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AUTOAJUDA

Pequenos passos para mudar a vida

Pequenos passos para mudar a vida

ROBERT MAURER, PH.D.

Método Kaizen - Usando a filosofia japonesa para mudar seus hábitos e conquistar seus objetivos

Método Kaizen - Usando a filosofia japonesa para mudar seus hábitos e conquistar seus objetivos

“Uma maneira simples e pacífica de lidar com todas as dificuldades de nossas vidas. Você irá respirar aliviado depois de ler este livro.” – Susan Jeffers

 

Neste livro, você encontrará um método poderoso para efetuar grandes mudanças de forma suave e eficaz: dar pequenos passos de cada vez. Em lugar de adotar medidas radicais para conseguir o que deseja, você vai aprender a usar o método kaizen para alcançar seus objetivos.

Enraizado na tradição do Tao, o kaizen foi criado como uma forma de neutralizar nossa resistência natural à mudança e permitir que façamos progressos graduais e constantes.

A partir de conselhos práticos e histórias reais, o psicólogo Robert Maurer ensina como aplicar essa sabedoria milenar nos desafios do seu dia a dia.

Não importa se o seu objetivo é perder peso, parar de fumar, dormir melhor, voltar a se exercitar, mudar de emprego, aprimorar seus relacionamentos ou ser promovido – essa técnica vai colocar você no caminho da mudança e da realização.

“Uma maneira simples e pacífica de lidar com todas as dificuldades de nossas vidas. Você irá respirar aliviado depois de ler este livro.” – Susan Jeffers

 

Neste livro, você encontrará um método poderoso para efetuar grandes mudanças de forma suave e eficaz: dar pequenos passos de cada vez. Em lugar de adotar medidas radicais para conseguir o que deseja, você vai aprender a usar o método kaizen para alcançar seus objetivos.

Enraizado na tradição do Tao, o kaizen foi criado como uma forma de neutralizar nossa resistência natural à mudança e permitir que façamos progressos graduais e constantes.

A partir de conselhos práticos e histórias reais, o psicólogo Robert Maurer ensina como aplicar essa sabedoria milenar nos desafios do seu dia a dia.

Não importa se o seu objetivo é perder peso, parar de fumar, dormir melhor, voltar a se exercitar, mudar de emprego, aprimorar seus relacionamentos ou ser promovido – essa técnica vai colocar você no caminho da mudança e da realização.

Compre agora:

Ficha técnica
Lançamento 02/05/2016
Título original ONE SMALL STEP CAN CHANGE YOUR LIFE: THE KAIZEN WAY
Tradução RENATA BRITTO-PEREIRA
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 160
Peso 190 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0356-3
EAN 9788543103563
Preço R$ 24,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788543103570
Preço R$ 17,99
Lançamento 02/05/2016
Título original ONE SMALL STEP CAN CHANGE YOUR LIFE: THE KAIZEN WAY
Tradução RENATA BRITTO-PEREIRA
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 160
Peso 190 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0356-3
EAN 9788543103563
Preço R$ 24,90

E-book

eISBN 9788543103570
Preço R$ 17,99

Leia um trecho do livro

Prefácio

É difícil mudar!

Esse é um sentimento tão difundido que nunca nos perguntamos se é de fato verdadeiro. Há vários motivos para que as pessoas encarem a mudança como uma montanha a ser escalada. Pense, por exemplo, nas promessas de ano-novo, que quase sempre fracassam. Um cidadão típico toma a mesma resolução dez anos seguidos sem sucesso. Quatro meses depois do início do ano, 25% das resoluções já foram deixadas de lado. E aqueles que conseguem mantê-las o fazem somente após já terem quebrado as próprias promessas umas cinco ou seis vezes ao ano.

Implementar mudanças no ambiente de trabalho também costuma ser um desafio. Os livros de negócios mais famosos pregam soluções imediatas a gerentes que buscam uma forma rápida de motivar funcionários resistentes a mudanças. Muitos desses livros, porém, utilizam histórias simplistas para transmitir uma mensagem, que é quase sempre algo como: os funcionários precisam estar convencidos de que há uma emergência iminente – uma ameaça – para se sentirem motivados a mudar.

