O estilo emocional do cérebro - Sextante
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CIÊNCIAS

O estilo emocional do cérebro

O estilo emocional do cérebro

RICHARD J. DAVIDSON, PH.D COM SHARON BEGLEY

Como o funcionamento cerebral afeta sua maneira de pensar, sentir e viver

Como o funcionamento cerebral afeta sua maneira de pensar, sentir e viver

“Ao examinarem os indícios científicos de que a meditação e outras práticas cognitivas realmente produzem alterações no cérebro, os autores nos permitem modificar nossos hábitos emocionais mais nocivos e criar outros novos e benéficos. Aguçar a atenção, relacionar-se melhor com as pessoas e se conectar com a própria intuição, tudo isso é possível – e este livro mostra como.” – Deepak Chopra, autor de As sete leis espirituais do sucesso

 

Você já se perguntou por que as pessoas reagem de maneiras tão diferentes às adversidades e às alegrias da vida? Por que algumas logo dão a volta por cima após sofrer uma grande perda, ao passo que outras entram em depressão? Já notou que tem amigos que comemoram cada pequena vitória, enquanto outros só sabem reclamar?

Tudo isso está relacionado com O estilo emocional do cérebro. Após mais de 30 anos de pesquisas, o neurocientista Richard J. Davidson resolveu se dedicar ao estudo pioneiro dos mecanismos misteriosos que estão por trás das emoções e examinar o modo como elas influenciam as funções cerebrais.

Davidson descobriu que cada estilo emocional é formado por seis dimensões básicas – resiliência, atitude, intuição social, autopercepção, sensibilidade ao contexto e atenção – e que a identidade emocional única é determinada pela combinação dessas dimensões em maior ou menor grau.

Por meio de experimentos com monges budistas, ele constatou que, a longo prazo, a meditação tem o poder de alterar padrões de atividades cerebrais prejudiciais e de fortalecer a empatia, a compaixão, o otimismo e a sensação de bem-estar, estimulando qualidades mentais positivas.

Neste livro, o autor apresenta um novo modelo do cérebro emocional que pode mudar o tratamento de doenças como o autismo e a depressão. Também mostra de que maneira você pode ficar mais ciente de seu estilo emocional – seja para se aceitar como de fato é, seja para se transformar – e como lidar melhor com as pessoas com quem você convive.

****

O estilo emocional do cérebro baseia-se em pesquisas inovadoras para mudar a maneira como você enxerga a si mesmo e as pessoas à sua volta. Richard Davidson e Sharon Begley transformam complexas descobertas científicas em uma leitura rápida e agradável.” – Daniel Goleman, ph.D., autor de Inteligência emocional

Pessoas diferentes têm estilos emocionais distintos. Isso quer dizer que cada um de nós tem um perfil emocional único, que faz parte de quem somos a ponto de nossos conhecidos conseguirem prever como reagiremos a determinada dificuldade emocional.

Mas de que forma o cérebro produz os estilos emocionais? Será que eles estão inscritos fisicamente em nossos circuitos neurais ou existe algo que possamos fazer para mudá-los e, assim, alterar o modo como lidamos com os prazeres e as eventualidades da vida?

Neste livro, o neurocientista Richard J. Davidson explica de que maneira são formados os estilos emocionais, como funciona a conexão mente-cérebro-corpo e o que fazer para desenvolvermos padrões cerebrais que nos proporcionem mais bem-estar e qualidade de vida.

Compreender os estilos emocionais é uma ótima oportunidade para o autoconhecimento e a implementação das mudanças necessárias. Se o seu estilo emocional estiver limitando sua felicidade, impedindo-o de alcançar seus objetivos ou lhe causando sofrimento, saiba que é possível alterá-lo.

Com base em pesquisas científicas pioneiras, o autor mostra como treinar a mente para modificar as dimensões do seu estilo emocional e oferece estratégias simples e práticas para que você realize essa transformação.

“Ao examinarem os indícios científicos de que a meditação e outras práticas cognitivas realmente produzem alterações no cérebro, os autores nos permitem modificar nossos hábitos emocionais mais nocivos e criar outros novos e benéficos. Aguçar a atenção, relacionar-se melhor com as pessoas e se conectar com a própria intuição, tudo isso é possível – e este livro mostra como.” – Deepak Chopra, autor de As sete leis espirituais do sucesso

 

Você já se perguntou por que as pessoas reagem de maneiras tão diferentes às adversidades e às alegrias da vida? Por que algumas logo dão a volta por cima após sofrer uma grande perda, ao passo que outras entram em depressão? Já notou que tem amigos que comemoram cada pequena vitória, enquanto outros só sabem reclamar?

Tudo isso está relacionado com O estilo emocional do cérebro. Após mais de 30 anos de pesquisas, o neurocientista Richard J. Davidson resolveu se dedicar ao estudo pioneiro dos mecanismos misteriosos que estão por trás das emoções e examinar o modo como elas influenciam as funções cerebrais.

Davidson descobriu que cada estilo emocional é formado por seis dimensões básicas – resiliência, atitude, intuição social, autopercepção, sensibilidade ao contexto e atenção – e que a identidade emocional única é determinada pela combinação dessas dimensões em maior ou menor grau.

Por meio de experimentos com monges budistas, ele constatou que, a longo prazo, a meditação tem o poder de alterar padrões de atividades cerebrais prejudiciais e de fortalecer a empatia, a compaixão, o otimismo e a sensação de bem-estar, estimulando qualidades mentais positivas.

Neste livro, o autor apresenta um novo modelo do cérebro emocional que pode mudar o tratamento de doenças como o autismo e a depressão. Também mostra de que maneira você pode ficar mais ciente de seu estilo emocional – seja para se aceitar como de fato é, seja para se transformar – e como lidar melhor com as pessoas com quem você convive.

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O estilo emocional do cérebro baseia-se em pesquisas inovadoras para mudar a maneira como você enxerga a si mesmo e as pessoas à sua volta. Richard Davidson e Sharon Begley transformam complexas descobertas científicas em uma leitura rápida e agradável.” – Daniel Goleman, ph.D., autor de Inteligência emocional

Pessoas diferentes têm estilos emocionais distintos. Isso quer dizer que cada um de nós tem um perfil emocional único, que faz parte de quem somos a ponto de nossos conhecidos conseguirem prever como reagiremos a determinada dificuldade emocional.

