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Siga o dinheiro: dez curiosidades do livro “Sérgio Cabral: o homem que queria ser rei”

Siga o dinheiro: dez curiosidades do livro “Sérgio Cabral: o homem que queria ser rei”

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Siga o dinheiro: dez curiosidades do livro “Sérgio Cabral: o homem que queria ser rei”

A carreira na política, ascendente e falsamente sólida, o levou a ser deputado estadual, senador e governador do Rio de Janeiro. O pai – também Sérgio Cabral – o imaginava como presidente da república. Talvez ele mesmo guardasse a ambição e sonhasse com o poder do mais alto cargo executivo do país. Se houve planos nesse sentido, hoje eles soam como devaneio amargo. A pontuação da vida foi sensivelmente diferente. Registrado pela imprensa, o tombo se deu em novembro de 2016, quando Serginho foi preso num desdobramento da Operação Lava Jato. Do auge à queda, essa história é contada em Sérgio Cabral: o homem que queria ser rei, escrito pelo jornalista Hudson Corrêa.

O livro se destaca não só pela amarração precisa de fatos noticiados pela imprensa, mas também por apresentar detalhes inéditos ou ainda pouco explorados. A costura é feita a partir de um princípio, famoso no jornalismo desde a cobertura do caso Watergate, que culminou na renúncia do presidente Richard Nixon: “siga o dinheiro”. Ele deixa rastro. De dólar em dólar, ou de real em real, a justiça descobriu Cabral. Confira algumas curiosidades.

1) Prazer, meu nome é Riqueza

Era esse o apelido de Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral. Riqueza era apaixonada por joias e o marido, sabendo disso, caprichava nos mimos. Um deles – um brinco de ouro com diamante amarelo, adquirido em abril de 2013 – havia custado 1,824 milhão de reais.

2) Riqueza mesmo é andar de helicóptero

Para ostentar a vida luxuosa, o ´céu era o limite. Riqueza (Adriana Ancelmo) não sofria no trânsito conturbado do Rio de Janeiro. Segundo levantamento da Promotoria de Justiça, entre 2007 e 2014, a primeira-dama viajou 220 vezes sozinhas de helicóptero, num total de 190 horas de voo. Era comum também que ela embarcasse com os dois filhos pequenos, a babá e o cachorro rumo a Mangaratiba, onde passava o fim de semana. Juntos, Cabral e Adriana Ancelmo foram responsáveis por 2.281 voos particulares, sem o menor interesse público.

3) Regalias na prisão

Preso numa cela da cadeia de Benfica, Sérgio Cabral levava uma vida com algumas regalias. Isso ficou evidente em novembro de 2017 – mais de um ano após ser preso -, quando promotores e agentes federais inspecionaram a cela. “Ele guardava um cooler improvisado, feito com caixa de papelão e balde cheio de gelo para conservar alimentos. A tampa tinha seu nome escrito e dentro havia uma variedade de queijos, todos apreendidos. Além de proibidos no sistema penitenciário, certamente não passaram pela revista dos guardas porque as embalagens permaneciam lacradas”, relata Corrêa.

4) “Tal pai, tal filho”

O slogan criado pelo escritor mineiro Fernando Sabino foi explorado por Sérgio Cabral na campanha para deputado estadual em 1990. Naquela eleição, 11.349 pessoas o elegeram. Quatro anos depois, ele se beneficiou da suspeita de compra de árbitros para favorecer times no campeonato estadual ao criar e presidir a CPI do Apito. Um estouro na época. Resultado: conquistou a reeleição, sendo o deputado mais votado do Rio, escolhido por 168 mil eleitores.

5) Patriônio modesto

Nas eleições para prefeito, em 1996, ele declarou possuir um patrimônio modesto: um apartamento de 460 mil reais financiado de 60 vezes (com a primeira prestação paga em julho de 1993), duas linhas telefônicas e um Volkswagen Santana 2000, de 18 mil reais.

