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AUTOAJUDA

A coragem de não agradar

A coragem de não agradar

ICHIRO KISHIMI E FUMITAKE KOGA

Como a filosofia pode ajudar você a se libertar da opinião dos outros, superar suas limitações e se tornar a pessoa que deseja

Como a filosofia pode ajudar você a se libertar da opinião dos outros, superar suas limitações e se tornar a pessoa que deseja

Com mais de 3 milhões de exemplares vendidos, A coragem de não agradar conta uma história capaz de iluminar nosso poder interior e nos permitir ser quem somos.

 

Na periferia de uma cidade milenar vivia um filósofo que ensinava que o mundo era simples e que a felicidade estava ao alcance de todos. Certo dia, um jovem insatisfeito com a vida foi desafiá-lo a provar sua tese.

Inspirado nas ideias de Alfred Adler – um dos expoentes da psicologia ao lado de Sigmund Freud e Carl Jung –, A coragem de não agradar apresenta o debate transformador entre um jovem e um filósofo.

Ao longo de cinco noites, eles discutem temas como autoestima, raiva, autoaceitação e complexo de inferioridade. Aos poucos, fica claro que libertar-se das expectativas alheias e das dúvidas que nos paralisam e encontrar a coragem para mudar está ao alcance de todos.

Assim como nos diálogos de Platão, em que o conhecimento vai sendo construído através do debate, o filósofo oferece ao rapaz as ferramentas necessárias para que ele se torne capaz de se reinventar e de dizer não às limitações impostas por si mesmo e pelos outros.

Com mais de 3 milhões de exemplares vendidos, A coragem de não agradar conta uma história capaz de iluminar nosso poder interior e nos permitir ser quem somos.

 

Na periferia de uma cidade milenar vivia um filósofo que ensinava que o mundo era simples e que a felicidade estava ao alcance de todos. Certo dia, um jovem insatisfeito com a vida foi desafiá-lo a provar sua tese.

Inspirado nas ideias de Alfred Adler – um dos expoentes da psicologia ao lado de Sigmund Freud e Carl Jung –, A coragem de não agradar apresenta o debate transformador entre um jovem e um filósofo.

Ao longo de cinco noites, eles discutem temas como autoestima, raiva, autoaceitação e complexo de inferioridade. Aos poucos, fica claro que libertar-se das expectativas alheias e das dúvidas que nos paralisam e encontrar a coragem para mudar está ao alcance de todos.

Assim como nos diálogos de Platão, em que o conhecimento vai sendo construído através do debate, o filósofo oferece ao rapaz as ferramentas necessárias para que ele se torne capaz de se reinventar e de dizer não às limitações impostas por si mesmo e pelos outros.

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Ficha técnica
Lançamento 05/02/2018
Título original KIRAWARERU YUKI
Tradução IVO KORYTOWSKI
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 272
Peso 250 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0569-7
EAN 9788543105697
Preço R$ 39,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788543105703
Preço R$ 19,99
Ficha técnica audiolivro
ISBN 9788543108476
Duração 06h 58min
Locutor Adriano Pellegrini, Vander de Castro e Sidney Ferreira
Preço R$ 29,99
Lançamento 05/02/2018
Título original KIRAWARERU YUKI
Tradução IVO KORYTOWSKI
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 272
Peso 250 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0569-7
EAN 9788543105697
Preço R$ 39,90

E-book

eISBN 9788543105703
Preço R$ 19,99

Audiolivro

ISBN 9788543108476
Duração 06h 58min
Locutor Adriano Pellegrini, Vander de Castro e Sidney Ferreira
Preço R$ 29,99

Leia um trecho do livro

NOTA DOS AUTORES

Sigmund Freud, Carl Jung e Alfred Adler são gigantes no mundo da psicologia. Este livro é uma destilação das ideias e dos ensinamentos filosóficos e psicológicos de Adler na forma de um diálogo narrativo entre um filósofo e um jovem.

As teorias de Adler têm ampla base de aceitação na Europa e nos Estados Unidos e apresentam respostas simples e diretas à seguinte questão: como ser feliz? A psicologia adleriana talvez detenha a chave desse segredo. Agora vamos acompanhar o jovem e nos aventurar além da “porta”.

______

Na periferia da cidade milenar vivia um
filósofo que ensinava que o mundo era simples e que a felicidade estava ao alcance de todos. Certo dia, um jovem insatisfeito com a vida foi visitar o filósofo para conversar sobre o assunto. Ele achava o mundo um lugar carregado de contradições e, a seus olhos ansiosos, qualquer noção de felicidade era completamente absurda.

INTRODUÇÃO

Jovem: Você acredita mesmo que o mundo é um lugar simples?

