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RELIGIÃO

Todo mundo tem um anjo da guarda

Todo mundo tem um anjo da guarda

PEDRO SIQUEIRA

Ensinamentos sobre os seres espirituais que nos protegem

Ensinamentos sobre os seres espirituais que nos protegem

“Aonde quer que eu vá dirigir grupos de oração, os fiéis me perguntam se têm um anjo protetor. Minha resposta é sempre a mesma: todo mundo tem um anjo da guarda! Desde a concepção, Deus designa a todos um ser angélico para acompanhá-los em sua jornada neste mundo.” – Pedro Siqueira

 

Os anjos da guarda são presentes de Deus para todas as pessoas, sem exceção. Essa é a verdade que Pedro Siqueira quer transmitir para nós. Muitas vezes esquecidos, ignorados ou até desacreditados, nossos protetores ainda são um mistério para a maioria dos fiéis.

Em seu novo livro, Pedro abre esse universo aos leitores. Partindo de uma visão geral das criaturas celestes, ele explica que é possível ver nossos anjos da guarda e até saber seus nomes. Além disso, mostra como podemos nos comunicar com eles para estreitar os laços com Deus. Dirigindo terços para milhares de fiéis, com visões espirituais intensas, Pedro tem uma extensa bagagem de experiências próprias e relatos que lhe dão embasamento suficiente para tratar de um assunto frequentemente insondável.

Por meio de diversos casos, Todo mundo tem um anjo da guarda tira as principais dúvidas sobre o tema e oferece um conhecimento fundamental para quem almeja uma vida espiritual mais profunda.

“Aonde quer que eu vá dirigir grupos de oração, os fiéis me perguntam se têm um anjo protetor. Minha resposta é sempre a mesma: todo mundo tem um anjo da guarda! Desde a concepção, Deus designa a todos um ser angélico para acompanhá-los em sua jornada neste mundo.” – Pedro Siqueira

 

Os anjos da guarda são presentes de Deus para todas as pessoas, sem exceção. Essa é a verdade que Pedro Siqueira quer transmitir para nós. Muitas vezes esquecidos, ignorados ou até desacreditados, nossos protetores ainda são um mistério para a maioria dos fiéis.

Em seu novo livro, Pedro abre esse universo aos leitores. Partindo de uma visão geral das criaturas celestes, ele explica que é possível ver nossos anjos da guarda e até saber seus nomes. Além disso, mostra como podemos nos comunicar com eles para estreitar os laços com Deus. Dirigindo terços para milhares de fiéis, com visões espirituais intensas, Pedro tem uma extensa bagagem de experiências próprias e relatos que lhe dão embasamento suficiente para tratar de um assunto frequentemente insondável.

Por meio de diversos casos, Todo mundo tem um anjo da guarda tira as principais dúvidas sobre o tema e oferece um conhecimento fundamental para quem almeja uma vida espiritual mais profunda.

Compre agora:

Ficha técnica
Lançamento 10/10/2016
Título original TODO MUNDO TEM UM ANJO DA GUARDA
Tradução
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 160
Peso 210 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0437-9
EAN 9788543104379
Preço R$ 34,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788543104386
Preço R$ 19,99
Ficha técnica audiolivro
ISBN 9788543107042
Duração 3h 42min
Locutor Pedro Siqueira
Preço R$ 27,99
Lançamento 10/10/2016
Título original TODO MUNDO TEM UM ANJO DA GUARDA
Tradução
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 160
Peso 210 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0437-9
EAN 9788543104379
Preço R$ 34,90

E-book

eISBN 9788543104386
Preço R$ 19,99

Audiolivro

ISBN 9788543107042
Duração 3h 42min
Locutor Pedro Siqueira
Preço R$ 27,99

Leia um trecho do livro

I. Introdução

Em meu livro anterior, Você pode falar com Deus, expus alguns elementos importantes para a oração pessoal. Meu objetivo era fazer com que as pessoas dedicassem um tempo de seu dia ao Pai Celestial. Além disso, procurei demonstrar que os leitores têm a capacidade de se tornar mais íntimos do Criador.

Nele, dediquei o primeiro item do capítulo “Componentes para a boa relação com o mundo espiritual” à oração que se faz na companhia do anjo da guarda. O impacto foi grande! Desde então, aonde quer que eu vá dirigir grupos de oração, os fiéis me perguntam se têm um anjo protetor. Desejando saber mais a respeito desses seres espirituais, apresentam inúmeros questionamentos.

Minha resposta é sempre a mesma: todo mundo tem um anjo da guarda! Os outros sempre me olham com espanto. “Como assim? Todos os seres humanos da face da Terra têm um anjo guardião?!” Digo que sim. Desde a concepção, Deus designa a todos um ser angélico para acompanhá-los em sua jornada neste mundo.

Acredito que alguns leitores estejam se perguntando como posso ter tanta certeza disso. Minha crença vem da experiência pessoal. Há 45 anos, desde que nasci, convivo com os anjos e, em especial, com meu anjo da guarda, I.

Certo dia, em Recife, após a recitação do terço, um senhor me disse:

– Pedro, deve ser maravilhoso acordar e dormir cercado por anjos. Sua vida deve ser um paraíso!

– Sinto desapontá-lo, mas não é bem assim… – respondi, sorrindo.

– Por quê?! Durante o terço, você falou que, logo pela manhã, faz orações com seu anjo da guarda – replicou ele, encarando-me com um olhar confuso.

– Sim, é verdade.

– À noite, o mesmo anjo, esse de que você fala no canal do YouTube, vem até você?

– Exatamente. Se ele não aparece, eu o chamo. Normalmente, se não estiver cuidando de algo urgente no mundo espiritual, ele se põe a meu lado. Fazemos as orações, ele me dá alguma instrução e, depois, parte para o Paraíso enquanto durmo.

– Então! É uma maravilha, Pedro! – exclamou o homem, abrindo os braços.

– Não posso negar que é muito bom. Mas tem um detalhe importante que me causa alguns problemas.

– Que detalhe?

