Mulheres - Sextante
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Mulheres

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CAROL ROSSETTI

Retratos de respeito, amor-próprio, direitos e dignidade

Retratos de respeito, amor-próprio, direitos e dignidade

Em 2014, a ilustradora Carol Rossetti começou a desenhar mulheres diversas para testar seus lápis de cor. Nunca poderia imaginar que suas criações despretensiosas ganhariam o mundo e iriam viralizar na internet a ponto de se tornarem matéria na CNN.

Com um traço característico e frases inspiradoras, Carol quebrou tabus e espalhou uma mensagem que ecoou em mulheres do mundo todo: somos fortes, merecedoras de respeito e especiais do jeito que somos, independentemente de opiniões e julgamentos alheios.

Agora, essa mensagem ganha o formato de livro e inclui textos sobre os temas centrais abordados em suas ilustrações, como corpo, estilo, identidade, relacionamentos e superação.

 

“Existem mulheres negras, brancas, morenas, latinas, asiáticas, indianas, indígenas. Existem engenheiras, donas de casa, prostitutas, senadoras, artistas, executivas, atrizes. Há mulheres cegas, surdas, mudas. Mulheres bipolares, deprimidas, ansiosas.

Existem heterossexuais, lésbicas, bissexuais, arromânticas, pansexuais, assexuais. Mulheres cristãs, ateias, budistas, islâmicas.

Há mulheres que não são ativistas, que nunca ouviram falar em feminismo, que nunca discutiram racismo. Mulheres que lutam de formas diferentes, a partir de ideias que não conhecemos. Existem mulheres que têm vergonha de compartilhar suas escolhas por medo de serem julgadas. E mulheres que discordam de tudo isso que eu disse até aqui.

Cada uma tem sua própria história, e acredito que todas elas merecem ser ouvidas e representadas. Minha abordagem será abrangente, convidando todos os que dividem comigo essa ideia de liberdade a celebrar a diversidade do ser humano.

Pode entrar, sente-se onde quiser, pegue um café. Estão todos convidados.”

Carol Rossetti

Em 2014, a ilustradora Carol Rossetti começou a desenhar mulheres diversas para testar seus lápis de cor. Nunca poderia imaginar que suas criações despretensiosas ganhariam o mundo e iriam viralizar na internet a ponto de se tornarem matéria na CNN.

Com um traço característico e frases inspiradoras, Carol quebrou tabus e espalhou uma mensagem que ecoou em mulheres do mundo todo: somos fortes, merecedoras de respeito e especiais do jeito que somos, independentemente de opiniões e julgamentos alheios.

Agora, essa mensagem ganha o formato de livro e inclui textos sobre os temas centrais abordados em suas ilustrações, como corpo, estilo, identidade, relacionamentos e superação.

 

“Existem mulheres negras, brancas, morenas, latinas, asiáticas, indianas, indígenas. Existem engenheiras, donas de casa, prostitutas, senadoras, artistas, executivas, atrizes. Há mulheres cegas, surdas, mudas. Mulheres bipolares, deprimidas, ansiosas.

Existem heterossexuais, lésbicas, bissexuais, arromânticas, pansexuais, assexuais. Mulheres cristãs, ateias, budistas, islâmicas.

Há mulheres que não são ativistas, que nunca ouviram falar em feminismo, que nunca discutiram racismo. Mulheres que lutam de formas diferentes, a partir de ideias que não conhecemos. Existem mulheres que têm vergonha de compartilhar suas escolhas por medo de serem julgadas. E mulheres que discordam de tudo isso que eu disse até aqui.

Cada uma tem sua própria história, e acredito que todas elas merecem ser ouvidas e representadas. Minha abordagem será abrangente, convidando todos os que dividem comigo essa ideia de liberdade a celebrar a diversidade do ser humano.

Pode entrar, sente-se onde quiser, pegue um café. Estão todos convidados.”

