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101 atrações de TV que sintonizaram o Brasil: livro mistura memória e nostalgia em bela homenagem à televisão nacional

101 atrações de TV que sintonizaram o Brasil: livro mistura memória e nostalgia em bela homenagem à televisão nacional

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101 atrações de TV que sintonizaram o Brasil: livro mistura memória e nostalgia em  bela homenagem à televisão nacional

Pessoas há mais de 3 horas na fila apesar do frio incessante. Estádio lotado. Tensão à flor da pele. Verdadeiras torcidas organizadas gritando desesperadamente o nome dos ídolos, esperando os minutos para a entrada no palco principal. Lendo a descrição da situação, tudo faz parecer uma final de Copa do Mundo, correto? No entanto, este foi o cenário que esperava os atores de Avenida Brasil na exibição do último episódio da novela na…Argentina. O clima de euforia que rodeava o Luna Park, em Buenos Aires, foi um recorte do sucesso da novela criada por João Emanuel Carneiro. Fenômeno global, a novela protagonizada por Cauã Reymond, Adriana Esteves, Débora Falabella, Murilo Benício e grande elenco fecha com chave de ouro o livro 101 atrações de TV que sintonizaram o Brasil, da jornalista Patrícia Kogut.

Com imagens raras de arquivo e acompanhadas de uma contextualização das atrações selecionadas, o livro passeia pelo que há de melhor do veículo desde que estreou no Brasil, em 1950. Entre as atrações selecionadas por Kogut estão novelas, séries, programas de humor e de esporte que marcaram época e influenciaram a forma como se pensa, vê e comenta TV no país. A tarefa de pinçar a dedo produções em meio a quase 70 anos de história da televisão brasileira não é nada fácil, e Patrícia é sem dúvidas umas das pessoas mais competentes para realizar tal tarefa. No entanto, o principal trunfo de 101 atrações de TV que sintonizaram o Brasil vai além das listas e curiosidades elencadas pela autora; é um painel que reúne uma breve demonstração da importância da TV para a formação econômica, social e cultural do país ao longo das décadas.

Quando a primeira transmissão nacional foi ao ar pela primeira vez em 18 de setembro de 1950, predominava no Brasil uma população rural, voltada ao trabalho do campo e uma vida simples, com quase nenhuma tecnologia à disposição, com exceção dos aparelhos de rádio. Fruto de um sonho praticamente impossível do pioneiro da comunicação Assis Chateaubriand, a transmissão televisiva em território nasceu em São Paulo, pela TV Tupi, e foi ganhando força ao longo das décadas até se transformar no que é considerada a principal indústria cultural do país. Se em um primeiro momento as transmissões reproduziam a linguagem do rádio, veículo já consolidado e principal fonte de informação e entretenimento dos brasileiros, aos poucos a televisão foi criando uma linguagem própria, com talentos vindos naturalmente do meio radiofônico. Assim, como Patrícia Kogut mostra com competência no livro, a televisão abriu espaço para talentos como roteiristas como Janete Clair, Dias Gomes e cantoras como Hebe Camargo que, apesar de já serem nomes conhecidos de muita gente, se consolidaram na TV como grandes expoentes da dramaturgia e entretenimento no veículo em ascenção.

As décadas de 60 e 70 foram marcadas pela consolidação da televisão e sua transformação em massa dos meios de comunicação do país, com a criação de programas como os festivais da Música Popular Brasileira, transmissões de eventos como Copas do Mundo e a chegada do homem à Lua, produções icônicas como Irmãos Coragem, O Bem Amado, Fantástico e O Profeta, além da exibição de seriados estrangeiros – os chamados enlatados – como National Kid, A Mulher biônica, Agente 86 e Jeannie é um gênio. Nas décadas seguintes, a televisão era campeã absoluta de audiência e escolhida como principal companhia do brasileiro em seu dia a dia. De uns anos para cá, aprendemos a exportar nossa principal joia: Avenida Brasil, licenciada para 150 países e dublada em 19 línguas, é o último exemplo de sucesso além-mar, mostrando que a televisão brasileira ultrapassou todas as fronteiras possíveis, construindo uma linguagem única e adorada por milhares de pessoas ao redor do mundo.

