminosos? Então leia esta frase: “Passei os melhores anos da minha vida proporcionando os maiores prazeres às pessoas, ajudando-as a se divertir, e tudo o que consegui foi ser insultado e perseguido.”

Essa fala é de Al Capone. Sim, o mais famoso inimigo público dos Estados Unidos, o mais sinistro gângster da história de Chicago. Capone não se sentia culpado. Na verdade, se via como um benfeitor público incompreendido que não recebia o reconhecimento merecido.

O mesmo aconteceu com Dutch Schultz antes de ser morto a tiros por gângsteres em Newark. Dutch Schultz, um dos mais famosos bandidos de Nova York, afirmou em entrevista a um jornal que era um benfeitor público. E ele acreditava nisso.

Durante muitos anos, mantive interessante troca de correspondências sobre esse assunto com Lewis Lawes, diretor do presídio de Sing Sing, que me escreveu o seguinte: “Poucos criminosos que estão presos aqui se consideram homens maus. São tão humanos quanto eu e você. Eles racionalizam, explicam, contam por que tiveram que arrombar um cofre ou apertar o gatilho. A maioria usa um raciocínio falacioso ou lógico para justificar seus atos antissociais até para si mesmos, e, por isso, afirmam categoricamente que nunca deveriam ter sido presos.”

Se Al Capone, “Two Gun” Crowley, Dutch Schultz e os presos desesperados que estão atrás das grades não se sentem culpados por nada, o que acontece com as pessoas com quem lidamos no dia a dia?

John Wanamaker, fundador de uma rede de lojas, confessou certa vez: “Trinta anos atrás, aprendi que dar bronca é bobagem. Já tenho muitos problemas para superar minhas próprias limitações sem me irritar com o fato de que Deus parece ter escolhido não distribuir igualmente o dom da inteligência.”

Wanamaker aprendeu essa lição cedo. Quanto a mim, tive que passar um terço de século por este mundo cometendo erros até começar a compreender que em 99% das vezes as pessoas não assumem a responsabilidade por seus atos e não fazem autocríticas por motivo algum, mesmo que estejam completamente erradas.

E não adianta criticar, porque isso coloca a pessoa na defensiva e em geral faz com que ela tente se justificar. A crítica é perigosa porque fere o precioso orgulho do indivíduo, atinge seu senso de importância e desperta ressentimento.

B. F. Skinner, psicólogo mundialmente famoso, demonstrou por meio de experimentos que um animal recompensado pelo bom comportamento aprende bem mais rápido que um animal punido por mau comportamento. Estudos posteriores mostraram que o mesmo vale para seres humanos. Ao fazer críticas, não produzimos mudanças duradouras e, com frequência, provocamos ressentimento.

Hans Selye, outro grande psicólogo, disse que o “nosso desejo de aprovação é tão intenso quanto o medo da condenação”. O ressentimento provocado pela crítica pode desmoralizar funcionários, familiares e amigos e, ainda assim, não corrigir a situação criticada.

George B. Johnson, de Enid, Oklahoma, é coordenador de segurança de uma empresa de engenharia. Uma de suas responsabilidades é garantir que os empregados usem capacete quando fizerem trabalho de campo. Ele relatou que, sempre que encontrava trabalhadores sem o capacete, mencionava a norma em tom autoritário e exigia que a cumprissem à risca. Os empregados obedeciam de má vontade e muitas vezes, assim que ele partia, tiravam o capacete.

Por isso, ele decidiu tentar uma abordagem diferente. Ao encontrar trabalhadores sem a proteção, passou a perguntar se os capacetes eram desconfortáveis ou se não tinham o tamanho adequado. Em seguida, num tom de voz gentil, lembrava os funcionários que o capacete era projetado para prevenir acidentes e sugeria que o equipamento deveria ser sempre usado durante o trabalho. Como resultado, os funcionários passaram a cumprir a regra com mais frequência, sem ressentimentos.

Milhares de páginas da história mostram como fazer críticas é inútil. Veja, por exemplo, a famosa briga entre Theodore Roosevelt e o presidente William Howard Taft – um conflito que dividiu o Partido Republicano, pôs Woodrow Wilson na Casa Branca e deixou marcas antes e depois da Primeira Guerra Mundial, alterando o curso da história.

Examinemos os fatos rapidamente: quando deixou a presidência dos Estados Unidos em 1909, Theodore Roosevelt apoiou a candidatura de Taft, que se elegeu para a Casa Branca. Em seguida, Roosevelt fez uma viagem para a África. Ao voltar, perdeu as estribeiras. Criticou o conservadorismo extremo de Taft e tentou garantir para si a candidatura para um terceiro mandato como presidente, criando uma cisão no partido republicano. Depois da confusão, ambos foram derrotados nas eleições. Foi a derrota mais desastrosa que os republicanos haviam sofrido até então.

Theodore Roosevelt culpou Taft. Mas Taft assumiu a culpa? Claro que não. Com lágrimas nos olhos, disse: “Não vejo o que poderia ter feito de diferente.”

Quem era o culpado? Roosevelt ou Taft? Sinceramente, não sei, mas a questão é que todas as críticas de Roosevelt não convenceram Taft de que ele estava errado. Serviram apenas para que Taft tentasse se justificar.

Vejamos o escândalo de Teapot Dome, envolvendo petrolíferas, que gerou manchetes indignadas nos jornais do início dos anos 1920 e sacudiu a nação inteira. Até então, não tinha havido nada parecido na vida pública dos Estados Unidos. Eis a essência dos fatos: Albert B. Fall, secretário do Interior do governo de Warren G. Harding, foi encarregado de cuidar do arrendamento das reservas de petróleo do governo em Elk Hill e Teapot Dome. Ambos os campos já haviam sido reservados para serem usados pela Marinha. Será que o secretário Fall autorizou a organização de uma licitação competitiva? Não, senhor. Ele entregou o vultoso contrato a seu amigo Edward L. Doheny. E o que fez Doheny? Ofereceu ao secretário Fall aquilo que descreveu como um “empréstimo” de 100 mil dólares. Como se fosse um déspota, Fall ordenou que os fuzileiros navais fossem ao distrito para retirar os concorrentes com postos de extração adjacentes, que estariam explorando petróleo das reservas de Elk Hill. Retirados das terras sob a mira de fuzis e baionetas, os concorrentes procuraram a justiça imediatamente – e deflagraram o escândalo de Teapot Dome. A podridão foi tão grande que arruinou o governo Harding, enojou uma nação inteira, quase destruiu o Partido Republicano e pôs Albert B. Fall atrás das grades.