Carol Rossetti

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Ficha técnica
Lançamento 07/08/2015
Título original MULHERES
Tradução
Formato 15 x 21 cm
Número de páginas 160
Peso 170 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0227-6
EAN 9788543102276
Preço R$ 44,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788543102856
Preço R$ 29,99
Lançamento 07/08/2015
Título original MULHERES
Tradução
Formato 15 x 21 cm
Número de páginas 160
Peso 170 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0227-6
EAN 9788543102276
Preço R$ 44,90

E-book

eISBN 9788543102856
Preço R$ 29,99

Leia um trecho do livro

Introdução

O projeto Mulheres foi uma das coisas mais incríveis que já aconteceram comigo. Quando dei início a uma produção pessoal de ilustrações para me obrigar a fazer um desenho por dia, não imaginei o que estava por vir. Centenas de pessoas se identificaram com as mulheres que eu criava, e minha página do Facebook se tornou um ambiente no qual mulheres de todo o mundo trocam ideias.

Muita gente me pergunta se me considero feminista, e sempre respondo que sim. Só que isso me parece um pouco vago atualmente. Existem várias vertentes dentro do feminismo e tantas formas de lutar contra a opressão que a palavra se tornou muito abrangente. Sim, me identifico como feminista, mas acho importante explicar como entendo o movimento e a forma que escolhi para contribuir com essa luta.

Eu me identifico mais com o feminismo interseccional, o que significa que eu não acho que seja suficiente lutar apenas contra o machismo propriamente dito. Acredito que a luta só é eficiente se for inclusiva e constituir um ambiente seguro para todas as mulheres, e para isso acontecer é preciso levar outras questões em consideração e considerá-las parte inseparável do feminismo. Pessoas de várias etnias devem ser incluídas e o racismo deve ser combatido. Pessoas com necessidades especiais devem ser incluídas e os desafios que elas enfrentam devem ser levados em consideração. Pessoas trans devem ser incluídas e a transfobia tem que ser repudiada. Pessoas homossexuais, bissexuais, pansexuais, assexuais devem ser incluídas e a diversidade sexual deve ser defendida. Pessoas pobres, famintas, sem teto, analfabetas devem ser incluídas, e a desigualdade social deve ser combatida. Pessoas com doenças mentais devem ser incluídas e o estigma que elas carregam também deve ser colocado em questão.

A representação é uma questão muito debatida dentro do feminismo. Quão ampla ela precisa ser? Quem o feminismo deve incluir ou excluir? Quem pode, de fato, dizer como essa luta tem que ser conduzida? Os homens devem ser ouvidos também? As pessoas devem ser mais ou menos ouvidas dependendo de quão oprimidas sejam?

Não tenho uma resposta pronta para essas questões. Não sou a pessoa que vai determinar o que é ou não é feminismo: eu tenho uma voz, mas não sou a voz do movimento. Eu falo apenas sobre como decidi lutar por um mundo melhor através do meu trabalho e ressalto que o meu jeito não é a única maneira válida de luta.

Um dos meus autores preferidos, José Saramago, uma vez disse: “Aprendi a não convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.” Creio que seja uma das coisas mais sábias já ditas e também das mais difíceis de serem aprendidas. O que proponho é isto: vamos conversar e aprender uns com os outros, mas sem colonizar o próximo.

Minha abordagem é sempre inclusiva. É claro que muitas pessoas não foram representadas no meu trabalho, e eu não tenho a pretensão de trazer sozinha a visibilidade necessária a todo mundo. Mas faço o possível para representar pessoas diversas e inspirar outros a também ampliarem a representação do ser humano em seus trabalhos.

Quanto às questões que abordo, procuro tratar de temáticas variadas. Nem sempre as ilustrações serão socialmente relevantes em todos os contextos. Um tema pode ser ao mesmo tempo um questionamento ousado em alguns países e algo trivial em outro lugar. O projeto se tornou internacional, portanto nem todos os assuntos são pertinentes a todas as culturas. Ainda assim, é interessante que possamos conhecer outras realidades além da nossa.