– Estar acompanhado de I. é algo especial. Por vezes, me encontrar na presença de outros seres angélicos é fantástico. Mas, infelizmente, há também em minha vida anjos caídos.

– O que é isso?

– Demônios. As pessoas dotadas de visão espiritual não têm acesso apenas ao que é bom: acabam por ver e sofrer ataques dos espíritos malignos, entende?

– Acho que sim…

O homem partiu com uma expressão de dúvida.

Dessa forma, é importante esclarecer: quando menciono anjos, não quero dizer que minha vida seja frequentada, tão somente, por anjos bons. Segundo Apocalipse 12, 7-9: “Aconteceu então uma batalha no Céu: Miguel e seus Anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão batalhou juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado, e no Céu não houve mais lugar para eles. Esse grande Dragão é a antiga Serpente, é o chamado Diabo ou Satanás. É aquele que seduz todos os habitantes da terra. O Dragão foi expulso para a terra, e os Anjos do Dragão foram expulsos com ele.”

Os anjos caídos – aqueles que foram expulsos do Paraíso por São Miguel Arcanjo e seu exército (a milícia celeste), popularmente denominados de demônios – também fazem parte do meu cotidiano, lançando seus ataques a mim, aos meus amigos e à minha família. Mas esse é um assunto para outro momento. Neste livro, tratarei dos anjos que frequentam a companhia de Deus e darei ênfase à atuação dos anjos da guarda.

Lembro-me que na década de 1990, pouco depois que comecei a fazer encontros de terço na igreja do bairro em que fui criado, um grupo de senhoras me cercou ao final de uma de nossas reuniões. Durante aquela oração, eu tinha mencionado a presença de I. e dissera que, ali conosco, havia outros anjos da guarda.

O grupo sentira algo especial durante aquela noite e estava impressionado com a atmosfera diferente. As senhoras me afirmaram que nunca tinham experimentado coisa igual. Não compreendiam o motivo, pois frequentavam aquela mesma igreja e rezavam o terço todos os dias. Desejavam saber o que havia mudado.

Então se juntaram ao grupo alguns homens e todos falavam ao mesmo tempo, demandando uma explicação. Exigiam, “por medida de justiça”, que, em algum dos encontros futuros, eu descrevesse meu anjo da guarda e os demais seres angélicos que ali se fizessem visíveis aos meus olhos. Eu acatei o pedido.

Passados tantos anos daquele evento, não tenho mais certeza dos lugares onde dei a explicação sobre os anjos e descrevi I. Também não me recordo se esclareci ao povo como ele e os outros anjos da guarda costumam atuar.

Para não cometer qualquer omissão nesse assunto nem injustiça com aqueles que, apesar de me seguirem por tantos anos pelas redes sociais, nunca me ouviram falar do meu anjo da guarda nem das criaturas dos diversos coros celestiais, cumpro com meu dever nas linhas que se seguem.

I. é um arcanjo de aproximadamente 3 metros de altura, sem asas. Surge instantaneamente em meu campo de visão, e não aos poucos. Costuma trajar túnica verde com detalhes dourados na gola e nas mangas. Não tem o hábito de carregar objetos, mas pode fazê-lo se desejar me passar uma mensagem. Uma vez, quando eu era adolescente, sofri um ataque demoníaco em casa. I. apareceu e se pôs entre mim e o inimigo. Manejando uma espada de luz esverdeada, expulsou-o.

Meu anjo guardião tem a pele luminosa (modo de dizer, já que os seres angélicos não têm corpos, são puramente espíritos), que emite uma suave luz verde-clara. O tom dos cabelos é o mesmo, só que um pouco mais escuro, lembrando a folhagem menos densa da mata atlântica do Rio de Janeiro. Eles parecem estar soltos ao vento, devido ao movimento constante.

Seus olhos são como duas esmeraldas luminosas. Neles não identifico córnea, íris, humor aquoso, músculos ciliares, cílios ou sobrancelhas. A impressão é que são feitos de pura luz. O brilho que emana pode variar conforme a situação. Quando realizei a primeira cirurgia na perna esquerda para extrair um tumor ósseo, aos 7 anos, I. permaneceu em pé ao lado da cama do hospital a noite toda. Ele me olhava fixamente e emitia uma luz prata-azulada sobre meu corpo. A sensação era maravilhosa.

Seu rosto é anguloso, com lábios finos e harmoniosos e nariz fino e reto. Seu pescoço é estreito e longo, mas de forma equilibrada com o corpo delgado, dando-lhe elegância. Está sempre descalço e tem uma voz especial, que pode impactar meus tímpanos como um trovão (ao reprovar alguma má ação minha) ou cantar a mais bela melodia, com afinação e técnica vocal irretocáveis (quando entoa cânticos ao Pai Celestial).

Não tenho um anjo da guarda só porque sou católico ou porque sou batizado. Aliás, ter um anjo protetor não decorre de qualquer religião. Trata-se, simplesmente, de um presente de Deus para toda a raça humana. Há pessoas que alimentam tal relação de amizade por toda a vida, mas existem as que ignoram ou não creem na presença do anjo custódio.

Estou seguro de que até mesmo uma pessoa que não tem religião definida ou não crê no Pai Celestial veio acompanhada por um anjo guardião quando chegou ao nosso mundo. O fato de gozar ou não de sua companhia também não está na formação do ser humano no ventre da mãe nem no tipo de parto, mas na forma como ele é criado e cresce, assumindo seu lugar no ambiente terreno, com suas crenças e convicções.

Nas diversas cidades por onde passo em função do meu ministério de oração, tenho visto anjos da guarda ao lado de católicos, judeus, budistas, kardecistas, umbandistas, evangélicos, hinduístas e muçulmanos – perdão se cometo a gafe de não citar outras religiões ou crenças espirituais. Por vezes, vejo-os também perto de pessoas que dizem não ter religião, mas acreditam em Deus. Todos dedicam parte de seu tempo ao cultivo da amizade com seu anjo protetor.