Fall recebeu uma condenação pesada – punição que poucos homens da vida pública já haviam sofrido. Teria se arrependido? Nunca! Anos depois do ocorrido, Herbert Hoover, presidente americano entre 1929 e 1933, declarou num discurso que a morte do presidente Harding fora provocada pela ansiedade e as preocupações geradas pela traição de um amigo. Quando a esposa de Fall ouviu aquilo, saltou da cadeira, caiu no choro, sacudiu os punhos e berrou:

– O quê? Harding traído por Fall? De jeito nenhum! Meu marido nunca traiu ninguém. Nem todo o ouro do mundo levaria meu marido a fazer algo de errado. Ele é quem foi traído, aniquilado e crucificado.

ϒ ϒ ϒ

Eis a natureza humana em ação: malfeitores culpando a todos, menos a si mesmos. Todos nós somos assim. Portanto, quando nos sentirmos tentados a criticar alguém, vamos nos lembrar de Al Capone, de “Two Gun” Crowley e de Albert Fall. Precisamos entender que as críticas são como um pombo-correio: sempre voltam para casa. Ou seja, aquela pessoa que corrigirmos e recriminarmos provavelmente se justificará e nos condenará também. Ou, como Taft, dirá: “Não vejo o que poderia ter feito de diferente.”

Na manhã de 15 de abril de 1865, o então presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln agonizava num quarto do térreo de uma modesta hospedaria em frente do Teatro Ford, onde John Wilkes Booth o alvejara. O corpo longilíneo de Lincoln estava deitado em diagonal numa cama desconfortável, pequena demais para ele. Havia uma reprodução barata da famosa pintura de Rosa Bonheur, A feira de cavalos, pendurada na parede sobre a cama, e um bico de gás produzia uma vacilante luz amarelada.

Enquanto Lincoln agonizava, o secretário de Guerra Edwin Stanton declarou: “Aqui jaz o mais perfeito governante que o mundo já viu.”

Qual era o segredo do sucesso de Lincoln em lidar com as pessoas? Estudei a vida de Abraham Lincoln durante 10 anos e devotei três anos para escrever e reescrever um livro intitulado Lincoln, esse desconhecido. Acredito que produzi um estudo tão detalhado e minucioso da personalidade de Lincoln e de sua vida doméstica quanto seria possível. Estudei, em especial, o método que usava para lidar com as pessoas. Ele fazia críticas? Ah, sim. Quando jovem, em Pigeon Creek Valley, Indiana, ele não apenas criticava, como também escrevia cartas e poemas ridicularizando pessoas e jogava as páginas nas estradas rurais, onde certamente seriam encontradas. Uma delas despertou ressentimentos que duraram toda uma vida.

Mesmo depois que se tornou advogado em Springfield, Illinois, Lincoln continuou atacando opositores abertamente por meio de cartas publicadas nos jornais. Mas certa vez acabou exagerando.

No outono de 1842, ele ridicularizou um político vaidoso e bélico chamado James Shields. Lincoln debochou dele por meio de uma carta anônima publicada pelo Journal, periódico de Springfield. A cidade inteira morreu de rir. Sensível e orgulhoso, Shields ficou indignado. Descobriu a autoria da carta, montou no cavalo, foi atrás de Lincoln e o desafiou para um duelo. Lincoln não queria brigar. Era contrário aos duelos, mas não tinha como escapar e ao mesmo tempo manter sua honra. Coube a ele escolher a arma. Como tinha braços compridos, optou pelas longas espadas da cavalaria e teve lições de esgrima com um graduado por West Point. No dia marcado, ele e Shields se encontraram num terreno arenoso à margem do rio Mississippi, preparados para lutar até a morte. No último minuto, porém, seus padrinhos interferiram e suspenderam o duelo.

Esse foi o incidente mais sinistro da vida de Lincoln. Ensinou a ele uma lição valiosa na arte de lidar com as pessoas. Ele nunca mais escreveu uma carta ofensiva. E nunca mais ridicularizou ninguém. Daquele dia em diante, raramente fez qualquer crítica a alguém.

Durante a Guerra Civil, por diversas vezes Lincoln trocou de general para comandar o Exército do Potomac, e todos fracassaram de forma trágica. Lincoln andava de um lado para outro, desesperado. Metade da nação estava tomada pela raiva e condenava a incompetência dos generais, mas Lincoln, “sem ser maldoso com ninguém e sendo bondoso com todos”, se manteve em paz. Uma das suas citações preferidas era: “Não julgueis se não quiserdes ser julgado.”

Quando a Sra. Lincoln e os outros falavam mal dos sulistas, Lincoln respondia: “Não os critique. Eles são exatamente como seríamos em circunstâncias semelhantes.”

No entanto, se houve um homem com direito a fazer críticas, esse homem foi Lincoln. Vejamos somente um exemplo:

A batalha de Gettysburg foi travada nos três primeiros dias de julho de 1863. Durante a noite de 4 de julho, o general Robert E. Lee começou a bater em retirada para o sul, enquanto tempestades inundavam a região. Quando Lee alcançou o Potomac com seu exército derrotado, encontrou um rio caudaloso, intransponível, e atrás dele estavam as tropas vitoriosas da União. Lee estava encurralado. Não conseguiria escapar. Aquela era uma oportunidade de ouro, um presente divino – a oportunidade de capturar o exército de Lee e acabar com a guerra de uma vez por todas. Assim, esperançoso, Lincoln ordenou que o então general Meade atacasse Lee assim que possível, sem antes convocar um conselho de guerra. Enviou a ordem por telegrama e também mandou um mensageiro especial até Meade, exigindo ação imediata.

E o que fez o general Meade? O exato oposto do que lhe foi ordenado. Convocou um conselho de guerra, violando diretamente as ordens de Lincoln. Hesitou. Procrastinou. Enviou um telegrama dando todo tipo de desculpa, mas recusou-se a atacar Lee. Por fim, o volume das águas diminuiu e Lee conseguiu cruzar o Potomac com as tropas.

Lincoln ficou furioso.

“O que isso significa?”, perguntou ao filho Robert, gritando. “Meu Deus! O que isso significa? Eles estavam a nosso alcance; só precisávamos estender as mãos, e seriam nossos. No entanto, nada do que eu disse fez nosso exército se movimentar. Naquela situação, qualquer general poderia ter derrotado Lee. Se tivesse ido até lá, eu mesmo teria lhe dado uma surra.”

Decepcionado, Lincoln escreveu uma carta para Meade. E lembre-se: em 1863, Lincoln era extremamente conservador e contido em suas palavras. Assim, vinda de Lincoln, a carta a seguir continha suas mais severas censuras.

Caro general,

Creio que não tenha compreendido a extensão do infortúnio relacionado à fuga de Lee. Ele se encontrava a nosso alcance e, se tivéssemos apertado o cerco, somando-se a isso nossos recentes sucessos, teríamos encerrado a guerra. Agora, porém, a guerra se prolongará indefinidamente. Se o senhor não teve condições de atacar Lee na última segunda-feira, como poderá fazê-lo ao sul do rio, para onde pode levar poucos soldados, não mais que dois terços das forças que se encontravam a seu dispor? Não seria razoável ter essa expectativa, e não creio que tenha condições de realizar tanto. Sua grande oportunidade passou, e estou imensamente perturbado por conta disso.