Algumas mulheres estão em situação de maior vulnerabilidade do que outras. Mulheres negras sofrem mais violência do que mulheres brancas, mulheres trans sofrem mais violência do que mulheres cis (que se identificam com o gênero que lhes foi designado no nascimento); e uma mulher negra, trans e lésbica vive um desafio diário muito maior. É natural e importante que o feminismo estabeleça prioridades de luta. Eu tento retratar os pontos graves, mas o fato de existirem questões urgentes não significa que outros temas não devam ser discutidos também. Acho importante incluirmos as pequenas coisas, aquelas que nem sempre levamos a sério na nossa rotina, mas que incomodam e, no final, são parte de uma questão muito maior de controle sobre nossos corpos, comportamentos e identidades. Nenhum incômodo que as mulheres sofram por causa desse controle deveria ser tratado como tabu.

Como diz o título, eu optei por desenhar apenas personagens femininas neste projeto. Essa decisão foi, em parte, motivada por uma questão pessoal de identificação. Mas este não é um projeto exclusivo para mulheres nem unicamente sobre mulheres, muito menos sobre todas as mulheres ao mesmo tempo. Nem todas as situações que eu desenho são vividas exclusivamente por mulheres, de forma que convido homens (e gente de quaisquer outros gêneros) a se identificarem e acompanharem também os desenhos diários. Além disso, acho interessante que os homens se identifiquem com personagens femininas. Lembro que, quando eu era criança, era comum que os filmes, livros e animações protagonizados por personagens femininas fossem vistos como “para garotas”, enquanto as histórias com protagonistas masculinos eram “para todo mundo”. Não é porque minhas protagonistas são femininas que este é um projeto “para garotas”.

Várias vezes recebi mensagens de homens dizendo que aprenderam muito com meu trabalho. Alguns chegaram a dizer que foi através da minha página que perceberam que já tinham sido desrespeitosos com mulheres e que não cometeriam novamente o mesmo erro. Da mesma forma, recebi mensagens de mulheres dizendo que elas se deram conta de que também julgavam suas irmãs por suas escolhas pessoais e, assim, perpetuavam um sistema de controle sobre a autonomia feminina; e então passaram a repensar seus próprios comentários.

Acredito que esse seja um efeito muito positivo do meu trabalho, e isso só é possível se as pessoas leigas em relação às discussões dos movimentos ativistas puderem comentar, perguntar, relatar suas experiências e participar de diálogos construtivos.

Nesse ponto, muitos disseram que eu deveria excluir pessoas da página e apagar comentários ofensivos (e eu cheguei a excluir alguns, de pessoas que foram muito agressivas e desrespeitosas). Mas se eu excluísse todos que dissessem algo errado por ignorância, somente pessoas já informadas sobre essas lutas permaneceriam na página. Esse não é o objetivo. Eu busco diálogo, discussões, que uns aprendam com os mundos e as experiências de outros. Nós não vamos mudar o mundo se mantivermos o diálogo restrito a um grupo relativamente pequeno de ativistas.

Não acredito que todos tenhamos a responsabilidade de explicar os princípios básicos dessa luta contra o racismo, o machismo, a homofobia e tantas outras opressões. Muita gente não aguenta mais explicar. Conheço mulheres que estão cansadas e com raiva – e têm todo o direito de estar. Quantas não foram traumatizadas, violentadas e desrespeitadas e não têm mais disposição para falar a mesma coisa tantas vezes? Ninguém tem a obrigação de introduzir os outros nos fundamentos básicos dos movimentos ativistas. Mas o caminho deve ser desimpedido para aqueles que estiverem dispostos a fazê-lo.

