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BIOGRAFIA

Renato Aragão: Do Ceará para o coração do Brasil

Renato Aragão: Do Ceará para o coração do Brasil

RODRIGO FONSECA

“Renato Aragão nos traz sempre a nossa infância, a nossa cultura popular. O Grande Circo que é a nossa utopia.” – Fernanda Montenegro

“Renato Aragão é uma grande figura da cultura brasileira. O programa Os Trapalhões foi um marco na história da televisão e na vida da gente… Programa popular e nada careta, aquilo é coisa que diz muito sobre o melhor do Brasil.” – Caetano Veloso

 

Quem é esse homem batizado Antonio Renato Aragão? Quem é esse artista que há cinco décadas, no cinema e na TV, faz gerações e gerações de brasileiros sorrirem? E o que faz Renato Aragão, aos 82 anos, acreditar que “ainda há muito a fazer”?

Em um dos textos de apresentação de Renato Aragão: Do Ceará para o coração do Brasil, o próprio artista toma a palavra e se dirige ao leitor para dizer: “Este livro é uma forma de saciar a curiosidade que as pessoas… possam ter sobre o percurso que venho fazendo… Bom, esta é uma viagem para dentro de mim. Uma viagem feita de saudades, memória e muita gratidão.”

Rodrigo Fonseca, roteirista e crítico de cinema, é quem nos conduz ao longo desta grande e bela viagem pela vida e alma de Renato Aragão. Baseado nas memórias do artista e em meticulosa pesquisa, o autor nos conta a trajetória de Aragão desde o nascimento em Sobral, no Ceará, em 1935, até o momento em que o criador do Didi assiste ao lançamento da nova geração de Os Trapalhões, em 2017.

Ricamente ilustrado, o livro conta ainda com uma seção de depoimentos de diversas personalidades, tais como: Caetano Veloso, Fernanda Montenegro, Maria Bethânia, Dedé Santana, Cacá Diegues, Daniel Filho, José Padilha, entre tantos outros.

“Renato Aragão nos traz sempre a nossa infância, a nossa cultura popular. O Grande Circo que é a nossa utopia.” – Fernanda Montenegro

“Renato Aragão é uma grande figura da cultura brasileira. O programa Os Trapalhões foi um marco na história da televisão e na vida da gente… Programa popular e nada careta, aquilo é coisa que diz muito sobre o melhor do Brasil.” – Caetano Veloso

 

Quem é esse homem batizado Antonio Renato Aragão? Quem é esse artista que há cinco décadas, no cinema e na TV, faz gerações e gerações de brasileiros sorrirem? E o que faz Renato Aragão, aos 82 anos, acreditar que “ainda há muito a fazer”?

Em um dos textos de apresentação de Renato Aragão: Do Ceará para o coração do Brasil, o próprio artista toma a palavra e se dirige ao leitor para dizer: “Este livro é uma forma de saciar a curiosidade que as pessoas… possam ter sobre o percurso que venho fazendo… Bom, esta é uma viagem para dentro de mim. Uma viagem feita de saudades, memória e muita gratidão.”

Rodrigo Fonseca, roteirista e crítico de cinema, é quem nos conduz ao longo desta grande e bela viagem pela vida e alma de Renato Aragão. Baseado nas memórias do artista e em meticulosa pesquisa, o autor nos conta a trajetória de Aragão desde o nascimento em Sobral, no Ceará, em 1935, até o momento em que o criador do Didi assiste ao lançamento da nova geração de Os Trapalhões, em 2017.

Ricamente ilustrado, o livro conta ainda com uma seção de depoimentos de diversas personalidades, tais como: Caetano Veloso, Fernanda Montenegro, Maria Bethânia, Dedé Santana, Cacá Diegues, Daniel Filho, José Padilha, entre tantos outros.

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Ficha técnica
Lançamento 04/12/2017
Título original RENATO ARAGÃO: DO CEARÁ PARA O CORAÇÃO DO BRASIL
Tradução
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 304
Peso 480 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-5608-027-1
EAN 9788556080271
Preço R$49,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788556080288
Preço R$ 29,99
Selo
Estação Brasil
Lançamento 04/12/2017
Título original RENATO ARAGÃO: DO CEARÁ PARA O CORAÇÃO DO BRASIL
Tradução
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 304
Peso 480 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-5608-027-1
EAN 9788556080271
Preço R$49,90

E-book

eISBN 9788556080288
Preço R$ 29,99

Selo

Estação Brasil

Leia um trecho do livro

Renato por Renato

Quem não sorri não abre para si as portas da oportunidade. O entusiasmo é tudo para o sucesso. Quando você diz “Vou vencer”, já percorreu metade do caminho. Mesmo que repita cem vezes “Falhei, falhei, falhei…”, tudo pode mudar se disser uma só vez: “Vou vencer!” E, mesmo que as pessoas não acreditem, o importante é você confiar.