Contudo, ao contrário do que muitos pensam, a mudança – seja no âmbito pessoal ou corporativo – não precisa ser um processo tão doloroso. Tampouco deve ser resultado de táticas de intimidação utilizadas de modo a nos forçar a tomar algum tipo de medida radical. As páginas que você está prestes a ler vão desmitificar a ideia de que é difícil mudar e vão eliminar as barreiras que impedem indivíduos e profissionais de alcançar os resultados esperados. Você aprenderá que a mudança não precisa acontecer apenas como uma resposta radical a uma situação terrível.

Este livro mostrará como você pode se beneficiar do poder do kaizen: dando pequenos passos a fim de alcançar grandes objetivos. Kaizen é uma filosofia antiga baseada nesta declaração poderosa do Tao Te Ching – O Livro do Caminho e da Virtude: “Uma jornada de milhares de quilômetros começa com um único passo.” Apesar de estar enraizada numa filosofia antiga, é igualmente prática e eficaz quando aplicada à nossa agitada vida moderna.

O kaizen possui duas definições:

  • usar passos bem pequenos para melhorar um hábito, um processo ou um produto;
  • usar momentos bem pequenos para inspirar novos produtos e novas invenções.

Você perceberá que a mudança se torna fácil quando aprendemos a respeitar a preferência que o nosso cérebro tem por ela. Também encontrará uma série de exemplos de como pequenos passos podem conduzi-lo aos seus maiores sonhos. Ao empregar o kaizen, você poderá se livrar de maus hábitos – como fumar ou comer em excesso –, e adquirir alguns bons, como se exercitar e deixar sua criatividade florescer. Nos negócios, aprenderá a motivar e capacitar seus colaboradores de forma inspiradora. Mas, primeiro, vamos investigar algumas crenças populares sobre mudanças e descobrir como o kaizen é capaz de derrubar todos os obstáculos que utilizamos como desculpa por anos.

Mito #1: É difícil mudar

Veja a seguir um exemplo de como a mudança pode ser fácil, sem precisar de muito tempo, autocontrole ou disciplina. Pesquisas recentes revelaram que pessoas que passam boa parte do dia sentadas têm mais chance de sofrer um ataque cardíaco ou até mesmo uma morte precoce. Paradoxalmente, um estudo da Mayo Clinic mostrou que frequentar a academia uma hora por dia não diminui os riscos associados ao hábito de permanecer sentado durante seis ou mais horas por dia.

Esses resultados vão contra o nosso senso comum sobre a prática de exercícios físicos. Mas a grande questão não é o exercício, e sim os períodos prolongados de sedentarismo. Quando estamos sentados, nossos músculos entram em uma espécie de hibernação, o que leva nosso corpo a parar de liberar a enzima KK1, responsável por reduzir a gordura no sangue. Além disso, o ritmo da nossa taxa metabólica e a velocidade com que produzimos o colesterol bom também diminuem. A explicação para isso é que o corpo precisa do fluxo gravitacional em direção ao solo. Se ficamos sentados por muito tempo, o coração fica comprometido, o volume de sangue é reduzido, os músculos começam a atrofiar e até mesmo a massa óssea é prejudicada.

A solução para esse cenário assustador é o kaizen. Só de nos levantarmos, o ritmo da nossa taxa metabólica duplica. E uma caminhada de apenas alguns minutos duplica essa taxa outra vez. Moral da história: a solução para os riscos à saúde causados pelo excesso de tempo que ficamos sentados não é mirabolante nem difícil de realizar – como ter que ir à academia todos os dias –, mas sim simples e viável. Levantar-se mais ou menos a cada hora, andar de um lado para outro ou até mesmo se remexer no mesmo lugar são ações que ajudam o corpo a funcionar de maneira eficiente.

Dentro da nossa cultura de “quanto maior, melhor”, em que temos salas de cinema IMAX, refeições exageradas e transformações físicas mirabolantes, é difícil acreditar que pequenos passos podem levar a grandes mudanças. Mas a verdade maravilhosa é que podem, sim.

