Tudo bem não estar tudo bem - Sextante
Livro
AUTOAJUDA

Tudo bem não estar tudo bem

MEGAN DEVINE

Vivendo o luto e a perda em um mundo que não aceita o sofrimento

Vivendo o luto e a perda em um mundo que não aceita o sofrimento

 

300 mil exemplares vendidos.

“Precisamos falar sobre o luto. Precisamos entendê-lo como um processo natural, e não como algo a ser evitado, conserta­do, apressado ou julgado. Precisamos começar a falar sobre como enfrentar a realidade de levar uma vida que foi totalmente modificada pela perda.” – Megan Devine

 Depois de vivenciar o luto tanto na vida profissional quanto na pessoal – trabalhando como terapeuta e tendo presenciado o afogamento de seu companheiro, Matt –, Megan Devine se tornou uma voz poderosa que procura desconstruir a cobrança de “voltar à vida normal” após a morte de um ente querido.

 

Muitas pessoas que sofreram uma grande perda se sentem julgadas, ignoradas ou incompreendidas por uma cultura que tenta “resolver” o luto e “curar” uma dor que não pode ser remediada.

Em Tudo bem não estar tudo bem, Megan oferece uma abordagem muito mais saudável, que nos convida a construir a melhor vida possível – uma vida que comporte dor e a saudade, que não tente negar o profundo vazio deixado pela perda.

Com uma honestidade que muitas vezes falta nas obras sobre o assunto, este livro traz histórias reais, depoimentos, estudos, pesquisas e orientações práticas sobre como cuidar do corpo, da mente e do coração durante o processo do luto.

A partir dessa nova perspectiva, você vai aprender a dar pequenos passos para reconstruir seu mundo, respeitando seu tempo, ignorando conselhos inúteis e honrando o amor daquele que se foi.

Vai aprender a melhorar as coisas, mesmo quando não é possível consertá-las.

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Ficha técnica
Lançamento 07/10/2021
Título original It's OK That You're Not OK
Tradução Ivanir Calado
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 240
Peso 300 g
Acabamento Brochura
ISBN 978-65-5564-214-8
EAN 9786555642148
Preço R$ 49,90
Ficha técnica e-book
eISBN 978-65-5564-215-5
Preço R$ 29,99
Ficha técnica audiolivro
ISBN 9786555643206
Duração 8h 55min
Locutor Elaine Correia
Preço US$ 7,99
Lançamento 07/10/2021
Título original It's OK That You're Not OK
Tradução Ivanir Calado
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 240
Peso 300 g
Acabamento Brochura
ISBN 978-65-5564-214-8
EAN 9786555642148
Preço R$ 49,90

E-book

eISBN 978-65-5564-215-5
Preço R$ 29,99

Audiolivro

ISBN 9786555643206
Duração 8h 55min
Locutor Elaine Correia
Preço US$ 7,99

Leia um trecho do livro

PREFÁCIO

Há um paradoxo duplo em ser humano. Primeiro, ninguém pode viver sua vida por você – ninguém pode enfrentar seus problemas nem sentir seus sentimentos – e ninguém pode viver sozinho. Segundo, enquanto vivemos a única vida a que temos direito, estamos aqui para amar e perder. Ninguém sabe por quê. É assim. Se nos comprometermos a amar, inevitavelmente conheceremos a perda e o luto. Se tentarmos evitar a perda e o luto, jamais amaremos de verdade. No entanto, de modo imperioso e misterioso, conhecer o amor e a perda é o que nos deixa completa e profundamente vivos.

Tendo vivido intensamente o amor e a perda, Megan Devine é uma companheira forte e carinhosa. Tendo perdido um ente querido, ela sabe que a vida muda para sempre. Não há como superar isso, só é possível absorver. O amor e o luto mudam nossa visão de mundo. Nada volta a ser o mesmo e não existe uma vida normal à qual retornar. Há apenas a tarefa íntima de desenhar um mapa novo e acurado. Como diz Megan muito sabiamente: “Não estamos aqui para curar nossa dor, e sim para cuidar dela.”