Louvável é a certeza que os fiéis têm sobre a existência dos anjos da guarda. Sem nunca tê-los enxergado, afirmam sua presença em nosso mundo e em suas vidas de forma convicta. Cumprem, assim, a palavra de Deus: “Felizes os que acreditaram sem ter visto” (João 20, 29). Aos olhos do Criador, essa atitude tem um valor muito superior ao de qualquer dom de visão espiritual.

Volto a repetir a premissa básica deste livro: todos nós temos um anjo da guarda desde o momento da nossa concepção. Para embasar outra vez essa afirmação, relembro a experiência mística que tive no fim de 2010, no Santuário de Aparecida do Norte.

Dentro daquele lugar santo, um arcanjo de túnica violeta informou a mim e minha esposa que iríamos ter um filho. Ele se apresentou como o anjo da guarda do menino que estava no ventre materno. Até aquele momento, não sabíamos que minha esposa estava grávida. O fato foi confirmado no dia seguinte, com um exame de farmácia. O sexo do bebê (masculino), todavia, só foi constatado meses mais tarde, através de uma ultrassonografia.

Além da importância que a intimidade com o anjo da guarda tem na vida espiritual, outro fator relevante me motivou a escrever esta obra: a confusão que certas pessoas fazem entre os seres angélicos e os espíritos humanos de grande pureza, caridade e amor.

Alguns kardecistas que frequentam meus terços me disseram que os anjos, na realidade, seriam espíritos humanos de luz, que teriam evoluído e atingido um nível de excelência espiritual. Discordo, com o devido respeito, de tal posicionamento.

Os seres angélicos não se confundem com qualquer alma humana. Tenho contato com almas configuradas a Cristo, como São Francisco de Assis, Santa Rita de Cássia, Santo Padre Pio e São Jerônimo – só para citar alguns nomes. Em nada se parecem com os anjos. Não têm as mesmas funções nem os mesmos poderes ou a mesma aparência.

Para completar, em determinadas tardes de autógrafos, algumas pessoas de diversas religiões, inclusive católicos mais radicais, já se aproximaram de mim para afirmar que anjos não passam de ficção.

Segundo os descrentes, tais criaturas não existiriam porque Deus não precisaria de nenhum tipo de ajuda para cuidar de nós ou da Terra. Na opinião deles, por ser onipotente, o Pai Celestial não necessitaria de nada nem de ninguém para realizar seus planos.

Esse argumento não é bom. Deus de fato é onipotente; essa verdade é indiscutível. Mas isso não significa que não queira se valer das criaturas para dar nova forma à sua obra.

O Criador não precisa, por exemplo, de nossos pais ou mães para nos colocar no mundo. Por que, então, você tem pai e mãe? Na verdade, o Senhor do Universo não precisa sequer de nossa presença no mundo. Mas você existe, não é? Por que Ele decidiu fazer tudo isso?

Um dos principais documentos da Igreja Católica, que tira milhares de dúvidas, é o Catecismo. Trata-se de um compêndio do conhecimento da fé acumulado por mais de dois mil anos de história, com formulação precisa e reconhecida pelo Vaticano. Pois bem, no número 295 do livro, vemos uma boa resposta para as perguntas acima: “O mundo procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participarem de seu ser, de sua sabedoria e de sua bondade.” Os anjos e os seres humanos existem, então, por ato de amor do Criador, que deseja nossa colaboração em sua obra, para sua glória e felicidade.

Além disso, Deus quis que os anjos firmassem um vínculo de amizade conosco. O Pai Celestial se alegra muito em
ver que seus filhos e as criaturas angélicas convivem
em harmonia e paz. Portanto, em sua imensa bondade, decidiu designar um ser angélico para auxiliar e defender cada ser humano, cumprindo a vontade do Todo-Poderoso. Quanta obediência e amor têm essas criaturas especiais!

Durante todos esses anos, observei que cada anjo só guarda uma pessoa. Note bem que situação interessante: você tem um anjo da guarda, dado por Deus, e ele é só seu! Enquanto você estiver vivo aqui na Terra, o ser angélico será seu protetor exclusivo. Se vocês tiverem intimidade suficiente, no dia de sua morte ele o levará pessoalmente à morada celeste.

I., por exemplo, é meu guardião e de mais ninguém! Posso, algumas vezes, lhe pedir que auxilie e proteja outra pessoa e, em dado momento, ele irá obedecer. Trata-se de algo excepcional, pois não é essa sua tarefa originária.

Certa vez, na cidade de São Paulo, diante de um grupo de oração, uma mulher se pronunciou:

– Pedro, não é possível! Somos muitos aqui na Terra. Se cada um tivesse o próprio anjo da guarda, eles seriam em tão grande número quanto nós! Pode imaginar? A Terra, que já está com excesso de gente, ganharia mais um montão de criaturas. Como poderíamos conviver em paz?

– Em primeiro lugar, note que os anjos não são criaturas corpóreas como nós. Assim, não ocupam o espaço que nós ocupamos. Não seria necessário procurar lugar para todo mundo se acomodar!

“Não entendo por que as pessoas insistem em considerar o mundo espiritual idêntico ao nosso…”, pensei.

– Tudo bem. Mas, ainda assim, se existem tantos anjos, imagino que uma pessoa com seus dons não tenha paz. Deve ver anjos passando para todos os lados o tempo inteiro! – insistiu ela.

– Também não funciona dessa forma.

– Como não? Você não vê os anjos?

– Sim, mas a senhora está fazendo confusão. Veja bem, a pessoa que tem a capacidade de ver o mundo espiritual se assemelha a uma antena de televisão.

– Não entendi…

– Pense na sua televisão. Como a senhora faz para sintonizar um canal?

– Basta digitar no controle o número do canal que desejo ver.

– Muito bem. A senhora sabe por quê?

– Não entendo esses aparelhos, Pedro! – exclamou ela, já impaciente.

– Existem faixas de frequência. Se a senhora sintonizar em determinado canal, vai assistir a tudo que está ali, mas não poderá ver os outros canais. Hoje em dia, existem aparelhos que captam mais de um canal ao mesmo tempo, exibindo duas imagens simultâneas. Só que há limites: todos os outros canais ficam de fora.