Mas de que forma o cérebro produz os estilos emocionais? Será que eles estão inscritos fisicamente em nossos circuitos neurais ou existe algo que possamos fazer para mudá-los e, assim, alterar o modo como lidamos com os prazeres e as eventualidades da vida?

Neste livro, o neurocientista Richard J. Davidson explica de que maneira são formados os estilos emocionais, como funciona a conexão mente-cérebro-corpo e o que fazer para desenvolvermos padrões cerebrais que nos proporcionem mais bem-estar e qualidade de vida.

Compreender os estilos emocionais é uma ótima oportunidade para o autoconhecimento e a implementação das mudanças necessárias. Se o seu estilo emocional estiver limitando sua felicidade, impedindo-o de alcançar seus objetivos ou lhe causando sofrimento, saiba que é possível alterá-lo.

Com base em pesquisas científicas pioneiras, o autor mostra como treinar a mente para modificar as dimensões do seu estilo emocional e oferece estratégias simples e práticas para que você realize essa transformação.

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Ficha técnica
Lançamento 28/03/2013
Título original
Tradução DIEGO ALFARO
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 288
Peso 350 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-7542-898-6
EAN 9788575428986
Preço R$ 39,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788575429150
Preço R$ 24,99
Lançamento 28/03/2013
Título original
Tradução DIEGO ALFARO
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 288
Peso 350 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-7542-898-6
EAN 9788575428986
Preço R$ 39,90

E-book

eISBN 9788575429150
Preço R$ 24,99

Leia um trecho do livro

introdução

Uma jornada científica

Este livro descreve uma jornada pessoal e profissional dedicada a entender por que as pessoas têm reações emocionais diversas ao que lhes acontece e como se manifestam essas reações – uma jornada motivada por meu desejo de ajudá-las a viver de maneira mais saudável e gratificante.

O tom “profissional” desta narrativa descreve o surgimento da disciplina híbrida chamada “neurociência afetiva”: o estudo dos mecanismos cerebrais que estão por trás das nossas emoções e a busca por maneiras de melhorar a sensação de bem-estar e promover qualidades mentais positivas.

O tom “pessoal” retrata minha história. Movido pela convicção de que há mais coisas no que diz respeito à descrição da mente segundo as correntes predominantes da psicologia e da neurociência, aventurei-me além das fronteiras dessas disciplinas. Sofri alguns contratempos, mas espero ter conseguido demonstrar que as emoções, longe de serem bobagens neurológicas, são fundamentais para as funções cerebrais e para a vida da mente.

Meus 30 anos de pesquisa em neurociência afetiva1 geraram centenas de descobertas: dos mecanismos cerebrais subjacentes à empatia, das diferenças entre o cérebro autista e o normal e da explicação sobre como o centro da racionalidade cerebral pode levar alguém a mergulhar no agitado abismo emocional da depressão, entre muitas outras. Espero que esses resultados tenham contribuído para compreendermos mais profundamente a existência humana e o fato de termos uma vida emocional. No entanto, à medida que essas descobertas se sucediam, afastei-me gradativamente do dia a dia de meu laboratório na Universidade de Wisconsin em Madison.

Desde maio de 2010, tenho atuado também como diretor do Centro de Investigação de Mentes Saudáveis dessa universidade,2 um centro de pesquisa cuja missão é entender como surgem, no cérebro, as qualidades mentais que a humanidade valoriza desde o início da civilização – a compaixão, o bem-estar, a caridade, o altruísmo, a gentileza, o amor e outros aspectos notáveis da condição humana – e como as características positivas podem ser estimuladas.

Uma das grandes virtudes desse centro é o fato de não restringirmos o trabalho à pesquisa: nosso desejo é ver os resultados dessas investigações ganharem o mundo, onde poderão fazer diferença na vida das pessoas. Para isso, elaboramos um currículo voltado a alunos da pré-escola e do ensino fundamental especificamente para incentivar a gentileza e a atenção e estamos avaliando o impacto desse treinamento no desempenho acadêmico, na concentração, na empatia e na cooperação. Outro projeto trabalha com a hipótese de o treinamento em técnicas de respiração e meditação ser capaz de ajudar os veteranos de guerra que voltam do Afeganistão e do Iraque a lidar com o estresse e a ansiedade.

Eu me entusiasmo tanto com a parte científica quanto com a aplicação das descobertas no mundo real. Mas é muito fácil ser consumido pelo trabalho. Costumo brincar dizendo que tenho vários empregos em período integral, desde supervisionar os pedidos de bolsa acadêmica até negociar com os comitês universitários de bioética a permissão para fazer pesquisas em voluntários humanos. Mas eu não queria que fosse assim.

Dessa forma, cerca de 10 anos atrás comecei a fazer um levantamento sobre as minhas pesquisas e os estudos de outros laboratórios que investigavam a neurociência afetiva – não as interessantes descobertas específicas, mas o quadro geral. E percebi que nossos trabalhos tinham revelado algo fundamental sobre a vida emocional do cérebro: o fato de que cada pessoa é caracterizada por aquilo que passei a chamar de estilo emocional.

Antes de resumir os componentes do estilo emocional, vou explicar rapidamente de que maneira ele se relaciona com outros sistemas classificatórios que tentam esclarecer a grande diversidade da existência humana: estados e traços emocionais, personalidade e temperamento.3

O estado emocional é a menor e a mais efêmera das unidades das emoções. Ele costuma durar poucos segundos e tende a ser desencadeado por uma experiência – por exemplo, o surto de alegria ao vermos a colagem feita por nosso filho no Dia das Mães, a sensação de realização ao terminarmos um grande projeto no trabalho, a raiva que sentimos quando precisamos trabalhar durante um feriado, a tristeza de vermos que nossa filha foi a única da turma que não foi convidada para uma festa. Os estados emocionais também podem surgir unicamente da atividade mental, como quando sonhamos acordados, ficamos introspectivos ou antevemos o futuro. Independentemente de terem sido desencadeados por experiências mentais ou do mundo real, os estados emocionais tendem a se dissipar, deixando espaço para novos estados.