A verdade é que quem sofre carrega uma sabedoria de que precisamos para sobreviver. E, como vivemos em uma sociedade que tem medo de sentir, é importante nos abrirmos para a profundidade da jornada humana, que só pode ser conhecida por meio de nossos sentimentos.

Em última instância, o verdadeiro laço de amor e amizade é atado quando conseguimos compartilhar o amor e a perda sem julgar ou pressionar uns aos outros, sem nos deixarmos afundar e sem nos pouparmos do batismo da alma que nos aguarda nas profundezas. Como Megan declara: “A verdadeira segurança está em conhecer a dor do outro e nos reconhecermos nela.”

Nosso trabalho, sozinhos e juntos, não é minimizar a dor ou a perda que sentimos, e sim investigar o que esses incidentes transformadores causam em nós. Aprendi, com minha dor e meu luto, que estar arrasado não é motivo para considerar que tudo está acabado. E, assim, o dom e a prática de ser humano se concentram no esforço de restaurar o que importa e fazer bom uso do nosso coração.

Como João da Cruz, que enfrentou a noite escura da alma, e como Jacó, que lutou contra o anjo no vau, Megan perdeu seu companheiro Matt e lutou para atravessar um vale longo e escuro. E a verdade que encontrou não é que tudo ficará bem, será curado ou esquecido. E sim que as coisas vão evoluir e a realidade se enraizará, que aqueles que sofrem uma grande perda tornarão a ser inextricavelmente entrelaçados com a vida, ainda que tudo mude.

Na Divina comédia de Dante, Virgílio é quem o guia através do inferno a caminho do purgatório até o momento em que Dante encontra uma muralha de chamas diante da qual hesita, com medo. Virgílio diz: “Você não tem escolha. Este é o fogo que queimará, mas não consumirá.” Dante continua com medo. Virgílio põe a mão no ombro dele e repete: “Você não tem escolha.” Então Dante reúne coragem e entra.

Todo mundo um dia se depara com essa muralha de fogo. Como Virgílio, Megan nos conduz por essa jornada sombria até a muralha de fogo que cada um de nós precisa atravessar sozinho, para além da qual guiamos nossos passos. Como Virgílio, Megan aponta um caminho – não o caminho, mas um caminho –, oferecendo a quem está na furiosa turbulência do luto alguns pontos de apoio. É preciso coragem para amar, perder e permanecer ao lado de alguém sem se importar com o tamanho da estrada. E Megan é uma professora corajosa. Se você está preso nas garras do luto, leia este livro. Ele ajudará você a suportar o necessário e tornará a jornada menos solitária.

INTRODUÇÃO

O modo como lidamos com o luto na nossa cultura é defeituoso. Eu achava que sabia muita coisa sobre o assunto. Afinal de contas, fazia quase uma década que atuava como psicoterapeuta em um consultório particular. Lidei com centenas de pessoas, algumas lutando contra vícios em drogas e falta de moradia, outras enfrentando anos de abuso, traumas e luto. Trabalhei com educação e advocacia relacionadas à violência sexual, ajudando pessoas a superar algumas das experiências mais horríveis de suas vidas. Pesquisei os mais recentes estudos sobre educação emocional e resiliência. Eu me envolvia profundamente e sentia que fazia um trabalho importante e valioso.

E então, em um belo e comum dia de verão em 2009, vi meu companheiro se afogar. Matt era forte, saudável e estava em plena forma. Faltavam apenas três meses para seu aniversário de 40 anos. Com sua capacidade e experiência, não havia motivo para ele se afogar. Foi um incidente aleatório e inesperado que arrasou meu mundo.

Depois da morte de Matt, quis telefonar para cada um dos meus pacientes e pedir desculpas por minha ignorância. Apesar de eu ter um profundo conhecimento sobre as emoções, a morte de Matt me revelou uma faceta totalmente diferente. Nada do que eu conhecia se aplicava a uma perda daquela magnitude. Com toda a minha experiência e formação, eu deveria ser a pessoa mais preparada para enfrentar aquele tipo de perda. Mas nada podia ter me preparado para aquilo. Nada do que eu tinha aprendido fez diferença.