O que você acha que Meade fez ao ler a carta?

Nada. Meade nunca a viu. Lincoln jamais a enviou. Ela foi encontrada entre seus papéis, depois de sua morte.

Meu palpite é – e isso é apenas um palpite – que, depois de escrever, Lincoln olhou pela janela e disse a si mesmo: “Um minuto. Talvez eu não deva ser tão precipitado. É muito fácil ficar sentado aqui, na tranquilidade da Casa Branca, e ordenar que Meade ataque. Mas se eu estivesse em Gettysburg e tivesse visto todo o sangue que Meade viu na última semana, e se tivesse ouvido todos os gritos e gemidos dos feridos e dos moribundos, talvez também não estivesse tão ansioso para executar o ataque. Se eu tivesse o temperamento tímido de Meade, talvez fizesse o mesmo que ele. De qualquer modo, águas passadas não movem moinhos. Se enviar essa carta, posso me sentir aliviado por revelar meus sentimentos, mas ela levará Meade a tentar se justificar. Ela o levará a me condenar. Vai gerar ressentimentos, torná-lo inútil como comandante e talvez obrigá-lo a deixar o Exército.”

Lincoln guardou a carta pois aprendera, por meio de experiências amargas, que críticas duras e reprovações quase nunca geram algo de útil.

Theodore Roosevelt dizia que, quando estava na presidência e enfrentava um problema espinhoso, costumava se recostar na cadeira, observar uma grande pintura de Lincoln pendurada na parede sobre sua escrivaninha na Casa Branca e se perguntar: “O que Lincoln faria no meu lugar? Como resolveria o problema?”

Da próxima vez que nos sentirmos tentados a repreender alguém, vamos nos perguntar: “Como Lincoln resolveria esse problema?”

Às vezes, o escritor Mark Twain perdia a cabeça e escrevia cartas que faziam o próprio papel sentir vergonha. Certa vez, escreveu para um homem que havia despertado sua ira: “O que o senhor merece é uma licença de sepultamento. Basta falar comigo e eu a providenciarei.” Em outra ocasião, escreveu para um editor sobre um revisor que queria “consertar sua ortografia e pontuação”, ordenando: “De agora em diante, resolva o assunto de acordo com a minha versão e certifique-se de que o revisor manterá as sugestões na massa amorfa do seu cérebro deteriorado.”

Mark Twain se sentia melhor ao escrever cartas tão agressivas. Eram sua forma de desabafar, e o fato é que elas não provocavam nenhum dano real, pois sua esposa secretamente as tirava do correio. Ou seja, elas nunca eram enviadas.

Existe alguma pessoa que você gostaria de mudar, controlar e aperfeiçoar? Que bom! Sou totalmente a favor. Mas por que não começar por si mesmo? Sendo bem egoísta, ajudar a si mesmo é muito mais proveitoso do que tentar melhorar os outros – e menos perigoso também. Como disse Confúcio: “Não se queixe da neve no telhado do vizinho quando a soleira de sua porta não está limpa.”

Certa vez, quando eu era jovem e me esforçava para impressionar as pessoas, escrevi uma carta idiota para Richard Harding Davis, escritor que havia ocupado lugar de destaque na literatura dos Estados Unidos. Eu estava preparando uma matéria de revista sobre escritores e pedi que Davis me descrevesse seu método de trabalho. Semanas antes, havia recebido uma carta de uma outra pessoa com a seguinte anotação no rodapé: “Ditada, mas não lida.” Fiquei impressionado. Imaginei que o autor devia ser um figurão muito ocupado e importante. Eu não estava nem um pouco ocupado, mas ansioso por impressionar Davis, por isso também encerrei minha breve carta com as palavras: “Ditada, mas não lida.”

Harding nunca se deu ao trabalho de responder. Simplesmente me devolveu a carta com a seguinte frase no pé da página. “Sua falta de educação só é superada por sua falta de educação.” Verdade, eu tinha dado uma mancada e talvez merecesse a bronca. Mas, como sou um ser humano, fiquei ressentido. Tão ressentido que, quando li sobre a morte dele dez anos depois, o único pensamento que persistia na minha mente – admito, envergonhado – era a mágoa que ele me causara.

Para provocar um ressentimento que perdure décadas e resista até a morte, basta fazer algumas críticas mordazes, por mais que estejamos convencidos de que elas são justas.

Ao lidar com pessoas, devemos lembrar que não estamos tratando com criaturas lógicas, mas com seres emotivos, suscetíveis a preconceitos e motivados pelo orgulho e pela vaidade.

Críticas ferozes fizeram com que o sensível Thomas Hardy, um dos melhores romancistas da literatura inglesa, desistisse para sempre de escrever ficção. A crítica levou Thomas Chatterton, poeta inglês, ao suicídio.

Quando jovem, Benjamin Franklin não era uma pessoa famosa pelo tato, mas, quando adulto, tornou-se tão diplomático, tão habilidoso nos relacionamentos interpessoais, que foi designado embaixador americano na França. O segredo de seu sucesso? “Não falarei mal de ninguém e falarei tudo de bom que souber de todo mundo”, disse ele.

Qualquer tolo pode criticar, condenar e reclamar – e a maioria dos tolos assim o faz. Mas é preciso ter caráter e autocontrole para compreender e perdoar.

“Um grande homem demonstra sua grandeza pela forma como trata os pequenos”, disse o filósofo escocês Thomas Carlyle.

Bob Hoover, famoso piloto de testes e profissional bastante solicitado para participar de shows de acrobacia aérea, voltava para sua casa em Los Angeles depois de uma apresentação em San Diego. Conforme descrito na revista Flight Operations, a 90 metros de altitude os dois motores pararam de funcionar de repente. Graças a manobras habilidosas, ele conseguiu aterrissar a aeronave, que sofreu graves danos, embora ninguém tenha se ferido.

A primeira coisa que Hoover fez depois do pouso de emergência foi inspecionar o combustível. Como suspeitava, o avião a hélice da Segunda Guerra Mundial tinha sido abastecido com combustível para jatos, e não com gasolina.

Quando voltou ao aeroporto, Hoover pediu para falar com o mecânico que abastecera o avião. O jovem estava se sentindo péssimo por causa do erro que cometera, as lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto Hoover se aproximava. Ele fora responsável pela destruição de uma nave muito cara e também poderia ter causado uma morte.

Dá para imaginar a fúria de Hoover. Era de esperar que, diante de tamanho descuido, palavras duras sairiam da boca daquele piloto orgulhoso e meticuloso. Mas Hoover não brigou com o mecânico, nem mesmo o criticou. Em vez disso, abraçou-o e disse: “Para provar que tenho certeza de que você nunca mais repetirá o erro, quero que abasteça meu F-51 amanhã.”