Um sentimento que persiste e se mantém consistente ao longo de minutos ou de horas, ou até de dias, é um humor – como quando dizemos “ele está de mau humor”. E o traço emocional é o que caracteriza uma pessoa não só durante dias, mas também durante anos. Costumamos classificar uma pessoa que resmunga o tempo todo de rabugenta e aquela que se exaspera com facilidade de nervosa. Um traço emocional – como a raiva crônica de quem tem pavio curto – aumenta a probabilidade de vivenciarmos um estado emocional específico (a fúria, por exemplo), por diminuir o limiar necessário para sua manifestação.

O estilo emocional é um modo consistente de respondermos às nossas experiências de vida.4 É dirigido por circuitos cerebrais específicos e identificáveis e pode ser medido por meio de métodos laboratoriais objetivos. O estilo emocional influencia a probabilidade de apresentarmos determinados estados emocionais, traços emocionais e humores. Os estilos emocionais têm uma correlação muito mais próxima com os sistemas cerebrais subjacentes do que os estados ou traços e por isso podem ser considerados os átomos de nossa vida emocional – seus elementos constituintes fundamentais.

Por outro lado, a personalidade, um conceito muito mais utilizado para descrevermos as pessoas, não é fundamental nesse sentido nem se baseia em mecanismos neurológicos. Ela consiste em um conjunto de qualidades que compreendem traços e estilos emocionais específicos. Considere, por exemplo, um traço de personalidade bastante estudado, a amabilidade. Pessoas extremamente amáveis são empáticas, atenciosas, amigáveis, generosas e prestativas. Porém cada um desses traços emocionais é, ele próprio, o produto de diferentes aspectos do estilo emocional. Ao contrário da personalidade, o estilo emocional pode ser relacionado com um conjunto de propriedades cerebrais específicas e características. Portanto, para entender a base cerebral da amabilidade, é preciso examinar mais a fundo os estilos emocionais subjacentes que a abrangem.

Nos últimos tempos, a psicologia tem demonstrado grande interesse em criar sistemas de classificação, afirmando que existem quatro tipos de temperamento, cinco componentes da personalidade e sabe-se lá quantos tipos de caráter. Apesar de interessantes e até divertidos – os meios de comunicação de massa encontram nisso um prato cheio para descrever os tipos de personalidade que geram bons casais, líderes de negócios ou psicopatas –, esses sistemas não têm grande validade científica, pois não se baseiam na análise rigorosa dos mecanismos cerebrais que existem por trás deles. Qualquer coisa que esteja ligada ao comportamento humano, aos sentimentos e às formas de pensar surge no cérebro. Por isso, qualquer sistema de classificação também deve se basear no cérebro. O que nos leva de volta ao estilo emocional.

O estilo emocional tem seis dimensões, que não são aspectos convencionais da personalidade nem simples traços ou humores emocionais, muito menos critérios diagnósticos para doenças mentais. Elas derivam de descobertas da pesquisa neurocientífica moderna e são:

Resiliência: a velocidade com que nos recuperamos de uma adversidade.

Atitude: por quanto tempo conseguimos sustentar as emoções positivas.

Intuição social: a facilidade com que captamos os sinais sociais emitidos pelas pessoas ao nosso redor.

Autopercepção: nossa capacidade de perceber as sensações corporais relacionadas com as emoções.

Sensibilidade ao contexto: a capacidade de regularmos nossas respostas emocionais para que correspondam ao nosso contexto social.

Atenção: quão aguçada e clara é nossa concentração.

É provável que não sejam essas as seis dimensões que você sugeriria se resolvesse pensar nas próprias emoções e em como elas podem ser diferentes das de outras pessoas. Da mesma forma, é possível que o modelo de Bohr para o átomo não seja o que você conceberia se decidisse refletir sobre a estrutura da matéria. Não pretendo comparar meu trabalho ao dos fundadores da física moderna. Meu objetivo é apenas apresentar um argumento geral: a mente humana raramente consegue determinar as verdades da natureza, ou mesmo as verdades sobre os homens, apenas pela intuição ou pela observação casual. É para isso que temos a ciência. Somente por meio de experimentos metódicos e rigorosos conseguimos desvendar o funcionamento do mundo – e de nós mesmos.

A classificação dessas seis dimensões é resultado de meus mais de 30 anos de pesquisa em neurociência afetiva, trabalho corroborado com as descobertas de colegas do mundo inteiro e por elas complementado, também. Elas correspondem a propriedades do cérebro e a seus modos de funcionamento e são indispensáveis a qualquer modelo das emoções e do comportamento humanos. Se essas seis dimensões não refletem sua compreensão de si mesmo ou das pessoas próximas a você, isso talvez se deva ao fato de que muitas delas atuam em dimensões que nem sempre são claramente visíveis. Por exemplo: em geral não estamos conscientes do tipo de pessoa que somos na dimensão Resiliência. Com poucas exceções, não prestamos atenção à velocidade com que nos recuperamos de um evento estressante. Algo extremamente traumático, como a morte de um filho, é uma exceção. Nesse caso, costumamos estar perfeitamente cientes de que vivemos com os nervos à flor da pele durante meses. Entretanto, vivenciamos suas consequências. Por exemplo: se você discutir com o seu companheiro pela manhã, poderá ficar irritado o dia inteiro – mas ainda assim talvez não perceba que ficou de pavio curto por não ter retomado seu equilíbrio emocional, o que é a marca do estilo de Recuperação Lenta.

No Capítulo 3, vou mostrar de que maneira podemos ficar mais cientes de nosso estilo emocional, que é o primeiro passo, e também o mais importante, em qualquer tentativa de aceitarmos com tranquilidade a pessoa que somos – ou de nos transformarmos.