Acompanhar o surgimento e desenvolvimento da televisão brasileira pelos olhos de quem a conhece tão bem é uma oportunidade única de conhecer mais a fundo os personagens, diretores, roteiristas, atores e personalidades que estiveram por trás de grandes momentos da televisão. Mais do que um livro informativo, 101 atrações de TV que sintonizaram o Brasil é um passeio pelo entretenimento e a cultura do país, em um grande exercício de memória, nostalgia e homenagem àqueles momentos que marcaram para sempre nossas vidas.

Confira a entrevista de Patrícia Kogut à TV PUC-Rio

Este post foi escrito por:

Filipe Isensee

Filipe é jornalista, especialista em jornalismo cultural e mestrando do curso de Cinema e Audiovisual da UFF. Nasceu em Salvador, foi criado em Belo Horizonte e há oito anos mora no Rio de Janeiro, onde passou pelas redações dos jornais Extra e O Globo. Gosta de escrever: roteiros, dramaturgias, outras prosas e alguns poucos versos estão em seu radar.

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Filipe Isensee

Filipe é jornalista, especialista em jornalismo cultural e mestrando do curso de Cinema e Audiovisual da UFF. Nasceu em Salvador, foi criado em Belo Horizonte e há oito anos mora no Rio de Janeiro, onde passou pelas redações dos jornais Extra e O Globo. Gosta de escrever: roteiros, dramaturgias, outras prosas e alguns poucos versos estão em seu radar.

Tags: TV
Livro

Patrícia Kogut

Carioca, estudou Letras e Comunicação Social na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Foi professora de inglês e francês antes de começar a carreira de jornalista em 1985 na Bloch Editores, onde trabalhou nas revistas Fatos, Pais & Filhos e Desfile. Em 1995, tornou-se repórter de televisão do jornal O Globo e, depois, editora da “Revista da TV”. Desde 1998, faz a coluna diária especializada em televisão que há anos leva o seu nome no Segundo Caderno do Globo. É também titular de um site sobre o mesmo tema, campeão de audiência. É a crítica de televisão há mais tempo em atividade na imprensa brasileira. Foi pioneira na cobertura da televisão por assinatura no Brasil, tendo sido titular de uma coluna semanal sobre o tema. Acompanhou o nascimento da chamada Era de Ouro da televisão americana, desde que as séries de TV se sofisticaram a ponto de atrair astros e estrelas do cinema. Entrevistou grandes profissionais da TV do Brasil e do mundo, e, assim, em todos esses anos, pôde ser testemunha privilegiada das revoluções por que passou a televisão aqui e lá fora. Fruto desse olhar tão respeitado, este é seu primeiro livro.

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Livro

Jorge Caldeira

Nasceu em São Paulo, em 1955. É doutor em Ciência Política, mestre em Sociologia e bacharel em Ciências Sociais (FFLCH–USP). Sóciofundador da Mameluco Edições e Produções Culturais, é escritor e possui ampla experiência profissional na área jornalística e editorial. Foi publisher da revista Bravo!, consultor do projeto Brasil 500 Anos, da Rede Globo de Televisão, editor-executivo da revista Exame, editor do caderno Ilustrada e da Revista da Folha, do jornal Folha de S.Paulo, editor de economia da revista IstoÉ e editor da revista Estudos Cebrap. É autor de Noel Rosa: de costas para o mar(Brasiliense), Mauá: empresário do Império e Viagem pela história do Brasil (Companhia das Letras), A nação mercantilista e Ronaldo: glória e drama no futebol globalizado (Editora 34), O banqueiro do sertãoA construção do samba e História do Brasil com empreendedores (Mameluco), além de organizador dos volumes Diogo Antônio Feijó e José Bonifácio de Andrada e Silva, que integram a coleção Formadores do Brasil (Lance!/Editora 34), e do livro Brasil: a história contada por quem viu (Mameluco). Ocupa a cadeira nº 18 da Academia Paulista de Letras.