– Ah, minha televisão consegue fazer isso. – Enfim ela sorriu.

– Com o mundo espiritual é a mesma coisa. Preciso sintonizar um canal. Não tenho a capacidade de ver tudo o que acontece por lá ao mesmo tempo. Não conheço, aliás, ninguém que o faça, pois são muitas dimensões.

– Então, durante as reuniões do terço, você não consegue ver tudo o que se passa no mundo espiritual? Só uma parte?

– Exatamente. A senhora entendeu bem! Só vejo aquilo que consigo sintonizar. Talvez haja frequências mais difíceis, que não consigo alcançar naquele momento. Além disso, essas visões dependem da permissão de Deus.

– Então, Pedro, durante o terço, há muito mais anjos do que você está vendo?

– Sim. Na realidade, eles são bem mais numerosos do que nós, humanos!

Tal verdade pode ser depreendida das passagens de Daniel 7, 10 (“Milhares e milhares o serviam e milhões estavam às suas ordens”) e de Apocalipse 5, 11 (“uma multidão de anjos (…) Eram milhões e milhões e milhares de milhares”).

Ela me olhou com espanto, mas compreendeu. A explicação, porém, aguçou sua curiosidade e, imediatamente, fez surgir uma avalanche de perguntas:

– Pedro, se é assim, por que muita gente não consegue ver, ouvir ou sentir o próprio anjo da guarda? Todo mundo pode se comunicar de alguma forma com ele?

– Calma, senhora. Para lhe responder tantas indagações, seria preciso escrever um livro! Não temos tempo, hoje, para um debate tão profundo. Preciso pegar o avião de volta para o Rio de Janeiro.

– Muita gente tem essas dúvidas, Pedro. Escreva logo o livro!

Ela estava coberta de razão: o tema realmente é de suma importância e merece um livro.

Outra questão interessante que me colocaram durante as tardes de autógrafos foi: um católico é obrigado a acreditar na existência dos anjos? Para a Igreja Católica, a existência dos seres angélicos é uma verdade de fé. O que isso significa?

As verdades de fé não são dogmas, mas constituem objeto de crença e reverência por parte do povo católico. Com o decorrer dos anos, podem sofrer algum desenvolvimento doutrinal e, se necessário, ser declaradas dogmas.

O Catecismo da Igreja Católica, em seu número 328, explica: “A existência dos seres espirituais, não corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé.”

Quando o papa faz uma declaração formal e solene sobre uma verdade de fé, ela se torna dogma. Ao ganhar tal qualificação, ela é tida como imutável e considerada infalível para o povo católico, não podendo mais ser questionada.

Confirmamos a existência dos anjos pela própria oração do Credo: “Creio em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis.” Os anjos encaixam-se, é claro, no âmbito do mundo invisível. Então, para a Igreja Católica, a existência dos seres angélicos é uma verdade de fé, portanto admite aprofundamentos, debates e explicações.

Conforme está escrito no número 329 do Catecismo, Santo Agostinho ensina que “anjo (mensageiro) é designação de encargo, não de natureza”. O que isso quer dizer? Ele explica que o nome “anjo” traduz aquilo que a criatura faz (ou seja, ser mensageiro de Deus), e não aquilo que ela é. De qualquer modo, nos habituamos a chamá-las de anjos.

Nos números 330 a 335, o Catecismo deixa claro que os anjos são seres dotados de inteligência e vontade, além de imortais, que superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Como nós, têm sua individualidade, suas características típicas, não se confundindo uns com os outros. No entanto, eles não nos superam em dignidade. Por quê?

Em Hebreus 1, 3-4, São Paulo nos fala sobre Jesus do seguinte modo: “O Filho é a irradiação da sua glória e nele Deus se expressou tal como é em si mesmo. O Filho, por sua palavra poderosa, é aquele que mantém o universo. Depois de realizar a purificação dos pecados, sentou-se à direita da Majestade de Deus nas alturas. Ele está acima dos anjos, da mesma forma que herdou um nome muito superior ao deles.”

Deus se fez homem em Jesus Cristo. Não se fez anjo. A Ele, nosso Salvador, os anjos prestam seu serviço, com amor, honra e adoração. Em virtude dos méritos de Cristo, sua mãe, a Virgem Maria (um ser humano como nós), ganhou o título de Rainha dos Anjos. Os anjos a cercam e lhe obedecem, em grande veneração.

Sobre o anjo da guarda especificamente, o Catecismo, no número 336, afirma que, desde a infância até a morte, a vida humana é cercada pela proteção e intercessão desses seres angélicos. Vou além, frisando: nós, humanos, somos protegidos desde nossa concepção e, como já falei, somos levados por eles à morada celestial quando falecemos, se firmamos vínculos de amizade com nossos guardiões.

Apesar de as informações do Catecismo serem muito interessantes (sem contar todo o embasamento do Magistério da Igreja), a curiosidade do povo exige muito mais. Perdi a conta de quantas pessoas me perguntaram a respeito dos poderes dos anjos, de seus nomes, de sua aparência, humor, modo de comunicação e afazeres junto a nós e ao Pai Celestial.

Neste livro, procuro enfrentar tais aspectos sob o prisma de minha experiência pessoal, do contato que travei com essas criaturas maravilhosas ao longo de minha existência. A intenção não é só matar a curiosidade dos outros sobre os guardiões angélicos. Acima de tudo, quero demonstrar sua importância para nós, incentivando os leitores a conviver com eles a partir da narrativa de minha vivência e visão mística.

A intimidade com os santos anjos de Deus tem papel relevante para a salvação humana. Não se trata apenas de uma opinião minha, mas de algo que, há alguns séculos, nos foi comunicado por um grande arcanjo, o príncipe da milícia celeste, São Miguel. Em uma aparição a uma ilustre serva de Deus, a freira carmelita Antónia d’Astónaco, ele pediu que fosse honrado com as hierarquias angélicas, e Deus também glorificado, através da recitação de nove invocações. Elas correspondem a apelos dirigidos aos nove coros de seres angélicos e deram origem ao Rosário de São Miguel Arcanjo (oração que aparece na íntegra na parte final deste livro). Sua prática foi plenamente aprovada pelo papa Pio IX em 1851.