Mito #2: O tamanho do passo determina o tamanho do resultado, então dê grandes passos para obter grandes resultados

Muitos artigos sobre negócios difundem o pensamento de que podemos fazer uma aposta pequena (mudanças graduais, como as incentivadas pela filosofia kaizen) ou grande (também conhecida como inovação), e que a inovação é o caminho para a sobrevivência, o crescimento e a criatividade. Em nossa vida pessoal, também temos o costume de querer fazer grandes mudanças, apostando todas as nossas fichas em algo inovador – como uma dieta radical ou um programa de exercícios intenso – na esperança de atingirmos grandes resultados. Mas dietas radicais e exercícios intensos muitas vezes não dão certo porque exigem uma força de vontade descomunal e, em geral, nossa força de vontade dura pouco. Por muito tempo, a American Heart Association recomendou a prática de exercícios físicos por 30 minutos durante pelo menos cinco dias por semana. Não conheço ninguém que tenha tempo suficiente para seguir essa recomendação. Quem possui disponibilidade para colocar a roupa de ginástica, ir à academia, se exercitar, tomar banho, se arrumar e ir para o trabalho durante a semana?

Uma pesquisa realizada pela Mayo Clinic revelou que, se nos movimentarmos ao longo do dia, obteremos resultados impressionantes. Pesquisadores acompanharam os níveis de atividade dos participantes da pesquisa por meio de podômetros e descobriram que pessoas magras que nunca iam à academia se movimentavam mais durante o dia. Andavam de um lado para outro ao falar no telefone, estacionavam mais longe da entrada de shoppings e permaneciam em pé por mais tempo do que os participantes que estavam acima do peso. Isso resultava, em média, em uma diferença diária de 300 calorias, que, no decorrer de um ano, poderia chegar a uma diferença de quase 14 quilos.

A lição kaizen tirada dessa história? Embora seja melhor se exercitar mais, pequenas quantidades já fazem diferença. Um estudo na Tailândia com mais de 400 mil adultos revelou que as pessoas que se exercitavam por 15 minutos ao dia viviam em média 3 anos a mais do que aquelas que se exercitavam por menos tempo. E esses 15 minutos não precisam ser contínuos! O hábito de se exercitar durante 3 minutos por vez até somar 15 minutos ou mais gera benefícios palpáveis e incríveis para a saúde. E essas estratégias não exigem grandes investimentos de tempo, energia, força de vontade e disciplina. Vá até a página 22 e veja como uma das minhas clientes, Julie, uma mãe solteira superatarefada, conseguiu encaixar a prática de exercícios em sua rotina. Começar a se exercitar foi tão fácil que Julie sabia que não fracassaria. Isso é o kaizen em ação.

Mito #3: Kaizen é devagar; inovar é rápido

Talvez o exemplo mais expressivo do que pode acontecer quando se usa e abusa da inovação seja a Toyota, uma empresa que considera o kaizen a sua essência. Durante a maior parte de sua trajetória após a Segunda Guerra Mundial, a Toyota foi o exemplo de empresa que produzia automóveis de qualidade. Mas, em 2002, os administradores decidiram que fabricar os carros mais lucrativos e de melhor qualidade do mercado não bastava; eles precisavam transformar a Toyota na maior empresa de automóveis do mundo. E, de fato, conseguiram. Rapidamente construíram fábricas e criaram um ambiente propício à produção de mais 3 milhões de automóveis em apenas seis anos. Mas tiveram que pagar um preço alto por essa produtividade: os fornecedores não conseguiram manter o padrão de qualidade, o principal ponto forte da Toyota, e as fábricas novas não tiveram tempo para construir uma cultura kaizen. Resultado: mais de 9 milhões de recalls e uma imagem negativa mais do que merecida. Veja a seguir um memorando interno escrito antes de a crise se tornar pública:

“Construímos tantos carros em tantos lugares diferentes com tantas pessoas. Nosso maior medo é que, ao continuarmos a crescer, percamos a nossa habilidade de manter a disciplina kaizen.”
– Teruo Suzuki