A ciência tem uma regra básica: qualquer nova teoria cujo objetivo seja suplantar uma anterior deverá explicar os mesmos fenômenos explicados por aquela, além de fenômenos novos. Para ser aceita como uma Teoria da Gravidade mais precisa e abrangente que aquela proposta por Isaac Newton, a Teoria Geral da Relatividade de Einstein teve que explicar todos os fenômenos gravitacionais explicados pela teoria de Newton, como as órbitas dos planetas em volta do Sol e a velocidade com que os objetos caem, além de fenômenos novos, como a curvatura da luz celestial em volta de uma grande estrela. Assim, pretendo demonstrar aqui que o estilo emocional tem poder explicativo suficiente para descrever traços de personalidade e tipos de temperamento já bem estabelecidos. Mais adiante, no Capítulo 4, veremos que o estilo emocional tem fundações sólidas no cérebro, o que não ocorre com outros sistemas de classificação.

Acredito que cada personalidade e temperamento corresponda a uma combinação diferente das seis dimensões do estilo emocional. Consideremos os “cinco grandes” traços de personalidade, que constituem um dos sistemas de classificação típicos da psicologia: abertura a novas experiências, estado consciente, extroversão, amabilidade e tendência à neurose:

Uma pessoa aberta a novas experiências tem uma forte intuição social. Também tem muita autopercepção e tende a possuir um estilo de atenção concentrado.

Uma pessoa conscienciosa tem uma intuição social bem desenvolvida, um estilo de atenção concentrado e uma intensa sensibilidade ao contexto.

Uma pessoa extrovertida se recupera rapidamente das adversidades e mantém uma atitude positiva.

Uma pessoa amável tem grande sensibilidade ao contexto e muita resiliência. Também tende a manter uma atitude positiva.

Uma pessoa com forte tendência à neurose possui recuperação lenta diante das adversidades. Tem uma atitude pessimista e negativa, é relativamente insensível ao contexto e tende a ter um estilo de atenção pouco concentrado.

Embora essas combinações de estilos emocionais – que, somadas, geram os cinco grandes traços de personalidade – estejam em geral presentes, sempre haverá exceções. Nem todas as pessoas com certa personalidade terão todas as dimensões do estilo emocional que descrevo aqui, mas invariavelmente terão ao menos uma delas.

Avançando além dos cinco grandes traços, podemos examinar outros nos quais todos pensamos ao nos descrevermos ou ao nos referirmos a alguém que conheçamos bem. Cada um desses traços também pode ser compreendido como uma combinação de diferentes dimensões do estilo emocional, ainda que, é bom frisar, nem todas as pessoas com determinado traço possuam todas as dimensões. Entretanto, boa parte terá a maioria destas dimensões:

Impulsivo: uma combinação de atenção pouco focada com baixa autopercepção.

Paciente: uma combinação de grande autopercepção com alta sensibilidade ao contexto. O fato de sabermos que outras coisas também mudarão quando o contexto mudar nos ajuda a ter paciência.

Tímido: uma combinação de recuperação lenta na dimensão resiliência com baixa sensibilidade ao contexto. Por causa da insensibilidade ao contexto, a timidez e a desconfiança se estendem para além dos contextos nos quais poderiam ser normais.

Ansioso: uma combinação entre recuperação lenta, atitude negativa, altos níveis de autopercepção e atenção pouco focada.

Otimista: uma combinação de recuperação rápida com atitude positiva.

Cronicamente infeliz: uma combinação de recuperação lenta com atitude negativa, o que faz com que a pessoa não consiga sustentar as emoções positivas e fique atolada em emoções negativas quando sofre um revés.

Como se pode ver, essas características comuns compreendem diferentes combinações dos estilos emocionais. Tal formulação nos permite descrever as prováveis bases cerebrais para essas características comuns.

Quando se lê artigos científicos originais, é fácil ter a impressão de que os pesquisadores pensaram em uma questão, conceberam um experimento inteligente para responder a ela e então realizaram o estudo sem sofrer nenhum contratempo nem chegar a um beco sem saída em sua busca pela resposta. Na verdade, não é assim que funciona. Imagino que você já desconfie disso, mas a maioria das pessoas não sabe da grande dificuldade que existe quando se questiona um paradigma, uma questão já estabelecida.

Era nessa posição que eu estava no início dos anos 1980. Nessa época, a psicologia acadêmica reservava o estudo das emoções à psicologia social e da personalidade, em vez de à neurobiologia, e poucos pesquisadores se interessavam por estudar as bases cerebrais das emoções. Os que se interessavam apoiavam a pesquisa sobre os chamados centros emocionais do cérebro, que, conforme se acreditava então, estariam situados exclusivamente no sistema límbico. Eu tive uma ideia diferente: a de que as funções corticais mais elevadas, em particular aquelas situadas no córtex pré-frontal, a área mais avançada em termos evolutivos, eram fundamentais para as emoções.

Na primeira vez em que sugeri que o córtex pré-frontal estaria envolvido nas emoções, tive que enfrentar uma onda interminável de ceticismo: o córtex pré-frontal, insistiam os céticos, trabalha com a razão, a antítese das emoções. Essa área, portanto, certamente não poderia participar também das emoções.

A tentativa de avançar em minha carreira científica quando todos os ventos sopravam com força na direção contrária foi muito solitária. Minha busca pelas bases das emoções na região cerebral dedicada à razão foi vista como um empreendimento quixotesco, para dizer o mínimo – o equivalente neurocientífico de procurar elefantes no Alasca. Não foram poucas as vezes, sobretudo quando busquei financiamento no início da carreira, em que minha desconfiança da divisão clássica entre o pensamento (no neocórtex altamente desenvolvido) e os sentimentos (no sistema límbico subcortical) pareceu ser uma boa maneira de acabar com uma carreira científica, e não de começá-la.

Minhas inclinações científicas e meus interesses pessoais não favoreceram o avanço da minha carreira. Pouco depois de começar a pós-graduação em Harvard, na década de 1970, conheci um grupo incrível de pessoas gentis e compassivas que, como logo percebi, tinham algo em comum: praticavam meditação. Essa descoberta estimulou meu interesse por essa atividade, a tal ponto que, um ano após terminar a pós-graduação, fiz uma viagem de três meses à Índia e ao Sri Lanka, a fim de aprender mais sobre essa antiga tradição e vivenciar os efeitos da meditação intensiva. Eu tinha também outra motivação: queria saber se a meditação poderia ser um tema adequado a um estudo científico.