Segundo o arcanjo, aquele que lhe rendesse o referido culto teria, na ocasião em que se aproximasse da Santa Mesa Eucarística (ou seja, o momento da comunhão), um cortejo de nove seres angélicos, escolhidos dentre os nove coros. Além disso, para quem fizesse a recitação diária das nove saudações, São Miguel Arcanjo prometeu sua assistência e a dos demais anjos durante todo o decurso da vida e, depois da morte, a libertação do purgatório para si mesmo e seus parentes.

Por esse motivo, nos terços que rezo, antes das Ave-Marias do primeiro mistério, realizo as nove saudações, a cada um dos nove coros celestes. Não deixo de honrá-los, pois sei do valor de tal devoção. Quando me reúno com os grupos de oração, nas mais diversas cidades, faço o mesmo.

O tema, como já puderam perceber, é fundamental para os que almejam uma vida espiritual mais profunda. A Igreja Católica, ciente de sua importância, dá destaque à devoção aos anjos, enaltecendo-os em duas datas – mais conhecidas pelos fiéis como “festas” – a eles dedicadas: 29 de setembro (Dia dos Santos Arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel) e 2 de outubro (Dia do Anjo da Guarda).

Com este livro, pretendo que as pessoas adotem a prática cotidiana de andar na companhia dessas criaturas tão poderosas, que nos foram dadas de presente pelo Pai Celestial. Acredite: sua vida pode ser bem melhor e mudar em todos os sentidos devido ao convívio e à amizade com seu anjo protetor!

I. Introdução

Em meu livro anterior, Você pode falar com Deus, expus alguns elementos importantes para a oração pessoal. Meu objetivo era fazer com que as pessoas dedicassem um tempo de seu dia ao Pai Celestial. Além disso, procurei demonstrar que os leitores têm a capacidade de se tornar mais íntimos do Criador.

Nele, dediquei o primeiro item do capítulo “Componentes para a boa relação com o mundo espiritual” à oração que se faz na companhia do anjo da guarda. O impacto foi grande! Desde então, aonde quer que eu vá dirigir grupos de oração, os fiéis me perguntam se têm um anjo protetor. Desejando saber mais a respeito desses seres espirituais, apresentam inúmeros questionamentos.

Minha resposta é sempre a mesma: todo mundo tem um anjo da guarda! Os outros sempre me olham com espanto. “Como assim? Todos os seres humanos da face da Terra têm um anjo guardião?!” Digo que sim. Desde a concepção, Deus designa a todos um ser angélico para acompanhá-los em sua jornada neste mundo.

Acredito que alguns leitores estejam se perguntando como posso ter tanta certeza disso. Minha crença vem da experiência pessoal. Há 45 anos, desde que nasci, convivo com os anjos e, em especial, com meu anjo da guarda, I.

Certo dia, em Recife, após a recitação do terço, um senhor me disse:

– Pedro, deve ser maravilhoso acordar e dormir cercado por anjos. Sua vida deve ser um paraíso!

– Sinto desapontá-lo, mas não é bem assim… – respondi, sorrindo.

– Por quê?! Durante o terço, você falou que, logo pela manhã, faz orações com seu anjo da guarda – replicou ele, encarando-me com um olhar confuso.

– Sim, é verdade.

– À noite, o mesmo anjo, esse de que você fala no canal do YouTube, vem até você?

– Exatamente. Se ele não aparece, eu o chamo. Normalmente, se não estiver cuidando de algo urgente no mundo espiritual, ele se põe a meu lado. Fazemos as orações, ele me dá alguma instrução e, depois, parte para o Paraíso enquanto durmo.

– Então! É uma maravilha, Pedro! – exclamou o homem, abrindo os braços.

– Não posso negar que é muito bom. Mas tem um detalhe importante que me causa alguns problemas.

– Que detalhe?

– Estar acompanhado de I. é algo especial. Por vezes, me encontrar na presença de outros seres angélicos é fantástico. Mas, infelizmente, há também em minha vida anjos caídos.

– O que é isso?

– Demônios. As pessoas dotadas de visão espiritual não têm acesso apenas ao que é bom: acabam por ver e sofrer ataques dos espíritos malignos, entende?

– Acho que sim…

O homem partiu com uma expressão de dúvida.

Dessa forma, é importante esclarecer: quando menciono anjos, não quero dizer que minha vida seja frequentada, tão somente, por anjos bons. Segundo Apocalipse 12, 7-9: “Aconteceu então uma batalha no Céu: Miguel e seus Anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão batalhou juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado, e no Céu não houve mais lugar para eles. Esse grande Dragão é a antiga Serpente, é o chamado Diabo ou Satanás. É aquele que seduz todos os habitantes da terra. O Dragão foi expulso para a terra, e os Anjos do Dragão foram expulsos com ele.”

Os anjos caídos – aqueles que foram expulsos do Paraíso por São Miguel Arcanjo e seu exército (a milícia celeste), popularmente denominados de demônios – também fazem parte do meu cotidiano, lançando seus ataques a mim, aos meus amigos e à minha família. Mas esse é um assunto para outro momento. Neste livro, tratarei dos anjos que frequentam a companhia de Deus e darei ênfase à atuação dos anjos da guarda.

Lembro-me que na década de 1990, pouco depois que comecei a fazer encontros de terço na igreja do bairro em que fui criado, um grupo de senhoras me cercou ao final de uma de nossas reuniões. Durante aquela oração, eu tinha mencionado a presença de I. e dissera que, ali conosco, havia outros anjos da guarda.

O grupo sentira algo especial durante aquela noite e estava impressionado com a atmosfera diferente. As senhoras me afirmaram que nunca tinham experimentado coisa igual. Não compreendiam o motivo, pois frequentavam aquela mesma igreja e rezavam o terço todos os dias. Desejavam saber o que havia mudado.