No início dos anos 1960, eu era um estudante de Direito em fim de curso na Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, um funcionário do Banco do Nordeste com uma carreira promissora e, da noite para o dia, ao saber de um concurso para redatores na recém-inaugurada TV Ceará, resolvi que queria fazer televisão. Fiz uma prova, passei e não apenas fui escrever como dar a cara no ar. E isso com o sonho de um dia fazer cinema. Tinha acabado de casar, em pouco tempo fui pai e mal fazia ideia de como dar conta de tantos afazeres de uma só vez. Mas dei.

Filho do amor de Dona Dinorá pelo Seu Paulo Aragão, comecei minha carreira artística no Ceará, estado onde nasci, antes de me mudar para o Rio, com uma família embaixo do braço. Vim para o Sudeste com um contrato muito bom, mas era um mundo novo. Tudo poderia ser um risco. Mas era preciso ser forte. Diz o Euclides da Cunha: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte.” Eu parei no “antes de tudo”. Mas tentei. Tentei a vida no Rio, entre as TVs Tupi e Excelsior, hoje extintas. Ainda arrisquei alguns programas na Record de São Paulo. Depois voltei ao convívio dos cariocas, fiz filmes – mais do que poderia esperar quando menino, menos do que desejo agora. Respeitei a vontade de Deus nesse percurso. Afinal de contas, o mistério da fé não tem mistério: se você crê em Deus, Ele está dentro de você como um escudo, fazendo a sua proteção. E ninguém pode tirar Deus de você a não ser você mesmo.

Nunca vi Deus. Não sei se é mulher, se é homem, se é luz, se é força. Só tenho notícias do que Ele fez, do que criou e, sobretudo, do que salvou. Sempre quis beijar a mão dele e um dia, em julho de 1991, eu consegui. Atravessei o braço do Cristo Redentor, sob ventos fortíssimos, amarrado a um cabo de aço que, se eu caísse, cortaria meu corpo ao meio. Não caí… como você pode notar. Glória Maria, repórter do Fantástico, em terra firme, falava comigo pelo rádio, mas eu já nem conseguia entender, tamanha era a minha emoção. Meti a cara naquele desafio de fé e fui.

Se a física faz movimentar várias coisas sobre a Terra, o amor movimenta todo o Universo. Tenho amor por Deus. Tenho amor pelas crianças. E pelo que está por vir. Aquela travessia eu fiz com Ele, para Ele e para as crianças deste Brasil, a quem me dedico há cerca de 32 anos no Criança Esperança. É o meu jeito de dar um basta ao abandono e ao descaso em relação à infância, em relação à inocência. Aceitei, como uma honra que não tem preço, o posto de embaixador do Unicef e, com determinação e responsabilidade, tento fazer valer a vocação humanitária do Fundo das Nações Unidas para a Infância na defesa do nosso amanhã. Um amanhã que se abre em sol, em sorrisos infantis. Sorrisos de diversas raças e diversos credos. Na fé eu faço isso. Quem tem fé não tem medo. Na fé eu sou feliz.

Com Deus, vem a felicidade. E felicidade não é um bicho de sete cabeças. Ela é tão simples: é só saber ser feliz com aquilo que possuímos. E não se corre atrás dela: ela vem. Tenho hoje cinco filhos, uma penca de netos, uma mulher com quem vivo como eterna namorada e a certeza, após ter atuado em cinquenta filmes, de que posso fazer mais cinquenta. E tenho muitos motivos para continuar vivendo: dentre eles, o amor pela vida. Aprendi que não se pode – nem se deve − correr desesperadamente atrás da felicidade. Sobre esta, o meu pai, Paulo, escreveu estes versos: “Tudo o que ouves e vês, Humanidade/ (mas não entendes) é a Felicidade/ que em meses fartos te oferece Deus.”