O estudo das emoções era bastante controverso. Praticar a meditação era quase uma heresia e estudá-la, então, parecia um absurdo científico. Como já mencionei, os psicólogos e os neurocientistas acreditavam na existência de regiões cerebrais dedicadas à razão e de regiões dedicadas às emoções, sendo que os dois tipos jamais se encontrariam. Da mesma forma, eles consideravam que existisse a ciência rigorosa e empírica de um lado e a meditação bicho-grilo de outro – e, se você praticasse a meditação, suas credenciais para a ciência seriam altamente questionáveis.

Estávamos na época de O Tao da física (1975), A dança dos mestres Wu Li (1979) e outros livros que defendiam a existência de fortes complementaridades entre as descobertas da ciência ocidental e as ideias das filosofias orientais. A maioria dos cientistas acadêmicos acreditava que isso fosse uma grande bobagem – praticar a meditação nesse meio não era, digamos, o caminho mais direto para o sucesso acadêmico. Meus mentores em Harvard deixaram muito claro que, se eu quisesse seguir uma carreira científica bem-sucedida, o estudo da meditação não seria um bom ponto de partida. Embora no início da carreira eu tivesse me aventurado timidamente no estudo científico da meditação, logo percebi que a resistência a esse tipo de estudo era profunda e o deixei de lado. Ainda assim, continuei a meditar, sem falar sobre isso com ninguém, até que, por fim – ao me tornar professor titular da Universidade de Wisconsin e ter uma longa lista de publicações e prêmios científicos –, voltei à meditação como um tema de estudo científico.

Uma importante razão para isso foi o encontro transformador que tive com o Dalai-Lama em 1992, que modificou completamente minha carreira e minha vida pessoal. Esse encontro foi a centelha que me fez assumir meus interesses em meditação e outras formas de treinamento mental.

É impressionante ver quanto a situação mudou no curto período desde então. Em menos de 20 anos, as comunidades científica e médica se tornaram muito mais receptivas à pesquisa sobre o treinamento mental. Milhares de novos artigos que tratam desse assunto são publicados a cada ano nos principais periódicos científicos e os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos distribuem atualmente fundos consideráveis para a pesquisa em meditação. Uma década atrás, no entanto, isso seria impensável.

Encaro essa mudança de forma muito positiva e não faço isso por nenhum sentimento de desforra pessoal, ainda que, confesso, seja gratificante ver um tema científico antes renegado receber, enfim, o respeito que merece. Em 1992 fiz duas promessas ao Dalai-Lama. A primeira: eu estudaria a meditação. A segunda: eu tentaria fazer com que a psicologia desse à pesquisa sobre as emoções positivas, como a compaixão e o bem-estar, a mesma atenção que sempre dedicara às emoções negativas.

Essas duas promessas finalmente convergiram e, com elas, minha convicção quixotesca de que a região do cérebro dedicada à razão e a outras funções cognitivas elevadas é tão importante para as emoções quanto o sistema límbico. A pesquisa que conduzi com pessoas que praticam a meditação demonstrou que o treinamento mental pode alterar padrões de atividade no cérebro e, assim, fortalecer a empatia, a compaixão, o otimismo e a sensação de bem-estar. Esse foi o auge da minha promessa de estudar a meditação e as emoções positivas. E minha pesquisa nas linhas bem estabelecidas da neurociência afetiva demonstrou que é nas regiões dedicadas ao raciocínio elevado que se encontra a chave para alterar tais padrões de atividade cerebral.

Assim, embora este livro seja uma história da minha transformação pessoal e científica, espero que sirva também como um guia para a sua transformação. Em sânscrito, a palavra para meditação também significa “familiarização”. O primeiro passo para transformarmos nosso estilo emocional – e que é também o mais importante – é nos familiarizarmos com ele. Se este livro não fizer nada além de aumentar a sua percepção sobre seu estilo emocional e o de outras pessoas a seu redor, considero que já terá sido bem-sucedido.

introdução

Uma jornada científica

Este livro descreve uma jornada pessoal e profissional dedicada a entender por que as pessoas têm reações emocionais diversas ao que lhes acontece e como se manifestam essas reações – uma jornada motivada por meu desejo de ajudá-las a viver de maneira mais saudável e gratificante.

O tom “profissional” desta narrativa descreve o surgimento da disciplina híbrida chamada “neurociência afetiva”: o estudo dos mecanismos cerebrais que estão por trás das nossas emoções e a busca por maneiras de melhorar a sensação de bem-estar e promover qualidades mentais positivas.

O tom “pessoal” retrata minha história. Movido pela convicção de que há mais coisas no que diz respeito à descrição da mente segundo as correntes predominantes da psicologia e da neurociência, aventurei-me além das fronteiras dessas disciplinas. Sofri alguns contratempos, mas espero ter conseguido demonstrar que as emoções, longe de serem bobagens neurológicas, são fundamentais para as funções cerebrais e para a vida da mente.

Meus 30 anos de pesquisa em neurociência afetiva1 geraram centenas de descobertas: dos mecanismos cerebrais subjacentes à empatia, das diferenças entre o cérebro autista e o normal e da explicação sobre como o centro da racionalidade cerebral pode levar alguém a mergulhar no agitado abismo emocional da depressão, entre muitas outras. Espero que esses resultados tenham contribuído para compreendermos mais profundamente a existência humana e o fato de termos uma vida emocional. No entanto, à medida que essas descobertas se sucediam, afastei-me gradativamente do dia a dia de meu laboratório na Universidade de Wisconsin em Madison.

Desde maio de 2010, tenho atuado também como diretor do Centro de Investigação de Mentes Saudáveis dessa universidade,2 um centro de pesquisa cuja missão é entender como surgem, no cérebro, as qualidades mentais que a humanidade valoriza desde o início da civilização – a compaixão, o bem-estar, a caridade, o altruísmo, a gentileza, o amor e outros aspectos notáveis da condição humana – e como as características positivas podem ser estimuladas.

Uma das grandes virtudes desse centro é o fato de não restringirmos o trabalho à pesquisa: nosso desejo é ver os resultados dessas investigações ganharem o mundo, onde poderão fazer diferença na vida das pessoas. Para isso, elaboramos um currículo voltado a alunos da pré-escola e do ensino fundamental especificamente para incentivar a gentileza e a atenção e estamos avaliando o impacto desse treinamento no desempenho acadêmico, na concentração, na empatia e na cooperação. Outro projeto trabalha com a hipótese de o treinamento em técnicas de respiração e meditação ser capaz de ajudar os veteranos de guerra que voltam do Afeganistão e do Iraque a lidar com o estresse e a ansiedade.