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Livro

Nelson Motta

Nasceu em São Paulo, em 1944, estudou design, mas começou como jornalista e crítico musical aos 20 anos. Em 1966 ganhou o I Festival Internacional da Canção com “Saveiros” (com Dori Caymmi). É letrista de 300 músicas e sucessos como “Dancin’ days” e “Como uma onda” (com Lulu Santos). Produziu discos de Elis Regina e Marisa Monte, escreveu os best-sellers Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia, Noites tropicais: solos, improvisos e memórias musicais e O canto da sereia, e o sucesso teatral Elis, a musical (com Patricia Andrade

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Desde o primeiro beijo na boca transmitido pela Tupi, em 1951, até Avenida Brasil, em 2012, a última novela a hipnotizar o país, a TV brasileira não parou de evoluir. Quase 70 anos depois de sua primeira transmissão, segue emocionando, lançando moda e revelando talentos.   Passear pela história da TV brasileira, de seus criadores […]

Patrícia Kogut

Carioca, estudou Letras e Comunicação Social na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Foi professora de inglês e francês antes de começar a carreira de jornalista em 1985 na Bloch Editores, onde trabalhou nas revistas Fatos, Pais & Filhos e Desfile. Em 1995, tornou-se repórter de televisão do jornal O Globo e, depois, editora da “Revista da TV”. Desde 1998, faz a coluna diária especializada em televisão que há anos leva o seu nome no Segundo Caderno do Globo. É também titular de um site sobre o mesmo tema, campeão de audiência. É a crítica de televisão há mais tempo em atividade na imprensa brasileira. Foi pioneira na cobertura da televisão por assinatura no Brasil, tendo sido titular de uma coluna semanal sobre o tema. Acompanhou o nascimento da chamada Era de Ouro da televisão americana, desde que as séries de TV se sofisticaram a ponto de atrair astros e estrelas do cinema. Entrevistou grandes profissionais da TV do Brasil e do mundo, e, assim, em todos esses anos, pôde ser testemunha privilegiada das revoluções por que passou a televisão aqui e lá fora. Fruto desse olhar tão respeitado, este é seu primeiro livro.

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“A coleção Brasil 101 quer ser um espelho, refletindo não apenas o país que se vê, mas também a nação que não se enxerga. E é Jorge Caldeira que a inaugura. Se a lista de personagens o deixar um tanto desorientado, não se preocupe: isso é só porque não sabemos quase nada de nossa história […]

Jorge Caldeira

Nasceu em São Paulo, em 1955. É doutor em Ciência Política, mestre em Sociologia e bacharel em Ciências Sociais (FFLCH–USP). Sóciofundador da Mameluco Edições e Produções Culturais, é escritor e possui ampla experiência profissional na área jornalística e editorial. Foi publisher da revista Bravo!, consultor do projeto Brasil 500 Anos, da Rede Globo de Televisão, editor-executivo da revista Exame, editor do caderno Ilustrada e da Revista da Folha, do jornal Folha de S.Paulo, editor de economia da revista IstoÉ e editor da revista Estudos Cebrap. É autor de Noel Rosa: de costas para o mar(Brasiliense), Mauá: empresário do Império e Viagem pela história do Brasil (Companhia das Letras), A nação mercantilista e Ronaldo: glória e drama no futebol globalizado (Editora 34), O banqueiro do sertãoA construção do samba e História do Brasil com empreendedores (Mameluco), além de organizador dos volumes Diogo Antônio Feijó e José Bonifácio de Andrada e Silva, que integram a coleção Formadores do Brasil (Lance!/Editora 34), e do livro Brasil: a história contada por quem viu (Mameluco). Ocupa a cadeira nº 18 da Academia Paulista de Letras.

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Este livro é uma trilha sonora da História do Brasil. Quando a última letra se vai e vira-se a derradeira página, os sons ainda ecoam, convidando o leitor a entrar na parceria e recordar a trilha sonora de sua própria vida. – Eduardo Bueno, curador da Coleção 101 e autor da Coleção Brasilis   Seguindo […]

Nelson Motta

Nasceu em São Paulo, em 1944, estudou design, mas começou como jornalista e crítico musical aos 20 anos. Em 1966 ganhou o I Festival Internacional da Canção com “Saveiros” (com Dori Caymmi). É letrista de 300 músicas e sucessos como “Dancin’ days” e “Como uma onda” (com Lulu Santos). Produziu discos de Elis Regina e Marisa Monte, escreveu os best-sellers Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia, Noites tropicais: solos, improvisos e memórias musicais e O canto da sereia, e o sucesso teatral Elis, a musical (com Patricia Andrade

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