Quanto mais você a persegue, mais ela foge do seu alcance. Tenha calma. Procure atraí-la com serenidade e humildade. Ela está dentro de você. Basta saber olhar para dentro. Ela talvez só precise de um alimento: a caridade. Se você ajudar alguém, não conte a ninguém. Mas, se alguém o ajudar, propague, escreva nos classificados. Valorize o próximo: ninguém é feliz sozinho.

Uma pessoa comum procura sempre corrigir os defeitos dos outros. Uma pessoa especial procura sempre corrigir os próprios defeitos. Sou uma pessoa séria: não sou a pessoa engraçada que o Didi é. Talvez por isso eu enxergue o Didi como um anjo. Não porque ele faz coisas que eu não conseguiria, com a timidez que tenho, mas porque o Didi é uma criança eterna. E essa criança, que me apareceu como inspiração no dia em que escrevi o meu primeiro esquete para a televisão, na TV Ceará, em 1960, virou meu amigo imaginário. Aprendi com ele um pensamento: “Se escorregar, equilibre-se; se cair, levante-se rápido; se esbarrar num obstáculo, contorne-o; só não desista, nunca; tente outra vez: atire seu coração sobre um projeto e seu corpo irá junto.”

Este livro é uma forma de saciar a curiosidade que as pessoas – os amigos que fiz ao longo da estrada, amigos que me tratam com o carinho de fãs – possam ter sobre o percurso que venho fazendo. O homem já foi à Lua, manda satélites para Marte e para outros planetas. Não seria melhor fazer uma viagem para dentro de si mesmo? Bom, esta é uma viagem para dentro de mim. Uma viagem feita de saudades, memórias e muita gratidão. Mas uma viagem com um cuidado: “Quem muito comenta o passado se esquece do presente e nada tem a fazer no futuro.” Ainda tenho muito que fazer. Estou hoje com 82 anos, mas há muito caminho pela frente.

Prazer, sou Antonio Renato Aragão e esta é uma parte das minhas recordações. Bem-vindo à minha história.

Renato Aragão

Renato por Renato

Quem não sorri não abre para si as portas da oportunidade. O entusiasmo é tudo para o sucesso. Quando você diz “Vou vencer”, já percorreu metade do caminho. Mesmo que repita cem vezes “Falhei, falhei, falhei…”, tudo pode mudar se disser uma só vez: “Vou vencer!” E, mesmo que as pessoas não acreditem, o importante é você confiar.

No início dos anos 1960, eu era um estudante de Direito em fim de curso na Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, um funcionário do Banco do Nordeste com uma carreira promissora e, da noite para o dia, ao saber de um concurso para redatores na recém-inaugurada TV Ceará, resolvi que queria fazer televisão. Fiz uma prova, passei e não apenas fui escrever como dar a cara no ar. E isso com o sonho de um dia fazer cinema. Tinha acabado de casar, em pouco tempo fui pai e mal fazia ideia de como dar conta de tantos afazeres de uma só vez. Mas dei.

Filho do amor de Dona Dinorá pelo Seu Paulo Aragão, comecei minha carreira artística no Ceará, estado onde nasci, antes de me mudar para o Rio, com uma família embaixo do braço. Vim para o Sudeste com um contrato muito bom, mas era um mundo novo. Tudo poderia ser um risco. Mas era preciso ser forte. Diz o Euclides da Cunha: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte.” Eu parei no “antes de tudo”. Mas tentei. Tentei a vida no Rio, entre as TVs Tupi e Excelsior, hoje extintas. Ainda arrisquei alguns programas na Record de São Paulo. Depois voltei ao convívio dos cariocas, fiz filmes – mais do que poderia esperar quando menino, menos do que desejo agora. Respeitei a vontade de Deus nesse percurso. Afinal de contas, o mistério da fé não tem mistério: se você crê em Deus, Ele está dentro de você como um escudo, fazendo a sua proteção. E ninguém pode tirar Deus de você a não ser você mesmo.

Nunca vi Deus. Não sei se é mulher, se é homem, se é luz, se é força. Só tenho notícias do que Ele fez, do que criou e, sobretudo, do que salvou. Sempre quis beijar a mão dele e um dia, em julho de 1991, eu consegui. Atravessei o braço do Cristo Redentor, sob ventos fortíssimos, amarrado a um cabo de aço que, se eu caísse, cortaria meu corpo ao meio. Não caí… como você pode notar. Glória Maria, repórter do Fantástico, em terra firme, falava comigo pelo rádio, mas eu já nem conseguia entender, tamanha era a minha emoção. Meti a cara naquele desafio de fé e fui.