Gerente geral de Recursos Humanos

Com o tempo, a Toyota reconheceu que, ao abandonar a filosofia do kaizen, a empresa se afastou de seus princípios fundamentais. Após a crise, a montadora desacelerou a produção, conferiu mais responsabilidade aos administradores locais dos Estados Unidos pelo controle de qualidade e ensinou a cultura kaizen aos novos funcionários. Ela voltou a ter como missão o zelo pela qualidade, não pela quantidade, e se concentrou em reparar defeitos de fabricação enquanto eles ainda eram pequenos e fáceis de consertar. Dessa forma, a reputação da Toyota como uma empresa de qualidade foi restaurada. Essa história é um excelente exemplo de como a filosofia kaizen cria hábitos que podem durar a vida inteira e de como ela nos ajuda a evitar passos que, em retrospecto, descobrimos serem grandes demais para um indivíduo ou um grupo de profissionais.

Kaizen: o lado espiritual

Antes de convidá-lo a iniciar uma jornada por este livro e experimentar o poder e as possibilidades do kaizen, gostaria de falar sobre mais um tema: a espiritualidade. Isso não significa necessariamente ter fé em Deus, e sim um senso de propósito e um sentimento de realização. O kaizen é tanto uma filosofia ou crença, quanto uma estratégia de sucesso para modificar ou aperfeiçoar um determinado comportamento. Há dois elementos do espírito, ou propósito, nos quais o kaizen desempenha um papel essencial: serviço e gratidão. Como John Wooden, o grande técnico de basquete da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), declarou certa vez: “Você não pode viver um dia perfeito sem ter feito por alguém algo que ele nunca poderá lhe pagar.” Outras personalidades também já discursaram sobre o elemento essencial da prestação de serviços:

“A pergunta mais persistente e urgente na vida é: o que você está fazendo pelos outros?
– Martin Luther King Jr.

“Não devemos permitir que ninguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”
– Madre Teresa de Calcutá

Servir aos outros é um aspecto essencial da filosofia kaizen, até mesmo quando esta se aplica ao âmbito corporativo. Numa cultura kaizen, cada funcionário é convidado todos os dias a encontrar formas de melhorar o processo ou o produto: diminuindo gastos, aumentando a qualidade e se colocando sempre a serviço do consumidor. Muitas empresas bem-sucedidas, como a Amazon, a Starbucks e a Southwest Airlines, se dizem dedicadas ao serviço acima de tudo. Como afirma Colleen Barrett, antiga CEO da Southwest: “Atuamos no setor de serviço ao consumidor, mas, por acaso, também oferecemos transporte aéreo. Consideramos os funcionários nossos principais clientes; os passageiros estão em segundo lugar, e os acionistas em terceiro.” O kaizen exige que cada pequena mudança seja feita em prol do consumidor.

As declarações de John Wooden, Madre Teresa de Calcutá e Martin Luther King Jr. falam sobre a prática diária de buscar pequenas formas de tocar a vida dos outros. Tente se lembrar dos últimos dias – aquelas pessoas com quem você interagiu, as que moram com você, as que estavam nos carros à sua volta, as que lhe atenderam em restaurantes ou mercados, as que cruzaram com você nos corredores de edifícios e aquelas com quem você falou ao telefone. Se tivesse 100% de certeza de que poderia ter mudado o dia delas – talvez até melhorado suas vidas – você teria se comportado de outra forma? A maioria diria que sim. Será que posso lhe convencer de que, se você deixar um motorista passar na sua frente, agradecer a uma vendedora ou sorrir para alguém no corredor, poderá mudar a vida dessas pessoas? É claro que não. Mas se, ao longo do dia, você não acreditar que esses pequenos momentos e pequenos gestos podem afetar a vida de alguém, então no que irá acreditar?

Todos nós temos relacionamentos que enquadramos na categoria inovação: pessoas com uma presença tão constante em nossa vida que quando temos dias bons elas recebem de nós o carinho e a consideração que merecem. Como podemos ampliar esse carinho de modo a enriquecer nosso coração e nossa sociedade?