Com frequência, os pais se sentem tentados a criticar os filhos. Talvez você espere que eu diga que não devam fazer isso. Mas não direi. Direi apenas que, antes de criticá-los, leia um clássico do jornalismo americano intitulado “Papai perdoa”, texto originalmente publicado como editorial do periódico People’s Home Journal. Ele aparece na página seguinte, com permissão do autor, em sua versão condensada e publicada na Reader’s Digest.

“Papai esquece” é um texto que, criado a partir de sentimentos sinceros, toca tão fundo a sensibilidade do leitor que é considerado um clássico eterno. Segundo W. Livingston Larned, seu autor, desde sua primeira aparição o texto foi reproduzido em “centenas de revistas, publicações internas de empresas e jornais de todo o país. Foi publicado em outros idiomas praticamente na mesma proporção. Milhares de pessoas fizeram a leitura dele na escola, na igreja ou em palestras. Já foi transmitido pelo rádio em incontáveis programas e ocasiões. Por incrível que pareça, também já foi publicado em periódicos universitários e em revistas de instituições de ensino médio. Às vezes, um pequeno texto mobiliza as pessoas de uma forma misteriosa. Foi o que aconteceu com este”.

 

PAPAI PERDOA

W. Livingston Larned

Escute, meu filho: estou falando enquanto você dorme, com sua mãozinha escondida debaixo do rosto, os cachinhos louros grudados na testa úmida. Entrei no seu quarto sozinho e sem fazer barulho. Minutos atrás, enquanto lia o jornal na biblioteca, fui tomado por uma sufocante onda de remorso. Sentindo-me culpado, vim até a cabeceira da sua cama.

Andei pensando em algumas coisas, meu filho: fiquei zangado com você. Repreendi você enquanto se vestia para a escola porque mal enxugou o rosto com a toalha. Chamei sua atenção por não ter limpado os sapatos. Reclamei com raiva quando você jogou suas coisas no chão.

Também me irritei no café da manhã. Você derramou a bebida. Engoliu a comida. Pôs os cotovelos na mesa. Passou manteiga demais no pão. Foi lá fora brincar e, quando saí para o trabalho, você virou para mim, acenou e disse: “Tchau, papai!” Eu franzi a testa e respondi: “Endireite os ombros!”

De noitinha, tudo recomeçou. Quando cheguei perto de casa, vi você de joelhos no chão, jogando bolinhas de gude. As meias estavam furadas. Eu o humilhei diante dos seus amigos e o fiz voltar para casa. Meias são coisas caras, e você teria mais cuidado se tivesse de comprá-las com o próprio dinheiro! Meu filho, imagine isso vindo de um pai!

Você lembra quando, mais tarde, eu estava lendo na biblioteca e você entrou timidamente, com uma carinha triste? Irritado pela interrupção, ergui os olhos do jornal, e você hesitou à porta.

– O que você quer? – perguntei, resmungando.

Você não disse nada, apenas saiu correndo, abraçou meu pescoço e me beijou. Seus bracinhos me apertaram com uma afeição que Deus fez desabrochar em seu coração e que nem minha negligência foi capaz de fazer murchar. Em seguida, você saiu e subiu correndo a escada.

Pois bem, filho: pouco depois, o jornal escorregou das minhas mãos e um medo terrível, nauseante, tomou conta de mim. O que o hábito tem feito comigo? O hábito de encontrar defeitos, de repreender – era assim que eu vinha recompensando você por ser um menino. O problema não era falta de amor; era que eu esperava demais da infância. Eu o avaliava segundo os padrões da minha idade.

E havia muita coisa boa, bela e verdadeira em seu caráter. Seu coraçãozinho era tão lindo quanto o amanhecer entre as colinas. Percebi isso pelo seu gesto espontâneo de correr para me dar um beijo de boa-noite. Nada mais importa esta noite, filho. Eu vim até sua cabeceira na escuridão e me ajoelhei, envergonhado!

Meu gesto não passa de uma autopunição insignificante. Sei que você não compreenderia essas coisas se me ouvisse enquanto estivesse acordado. Mas amanhã serei um papai de verdade! Serei seu companheiro, sofrerei com seu sofrimento, rirei com seu riso. Vou me refrear quando quiser demonstrar impaciência. Repetirei sem parar, como num ritual: “Ele é apenas um menino… um menininho!”

Infelizmente, eu estava enxergando você como um homem. Porém, ao observá-lo neste momento, meu filho, encolhido e exausto em sua cama, vejo que ainda é um bebê. Ontem mesmo estava nos braços de sua mãe com a cabeça apoiada no ombro dela. Eu exigi demais de você, demais.

Em vez de condenar as pessoas, vamos tentar compreendê-las. Vamos tentar descobrir o que as leva a fazer o que fazem. Essa atitude é bem mais útil e interessante do que as críticas, além de cultivar a compaixão, a tolerância e a bondade. Saber tudo é perdoar tudo.

Como dizia o escritor Samuel Johnson: “Nem o próprio Deus se propõe a julgar um homem até o fim de seus dias.”

Então por que eu e você deveríamos julgar?

 

PRINCÍPIO 1

Não critique, não condene, não reclame.

Parte um

Técnicas fundamentais para lidar com as pessoas

“Se você quer colher o mel, não chute a colmeia”

Em 7 de maio de 1931, a mais sensacional caçada humana até então testemunhada em Nova York chegava a seu clímax. Após semanas de busca, “Two Gun” Crowley – um assassino e pistoleiro que não fumava nem bebia – tinha sido localizado e estava encurralado no apartamento da namorada na West End Avenue.

O cerco a seu esconderijo no último andar do prédio teve a participação de 150 policiais e detetives. Eles abriram buracos no telhado. Tentaram expulsar Crowley, conhecido como o “Matador de Policiais”, jogando gás lacrimogênio no apartamento. Em seguida, montaram as metralhadoras nos edifícios vizinhos e, durante mais de uma hora, uma das melhores áreas residenciais de Nova York foi tomada pelos estampidos das pistolas e o rá-tá-tá-tá das armas automáticas. Agachado atrás de uma poltrona estofada, Crowley atirava contra a polícia sem parar. A batalha foi assistida por 10 mil espectadores empolgados. A cidade de Nova York nunca tinha visto nada parecido.

Quando Crowley foi capturado, o comissário de polícia E. P. Mulrooney declarou que “Two Gun” era um dos criminosos mais perigosos da história de Nova York. “Ele mata sem hesitar”, constatou o homem da lei.

Mas como “Two Gun” se enxergava? Nós temos a resposta para essa pergunta porque, enquanto a polícia atirava na direção do apartamento, ele escreveu uma carta “A quem possa interessar”. E, enquanto escrevia, o sangue de suas feridas deixou uma mancha vermelha no papel. Na carta, Crowley dizia: “Sob o meu casaco bate um coração cansado, mas bondoso, um coração que nunca faria mal a ninguém.”