Eu me entusiasmo tanto com a parte científica quanto com a aplicação das descobertas no mundo real. Mas é muito fácil ser consumido pelo trabalho. Costumo brincar dizendo que tenho vários empregos em período integral, desde supervisionar os pedidos de bolsa acadêmica até negociar com os comitês universitários de bioética a permissão para fazer pesquisas em voluntários humanos. Mas eu não queria que fosse assim.

Dessa forma, cerca de 10 anos atrás comecei a fazer um levantamento sobre as minhas pesquisas e os estudos de outros laboratórios que investigavam a neurociência afetiva – não as interessantes descobertas específicas, mas o quadro geral. E percebi que nossos trabalhos tinham revelado algo fundamental sobre a vida emocional do cérebro: o fato de que cada pessoa é caracterizada por aquilo que passei a chamar de estilo emocional.

Antes de resumir os componentes do estilo emocional, vou explicar rapidamente de que maneira ele se relaciona com outros sistemas classificatórios que tentam esclarecer a grande diversidade da existência humana: estados e traços emocionais, personalidade e temperamento.3

O estado emocional é a menor e a mais efêmera das unidades das emoções. Ele costuma durar poucos segundos e tende a ser desencadeado por uma experiência – por exemplo, o surto de alegria ao vermos a colagem feita por nosso filho no Dia das Mães, a sensação de realização ao terminarmos um grande projeto no trabalho, a raiva que sentimos quando precisamos trabalhar durante um feriado, a tristeza de vermos que nossa filha foi a única da turma que não foi convidada para uma festa. Os estados emocionais também podem surgir unicamente da atividade mental, como quando sonhamos acordados, ficamos introspectivos ou antevemos o futuro. Independentemente de terem sido desencadeados por experiências mentais ou do mundo real, os estados emocionais tendem a se dissipar, deixando espaço para novos estados.

Um sentimento que persiste e se mantém consistente ao longo de minutos ou de horas, ou até de dias, é um humor – como quando dizemos “ele está de mau humor”. E o traço emocional é o que caracteriza uma pessoa não só durante dias, mas também durante anos. Costumamos classificar uma pessoa que resmunga o tempo todo de rabugenta e aquela que se exaspera com facilidade de nervosa. Um traço emocional – como a raiva crônica de quem tem pavio curto – aumenta a probabilidade de vivenciarmos um estado emocional específico (a fúria, por exemplo), por diminuir o limiar necessário para sua manifestação.

O estilo emocional é um modo consistente de respondermos às nossas experiências de vida.4 É dirigido por circuitos cerebrais específicos e identificáveis e pode ser medido por meio de métodos laboratoriais objetivos. O estilo emocional influencia a probabilidade de apresentarmos determinados estados emocionais, traços emocionais e humores. Os estilos emocionais têm uma correlação muito mais próxima com os sistemas cerebrais subjacentes do que os estados ou traços e por isso podem ser considerados os átomos de nossa vida emocional – seus elementos constituintes fundamentais.

Por outro lado, a personalidade, um conceito muito mais utilizado para descrevermos as pessoas, não é fundamental nesse sentido nem se baseia em mecanismos neurológicos. Ela consiste em um conjunto de qualidades que compreendem traços e estilos emocionais específicos. Considere, por exemplo, um traço de personalidade bastante estudado, a amabilidade. Pessoas extremamente amáveis são empáticas, atenciosas, amigáveis, generosas e prestativas. Porém cada um desses traços emocionais é, ele próprio, o produto de diferentes aspectos do estilo emocional. Ao contrário da personalidade, o estilo emocional pode ser relacionado com um conjunto de propriedades cerebrais específicas e características. Portanto, para entender a base cerebral da amabilidade, é preciso examinar mais a fundo os estilos emocionais subjacentes que a abrangem.

Nos últimos tempos, a psicologia tem demonstrado grande interesse em criar sistemas de classificação, afirmando que existem quatro tipos de temperamento, cinco componentes da personalidade e sabe-se lá quantos tipos de caráter. Apesar de interessantes e até divertidos – os meios de comunicação de massa encontram nisso um prato cheio para descrever os tipos de personalidade que geram bons casais, líderes de negócios ou psicopatas –, esses sistemas não têm grande validade científica, pois não se baseiam na análise rigorosa dos mecanismos cerebrais que existem por trás deles. Qualquer coisa que esteja ligada ao comportamento humano, aos sentimentos e às formas de pensar surge no cérebro. Por isso, qualquer sistema de classificação também deve se basear no cérebro. O que nos leva de volta ao estilo emocional.

O estilo emocional tem seis dimensões, que não são aspectos convencionais da personalidade nem simples traços ou humores emocionais, muito menos critérios diagnósticos para doenças mentais. Elas derivam de descobertas da pesquisa neurocientífica moderna e são:

Resiliência: a velocidade com que nos recuperamos de uma adversidade.

Atitude: por quanto tempo conseguimos sustentar as emoções positivas.

Intuição social: a facilidade com que captamos os sinais sociais emitidos pelas pessoas ao nosso redor.

Autopercepção: nossa capacidade de perceber as sensações corporais relacionadas com as emoções.

Sensibilidade ao contexto: a capacidade de regularmos nossas respostas emocionais para que correspondam ao nosso contexto social.

Atenção: quão aguçada e clara é nossa concentração.

É provável que não sejam essas as seis dimensões que você sugeriria se resolvesse pensar nas próprias emoções e em como elas podem ser diferentes das de outras pessoas. Da mesma forma, é possível que o modelo de Bohr para o átomo não seja o que você conceberia se decidisse refletir sobre a estrutura da matéria. Não pretendo comparar meu trabalho ao dos fundadores da física moderna. Meu objetivo é apenas apresentar um argumento geral: a mente humana raramente consegue determinar as verdades da natureza, ou mesmo as verdades sobre os homens, apenas pela intuição ou pela observação casual. É para isso que temos a ciência. Somente por meio de experimentos metódicos e rigorosos conseguimos desvendar o funcionamento do mundo – e de nós mesmos.