Se a física faz movimentar várias coisas sobre a Terra, o amor movimenta todo o Universo. Tenho amor por Deus. Tenho amor pelas crianças. E pelo que está por vir. Aquela travessia eu fiz com Ele, para Ele e para as crianças deste Brasil, a quem me dedico há cerca de 32 anos no Criança Esperança. É o meu jeito de dar um basta ao abandono e ao descaso em relação à infância, em relação à inocência. Aceitei, como uma honra que não tem preço, o posto de embaixador do Unicef e, com determinação e responsabilidade, tento fazer valer a vocação humanitária do Fundo das Nações Unidas para a Infância na defesa do nosso amanhã. Um amanhã que se abre em sol, em sorrisos infantis. Sorrisos de diversas raças e diversos credos. Na fé eu faço isso. Quem tem fé não tem medo. Na fé eu sou feliz.

Com Deus, vem a felicidade. E felicidade não é um bicho de sete cabeças. Ela é tão simples: é só saber ser feliz com aquilo que possuímos. E não se corre atrás dela: ela vem. Tenho hoje cinco filhos, uma penca de netos, uma mulher com quem vivo como eterna namorada e a certeza, após ter atuado em cinquenta filmes, de que posso fazer mais cinquenta. E tenho muitos motivos para continuar vivendo: dentre eles, o amor pela vida. Aprendi que não se pode – nem se deve − correr desesperadamente atrás da felicidade. Sobre esta, o meu pai, Paulo, escreveu estes versos: “Tudo o que ouves e vês, Humanidade/ (mas não entendes) é a Felicidade/ que em meses fartos te oferece Deus.”

Quanto mais você a persegue, mais ela foge do seu alcance. Tenha calma. Procure atraí-la com serenidade e humildade. Ela está dentro de você. Basta saber olhar para dentro. Ela talvez só precise de um alimento: a caridade. Se você ajudar alguém, não conte a ninguém. Mas, se alguém o ajudar, propague, escreva nos classificados. Valorize o próximo: ninguém é feliz sozinho.

Uma pessoa comum procura sempre corrigir os defeitos dos outros. Uma pessoa especial procura sempre corrigir os próprios defeitos. Sou uma pessoa séria: não sou a pessoa engraçada que o Didi é. Talvez por isso eu enxergue o Didi como um anjo. Não porque ele faz coisas que eu não conseguiria, com a timidez que tenho, mas porque o Didi é uma criança eterna. E essa criança, que me apareceu como inspiração no dia em que escrevi o meu primeiro esquete para a televisão, na TV Ceará, em 1960, virou meu amigo imaginário. Aprendi com ele um pensamento: “Se escorregar, equilibre-se; se cair, levante-se rápido; se esbarrar num obstáculo, contorne-o; só não desista, nunca; tente outra vez: atire seu coração sobre um projeto e seu corpo irá junto.”

Este livro é uma forma de saciar a curiosidade que as pessoas – os amigos que fiz ao longo da estrada, amigos que me tratam com o carinho de fãs – possam ter sobre o percurso que venho fazendo. O homem já foi à Lua, manda satélites para Marte e para outros planetas. Não seria melhor fazer uma viagem para dentro de si mesmo? Bom, esta é uma viagem para dentro de mim. Uma viagem feita de saudades, memórias e muita gratidão. Mas uma viagem com um cuidado: “Quem muito comenta o passado se esquece do presente e nada tem a fazer no futuro.” Ainda tenho muito que fazer. Estou hoje com 82 anos, mas há muito caminho pela frente.

Prazer, sou Antonio Renato Aragão e esta é uma parte das minhas recordações. Bem-vindo à minha história.

Renato Aragão

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Rodrigo Fonseca

Sobre o autor

Rodrigo Fonseca

Carioca de Bonsucesso, formado pela UFRJ, Rodrigo Fonseca é crítico de cinema e roteirista. Escreve séries e programas na TV Globo, entre os quais Os Trapalhões. Entrevista cineastas e estrelas das telas para o site Omelete e analisa seus filmes no blog P de Pop, do jornal O Estado de S. Paulo, e no portal Almanaque Virtual. Dá aulas de História do Cinema na Escola Darcy Ribeiro e na Academia Internacional de Cinema (AIC). Publicou sete livros sobre audiovisual e o romance Como era triste a chinesa de Godard.

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