Então se juntaram ao grupo alguns homens e todos falavam ao mesmo tempo, demandando uma explicação. Exigiam, “por medida de justiça”, que, em algum dos encontros futuros, eu descrevesse meu anjo da guarda e os demais seres angélicos que ali se fizessem visíveis aos meus olhos. Eu acatei o pedido.

Passados tantos anos daquele evento, não tenho mais certeza dos lugares onde dei a explicação sobre os anjos e descrevi I. Também não me recordo se esclareci ao povo como ele e os outros anjos da guarda costumam atuar.

Para não cometer qualquer omissão nesse assunto nem injustiça com aqueles que, apesar de me seguirem por tantos anos pelas redes sociais, nunca me ouviram falar do meu anjo da guarda nem das criaturas dos diversos coros celestiais, cumpro com meu dever nas linhas que se seguem.

I. é um arcanjo de aproximadamente 3 metros de altura, sem asas. Surge instantaneamente em meu campo de visão, e não aos poucos. Costuma trajar túnica verde com detalhes dourados na gola e nas mangas. Não tem o hábito de carregar objetos, mas pode fazê-lo se desejar me passar uma mensagem. Uma vez, quando eu era adolescente, sofri um ataque demoníaco em casa. I. apareceu e se pôs entre mim e o inimigo. Manejando uma espada de luz esverdeada, expulsou-o.

Meu anjo guardião tem a pele luminosa (modo de dizer, já que os seres angélicos não têm corpos, são puramente espíritos), que emite uma suave luz verde-clara. O tom dos cabelos é o mesmo, só que um pouco mais escuro, lembrando a folhagem menos densa da mata atlântica do Rio de Janeiro. Eles parecem estar soltos ao vento, devido ao movimento constante.

Seus olhos são como duas esmeraldas luminosas. Neles não identifico córnea, íris, humor aquoso, músculos ciliares, cílios ou sobrancelhas. A impressão é que são feitos de pura luz. O brilho que emana pode variar conforme a situação. Quando realizei a primeira cirurgia na perna esquerda para extrair um tumor ósseo, aos 7 anos, I. permaneceu em pé ao lado da cama do hospital a noite toda. Ele me olhava fixamente e emitia uma luz prata-azulada sobre meu corpo. A sensação era maravilhosa.

Seu rosto é anguloso, com lábios finos e harmoniosos e nariz fino e reto. Seu pescoço é estreito e longo, mas de forma equilibrada com o corpo delgado, dando-lhe elegância. Está sempre descalço e tem uma voz especial, que pode impactar meus tímpanos como um trovão (ao reprovar alguma má ação minha) ou cantar a mais bela melodia, com afinação e técnica vocal irretocáveis (quando entoa cânticos ao Pai Celestial).

Não tenho um anjo da guarda só porque sou católico ou porque sou batizado. Aliás, ter um anjo protetor não decorre de qualquer religião. Trata-se, simplesmente, de um presente de Deus para toda a raça humana. Há pessoas que alimentam tal relação de amizade por toda a vida, mas existem as que ignoram ou não creem na presença do anjo custódio.

Estou seguro de que até mesmo uma pessoa que não tem religião definida ou não crê no Pai Celestial veio acompanhada por um anjo guardião quando chegou ao nosso mundo. O fato de gozar ou não de sua companhia também não está na formação do ser humano no ventre da mãe nem no tipo de parto, mas na forma como ele é criado e cresce, assumindo seu lugar no ambiente terreno, com suas crenças e convicções.

Nas diversas cidades por onde passo em função do meu ministério de oração, tenho visto anjos da guarda ao lado de católicos, judeus, budistas, kardecistas, umbandistas, evangélicos, hinduístas e muçulmanos – perdão se cometo a gafe de não citar outras religiões ou crenças espirituais. Por vezes, vejo-os também perto de pessoas que dizem não ter religião, mas acreditam em Deus. Todos dedicam parte de seu tempo ao cultivo da amizade com seu anjo protetor.

Louvável é a certeza que os fiéis têm sobre a existência dos anjos da guarda. Sem nunca tê-los enxergado, afirmam sua presença em nosso mundo e em suas vidas de forma convicta. Cumprem, assim, a palavra de Deus: “Felizes os que acreditaram sem ter visto” (João 20, 29). Aos olhos do Criador, essa atitude tem um valor muito superior ao de qualquer dom de visão espiritual.

Volto a repetir a premissa básica deste livro: todos nós temos um anjo da guarda desde o momento da nossa concepção. Para embasar outra vez essa afirmação, relembro a experiência mística que tive no fim de 2010, no Santuário de Aparecida do Norte.

Dentro daquele lugar santo, um arcanjo de túnica violeta informou a mim e minha esposa que iríamos ter um filho. Ele se apresentou como o anjo da guarda do menino que estava no ventre materno. Até aquele momento, não sabíamos que minha esposa estava grávida. O fato foi confirmado no dia seguinte, com um exame de farmácia. O sexo do bebê (masculino), todavia, só foi constatado meses mais tarde, através de uma ultrassonografia.

Além da importância que a intimidade com o anjo da guarda tem na vida espiritual, outro fator relevante me motivou a escrever esta obra: a confusão que certas pessoas fazem entre os seres angélicos e os espíritos humanos de grande pureza, caridade e amor.

Alguns kardecistas que frequentam meus terços me disseram que os anjos, na realidade, seriam espíritos humanos de luz, que teriam evoluído e atingido um nível de excelência espiritual. Discordo, com o devido respeito, de tal posicionamento.

Os seres angélicos não se confundem com qualquer alma humana. Tenho contato com almas configuradas a Cristo, como São Francisco de Assis, Santa Rita de Cássia, Santo Padre Pio e São Jerônimo – só para citar alguns nomes. Em nada se parecem com os anjos. Não têm as mesmas funções nem os mesmos poderes ou a mesma aparência.

Para completar, em determinadas tardes de autógrafos, algumas pessoas de diversas religiões, inclusive católicos mais radicais, já se aproximaram de mim para afirmar que anjos não passam de ficção.

Segundo os descrentes, tais criaturas não existiriam porque Deus não precisaria de nenhum tipo de ajuda para cuidar de nós ou da Terra. Na opinião deles, por ser onipotente, o Pai Celestial não necessitaria de nada nem de ninguém para realizar seus planos.