O sentimento de gratidão costuma ser considerado algo espiritual ou carregado de algum propósito. Mas esperamos ser gratos pelo quê, exatamente? Inovações dependem de ganhos financeiros, promoções e bens materiais para despertar em nós a gratidão. Mas o kaizen nos convida a ser gratos por nossa saúde, pelo ar que respiramos, pelos momentos que compartilhamos com um amigo ou colega. Quando o famoso compositor Warren Zevon estava com câncer terminal, o apresentador David Letterman perguntou o que ele aprendera com a doença. A resposta de Zevon foi puro kaizen: “Aproveite cada sanduíche.”

As citações a seguir sobre serviço e gratidão são um bom ponto de partida para você começar a explorar o kaizen:

“Desejo realizar algo grande e nobre, mas minha obrigação principal é realizar
pequenas tarefas como se fossem grandes e nobres.”
– Helen Keller

“Temos que aprender a ser feliz no momento atual, a alcançar a paz
e a alegria que estão disponíveis aqui e agora.”
– Thich Nhat Hanh,

Mestre zen-budista

“Procure ser uma pessoa de valor, em vez de uma pessoa de sucesso.”
– Albert Einstein

“Prefiro que digam: ‘Ele viveu de maneira útil’ do que: ‘Ele morreu rico.’”
– Benjamin Franklin

Prefácio

É difícil mudar!

Esse é um sentimento tão difundido que nunca nos perguntamos se é de fato verdadeiro. Há vários motivos para que as pessoas encarem a mudança como uma montanha a ser escalada. Pense, por exemplo, nas promessas de ano-novo, que quase sempre fracassam. Um cidadão típico toma a mesma resolução dez anos seguidos sem sucesso. Quatro meses depois do início do ano, 25% das resoluções já foram deixadas de lado. E aqueles que conseguem mantê-las o fazem somente após já terem quebrado as próprias promessas umas cinco ou seis vezes ao ano.

Implementar mudanças no ambiente de trabalho também costuma ser um desafio. Os livros de negócios mais famosos pregam soluções imediatas a gerentes que buscam uma forma rápida de motivar funcionários resistentes a mudanças. Muitos desses livros, porém, utilizam histórias simplistas para transmitir uma mensagem, que é quase sempre algo como: os funcionários precisam estar convencidos de que há uma emergência iminente – uma ameaça – para se sentirem motivados a mudar.

Contudo, ao contrário do que muitos pensam, a mudança – seja no âmbito pessoal ou corporativo – não precisa ser um processo tão doloroso. Tampouco deve ser resultado de táticas de intimidação utilizadas de modo a nos forçar a tomar algum tipo de medida radical. As páginas que você está prestes a ler vão desmitificar a ideia de que é difícil mudar e vão eliminar as barreiras que impedem indivíduos e profissionais de alcançar os resultados esperados. Você aprenderá que a mudança não precisa acontecer apenas como uma resposta radical a uma situação terrível.

Este livro mostrará como você pode se beneficiar do poder do kaizen: dando pequenos passos a fim de alcançar grandes objetivos. Kaizen é uma filosofia antiga baseada nesta declaração poderosa do Tao Te Ching – O Livro do Caminho e da Virtude: “Uma jornada de milhares de quilômetros começa com um único passo.” Apesar de estar enraizada numa filosofia antiga, é igualmente prática e eficaz quando aplicada à nossa agitada vida moderna.

O kaizen possui duas definições:

  • usar passos bem pequenos para melhorar um hábito, um processo ou um produto;
  • usar momentos bem pequenos para inspirar novos produtos e novas invenções.

Você perceberá que a mudança se torna fácil quando aprendemos a respeitar a preferência que o nosso cérebro tem por ela. Também encontrará uma série de exemplos de como pequenos passos podem conduzi-lo aos seus maiores sonhos. Ao empregar o kaizen, você poderá se livrar de maus hábitos – como fumar ou comer em excesso –, e adquirir alguns bons, como se exercitar e deixar sua criatividade florescer. Nos negócios, aprenderá a motivar e capacitar seus colaboradores de forma inspiradora. Mas, primeiro, vamos investigar algumas crenças populares sobre mudanças e descobrir como o kaizen é capaz de derrubar todos os obstáculos que utilizamos como desculpa por anos.