Existem mulheres negras, brancas, morenas, latinas, asiáticas, indianas, indígenas. Existem engenheiras, donas de casa, prostitutas, senadoras, artistas, executivas, atrizes. Há mulheres cegas, surdas, mudas. Mulheres bipolares, deprimidas, suicidas, ansiosas. Mulheres trans, binárias, não binárias, intersexo. Existem heterossexuais, lésbicas, bissexuais, arromânticas, pansexuais, assexuais. Mulheres que têm três orgasmos por dia e mulheres que nunca tiveram nenhum. Mulheres que usam muita maquiagem, mulheres que não suportam batom, que não fazem as unhas, que nunca tomam sol; mulheres que colocam silicone e que fazem mil cirurgias plásticas. Existem mulheres que escolhem dedicar suas vidas a seus filhos e mulheres que não têm nenhum desejo de começar uma família. Há mulheres que gostam de comédia romântica, outras que gostam de filmes de terror e outras que não gostam de cinema. Mulheres que se vestem de preto e mulheres que preferem rosa. Existem mulheres cristãs, ateias, budistas, islâmicas. Há mulheres que não são ativistas, que nunca ouviram falar em feminismo, que nunca discutiram racismo. Mulheres que lutam de formas diferentes, a partir de ideias que não conhecemos. Existem mulheres que têm vergonha de compartilhar suas escolhas por medo de serem julgadas. E existem mulheres que discordam de tudo isso que eu disse até aqui.

São tantas mulheres diferentes no mundo que eu poderia continuar para sempre. Cada uma tem sua própria história, e acredito que todas elas merecem ser ouvidas e representadas. Minha abordagem será abrangente, deixando as pessoas confortáveis para conhecer o movimento feminista e suas vertentes, convidando todos os que dividem comigo essa ideia de liberdade a celebrar a diversidade do ser humano. Pode entrar, sente-se onde quiser, pegue um café. Estão todos convidados.

Carol Rossetti

Introdução

O projeto Mulheres foi uma das coisas mais incríveis que já aconteceram comigo. Quando dei início a uma produção pessoal de ilustrações para me obrigar a fazer um desenho por dia, não imaginei o que estava por vir. Centenas de pessoas se identificaram com as mulheres que eu criava, e minha página do Facebook se tornou um ambiente no qual mulheres de todo o mundo trocam ideias.

Muita gente me pergunta se me considero feminista, e sempre respondo que sim. Só que isso me parece um pouco vago atualmente. Existem várias vertentes dentro do feminismo e tantas formas de lutar contra a opressão que a palavra se tornou muito abrangente. Sim, me identifico como feminista, mas acho importante explicar como entendo o movimento e a forma que escolhi para contribuir com essa luta.

Eu me identifico mais com o feminismo interseccional, o que significa que eu não acho que seja suficiente lutar apenas contra o machismo propriamente dito. Acredito que a luta só é eficiente se for inclusiva e constituir um ambiente seguro para todas as mulheres, e para isso acontecer é preciso levar outras questões em consideração e considerá-las parte inseparável do feminismo. Pessoas de várias etnias devem ser incluídas e o racismo deve ser combatido. Pessoas com necessidades especiais devem ser incluídas e os desafios que elas enfrentam devem ser levados em consideração. Pessoas trans devem ser incluídas e a transfobia tem que ser repudiada. Pessoas homossexuais, bissexuais, pansexuais, assexuais devem ser incluídas e a diversidade sexual deve ser defendida. Pessoas pobres, famintas, sem teto, analfabetas devem ser incluídas, e a desigualdade social deve ser combatida. Pessoas com doenças mentais devem ser incluídas e o estigma que elas carregam também deve ser colocado em questão.

A representação é uma questão muito debatida dentro do feminismo. Quão ampla ela precisa ser? Quem o feminismo deve incluir ou excluir? Quem pode, de fato, dizer como essa luta tem que ser conduzida? Os homens devem ser ouvidos também? As pessoas devem ser mais ou menos ouvidas dependendo de quão oprimidas sejam?

