LIDERANÇA

O que um monge pode ensinar a um executivo sobre liderança?

O que um monge pode ensinar a um executivo sobre liderança?

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O que um monge pode ensinar a um executivo sobre liderança?

Confira as lições de “O monge e o executivo” sobre a essência da liderança. O livro, que já vendeu mais de 3,5 milhões de exemplares no país, é uma das principais referências sobre o tema

Segundo James C. Hunter, um líder eficiente é “aquele que desenvolve as habilidades e as qualidades morais que o capacitam a inspirar e influenciar um grupo de pessoas”. É justamente sobre a complexa formação dessa figura que O monge e o executivo se concentra. Num primeiro momento, o autor parece ostentar uma visão excessivamente romântica da função, especialmente ao dizer que a liderança tem a ver com “amar as pessoas de verdade, identificando e satisfazendo suas necessidades legítimas”. Mas a leitura logo suplanta a sensação: não há ingenuidade, mas, sim, uma proposição concreta sobre a eficiência e as relações dos chefes com sua equipe. “O teste definitivo da liderança é saber se, depois de algum tempo sob o comando de um líder, as pessoas saem da experiência melhores do que eram antes”, completa. Para muitos trabalhadores, a herança positiva de uma relação do tipo parece distante. 

O que torna um livro campeão de vendas?

Desde o lançamento, em 2005, foram mais de 3,5 milhões de livros vendidos no Brasil, o que transformou O monge e o executivo num invejável campeão de vendas. Ao falar sobre o sucesso do título no país, Hunter arremata: para ele, isso “demonstra claramente que os brasileiros estão querendo mais de seus líderes”. O autor está certo, não está?  

O título faz referência ao seu encontro com Leonard Hoffman, ex-executivo de uma das maiores empresas dos Estados Unidos, que trocou a carreira para se tornar frade num mosteiro. No processo, ele mudou de nome, passando a ser identificado como irmão Simeão. Vasculhando artigos em revistas, Hunter encontrou uma matéria, publicada no fim dos anos 1980, que narrava o sumiço do então empresário: aos 60 e poucos anos, ele se demitiu da empresa meses após a morte de sua esposa em consequência de um aneurisma cerebral. 

A soma dos diferentes

Os dois se conhecem num momento delicado para Hunter, que, às voltas com problemas na vida profissional e familiar, busca ajuda num retiro. O encontro com irmão Simeão, dono “dos olhos mais acolhedores e cheios de compaixão que eu já vira”, o fez repensar inúmeros valores e decisões. A sensível troca entre eles, durante os setes dias em que compartilharam princípios de liderança, é a razão de ser do livro. 

O tema é abordado numa linguagem simples, que realça a conversa e aproxima o mundo corporativo das relações humanas mais básicas. Não à toa, uma das primeiras lições de Simeão a Hunter tem a ver com a prática de uma escuta atenta: “Ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver”. 

Em outro momento, o monge afirma que sempre que duas ou mais pessoas se reúnem com um propósito há uma oportunidade de exercer a liderança. O que torna a tarefa tão complexa é que cada líder deve tomar decisões pessoais sobre a aplicação destes princípios a suas vidas, o que requer uma enorme doação pessoal. 

O tempo todo, o monge sublinha o dever de conduzir um grupo de pessoas tão diferentes, num exercício de gestão que exige cuidado e sensibilidade, características escassas, segundo ele: “Eu me admirava, quando estava no mercado de trabalho, ao constatar a forma displicente e até petulante com que os líderes desempenhavam essa responsabilidade. Há muita coisa em jogo e as pessoas contam com vocês”, afirma Simeão, dimensionando o papel do líder aos olhos de Hunter, que admite jamais ter pensado sobre o impacto de suas ações na vida das outras pessoas.

Esse é a apenas o primeiro fio de consciência que ele recupera sobre seu ofício. Abaixo, você conhece outros ensinamentos da conversa entre O monge e o executivo

1 – Para Simeão, compreender como se desenvolve a influência de um líder em sua equipe pressupõe refletir sobre a diferença entre poder e autoridade. A primeira palavra, segundo o monge, diz respeito à “faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer”. Já autoridade é “a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal”. Ele insiste: autoridade tem a ver com quem você é como pessoa, com seu caráter e com a influência que estabelece sobre as pessoas. 

2 – Outra lição do monge foca na harmonia necessária entre entrega das tarefas e relacionamento.  “Liderar é conseguir que as coisas sejam feitas pelas pessoas. Ao trabalhar com pessoas e conseguir que as coisas se façam por elas, sempre haverá duas dinâmicas em jogo – a tarefa e o relacionamento. É comum o líder perder o equilíbrio, concentrando-se apenas em uma das dinâmicas em detrimento da outra”, afirma. 