Pouco tempo antes, Crowley estava aos beijos com a namorada numa estrada próxima de Long Island, quando, de repente, um policial se aproximou do carro e ordenou:

– Mostre sua carteira de motorista!

Sem dizer uma palavra, Crowley sacou sua arma e derrubou o policial com uma chuva de tiros. Com o homem já caído e em seus últimos suspiros, Crowley saltou do carro, pegou o revólver do policial e deu mais um tiro no corpo abatido. E foi esse o assassino que pouco tempo depois, ao se ver cercado, escreveria aquela carta.

Crowley foi condenado à cadeira elétrica. Quando chegou ao corredor da morte, no presídio de Sing Sing, ele não disse “Isso é o que eu ganho por matar pessoas”. O que ele disse foi:

“Isso é o que eu ganho por me defender.”

Moral da história: “Two Gun” Crowley não assumia nenhuma responsabilidade pelo que fazia. Você acha que essa é uma postura incomum entre os criminosos? Então leia esta frase: “Passei os melhores anos da minha vida proporcionando os maiores prazeres às pessoas, ajudando-as a se divertir, e tudo o que consegui foi ser insultado e perseguido.”

Essa fala é de Al Capone. Sim, o mais famoso inimigo público dos Estados Unidos, o mais sinistro gângster da história de Chicago. Capone não se sentia culpado. Na verdade, se via como um benfeitor público incompreendido que não recebia o reconhecimento merecido.

O mesmo aconteceu com Dutch Schultz antes de ser morto a tiros por gângsteres em Newark. Dutch Schultz, um dos mais famosos bandidos de Nova York, afirmou em entrevista a um jornal que era um benfeitor público. E ele acreditava nisso.

Durante muitos anos, mantive interessante troca de correspondências sobre esse assunto com Lewis Lawes, diretor do presídio de Sing Sing, que me escreveu o seguinte: “Poucos criminosos que estão presos aqui se consideram homens maus. São tão humanos quanto eu e você. Eles racionalizam, explicam, contam por que tiveram que arrombar um cofre ou apertar o gatilho. A maioria usa um raciocínio falacioso ou lógico para justificar seus atos antissociais até para si mesmos, e, por isso, afirmam categoricamente que nunca deveriam ter sido presos.”

Se Al Capone, “Two Gun” Crowley, Dutch Schultz e os presos desesperados que estão atrás das grades não se sentem culpados por nada, o que acontece com as pessoas com quem lidamos no dia a dia?

John Wanamaker, fundador de uma rede de lojas, confessou certa vez: “Trinta anos atrás, aprendi que dar bronca é bobagem. Já tenho muitos problemas para superar minhas próprias limitações sem me irritar com o fato de que Deus parece ter escolhido não distribuir igualmente o dom da inteligência.”

Wanamaker aprendeu essa lição cedo. Quanto a mim, tive que passar um terço de século por este mundo cometendo erros até começar a compreender que em 99% das vezes as pessoas não assumem a responsabilidade por seus atos e não fazem autocríticas por motivo algum, mesmo que estejam completamente erradas.

E não adianta criticar, porque isso coloca a pessoa na defensiva e em geral faz com que ela tente se justificar. A crítica é perigosa porque fere o precioso orgulho do indivíduo, atinge seu senso de importância e desperta ressentimento.

B. F. Skinner, psicólogo mundialmente famoso, demonstrou por meio de experimentos que um animal recompensado pelo bom comportamento aprende bem mais rápido que um animal punido por mau comportamento. Estudos posteriores mostraram que o mesmo vale para seres humanos. Ao fazer críticas, não produzimos mudanças duradouras e, com frequência, provocamos ressentimento.

Hans Selye, outro grande psicólogo, disse que o “nosso desejo de aprovação é tão intenso quanto o medo da condenação”. O ressentimento provocado pela crítica pode desmoralizar funcionários, familiares e amigos e, ainda assim, não corrigir a situação criticada.

George B. Johnson, de Enid, Oklahoma, é coordenador de segurança de uma empresa de engenharia. Uma de suas responsabilidades é garantir que os empregados usem capacete quando fizerem trabalho de campo. Ele relatou que, sempre que encontrava trabalhadores sem o capacete, mencionava a norma em tom autoritário e exigia que a cumprissem à risca. Os empregados obedeciam de má vontade e muitas vezes, assim que ele partia, tiravam o capacete.

Por isso, ele decidiu tentar uma abordagem diferente. Ao encontrar trabalhadores sem a proteção, passou a perguntar se os capacetes eram desconfortáveis ou se não tinham o tamanho adequado. Em seguida, num tom de voz gentil, lembrava os funcionários que o capacete era projetado para prevenir acidentes e sugeria que o equipamento deveria ser sempre usado durante o trabalho. Como resultado, os funcionários passaram a cumprir a regra com mais frequência, sem ressentimentos.

Milhares de páginas da história mostram como fazer críticas é inútil. Veja, por exemplo, a famosa briga entre Theodore Roosevelt e o presidente William Howard Taft – um conflito que dividiu o Partido Republicano, pôs Woodrow Wilson na Casa Branca e deixou marcas antes e depois da Primeira Guerra Mundial, alterando o curso da história.

Examinemos os fatos rapidamente: quando deixou a presidência dos Estados Unidos em 1909, Theodore Roosevelt apoiou a candidatura de Taft, que se elegeu para a Casa Branca. Em seguida, Roosevelt fez uma viagem para a África. Ao voltar, perdeu as estribeiras. Criticou o conservadorismo extremo de Taft e tentou garantir para si a candidatura para um terceiro mandato como presidente, criando uma cisão no partido republicano. Depois da confusão, ambos foram derrotados nas eleições. Foi a derrota mais desastrosa que os republicanos haviam sofrido até então.

Theodore Roosevelt culpou Taft. Mas Taft assumiu a culpa? Claro que não. Com lágrimas nos olhos, disse: “Não vejo o que poderia ter feito de diferente.”

Quem era o culpado? Roosevelt ou Taft? Sinceramente, não sei, mas a questão é que todas as críticas de Roosevelt não convenceram Taft de que ele estava errado. Serviram apenas para que Taft tentasse se justificar.