Não tenho uma resposta pronta para essas questões. Não sou a pessoa que vai determinar o que é ou não é feminismo: eu tenho uma voz, mas não sou a voz do movimento. Eu falo apenas sobre como decidi lutar por um mundo melhor através do meu trabalho e ressalto que o meu jeito não é a única maneira válida de luta.

Um dos meus autores preferidos, José Saramago, uma vez disse: “Aprendi a não convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.” Creio que seja uma das coisas mais sábias já ditas e também das mais difíceis de serem aprendidas. O que proponho é isto: vamos conversar e aprender uns com os outros, mas sem colonizar o próximo.

Minha abordagem é sempre inclusiva. É claro que muitas pessoas não foram representadas no meu trabalho, e eu não tenho a pretensão de trazer sozinha a visibilidade necessária a todo mundo. Mas faço o possível para representar pessoas diversas e inspirar outros a também ampliarem a representação do ser humano em seus trabalhos.

Quanto às questões que abordo, procuro tratar de temáticas variadas. Nem sempre as ilustrações serão socialmente relevantes em todos os contextos. Um tema pode ser ao mesmo tempo um questionamento ousado em alguns países e algo trivial em outro lugar. O projeto se tornou internacional, portanto nem todos os assuntos são pertinentes a todas as culturas. Ainda assim, é interessante que possamos conhecer outras realidades além da nossa.

Algumas mulheres estão em situação de maior vulnerabilidade do que outras. Mulheres negras sofrem mais violência do que mulheres brancas, mulheres trans sofrem mais violência do que mulheres cis (que se identificam com o gênero que lhes foi designado no nascimento); e uma mulher negra, trans e lésbica vive um desafio diário muito maior. É natural e importante que o feminismo estabeleça prioridades de luta. Eu tento retratar os pontos graves, mas o fato de existirem questões urgentes não significa que outros temas não devam ser discutidos também. Acho importante incluirmos as pequenas coisas, aquelas que nem sempre levamos a sério na nossa rotina, mas que incomodam e, no final, são parte de uma questão muito maior de controle sobre nossos corpos, comportamentos e identidades. Nenhum incômodo que as mulheres sofram por causa desse controle deveria ser tratado como tabu.

Como diz o título, eu optei por desenhar apenas personagens femininas neste projeto. Essa decisão foi, em parte, motivada por uma questão pessoal de identificação. Mas este não é um projeto exclusivo para mulheres nem unicamente sobre mulheres, muito menos sobre todas as mulheres ao mesmo tempo. Nem todas as situações que eu desenho são vividas exclusivamente por mulheres, de forma que convido homens (e gente de quaisquer outros gêneros) a se identificarem e acompanharem também os desenhos diários. Além disso, acho interessante que os homens se identifiquem com personagens femininas. Lembro que, quando eu era criança, era comum que os filmes, livros e animações protagonizados por personagens femininas fossem vistos como “para garotas”, enquanto as histórias com protagonistas masculinos eram “para todo mundo”. Não é porque minhas protagonistas são femininas que este é um projeto “para garotas”.

Várias vezes recebi mensagens de homens dizendo que aprenderam muito com meu trabalho. Alguns chegaram a dizer que foi através da minha página que perceberam que já tinham sido desrespeitosos com mulheres e que não cometeriam novamente o mesmo erro. Da mesma forma, recebi mensagens de mulheres dizendo que elas se deram conta de que também julgavam suas irmãs por suas escolhas pessoais e, assim, perpetuavam um sistema de controle sobre a autonomia feminina; e então passaram a repensar seus próprios comentários.

Acredito que esse seja um efeito muito positivo do meu trabalho, e isso só é possível se as pessoas leigas em relação às discussões dos movimentos ativistas puderem comentar, perguntar, relatar suas experiências e participar de diálogos construtivos.