Mito #1: É difícil mudar

Veja a seguir um exemplo de como a mudança pode ser fácil, sem precisar de muito tempo, autocontrole ou disciplina. Pesquisas recentes revelaram que pessoas que passam boa parte do dia sentadas têm mais chance de sofrer um ataque cardíaco ou até mesmo uma morte precoce. Paradoxalmente, um estudo da Mayo Clinic mostrou que frequentar a academia uma hora por dia não diminui os riscos associados ao hábito de permanecer sentado durante seis ou mais horas por dia.

Esses resultados vão contra o nosso senso comum sobre a prática de exercícios físicos. Mas a grande questão não é o exercício, e sim os períodos prolongados de sedentarismo. Quando estamos sentados, nossos músculos entram em uma espécie de hibernação, o que leva nosso corpo a parar de liberar a enzima KK1, responsável por reduzir a gordura no sangue. Além disso, o ritmo da nossa taxa metabólica e a velocidade com que produzimos o colesterol bom também diminuem. A explicação para isso é que o corpo precisa do fluxo gravitacional em direção ao solo. Se ficamos sentados por muito tempo, o coração fica comprometido, o volume de sangue é reduzido, os músculos começam a atrofiar e até mesmo a massa óssea é prejudicada.

A solução para esse cenário assustador é o kaizen. Só de nos levantarmos, o ritmo da nossa taxa metabólica duplica. E uma caminhada de apenas alguns minutos duplica essa taxa outra vez. Moral da história: a solução para os riscos à saúde causados pelo excesso de tempo que ficamos sentados não é mirabolante nem difícil de realizar – como ter que ir à academia todos os dias –, mas sim simples e viável. Levantar-se mais ou menos a cada hora, andar de um lado para outro ou até mesmo se remexer no mesmo lugar são ações que ajudam o corpo a funcionar de maneira eficiente.

Dentro da nossa cultura de “quanto maior, melhor”, em que temos salas de cinema IMAX, refeições exageradas e transformações físicas mirabolantes, é difícil acreditar que pequenos passos podem levar a grandes mudanças. Mas a verdade maravilhosa é que podem, sim.

Mito #2: O tamanho do passo determina o tamanho do resultado, então dê grandes passos para obter grandes resultados

Muitos artigos sobre negócios difundem o pensamento de que podemos fazer uma aposta pequena (mudanças graduais, como as incentivadas pela filosofia kaizen) ou grande (também conhecida como inovação), e que a inovação é o caminho para a sobrevivência, o crescimento e a criatividade. Em nossa vida pessoal, também temos o costume de querer fazer grandes mudanças, apostando todas as nossas fichas em algo inovador – como uma dieta radical ou um programa de exercícios intenso – na esperança de atingirmos grandes resultados. Mas dietas radicais e exercícios intensos muitas vezes não dão certo porque exigem uma força de vontade descomunal e, em geral, nossa força de vontade dura pouco. Por muito tempo, a American Heart Association recomendou a prática de exercícios físicos por 30 minutos durante pelo menos cinco dias por semana. Não conheço ninguém que tenha tempo suficiente para seguir essa recomendação. Quem possui disponibilidade para colocar a roupa de ginástica, ir à academia, se exercitar, tomar banho, se arrumar e ir para o trabalho durante a semana?

Uma pesquisa realizada pela Mayo Clinic revelou que, se nos movimentarmos ao longo do dia, obteremos resultados impressionantes. Pesquisadores acompanharam os níveis de atividade dos participantes da pesquisa por meio de podômetros e descobriram que pessoas magras que nunca iam à academia se movimentavam mais durante o dia. Andavam de um lado para outro ao falar no telefone, estacionavam mais longe da entrada de shoppings e permaneciam em pé por mais tempo do que os participantes que estavam acima do peso. Isso resultava, em média, em uma diferença diária de 300 calorias, que, no decorrer de um ano, poderia chegar a uma diferença de quase 14 quilos.