E isso não acontecia só comigo.

Nos primeiros anos depois da morte de Matt, descobri uma comunidade de pessoas em luto. Escritores, ativistas, professores, assistentes sociais e cientistas de profissão – um seleto grupo de jovens viúvos e viúvas e de pais sofrendo a perda de filhos pequenos se uniu pela experiência da dor. Mas não era somente isso que compartilhávamos. Todos nós já tínhamos nos sentido julgados, constrangidos e repreendidos por nosso luto. Contávamos histórias de ocasiões em que fomos encorajados a “superar”, a deixar o passado para trás e a parar de falar sobre o que tínhamos perdido. Éramos incentivados a seguir em frente e ouvíamos que aquelas mortes tinham sido uma lição para aprendermos a valorizar a vida. Até os que tentavam ajudar acabavam nos magoando. Palavras banais e conselhos, mesmo quando oferecidos com boa intenção, soavam desdenhosos, reduzindo uma dor tão grande a frases feitas sem significado real.

Na época em que mais precisávamos de amor e apoio, nos sentíamos sozinhos, incompreendidos, julgados e ignorados. Não que as pessoas ao redor quisessem ser cruéis; apenas não sabiam como ser prestativas. Como muitos dos que sofrem, paramos de falar sobre nossa dor para amigos e parentes. Era mais fácil fingir que estava tudo bem do que defender e explicar continuamente nosso luto aos que não conseguiam entender. Por isso, procurávamos outros enlutados porque eram os únicos que compreendiam como era vivenciar aquele sofrimento.

Todo mundo passa por luto e perda. Todos nos sentimos incompreendidos em ocasiões de profunda dor. Também já ficamos impotentes diante da dor de outras pessoas. Todos já nos atrapalhamos com as palavras, sabendo que nenhuma poderia consertar as coisas. A perda é um jogo em que não há vencedores: os enlutados se sentem incompreendidos e os amigos e familiares se sentem impotentes e idiotas diante do luto. Sabemos que precisamos de ajuda, mas não sabemos o que pedir. Tentando ajudar, pioramos a situação das pessoas que estão passando pelo pior momento de suas vidas. As melhores intenções saem pela culatra.

A culpa não é nossa. Todos queremos receber amor e apoio em tempos de luto, e todos queremos ajudar as pessoas que amamos. O problema é que nos ensinaram o modo errado de fazer isso.

Nossa cultura enxerga o luto como uma espécie de doença: uma emoção aterrorizante, confusa, que precisa ser posta em ordem e deixada de lado o mais rápido possível. Como resultado, temos crenças antiquadas sobre quanto tempo o luto deve durar e como ele deve ser. Nós o enxergamos como uma coisa a ser superada, algo a ser consertado, e não como algo que necessita de cuidado e apoio. Até mesmo os terapeutas são treinados para entender o luto como um transtorno, e não como uma reação natural a uma grande perda. Quando nem os profissionais sabem como lidar com o luto, como podemos esperar que o resto de nós aja com habilidade e elegância?

Existe uma lacuna, um abismo, entre o que mais desejamos e o ponto em que estamos agora. As ferramentas que temos para enfrentar o luto não servem de ponte para atravessar essa lacuna. Nossas noções culturais e profissionais sobre o assunto nos impedem de cuidar de nós mesmos durante o luto e de apoiar as pessoas que amamos quando elas passam pela experiência. Pior ainda, essas ideias ultrapassadas acrescentam um sofrimento desnecessário à dor natural, normal.

Mas existe outro caminho.

Desde a morte de Matt, trabalhei com milhares de pessoas enlutadas através do meu site Refuge in Grief (Refúgio no luto). Passei os últimos anos adquirindo conhecimento sobre o que realmente ajuda durante essa longa e dura jornada. No caminho, me estabeleci como uma voz pioneira e reconhecida não apenas no tema do apoio no luto, mas também em um modo mais compassivo de compreendermos uns aos outros.