Nesse ponto, muitos disseram que eu deveria excluir pessoas da página e apagar comentários ofensivos (e eu cheguei a excluir alguns, de pessoas que foram muito agressivas e desrespeitosas). Mas se eu excluísse todos que dissessem algo errado por ignorância, somente pessoas já informadas sobre essas lutas permaneceriam na página. Esse não é o objetivo. Eu busco diálogo, discussões, que uns aprendam com os mundos e as experiências de outros. Nós não vamos mudar o mundo se mantivermos o diálogo restrito a um grupo relativamente pequeno de ativistas.

Não acredito que todos tenhamos a responsabilidade de explicar os princípios básicos dessa luta contra o racismo, o machismo, a homofobia e tantas outras opressões. Muita gente não aguenta mais explicar. Conheço mulheres que estão cansadas e com raiva – e têm todo o direito de estar. Quantas não foram traumatizadas, violentadas e desrespeitadas e não têm mais disposição para falar a mesma coisa tantas vezes? Ninguém tem a obrigação de introduzir os outros nos fundamentos básicos dos movimentos ativistas. Mas o caminho deve ser desimpedido para aqueles que estiverem dispostos a fazê-lo.

Existem mulheres negras, brancas, morenas, latinas, asiáticas, indianas, indígenas. Existem engenheiras, donas de casa, prostitutas, senadoras, artistas, executivas, atrizes. Há mulheres cegas, surdas, mudas. Mulheres bipolares, deprimidas, suicidas, ansiosas. Mulheres trans, binárias, não binárias, intersexo. Existem heterossexuais, lésbicas, bissexuais, arromânticas, pansexuais, assexuais. Mulheres que têm três orgasmos por dia e mulheres que nunca tiveram nenhum. Mulheres que usam muita maquiagem, mulheres que não suportam batom, que não fazem as unhas, que nunca tomam sol; mulheres que colocam silicone e que fazem mil cirurgias plásticas. Existem mulheres que escolhem dedicar suas vidas a seus filhos e mulheres que não têm nenhum desejo de começar uma família. Há mulheres que gostam de comédia romântica, outras que gostam de filmes de terror e outras que não gostam de cinema. Mulheres que se vestem de preto e mulheres que preferem rosa. Existem mulheres cristãs, ateias, budistas, islâmicas. Há mulheres que não são ativistas, que nunca ouviram falar em feminismo, que nunca discutiram racismo. Mulheres que lutam de formas diferentes, a partir de ideias que não conhecemos. Existem mulheres que têm vergonha de compartilhar suas escolhas por medo de serem julgadas. E existem mulheres que discordam de tudo isso que eu disse até aqui.

São tantas mulheres diferentes no mundo que eu poderia continuar para sempre. Cada uma tem sua própria história, e acredito que todas elas merecem ser ouvidas e representadas. Minha abordagem será abrangente, deixando as pessoas confortáveis para conhecer o movimento feminista e suas vertentes, convidando todos os que dividem comigo essa ideia de liberdade a celebrar a diversidade do ser humano. Pode entrar, sente-se onde quiser, pegue um café. Estão todos convidados.

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Carol Rossetti

Sobre o autor

Carol Rossetti

Decidiu ser ilustradora aos 4 anos, quando ganhou de seus pais uma caixa de lápis de cor. Mais tarde, resolveu que queria estudar design gráfico, área na qual se graduou em 2011. Ela mora em Belo Horizonte e concilia seus projetos autorais de ilustração com o estúdio Café com Chocolate Design, criado por ela e três amigos. Seu trabalho já foi traduzido para mais de 15 idiomas e suas ilustrações, divulgadas em veículos internacionais como CNN, Cosmopolitan e Huffington Post. Carol foi destacada pelo Facebook Stories como exemplo de mulher atuante. Até hoje, ela adora ganhar cadernos e se delicia com as infinitas possibilidades de um papel em branco.

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