Vejamos o escândalo de Teapot Dome, envolvendo petrolíferas, que gerou manchetes indignadas nos jornais do início dos anos 1920 e sacudiu a nação inteira. Até então, não tinha havido nada parecido na vida pública dos Estados Unidos. Eis a essência dos fatos: Albert B. Fall, secretário do Interior do governo de Warren G. Harding, foi encarregado de cuidar do arrendamento das reservas de petróleo do governo em Elk Hill e Teapot Dome. Ambos os campos já haviam sido reservados para serem usados pela Marinha. Será que o secretário Fall autorizou a organização de uma licitação competitiva? Não, senhor. Ele entregou o vultoso contrato a seu amigo Edward L. Doheny. E o que fez Doheny? Ofereceu ao secretário Fall aquilo que descreveu como um “empréstimo” de 100 mil dólares. Como se fosse um déspota, Fall ordenou que os fuzileiros navais fossem ao distrito para retirar os concorrentes com postos de extração adjacentes, que estariam explorando petróleo das reservas de Elk Hill. Retirados das terras sob a mira de fuzis e baionetas, os concorrentes procuraram a justiça imediatamente – e deflagraram o escândalo de Teapot Dome. A podridão foi tão grande que arruinou o governo Harding, enojou uma nação inteira, quase destruiu o Partido Republicano e pôs Albert B. Fall atrás das grades.

Fall recebeu uma condenação pesada – punição que poucos homens da vida pública já haviam sofrido. Teria se arrependido? Nunca! Anos depois do ocorrido, Herbert Hoover, presidente americano entre 1929 e 1933, declarou num discurso que a morte do presidente Harding fora provocada pela ansiedade e as preocupações geradas pela traição de um amigo. Quando a esposa de Fall ouviu aquilo, saltou da cadeira, caiu no choro, sacudiu os punhos e berrou:

– O quê? Harding traído por Fall? De jeito nenhum! Meu marido nunca traiu ninguém. Nem todo o ouro do mundo levaria meu marido a fazer algo de errado. Ele é quem foi traído, aniquilado e crucificado.

ϒ ϒ ϒ

Eis a natureza humana em ação: malfeitores culpando a todos, menos a si mesmos. Todos nós somos assim. Portanto, quando nos sentirmos tentados a criticar alguém, vamos nos lembrar de Al Capone, de “Two Gun” Crowley e de Albert Fall. Precisamos entender que as críticas são como um pombo-correio: sempre voltam para casa. Ou seja, aquela pessoa que corrigirmos e recriminarmos provavelmente se justificará e nos condenará também. Ou, como Taft, dirá: “Não vejo o que poderia ter feito de diferente.”

Na manhã de 15 de abril de 1865, o então presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln agonizava num quarto do térreo de uma modesta hospedaria em frente do Teatro Ford, onde John Wilkes Booth o alvejara. O corpo longilíneo de Lincoln estava deitado em diagonal numa cama desconfortável, pequena demais para ele. Havia uma reprodução barata da famosa pintura de Rosa Bonheur, A feira de cavalos, pendurada na parede sobre a cama, e um bico de gás produzia uma vacilante luz amarelada.

Enquanto Lincoln agonizava, o secretário de Guerra Edwin Stanton declarou: “Aqui jaz o mais perfeito governante que o mundo já viu.”

Qual era o segredo do sucesso de Lincoln em lidar com as pessoas? Estudei a vida de Abraham Lincoln durante 10 anos e devotei três anos para escrever e reescrever um livro intitulado Lincoln, esse desconhecido. Acredito que produzi um estudo tão detalhado e minucioso da personalidade de Lincoln e de sua vida doméstica quanto seria possível. Estudei, em especial, o método que usava para lidar com as pessoas. Ele fazia críticas? Ah, sim. Quando jovem, em Pigeon Creek Valley, Indiana, ele não apenas criticava, como também escrevia cartas e poemas ridicularizando pessoas e jogava as páginas nas estradas rurais, onde certamente seriam encontradas. Uma delas despertou ressentimentos que duraram toda uma vida.

Mesmo depois que se tornou advogado em Springfield, Illinois, Lincoln continuou atacando opositores abertamente por meio de cartas publicadas nos jornais. Mas certa vez acabou exagerando.

No outono de 1842, ele ridicularizou um político vaidoso e bélico chamado James Shields. Lincoln debochou dele por meio de uma carta anônima publicada pelo Journal, periódico de Springfield. A cidade inteira morreu de rir. Sensível e orgulhoso, Shields ficou indignado. Descobriu a autoria da carta, montou no cavalo, foi atrás de Lincoln e o desafiou para um duelo. Lincoln não queria brigar. Era contrário aos duelos, mas não tinha como escapar e ao mesmo tempo manter sua honra. Coube a ele escolher a arma. Como tinha braços compridos, optou pelas longas espadas da cavalaria e teve lições de esgrima com um graduado por West Point. No dia marcado, ele e Shields se encontraram num terreno arenoso à margem do rio Mississippi, preparados para lutar até a morte. No último minuto, porém, seus padrinhos interferiram e suspenderam o duelo.

Esse foi o incidente mais sinistro da vida de Lincoln. Ensinou a ele uma lição valiosa na arte de lidar com as pessoas. Ele nunca mais escreveu uma carta ofensiva. E nunca mais ridicularizou ninguém. Daquele dia em diante, raramente fez qualquer crítica a alguém.

Durante a Guerra Civil, por diversas vezes Lincoln trocou de general para comandar o Exército do Potomac, e todos fracassaram de forma trágica. Lincoln andava de um lado para outro, desesperado. Metade da nação estava tomada pela raiva e condenava a incompetência dos generais, mas Lincoln, “sem ser maldoso com ninguém e sendo bondoso com todos”, se manteve em paz. Uma das suas citações preferidas era: “Não julgueis se não quiserdes ser julgado.”

Quando a Sra. Lincoln e os outros falavam mal dos sulistas, Lincoln respondia: “Não os critique. Eles são exatamente como seríamos em circunstâncias semelhantes.”

No entanto, se houve um homem com direito a fazer críticas, esse homem foi Lincoln. Vejamos somente um exemplo:

A batalha de Gettysburg foi travada nos três primeiros dias de julho de 1863. Durante a noite de 4 de julho, o general Robert E. Lee começou a bater em retirada para o sul, enquanto tempestades inundavam a região. Quando Lee alcançou o Potomac com seu exército derrotado, encontrou um rio caudaloso, intransponível, e atrás dele estavam as tropas vitoriosas da União. Lee estava encurralado. Não conseguiria escapar. Aquela era uma oportunidade de ouro, um presente divino – a oportunidade de capturar o exército de Lee e acabar com a guerra de uma vez por todas. Assim, esperançoso, Lincoln ordenou que o então general Meade atacasse Lee assim que possível, sem antes convocar um conselho de guerra. Enviou a ordem por telegrama e também mandou um mensageiro especial até Meade, exigindo ação imediata.

E o que fez o general Meade? O exato oposto do que lhe foi ordenado. Convocou um conselho de guerra, violando diretamente as ordens de Lincoln. Hesitou. Procrastinou. Enviou um telegrama dando todo tipo de desculpa, mas recusou-se a atacar Lee. Por fim, o volume das águas diminuiu e Lee conseguiu cruzar o Potomac com as tropas.

Lincoln ficou furioso.