Esse argumento não é bom. Deus de fato é onipotente; essa verdade é indiscutível. Mas isso não significa que não queira se valer das criaturas para dar nova forma à sua obra.

O Criador não precisa, por exemplo, de nossos pais ou mães para nos colocar no mundo. Por que, então, você tem pai e mãe? Na verdade, o Senhor do Universo não precisa sequer de nossa presença no mundo. Mas você existe, não é? Por que Ele decidiu fazer tudo isso?

Um dos principais documentos da Igreja Católica, que tira milhares de dúvidas, é o Catecismo. Trata-se de um compêndio do conhecimento da fé acumulado por mais de dois mil anos de história, com formulação precisa e reconhecida pelo Vaticano. Pois bem, no número 295 do livro, vemos uma boa resposta para as perguntas acima: “O mundo procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participarem de seu ser, de sua sabedoria e de sua bondade.” Os anjos e os seres humanos existem, então, por ato de amor do Criador, que deseja nossa colaboração em sua obra, para sua glória e felicidade.

Além disso, Deus quis que os anjos firmassem um vínculo de amizade conosco. O Pai Celestial se alegra muito em
ver que seus filhos e as criaturas angélicas convivem
em harmonia e paz. Portanto, em sua imensa bondade, decidiu designar um ser angélico para auxiliar e defender cada ser humano, cumprindo a vontade do Todo-Poderoso. Quanta obediência e amor têm essas criaturas especiais!

Durante todos esses anos, observei que cada anjo só guarda uma pessoa. Note bem que situação interessante: você tem um anjo da guarda, dado por Deus, e ele é só seu! Enquanto você estiver vivo aqui na Terra, o ser angélico será seu protetor exclusivo. Se vocês tiverem intimidade suficiente, no dia de sua morte ele o levará pessoalmente à morada celeste.

I., por exemplo, é meu guardião e de mais ninguém! Posso, algumas vezes, lhe pedir que auxilie e proteja outra pessoa e, em dado momento, ele irá obedecer. Trata-se de algo excepcional, pois não é essa sua tarefa originária.

Certa vez, na cidade de São Paulo, diante de um grupo de oração, uma mulher se pronunciou:

– Pedro, não é possível! Somos muitos aqui na Terra. Se cada um tivesse o próprio anjo da guarda, eles seriam em tão grande número quanto nós! Pode imaginar? A Terra, que já está com excesso de gente, ganharia mais um montão de criaturas. Como poderíamos conviver em paz?

– Em primeiro lugar, note que os anjos não são criaturas corpóreas como nós. Assim, não ocupam o espaço que nós ocupamos. Não seria necessário procurar lugar para todo mundo se acomodar!

“Não entendo por que as pessoas insistem em considerar o mundo espiritual idêntico ao nosso…”, pensei.

– Tudo bem. Mas, ainda assim, se existem tantos anjos, imagino que uma pessoa com seus dons não tenha paz. Deve ver anjos passando para todos os lados o tempo inteiro! – insistiu ela.

– Também não funciona dessa forma.

– Como não? Você não vê os anjos?

– Sim, mas a senhora está fazendo confusão. Veja bem, a pessoa que tem a capacidade de ver o mundo espiritual se assemelha a uma antena de televisão.

– Não entendi…

– Pense na sua televisão. Como a senhora faz para sintonizar um canal?

– Basta digitar no controle o número do canal que desejo ver.

– Muito bem. A senhora sabe por quê?

– Não entendo esses aparelhos, Pedro! – exclamou ela, já impaciente.

– Existem faixas de frequência. Se a senhora sintonizar em determinado canal, vai assistir a tudo que está ali, mas não poderá ver os outros canais. Hoje em dia, existem aparelhos que captam mais de um canal ao mesmo tempo, exibindo duas imagens simultâneas. Só que há limites: todos os outros canais ficam de fora.

– Ah, minha televisão consegue fazer isso. – Enfim ela sorriu.

– Com o mundo espiritual é a mesma coisa. Preciso sintonizar um canal. Não tenho a capacidade de ver tudo o que acontece por lá ao mesmo tempo. Não conheço, aliás, ninguém que o faça, pois são muitas dimensões.

– Então, durante as reuniões do terço, você não consegue ver tudo o que se passa no mundo espiritual? Só uma parte?

– Exatamente. A senhora entendeu bem! Só vejo aquilo que consigo sintonizar. Talvez haja frequências mais difíceis, que não consigo alcançar naquele momento. Além disso, essas visões dependem da permissão de Deus.

– Então, Pedro, durante o terço, há muito mais anjos do que você está vendo?

– Sim. Na realidade, eles são bem mais numerosos do que nós, humanos!

Tal verdade pode ser depreendida das passagens de Daniel 7, 10 (“Milhares e milhares o serviam e milhões estavam às suas ordens”) e de Apocalipse 5, 11 (“uma multidão de anjos (…) Eram milhões e milhões e milhares de milhares”).

Ela me olhou com espanto, mas compreendeu. A explicação, porém, aguçou sua curiosidade e, imediatamente, fez surgir uma avalanche de perguntas:

– Pedro, se é assim, por que muita gente não consegue ver, ouvir ou sentir o próprio anjo da guarda? Todo mundo pode se comunicar de alguma forma com ele?

– Calma, senhora. Para lhe responder tantas indagações, seria preciso escrever um livro! Não temos tempo, hoje, para um debate tão profundo. Preciso pegar o avião de volta para o Rio de Janeiro.

– Muita gente tem essas dúvidas, Pedro. Escreva logo o livro!

Ela estava coberta de razão: o tema realmente é de suma importância e merece um livro.

Outra questão interessante que me colocaram durante as tardes de autógrafos foi: um católico é obrigado a acreditar na existência dos anjos? Para a Igreja Católica, a existência dos seres angélicos é uma verdade de fé. O que isso significa?

As verdades de fé não são dogmas, mas constituem objeto de crença e reverência por parte do povo católico. Com o decorrer dos anos, podem sofrer algum desenvolvimento doutrinal e, se necessário, ser declaradas dogmas.