A lição kaizen tirada dessa história? Embora seja melhor se exercitar mais, pequenas quantidades já fazem diferença. Um estudo na Tailândia com mais de 400 mil adultos revelou que as pessoas que se exercitavam por 15 minutos ao dia viviam em média 3 anos a mais do que aquelas que se exercitavam por menos tempo. E esses 15 minutos não precisam ser contínuos! O hábito de se exercitar durante 3 minutos por vez até somar 15 minutos ou mais gera benefícios palpáveis e incríveis para a saúde. E essas estratégias não exigem grandes investimentos de tempo, energia, força de vontade e disciplina. Vá até a página 22 e veja como uma das minhas clientes, Julie, uma mãe solteira superatarefada, conseguiu encaixar a prática de exercícios em sua rotina. Começar a se exercitar foi tão fácil que Julie sabia que não fracassaria. Isso é o kaizen em ação.

Mito #3: Kaizen é devagar; inovar é rápido

Talvez o exemplo mais expressivo do que pode acontecer quando se usa e abusa da inovação seja a Toyota, uma empresa que considera o kaizen a sua essência. Durante a maior parte de sua trajetória após a Segunda Guerra Mundial, a Toyota foi o exemplo de empresa que produzia automóveis de qualidade. Mas, em 2002, os administradores decidiram que fabricar os carros mais lucrativos e de melhor qualidade do mercado não bastava; eles precisavam transformar a Toyota na maior empresa de automóveis do mundo. E, de fato, conseguiram. Rapidamente construíram fábricas e criaram um ambiente propício à produção de mais 3 milhões de automóveis em apenas seis anos. Mas tiveram que pagar um preço alto por essa produtividade: os fornecedores não conseguiram manter o padrão de qualidade, o principal ponto forte da Toyota, e as fábricas novas não tiveram tempo para construir uma cultura kaizen. Resultado: mais de 9 milhões de recalls e uma imagem negativa mais do que merecida. Veja a seguir um memorando interno escrito antes de a crise se tornar pública:

“Construímos tantos carros em tantos lugares diferentes com tantas pessoas. Nosso maior medo é que, ao continuarmos a crescer, percamos a nossa habilidade de manter a disciplina kaizen.”
– Teruo Suzuki

Gerente geral de Recursos Humanos

Com o tempo, a Toyota reconheceu que, ao abandonar a filosofia do kaizen, a empresa se afastou de seus princípios fundamentais. Após a crise, a montadora desacelerou a produção, conferiu mais responsabilidade aos administradores locais dos Estados Unidos pelo controle de qualidade e ensinou a cultura kaizen aos novos funcionários. Ela voltou a ter como missão o zelo pela qualidade, não pela quantidade, e se concentrou em reparar defeitos de fabricação enquanto eles ainda eram pequenos e fáceis de consertar. Dessa forma, a reputação da Toyota como uma empresa de qualidade foi restaurada. Essa história é um excelente exemplo de como a filosofia kaizen cria hábitos que podem durar a vida inteira e de como ela nos ajuda a evitar passos que, em retrospecto, descobrimos serem grandes demais para um indivíduo ou um grupo de profissionais.

Kaizen: o lado espiritual

Antes de convidá-lo a iniciar uma jornada por este livro e experimentar o poder e as possibilidades do kaizen, gostaria de falar sobre mais um tema: a espiritualidade. Isso não significa necessariamente ter fé em Deus, e sim um senso de propósito e um sentimento de realização. O kaizen é tanto uma filosofia ou crença, quanto uma estratégia de sucesso para modificar ou aperfeiçoar um determinado comportamento. Há dois elementos do espírito, ou propósito, nos quais o kaizen desempenha um papel essencial: serviço e gratidão. Como John Wooden, o grande técnico de basquete da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), declarou certa vez: “Você não pode viver um dia perfeito sem ter feito por alguém algo que ele nunca poderá lhe pagar.” Outras personalidades também já discursaram sobre o elemento essencial da prestação de serviços:

“A pergunta mais persistente e urgente na vida é: o que você está fazendo pelos outros?
– Martin Luther King Jr.