“O que isso significa?”, perguntou ao filho Robert, gritando. “Meu Deus! O que isso significa? Eles estavam a nosso alcance; só precisávamos estender as mãos, e seriam nossos. No entanto, nada do que eu disse fez nosso exército se movimentar. Naquela situação, qualquer general poderia ter derrotado Lee. Se tivesse ido até lá, eu mesmo teria lhe dado uma surra.”

Decepcionado, Lincoln escreveu uma carta para Meade. E lembre-se: em 1863, Lincoln era extremamente conservador e contido em suas palavras. Assim, vinda de Lincoln, a carta a seguir continha suas mais severas censuras.

Caro general,

Creio que não tenha compreendido a extensão do infortúnio relacionado à fuga de Lee. Ele se encontrava a nosso alcance e, se tivéssemos apertado o cerco, somando-se a isso nossos recentes sucessos, teríamos encerrado a guerra. Agora, porém, a guerra se prolongará indefinidamente. Se o senhor não teve condições de atacar Lee na última segunda-feira, como poderá fazê-lo ao sul do rio, para onde pode levar poucos soldados, não mais que dois terços das forças que se encontravam a seu dispor? Não seria razoável ter essa expectativa, e não creio que tenha condições de realizar tanto. Sua grande oportunidade passou, e estou imensamente perturbado por conta disso.

O que você acha que Meade fez ao ler a carta?

Nada. Meade nunca a viu. Lincoln jamais a enviou. Ela foi encontrada entre seus papéis, depois de sua morte.

Meu palpite é – e isso é apenas um palpite – que, depois de escrever, Lincoln olhou pela janela e disse a si mesmo: “Um minuto. Talvez eu não deva ser tão precipitado. É muito fácil ficar sentado aqui, na tranquilidade da Casa Branca, e ordenar que Meade ataque. Mas se eu estivesse em Gettysburg e tivesse visto todo o sangue que Meade viu na última semana, e se tivesse ouvido todos os gritos e gemidos dos feridos e dos moribundos, talvez também não estivesse tão ansioso para executar o ataque. Se eu tivesse o temperamento tímido de Meade, talvez fizesse o mesmo que ele. De qualquer modo, águas passadas não movem moinhos. Se enviar essa carta, posso me sentir aliviado por revelar meus sentimentos, mas ela levará Meade a tentar se justificar. Ela o levará a me condenar. Vai gerar ressentimentos, torná-lo inútil como comandante e talvez obrigá-lo a deixar o Exército.”

Lincoln guardou a carta pois aprendera, por meio de experiências amargas, que críticas duras e reprovações quase nunca geram algo de útil.

Theodore Roosevelt dizia que, quando estava na presidência e enfrentava um problema espinhoso, costumava se recostar na cadeira, observar uma grande pintura de Lincoln pendurada na parede sobre sua escrivaninha na Casa Branca e se perguntar: “O que Lincoln faria no meu lugar? Como resolveria o problema?”

Da próxima vez que nos sentirmos tentados a repreender alguém, vamos nos perguntar: “Como Lincoln resolveria esse problema?”

Às vezes, o escritor Mark Twain perdia a cabeça e escrevia cartas que faziam o próprio papel sentir vergonha. Certa vez, escreveu para um homem que havia despertado sua ira: “O que o senhor merece é uma licença de sepultamento. Basta falar comigo e eu a providenciarei.” Em outra ocasião, escreveu para um editor sobre um revisor que queria “consertar sua ortografia e pontuação”, ordenando: “De agora em diante, resolva o assunto de acordo com a minha versão e certifique-se de que o revisor manterá as sugestões na massa amorfa do seu cérebro deteriorado.”

Mark Twain se sentia melhor ao escrever cartas tão agressivas. Eram sua forma de desabafar, e o fato é que elas não provocavam nenhum dano real, pois sua esposa secretamente as tirava do correio. Ou seja, elas nunca eram enviadas.

Existe alguma pessoa que você gostaria de mudar, controlar e aperfeiçoar? Que bom! Sou totalmente a favor. Mas por que não começar por si mesmo? Sendo bem egoísta, ajudar a si mesmo é muito mais proveitoso do que tentar melhorar os outros – e menos perigoso também. Como disse Confúcio: “Não se queixe da neve no telhado do vizinho quando a soleira de sua porta não está limpa.”

Certa vez, quando eu era jovem e me esforçava para impressionar as pessoas, escrevi uma carta idiota para Richard Harding Davis, escritor que havia ocupado lugar de destaque na literatura dos Estados Unidos. Eu estava preparando uma matéria de revista sobre escritores e pedi que Davis me descrevesse seu método de trabalho. Semanas antes, havia recebido uma carta de uma outra pessoa com a seguinte anotação no rodapé: “Ditada, mas não lida.” Fiquei impressionado. Imaginei que o autor devia ser um figurão muito ocupado e importante. Eu não estava nem um pouco ocupado, mas ansioso por impressionar Davis, por isso também encerrei minha breve carta com as palavras: “Ditada, mas não lida.”

Harding nunca se deu ao trabalho de responder. Simplesmente me devolveu a carta com a seguinte frase no pé da página. “Sua falta de educação só é superada por sua falta de educação.” Verdade, eu tinha dado uma mancada e talvez merecesse a bronca. Mas, como sou um ser humano, fiquei ressentido. Tão ressentido que, quando li sobre a morte dele dez anos depois, o único pensamento que persistia na minha mente – admito, envergonhado – era a mágoa que ele me causara.

Para provocar um ressentimento que perdure décadas e resista até a morte, basta fazer algumas críticas mordazes, por mais que estejamos convencidos de que elas são justas.

Ao lidar com pessoas, devemos lembrar que não estamos tratando com criaturas lógicas, mas com seres emotivos, suscetíveis a preconceitos e motivados pelo orgulho e pela vaidade.

Críticas ferozes fizeram com que o sensível Thomas Hardy, um dos melhores romancistas da literatura inglesa, desistisse para sempre de escrever ficção. A crítica levou Thomas Chatterton, poeta inglês, ao suicídio.

Quando jovem, Benjamin Franklin não era uma pessoa famosa pelo tato, mas, quando adulto, tornou-se tão diplomático, tão habilidoso nos relacionamentos interpessoais, que foi designado embaixador americano na França. O segredo de seu sucesso? “Não falarei mal de ninguém e falarei tudo de bom que souber de todo mundo”, disse ele.

Qualquer tolo pode criticar, condenar e reclamar – e a maioria dos tolos assim o faz. Mas é preciso ter caráter e autocontrole para compreender e perdoar.

“Um grande homem demonstra sua grandeza pela forma como trata os pequenos”, disse o filósofo escocês Thomas Carlyle.

Bob Hoover, famoso piloto de testes e profissional bastante solicitado para participar de shows de acrobacia aérea, voltava para sua casa em Los Angeles depois de uma apresentação em San Diego. Conforme descrito na revista Flight Operations, a 90 metros de altitude os dois motores pararam de funcionar de repente. Graças a manobras habilidosas, ele conseguiu aterrissar a aeronave, que sofreu graves danos, embora ninguém tenha se ferido.