Ele também enfatiza que a chave é executar as tarefas enquanto se constroem relacionamentos saudáveis, o que inclui toda a rede que envolve o trabalho, dos diretores e fornecedores, passando pelo principal: os clientes. “Se nossos clientes nos deixam e vão para os concorrentes, temos um problema de relacionamento. Não estamos identificando nem satisfazendo suas legítimas necessidades. E a regra número um dos negócios é: se não correspondermos às necessidades de nossos clientes, alguém o fará”. 

3 – O monge também dá uma lição sobre dinheiro ao dizer que há um consenso de que ele é importante, mas que existem outros valores que são considerados até mais valiosos. Essa noção é essencial para se pensar na maneira de lidar com colaboradores. Afinal, não adianta pagar um bom salário e ignorar os pormenores de uma troca confiável entre o líder e o grupo.  “As pesquisas feitas neste país durante décadas sobre o que as pessoas mais esperam de suas organizações mostraram sempre o dinheiro no quarto ou quinto lugar da lista. O tratamento digno e respeitoso, a capacidade de contribuir para o sucesso da organização e o sentimento de participação sempre apareceram acima do dinheiro. Infelizmente, a maioria dos líderes optou por não acreditar nas pesquisas”, lamenta.

4 – Simeão recorre a personagens históricos como Jesus e Gandhi para exemplificar como a liderança prescinde de algum tipo de sacrifício. Para ele, a construção da autoridade é realizada “sempre que servimos aos outros e nos sacrificamos por eles. O papel da liderança é servir, isto é, identificar e satisfazer as necessidades legítimas. Nesse pro cesso de satisfazer necessidades será preciso frequentemente fazer sacrifícios por aqueles a quem servimos”. A balança entre serviço e sacrifício é definida pela vontade, uma soma de intenção e ação: “Só quando nossas ações estiverem de acordo com nossas intenções é que nos tornaremos pessoas harmoniosas e líderes coerentes”.

5 – Outra preciosidade lançada por Simeão envolve aproximar a ideia de amor, com base nas definições registradas no Novo Testamento, da de liderança. No texto bíblico, é usado o termo grego ágape para falar de um amor cujo significado é traduzido pelo comportamento e pela escolha. A epístola aos Coríntio diz que o amor “é paciente, bom, não se gaba nem é arrogante, não se comporta inconvenientemente, não quer tudo só para si, não condena por causa de um erro cometido, não se regozija com a maldade, mas com a verdade, suporta todas as coisas, aguenta tudo. O amor nunca falha”. Para o monge, ágape e liderança são sinônimos. “Amor não é como nos sentimos a respeito dos outros, mas como nos comportamos com os outros”, sintetiza.

Este post foi escrito por:

Filipe Isensee

Filipe é jornalista, especialista em jornalismo cultural e mestrando do curso de Cinema e Audiovisual da UFF. Nasceu em Salvador, foi criado em Belo Horizonte e há oito anos mora no Rio de Janeiro, onde passou pelas redações dos jornais Extra e O Globo. Gosta de escrever: roteiros, dramaturgias, outras prosas e alguns poucos versos estão em seu radar.

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Filipe Isensee

Filipe é jornalista, especialista em jornalismo cultural e mestrando do curso de Cinema e Audiovisual da UFF. Nasceu em Salvador, foi criado em Belo Horizonte e há oito anos mora no Rio de Janeiro, onde passou pelas redações dos jornais Extra e O Globo. Gosta de escrever: roteiros, dramaturgias, outras prosas e alguns poucos versos estão em seu radar.

Livro

James C. Hunter

Consultor-chefe da J. D. Associados, uma empresa de consultoria de relações de trabalho e treinamento. Com mais de 20 anos de experiência, Hunter é muito solicitado como instrutor e palestrante, principalmente nas áreas de liderança funcional e organização de grupos comunitários. Atualmente, ele mora em Michigan com a esposa e a filha.

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Livro

Você está convidado a juntar-se a um grupo que durante uma semana vai estudar com um dos maiores especialistas em liderança dos Estados Unidos. Leonard Hoffman, um famoso empresário que abandonou sua brilhante carreira para se tornar monge em um mosteiro beneditino, é o personagem central desta envolvente história criada por James C. Hunter para […]

James C. Hunter

Consultor-chefe da J. D. Associados, uma empresa de consultoria de relações de trabalho e treinamento. Com mais de 20 anos de experiência, Hunter é muito solicitado como instrutor e palestrante, principalmente nas áreas de liderança funcional e organização de grupos comunitários. Atualmente, ele mora em Michigan com a esposa e a filha.

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