O Catecismo da Igreja Católica, em seu número 328, explica: “A existência dos seres espirituais, não corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé.”

Quando o papa faz uma declaração formal e solene sobre uma verdade de fé, ela se torna dogma. Ao ganhar tal qualificação, ela é tida como imutável e considerada infalível para o povo católico, não podendo mais ser questionada.

Confirmamos a existência dos anjos pela própria oração do Credo: “Creio em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis.” Os anjos encaixam-se, é claro, no âmbito do mundo invisível. Então, para a Igreja Católica, a existência dos seres angélicos é uma verdade de fé, portanto admite aprofundamentos, debates e explicações.

Conforme está escrito no número 329 do Catecismo, Santo Agostinho ensina que “anjo (mensageiro) é designação de encargo, não de natureza”. O que isso quer dizer? Ele explica que o nome “anjo” traduz aquilo que a criatura faz (ou seja, ser mensageiro de Deus), e não aquilo que ela é. De qualquer modo, nos habituamos a chamá-las de anjos.

Nos números 330 a 335, o Catecismo deixa claro que os anjos são seres dotados de inteligência e vontade, além de imortais, que superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Como nós, têm sua individualidade, suas características típicas, não se confundindo uns com os outros. No entanto, eles não nos superam em dignidade. Por quê?

Em Hebreus 1, 3-4, São Paulo nos fala sobre Jesus do seguinte modo: “O Filho é a irradiação da sua glória e nele Deus se expressou tal como é em si mesmo. O Filho, por sua palavra poderosa, é aquele que mantém o universo. Depois de realizar a purificação dos pecados, sentou-se à direita da Majestade de Deus nas alturas. Ele está acima dos anjos, da mesma forma que herdou um nome muito superior ao deles.”

Deus se fez homem em Jesus Cristo. Não se fez anjo. A Ele, nosso Salvador, os anjos prestam seu serviço, com amor, honra e adoração. Em virtude dos méritos de Cristo, sua mãe, a Virgem Maria (um ser humano como nós), ganhou o título de Rainha dos Anjos. Os anjos a cercam e lhe obedecem, em grande veneração.

Sobre o anjo da guarda especificamente, o Catecismo, no número 336, afirma que, desde a infância até a morte, a vida humana é cercada pela proteção e intercessão desses seres angélicos. Vou além, frisando: nós, humanos, somos protegidos desde nossa concepção e, como já falei, somos levados por eles à morada celestial quando falecemos, se firmamos vínculos de amizade com nossos guardiões.

Apesar de as informações do Catecismo serem muito interessantes (sem contar todo o embasamento do Magistério da Igreja), a curiosidade do povo exige muito mais. Perdi a conta de quantas pessoas me perguntaram a respeito dos poderes dos anjos, de seus nomes, de sua aparência, humor, modo de comunicação e afazeres junto a nós e ao Pai Celestial.

Neste livro, procuro enfrentar tais aspectos sob o prisma de minha experiência pessoal, do contato que travei com essas criaturas maravilhosas ao longo de minha existência. A intenção não é só matar a curiosidade dos outros sobre os guardiões angélicos. Acima de tudo, quero demonstrar sua importância para nós, incentivando os leitores a conviver com eles a partir da narrativa de minha vivência e visão mística.

A intimidade com os santos anjos de Deus tem papel relevante para a salvação humana. Não se trata apenas de uma opinião minha, mas de algo que, há alguns séculos, nos foi comunicado por um grande arcanjo, o príncipe da milícia celeste, São Miguel. Em uma aparição a uma ilustre serva de Deus, a freira carmelita Antónia d’Astónaco, ele pediu que fosse honrado com as hierarquias angélicas, e Deus também glorificado, através da recitação de nove invocações. Elas correspondem a apelos dirigidos aos nove coros de seres angélicos e deram origem ao Rosário de São Miguel Arcanjo (oração que aparece na íntegra na parte final deste livro). Sua prática foi plenamente aprovada pelo papa Pio IX em 1851.

Segundo o arcanjo, aquele que lhe rendesse o referido culto teria, na ocasião em que se aproximasse da Santa Mesa Eucarística (ou seja, o momento da comunhão), um cortejo de nove seres angélicos, escolhidos dentre os nove coros. Além disso, para quem fizesse a recitação diária das nove saudações, São Miguel Arcanjo prometeu sua assistência e a dos demais anjos durante todo o decurso da vida e, depois da morte, a libertação do purgatório para si mesmo e seus parentes.

Por esse motivo, nos terços que rezo, antes das Ave-Marias do primeiro mistério, realizo as nove saudações, a cada um dos nove coros celestes. Não deixo de honrá-los, pois sei do valor de tal devoção. Quando me reúno com os grupos de oração, nas mais diversas cidades, faço o mesmo.

O tema, como já puderam perceber, é fundamental para os que almejam uma vida espiritual mais profunda. A Igreja Católica, ciente de sua importância, dá destaque à devoção aos anjos, enaltecendo-os em duas datas – mais conhecidas pelos fiéis como “festas” – a eles dedicadas: 29 de setembro (Dia dos Santos Arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel) e 2 de outubro (Dia do Anjo da Guarda).

Com este livro, pretendo que as pessoas adotem a prática cotidiana de andar na companhia dessas criaturas tão poderosas, que nos foram dadas de presente pelo Pai Celestial. Acredite: sua vida pode ser bem melhor e mudar em todos os sentidos devido ao convívio e à amizade com seu anjo protetor!

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Pedro Siqueira

Sobre o autor

Pedro Siqueira

Escritor, advogado e professor de direito. Conduz um grupo de orações católico centrado na devoção mariana do rosário, em que transmite revelações do Espírito Santo, mensagens de Nossa Senhora e de santos e anjos. Em 2008, numa visita ao santuário de Fátima, em Portugal, recebeu uma mensagem de Nossa Senhora. Ela dizia que deveria escrever sobre suas experiências místicas como uma forma de ajudar as pessoas no caminho da espiritualidade.

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