Minhas teorias sobre o luto, a vulnerabilidade e a educação emocional vieram das minhas experiências e das histórias e experiências dos milhares de pessoas que tentaram ao máximo trilhar seu caminho através da perda. A partir dos enlutados e de amigos e familiares com dificuldade de ajudá-los, identifiquei o verdadeiro problema: nossa cultura não nos ensinou as habilidades necessárias para lidar com o luto de maneira realmente útil.

Se quisermos cuidar melhor uns dos outros, precisamos reumanizar o luto. Precisamos falar sobre o assunto. Precisamos entendê-lo como um processo natural, normal, e não como algo a ser evitado, consertado, apressado ou depreciado. Precisamos começar a falar sobre como enfrentar a realidade de levar uma vida que foi totalmente modificada pela perda.

Tudo bem não estar tudo bem oferece um novo modo de encarar o luto – um modo diferente apresentado não por um professor trancado em uma sala estudando o luto, e sim por alguém que o vivenciou. Já senti essa dor. Fui a pessoa que soluça deitada no chão, incapaz de comer ou dormir, incapaz de suportar sair de casa por mais que alguns minutos. Estive na cadeira e depois no outro lado do divã do terapeuta, ouvindo conselhos ultrapassados e totalmente irrelevantes sobre os estágios do luto e o poder do pensamento positivo. Batalhei contra os aspectos físicos do luto (perda de memória, mudanças cognitivas, ansiedade) e encontrei ferramentas que ajudam de verdade. Com meus conhecimentos clínicos e minha vivência, aprendi a diferença entre solucionar a dor e cuidar dela. Aprendi, por experiência, por que tentar convencer alguém a abandonar o luto magoa e não ajuda nem um pouco.

Este livro fornece um caminho para repensar nossa relação com o luto. Encoraja os leitores a enxergar a dor como uma reação natural à morte e à perda, e não como uma condição anormal que precisa ser transformada. Ao mudar o foco do luto como problema a ser solucionado para uma experiência a ser cuidada, podemos oferecer o que mais queremos para nós mesmos: compreensão, compaixão, validação e um caminho para atravessar a dor.

Tudo bem não estar tudo bem mostra como vivenciar o luto com habilidade e compaixão, mas não se dedica apenas às pessoas que sofrem: este livro é sobre melhorar as coisas para todo mundo. Todos vamos passar por um luto ou uma perda profunda em algum momento da vida. Todos vamos conhecer alguém passando por uma grande perda. A perda é uma experiência universal.

Então apresento aqui uma perspectiva diferente, uma perspectiva que nos inspira a reexaminar nossa relação com o amor, a perda, o pesar e a comunidade. Se começarmos a entender a verdadeira natureza do luto, poderemos ter uma cultura mais prestativa, amorosa e apoiadora. Poderemos conseguir o que todos mais desejamos: ajudar uns aos outros nos momentos de necessidade, nos sentir amados e apoiados, independentemente das tragédias que surjam na vida.

O que todos compartilhamos – o verdadeiro motivo para este livro – é o desejo de amar melhor. Amar a nós mesmos em meio a uma profunda dor e amar uns aos outros quando a dor de viver ficar grande demais para suportar sozinho. Este livro oferece os conhecimentos necessários para tornar realidade esse tipo de amor.

Obrigada por estar aqui. Obrigada por estar disposto a ler, ouvir, aprender. Juntos podemos melhorar as coisas, mesmo quando não é possível consertá-las.

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Megan Devine

Sobre o autor

Megan Devine

MEGAN DEVINE é uma escritora e palestrante com mestrado em Psicologia que defende uma transformação emocional na sociedade. Desde a trágica perda de seu parceiro, em 2009, despontou como uma voz corajosa e inovadora no apoio ao luto. Por meio do seu site Refuge in Grief (Refúgio no Luto), Megan criou um santuário para as pessoas que sofreram perdas e oferece orientação àqueles que querem ajudar amigos e familiares a enfrentar o luto.

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