A classificação dessas seis dimensões é resultado de meus mais de 30 anos de pesquisa em neurociência afetiva, trabalho corroborado com as descobertas de colegas do mundo inteiro e por elas complementado, também. Elas correspondem a propriedades do cérebro e a seus modos de funcionamento e são indispensáveis a qualquer modelo das emoções e do comportamento humanos. Se essas seis dimensões não refletem sua compreensão de si mesmo ou das pessoas próximas a você, isso talvez se deva ao fato de que muitas delas atuam em dimensões que nem sempre são claramente visíveis. Por exemplo: em geral não estamos conscientes do tipo de pessoa que somos na dimensão Resiliência. Com poucas exceções, não prestamos atenção à velocidade com que nos recuperamos de um evento estressante. Algo extremamente traumático, como a morte de um filho, é uma exceção. Nesse caso, costumamos estar perfeitamente cientes de que vivemos com os nervos à flor da pele durante meses. Entretanto, vivenciamos suas consequências. Por exemplo: se você discutir com o seu companheiro pela manhã, poderá ficar irritado o dia inteiro – mas ainda assim talvez não perceba que ficou de pavio curto por não ter retomado seu equilíbrio emocional, o que é a marca do estilo de Recuperação Lenta.

No Capítulo 3, vou mostrar de que maneira podemos ficar mais cientes de nosso estilo emocional, que é o primeiro passo, e também o mais importante, em qualquer tentativa de aceitarmos com tranquilidade a pessoa que somos – ou de nos transformarmos.

A ciência tem uma regra básica: qualquer nova teoria cujo objetivo seja suplantar uma anterior deverá explicar os mesmos fenômenos explicados por aquela, além de fenômenos novos. Para ser aceita como uma Teoria da Gravidade mais precisa e abrangente que aquela proposta por Isaac Newton, a Teoria Geral da Relatividade de Einstein teve que explicar todos os fenômenos gravitacionais explicados pela teoria de Newton, como as órbitas dos planetas em volta do Sol e a velocidade com que os objetos caem, além de fenômenos novos, como a curvatura da luz celestial em volta de uma grande estrela. Assim, pretendo demonstrar aqui que o estilo emocional tem poder explicativo suficiente para descrever traços de personalidade e tipos de temperamento já bem estabelecidos. Mais adiante, no Capítulo 4, veremos que o estilo emocional tem fundações sólidas no cérebro, o que não ocorre com outros sistemas de classificação.

Acredito que cada personalidade e temperamento corresponda a uma combinação diferente das seis dimensões do estilo emocional. Consideremos os “cinco grandes” traços de personalidade, que constituem um dos sistemas de classificação típicos da psicologia: abertura a novas experiências, estado consciente, extroversão, amabilidade e tendência à neurose:

Uma pessoa aberta a novas experiências tem uma forte intuição social. Também tem muita autopercepção e tende a possuir um estilo de atenção concentrado.

Uma pessoa conscienciosa tem uma intuição social bem desenvolvida, um estilo de atenção concentrado e uma intensa sensibilidade ao contexto.

Uma pessoa extrovertida se recupera rapidamente das adversidades e mantém uma atitude positiva.

Uma pessoa amável tem grande sensibilidade ao contexto e muita resiliência. Também tende a manter uma atitude positiva.

Uma pessoa com forte tendência à neurose possui recuperação lenta diante das adversidades. Tem uma atitude pessimista e negativa, é relativamente insensível ao contexto e tende a ter um estilo de atenção pouco concentrado.

Embora essas combinações de estilos emocionais – que, somadas, geram os cinco grandes traços de personalidade – estejam em geral presentes, sempre haverá exceções. Nem todas as pessoas com certa personalidade terão todas as dimensões do estilo emocional que descrevo aqui, mas invariavelmente terão ao menos uma delas.

Avançando além dos cinco grandes traços, podemos examinar outros nos quais todos pensamos ao nos descrevermos ou ao nos referirmos a alguém que conheçamos bem. Cada um desses traços também pode ser compreendido como uma combinação de diferentes dimensões do estilo emocional, ainda que, é bom frisar, nem todas as pessoas com determinado traço possuam todas as dimensões. Entretanto, boa parte terá a maioria destas dimensões:

Impulsivo: uma combinação de atenção pouco focada com baixa autopercepção.

Paciente: uma combinação de grande autopercepção com alta sensibilidade ao contexto. O fato de sabermos que outras coisas também mudarão quando o contexto mudar nos ajuda a ter paciência.

Tímido: uma combinação de recuperação lenta na dimensão resiliência com baixa sensibilidade ao contexto. Por causa da insensibilidade ao contexto, a timidez e a desconfiança se estendem para além dos contextos nos quais poderiam ser normais.

Ansioso: uma combinação entre recuperação lenta, atitude negativa, altos níveis de autopercepção e atenção pouco focada.

Otimista: uma combinação de recuperação rápida com atitude positiva.

Cronicamente infeliz: uma combinação de recuperação lenta com atitude negativa, o que faz com que a pessoa não consiga sustentar as emoções positivas e fique atolada em emoções negativas quando sofre um revés.

Como se pode ver, essas características comuns compreendem diferentes combinações dos estilos emocionais. Tal formulação nos permite descrever as prováveis bases cerebrais para essas características comuns.

Quando se lê artigos científicos originais, é fácil ter a impressão de que os pesquisadores pensaram em uma questão, conceberam um experimento inteligente para responder a ela e então realizaram o estudo sem sofrer nenhum contratempo nem chegar a um beco sem saída em sua busca pela resposta. Na verdade, não é assim que funciona. Imagino que você já desconfie disso, mas a maioria das pessoas não sabe da grande dificuldade que existe quando se questiona um paradigma, uma questão já estabelecida.