6) O caso de amor entre Cabral e Riqueza

Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo se conheceram em março de 2001. Ela era funcionária da Assembleia, da qual ele era presidente. Os dois tiveram um caso, oficializaram o namoro em junho e, em agosto, ela descobriu estar grávida de um menino.

7) Dinheiro sujo para limpar a alma

Em um dos processos da Lava Jato, o presidente da Andrade Gutierrez – uma das construtoras investigadas pela Lava Jato – recordou uma conversa que teve com o então governador. Nela, Sérgio Cabral prometeu contratos milionários, mas queria a propina adiantada. Ele exigia repasse mensal de 350 mil reais, uma espécie de mesada. O primeiro adiantamento ocorreu em maio de 2007.

8) Mesada para a família toda

A família lucrava com a propina arrecadada por Sérgio Cabral. Em delação à Lava Jato, em 2017, Carlos Miranda – economista e responsável por fazer o imposto de renda de Cabral – assumiu ser o “gerente financeiro da organização criminosa chefiada por Sérgio”. No depoimento, Miranda disse que entregava dinheiro vivo aos pais de Serginho, Magaly e Sérgio Cabral. A mesada chegaria a 100 mil reais em 2013 e 2014, já no final do governo. A irmã do governador, Cláudia Cabral, recebia 25 mil reais. Os filhos também estavam no pacote, assim como o irmão Maurício, que ganhou 240 mil de presente para sua agência de publicidade.

9)   Eike luxo!

Corrêa conta que o empresário Eike Batista era um generoso doador de dinheiro a políticos pelo caixa um, registrado na Justiça Eleitoral. Em 2010, ele deu 4,4 milhões de reais aos comitês financeiros de alguns partidos – a quantia destinada ao PT e ao PSDB era rigorosamente igual. Além disso, contribuiu com 1,65 milhão de reais diretamente a cinco candidatos, sem passar pelos comitês. A campanha de Sérgio Cabral levou 750 mil reais, quase metade do montante.

10)  Sem herdeiro na política

Filho de Sérgio Cabral, Marco Antônio tentou se reeleger deputado federal nas eleições de 2018. A família ajudou financeiramente a campanha. O MDB fez uma doação de 1,6 milhão do fundo especial de campanha. Contudo, o resultado nas urnas foi um fracasso: 19.659 votos, 100 mil a menos que 2014.

Confira a entrevista com Hudson Corrêa

Este post foi escrito por:

Editora Sextante

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Tags: POLÍTICA
Livro

Hudson Corrêa

Jornalista formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Trabalhou na Gazeta Mercantil, no Jornal do Brasil, na Folha de S.Paulo, na Época e no Globo. Ganhou diversas premiações, entre as quais o Premio Latinoamericano de Periodismo sobre Drogas (2012), o prêmio Direitos Humanos da OAB-RS (2016) e o Patrícia Acioli de Direitos Humanos, da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (2017). É coautor de Eleições na estrada (PubliFolha) e Rio sem lei (Geração Editorial).

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Sérgio Cabral Filho foi líder estudantil, deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa, senador, governador e chefe da organização que saqueou os cofres do Rio de Janeiro. Sempre ao lado da mulher, Adriana Ancelmo, a quem carinhosamente chamava de Riqueza, mais do que dinheiro fácil, ele queria uma vida de rei. Conhecido pelo estilo de vida […]

Hudson Corrêa

Jornalista formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Trabalhou na Gazeta Mercantil, no Jornal do Brasil, na Folha de S.Paulo, na Época e no Globo. Ganhou diversas premiações, entre as quais o Premio Latinoamericano de Periodismo sobre Drogas (2012), o prêmio Direitos Humanos da OAB-RS (2016) e o Patrícia Acioli de Direitos Humanos, da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (2017). É coautor de Eleições na estrada (PubliFolha) e Rio sem lei (Geração Editorial).

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