“Não devemos permitir que ninguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”
– Madre Teresa de Calcutá

Servir aos outros é um aspecto essencial da filosofia kaizen, até mesmo quando esta se aplica ao âmbito corporativo. Numa cultura kaizen, cada funcionário é convidado todos os dias a encontrar formas de melhorar o processo ou o produto: diminuindo gastos, aumentando a qualidade e se colocando sempre a serviço do consumidor. Muitas empresas bem-sucedidas, como a Amazon, a Starbucks e a Southwest Airlines, se dizem dedicadas ao serviço acima de tudo. Como afirma Colleen Barrett, antiga CEO da Southwest: “Atuamos no setor de serviço ao consumidor, mas, por acaso, também oferecemos transporte aéreo. Consideramos os funcionários nossos principais clientes; os passageiros estão em segundo lugar, e os acionistas em terceiro.” O kaizen exige que cada pequena mudança seja feita em prol do consumidor.

As declarações de John Wooden, Madre Teresa de Calcutá e Martin Luther King Jr. falam sobre a prática diária de buscar pequenas formas de tocar a vida dos outros. Tente se lembrar dos últimos dias – aquelas pessoas com quem você interagiu, as que moram com você, as que estavam nos carros à sua volta, as que lhe atenderam em restaurantes ou mercados, as que cruzaram com você nos corredores de edifícios e aquelas com quem você falou ao telefone. Se tivesse 100% de certeza de que poderia ter mudado o dia delas – talvez até melhorado suas vidas – você teria se comportado de outra forma? A maioria diria que sim. Será que posso lhe convencer de que, se você deixar um motorista passar na sua frente, agradecer a uma vendedora ou sorrir para alguém no corredor, poderá mudar a vida dessas pessoas? É claro que não. Mas se, ao longo do dia, você não acreditar que esses pequenos momentos e pequenos gestos podem afetar a vida de alguém, então no que irá acreditar?

Todos nós temos relacionamentos que enquadramos na categoria inovação: pessoas com uma presença tão constante em nossa vida que quando temos dias bons elas recebem de nós o carinho e a consideração que merecem. Como podemos ampliar esse carinho de modo a enriquecer nosso coração e nossa sociedade?

O sentimento de gratidão costuma ser considerado algo espiritual ou carregado de algum propósito. Mas esperamos ser gratos pelo quê, exatamente? Inovações dependem de ganhos financeiros, promoções e bens materiais para despertar em nós a gratidão. Mas o kaizen nos convida a ser gratos por nossa saúde, pelo ar que respiramos, pelos momentos que compartilhamos com um amigo ou colega. Quando o famoso compositor Warren Zevon estava com câncer terminal, o apresentador David Letterman perguntou o que ele aprendera com a doença. A resposta de Zevon foi puro kaizen: “Aproveite cada sanduíche.”

As citações a seguir sobre serviço e gratidão são um bom ponto de partida para você começar a explorar o kaizen:

“Desejo realizar algo grande e nobre, mas minha obrigação principal é realizar
pequenas tarefas como se fossem grandes e nobres.”
– Helen Keller

“Temos que aprender a ser feliz no momento atual, a alcançar a paz
e a alegria que estão disponíveis aqui e agora.”
– Thich Nhat Hanh,

Mestre zen-budista

“Procure ser uma pessoa de valor, em vez de uma pessoa de sucesso.”
– Albert Einstein

“Prefiro que digam: ‘Ele viveu de maneira útil’ do que: ‘Ele morreu rico.’”
– Benjamin Franklin

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Robert Maurer Ph.D.

Sobre o autor

Robert Maurer Ph.D.

Psicólogo clínico e professor da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e da Universidade de Washington. É o fundador da Science of Excellence e costuma viajar dando seminários e prestando consultoria sobre o kaizen a diversos tipos de organizações – empresas, hospitais, universidades e até mesmo a Marinha americana. Atualmente mora em Spokane, Washington.

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