Era nessa posição que eu estava no início dos anos 1980. Nessa época, a psicologia acadêmica reservava o estudo das emoções à psicologia social e da personalidade, em vez de à neurobiologia, e poucos pesquisadores se interessavam por estudar as bases cerebrais das emoções. Os que se interessavam apoiavam a pesquisa sobre os chamados centros emocionais do cérebro, que, conforme se acreditava então, estariam situados exclusivamente no sistema límbico. Eu tive uma ideia diferente: a de que as funções corticais mais elevadas, em particular aquelas situadas no córtex pré-frontal, a área mais avançada em termos evolutivos, eram fundamentais para as emoções.

Na primeira vez em que sugeri que o córtex pré-frontal estaria envolvido nas emoções, tive que enfrentar uma onda interminável de ceticismo: o córtex pré-frontal, insistiam os céticos, trabalha com a razão, a antítese das emoções. Essa área, portanto, certamente não poderia participar também das emoções.

A tentativa de avançar em minha carreira científica quando todos os ventos sopravam com força na direção contrária foi muito solitária. Minha busca pelas bases das emoções na região cerebral dedicada à razão foi vista como um empreendimento quixotesco, para dizer o mínimo – o equivalente neurocientífico de procurar elefantes no Alasca. Não foram poucas as vezes, sobretudo quando busquei financiamento no início da carreira, em que minha desconfiança da divisão clássica entre o pensamento (no neocórtex altamente desenvolvido) e os sentimentos (no sistema límbico subcortical) pareceu ser uma boa maneira de acabar com uma carreira científica, e não de começá-la.

Minhas inclinações científicas e meus interesses pessoais não favoreceram o avanço da minha carreira. Pouco depois de começar a pós-graduação em Harvard, na década de 1970, conheci um grupo incrível de pessoas gentis e compassivas que, como logo percebi, tinham algo em comum: praticavam meditação. Essa descoberta estimulou meu interesse por essa atividade, a tal ponto que, um ano após terminar a pós-graduação, fiz uma viagem de três meses à Índia e ao Sri Lanka, a fim de aprender mais sobre essa antiga tradição e vivenciar os efeitos da meditação intensiva. Eu tinha também outra motivação: queria saber se a meditação poderia ser um tema adequado a um estudo científico.

O estudo das emoções era bastante controverso. Praticar a meditação era quase uma heresia e estudá-la, então, parecia um absurdo científico. Como já mencionei, os psicólogos e os neurocientistas acreditavam na existência de regiões cerebrais dedicadas à razão e de regiões dedicadas às emoções, sendo que os dois tipos jamais se encontrariam. Da mesma forma, eles consideravam que existisse a ciência rigorosa e empírica de um lado e a meditação bicho-grilo de outro – e, se você praticasse a meditação, suas credenciais para a ciência seriam altamente questionáveis.

Estávamos na época de O Tao da física (1975), A dança dos mestres Wu Li (1979) e outros livros que defendiam a existência de fortes complementaridades entre as descobertas da ciência ocidental e as ideias das filosofias orientais. A maioria dos cientistas acadêmicos acreditava que isso fosse uma grande bobagem – praticar a meditação nesse meio não era, digamos, o caminho mais direto para o sucesso acadêmico. Meus mentores em Harvard deixaram muito claro que, se eu quisesse seguir uma carreira científica bem-sucedida, o estudo da meditação não seria um bom ponto de partida. Embora no início da carreira eu tivesse me aventurado timidamente no estudo científico da meditação, logo percebi que a resistência a esse tipo de estudo era profunda e o deixei de lado. Ainda assim, continuei a meditar, sem falar sobre isso com ninguém, até que, por fim – ao me tornar professor titular da Universidade de Wisconsin e ter uma longa lista de publicações e prêmios científicos –, voltei à meditação como um tema de estudo científico.

Uma importante razão para isso foi o encontro transformador que tive com o Dalai-Lama em 1992, que modificou completamente minha carreira e minha vida pessoal. Esse encontro foi a centelha que me fez assumir meus interesses em meditação e outras formas de treinamento mental.

É impressionante ver quanto a situação mudou no curto período desde então. Em menos de 20 anos, as comunidades científica e médica se tornaram muito mais receptivas à pesquisa sobre o treinamento mental. Milhares de novos artigos que tratam desse assunto são publicados a cada ano nos principais periódicos científicos e os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos distribuem atualmente fundos consideráveis para a pesquisa em meditação. Uma década atrás, no entanto, isso seria impensável.

Encaro essa mudança de forma muito positiva e não faço isso por nenhum sentimento de desforra pessoal, ainda que, confesso, seja gratificante ver um tema científico antes renegado receber, enfim, o respeito que merece. Em 1992 fiz duas promessas ao Dalai-Lama. A primeira: eu estudaria a meditação. A segunda: eu tentaria fazer com que a psicologia desse à pesquisa sobre as emoções positivas, como a compaixão e o bem-estar, a mesma atenção que sempre dedicara às emoções negativas.

Essas duas promessas finalmente convergiram e, com elas, minha convicção quixotesca de que a região do cérebro dedicada à razão e a outras funções cognitivas elevadas é tão importante para as emoções quanto o sistema límbico. A pesquisa que conduzi com pessoas que praticam a meditação demonstrou que o treinamento mental pode alterar padrões de atividade no cérebro e, assim, fortalecer a empatia, a compaixão, o otimismo e a sensação de bem-estar. Esse foi o auge da minha promessa de estudar a meditação e as emoções positivas. E minha pesquisa nas linhas bem estabelecidas da neurociência afetiva demonstrou que é nas regiões dedicadas ao raciocínio elevado que se encontra a chave para alterar tais padrões de atividade cerebral.

Assim, embora este livro seja uma história da minha transformação pessoal e científica, espero que sirva também como um guia para a sua transformação. Em sânscrito, a palavra para meditação também significa “familiarização”. O primeiro passo para transformarmos nosso estilo emocional – e que é também o mais importante – é nos familiarizarmos com ele. Se este livro não fizer nada além de aumentar a sua percepção sobre seu estilo emocional e o de outras pessoas a seu redor, considero que já terá sido bem-sucedido.

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Richard J. Davidson

Sobre o autor

Richard J. Davidson

PhD. em psicologia pela Universidade de Harvard, é professor-pesquisador de psicologia e psiquiatria e diretor do Laboratório de Imagens Cerebrais Funcionais e Comportamento e do Laboratório de Neurociência Afetiva da Universidade de Wisconsin em Madison.

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