A primeira coisa que Hoover fez depois do pouso de emergência foi inspecionar o combustível. Como suspeitava, o avião a hélice da Segunda Guerra Mundial tinha sido abastecido com combustível para jatos, e não com gasolina.

Quando voltou ao aeroporto, Hoover pediu para falar com o mecânico que abastecera o avião. O jovem estava se sentindo péssimo por causa do erro que cometera, as lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto Hoover se aproximava. Ele fora responsável pela destruição de uma nave muito cara e também poderia ter causado uma morte.

Dá para imaginar a fúria de Hoover. Era de esperar que, diante de tamanho descuido, palavras duras sairiam da boca daquele piloto orgulhoso e meticuloso. Mas Hoover não brigou com o mecânico, nem mesmo o criticou. Em vez disso, abraçou-o e disse: “Para provar que tenho certeza de que você nunca mais repetirá o erro, quero que abasteça meu F-51 amanhã.”

Com frequência, os pais se sentem tentados a criticar os filhos. Talvez você espere que eu diga que não devam fazer isso. Mas não direi. Direi apenas que, antes de criticá-los, leia um clássico do jornalismo americano intitulado “Papai perdoa”, texto originalmente publicado como editorial do periódico People’s Home Journal. Ele aparece na página seguinte, com permissão do autor, em sua versão condensada e publicada na Reader’s Digest.

“Papai esquece” é um texto que, criado a partir de sentimentos sinceros, toca tão fundo a sensibilidade do leitor que é considerado um clássico eterno. Segundo W. Livingston Larned, seu autor, desde sua primeira aparição o texto foi reproduzido em “centenas de revistas, publicações internas de empresas e jornais de todo o país. Foi publicado em outros idiomas praticamente na mesma proporção. Milhares de pessoas fizeram a leitura dele na escola, na igreja ou em palestras. Já foi transmitido pelo rádio em incontáveis programas e ocasiões. Por incrível que pareça, também já foi publicado em periódicos universitários e em revistas de instituições de ensino médio. Às vezes, um pequeno texto mobiliza as pessoas de uma forma misteriosa. Foi o que aconteceu com este”.

 

PAPAI PERDOA

W. Livingston Larned

Escute, meu filho: estou falando enquanto você dorme, com sua mãozinha escondida debaixo do rosto, os cachinhos louros grudados na testa úmida. Entrei no seu quarto sozinho e sem fazer barulho. Minutos atrás, enquanto lia o jornal na biblioteca, fui tomado por uma sufocante onda de remorso. Sentindo-me culpado, vim até a cabeceira da sua cama.

Andei pensando em algumas coisas, meu filho: fiquei zangado com você. Repreendi você enquanto se vestia para a escola porque mal enxugou o rosto com a toalha. Chamei sua atenção por não ter limpado os sapatos. Reclamei com raiva quando você jogou suas coisas no chão.

Também me irritei no café da manhã. Você derramou a bebida. Engoliu a comida. Pôs os cotovelos na mesa. Passou manteiga demais no pão. Foi lá fora brincar e, quando saí para o trabalho, você virou para mim, acenou e disse: “Tchau, papai!” Eu franzi a testa e respondi: “Endireite os ombros!”

De noitinha, tudo recomeçou. Quando cheguei perto de casa, vi você de joelhos no chão, jogando bolinhas de gude. As meias estavam furadas. Eu o humilhei diante dos seus amigos e o fiz voltar para casa. Meias são coisas caras, e você teria mais cuidado se tivesse de comprá-las com o próprio dinheiro! Meu filho, imagine isso vindo de um pai!

Você lembra quando, mais tarde, eu estava lendo na biblioteca e você entrou timidamente, com uma carinha triste? Irritado pela interrupção, ergui os olhos do jornal, e você hesitou à porta.

– O que você quer? – perguntei, resmungando.

Você não disse nada, apenas saiu correndo, abraçou meu pescoço e me beijou. Seus bracinhos me apertaram com uma afeição que Deus fez desabrochar em seu coração e que nem minha negligência foi capaz de fazer murchar. Em seguida, você saiu e subiu correndo a escada.

Pois bem, filho: pouco depois, o jornal escorregou das minhas mãos e um medo terrível, nauseante, tomou conta de mim. O que o hábito tem feito comigo? O hábito de encontrar defeitos, de repreender – era assim que eu vinha recompensando você por ser um menino. O problema não era falta de amor; era que eu esperava demais da infância. Eu o avaliava segundo os padrões da minha idade.

E havia muita coisa boa, bela e verdadeira em seu caráter. Seu coraçãozinho era tão lindo quanto o amanhecer entre as colinas. Percebi isso pelo seu gesto espontâneo de correr para me dar um beijo de boa-noite. Nada mais importa esta noite, filho. Eu vim até sua cabeceira na escuridão e me ajoelhei, envergonhado!

Meu gesto não passa de uma autopunição insignificante. Sei que você não compreenderia essas coisas se me ouvisse enquanto estivesse acordado. Mas amanhã serei um papai de verdade! Serei seu companheiro, sofrerei com seu sofrimento, rirei com seu riso. Vou me refrear quando quiser demonstrar impaciência. Repetirei sem parar, como num ritual: “Ele é apenas um menino… um menininho!”

Infelizmente, eu estava enxergando você como um homem. Porém, ao observá-lo neste momento, meu filho, encolhido e exausto em sua cama, vejo que ainda é um bebê. Ontem mesmo estava nos braços de sua mãe com a cabeça apoiada no ombro dela. Eu exigi demais de você, demais.

Em vez de condenar as pessoas, vamos tentar compreendê-las. Vamos tentar descobrir o que as leva a fazer o que fazem. Essa atitude é bem mais útil e interessante do que as críticas, além de cultivar a compaixão, a tolerância e a bondade. Saber tudo é perdoar tudo.

Como dizia o escritor Samuel Johnson: “Nem o próprio Deus se propõe a julgar um homem até o fim de seus dias.”

Então por que eu e você deveríamos julgar?

 

PRINCÍPIO 1

Não critique, não condene, não reclame.

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Dale Carnegie

Sobre o autor

Dale Carnegie

Dale Carnegie (1888-1955) foi um escritor e palestrante americano. Nascido numa família pobre no Missouri, escreveu livros que marcaram época e que venderam mais de 50 milhões de exemplares em 38 idiomas. O legado de Carnegie, no entanto, vai além de seus livros: anos antes de publicar Como fazer amigos e influenciar pessoas, ele fundou o Dale Carnegie Training, instituto que ministra cursos de desenvolvimento pessoal, vendas, treinamento corporativo, oratória e habilidades interpessoais. Criado em 1912, hoje é uma organização internacional presente em mais de 90 países.

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