Filósofo: Sim, este mundo é espantosamente simples, assim como a própria vida.

Jovem: Este é um argumento idealista? Ou você está falando de uma teoria viável? Ou seja, está dizendo que todos os problemas que você, eu ou qualquer um enfrenta na vida são simples?

Filósofo: Sim, isso mesmo.

Jovem: Tudo bem, mas me deixe explicar por que decidi fazer esta visita. Primeiro, quero debater esse assunto com você até me dar por satisfeito e, depois, se possível, quero fazer você refutar sua própria teoria.

Filósofo: Muito bem, meu jovem!

Jovem: Já ouvi muita coisa a seu respeito. As pessoas dizem que existe um filósofo excêntrico morando aqui e que os ensinamentos e argumentos dele são difíceis de ignorar. Segundo ele, as pessoas podem mudar, o mundo é simples e todos podem ser felizes. Foi isso que ouvi, mas acho esse ponto de vista um tanto descabido, por isso quis confirmar pessoalmente. Se eu considerar que você disse algo absurdo, vou apontar e corrigir… Mas você não vai ficar irritado, vai?

Filósofo: Não, eu ficarei feliz com essa oportunidade. Venho querendo ouvir as ideias de um jovem como você e aprender o máximo possível com o que puder me contar.

Jovem: Obrigado. Não pretendo rejeitar logo de cara tudo o que você tem a dizer. Vou levar seus pontos de vista em consideração e pensar a respeito. Você afirma que o mundo é simples, e a vida, também; mas essa tese só pode ter o mínimo de verdade se for dita por uma criança. As crianças não têm obrigações óbvias, como pagar impostos ou trabalhar. São protegidas pelos pais e pela sociedade e podem passar dias e dias sem qualquer preocupação. Podem imaginar um futuro eterno e fazer o que quiserem. Não precisam encarar uma realidade sombria, pois têm os olhos vendados. Então, para elas, o mundo deve mesmo ser simples. O problema é que, à medida que a criança amadurece e se torna adulta, o mundo revela sua verdadeira natureza. Em pouco tempo, ela vai descobrir como as coisas são de verdade. Sua opinião vai mudar e ela passará a ver apenas impossibilidades. Aquela visão romântica acaba sendo substituída pelo realismo cruel.

Filósofo: Entendi. Interessante.

Jovem: E isso não é tudo. Quando crescer, a criança vai se envolver em relacionamentos complicados e receber todo tipo de responsabilidades. É assim que a vida será para ela no trabalho, em casa ou em qualquer papel que assumir na sociedade. Nem preciso dizer que ela se conscientizará de vários problemas sociais que não compreendia na infância, como a discriminação, a guerra e a desigualdade. Quando se der conta dessas coisas, não será capaz de ignorá-las. Estou errado?

Filósofo: Soa correto para mim. Por favor, continue.

Jovem: Se ainda vivêssemos numa época em que a religião predominava, a salvação poderia ser uma opção, porque os ensinamentos divinos eram a verdade do homem e significavam tudo. Só precisávamos obedecer aos ensinamentos e, consequentemente, tínhamos pouco em que pensar. Mas a religião perdeu o poder e agora não existe mais uma crença real em Deus. Como não temos mais nada em que confiar, estamos cheios de ansiedade e dúvidas. Cada um vive por si. Assim é a sociedade de hoje. Por isso, considerando tudo o que eu disse e sabendo que somos controlados por essa realidade, por favor, me responda: como você pode continuar afirmando que o mundo é simples?

Filósofo: Não mudo nada do que eu disse. O mundo é simples e a vida também.

Jovem: Como assim? Qualquer um vê que o mundo é um caos cheio de contradições.

Filósofo: Mas isso não acontece porque o mundo é complicado. Acontece porque você está transformando o mundo em algo complicado.

Jovem: Estou?

Filósofo: Não vivemos em um mundo objetivo, mas em um mundo subjetivo ao qual damos sentido. O mundo que você vê é diferente daquele que eu vejo e impossível de compartilhar com qualquer pessoa.

Jovem: Como isso é possível? Você e eu estamos vivendo no mesmo país, na mesma época, e estamos vendo as mesmas coisas!

Filósofo: Sim, mas preste atenção: você já bebeu água que acabou de ser tirada do poço?

Jovem: Sim. Faz muito tempo, havia um poço na casa da minha avó, no interior. Eu lembro que gostava de beber aquela água fresquinha nos dias quentes de verão.

Filósofo: Você já deve saber que a água de poço permanece praticamente o ano inteiro na mesma temperatura, 18 graus. Mas quando você bebe a água no verão, ela parece fresca. Já quando bebe a água no inverno, parece morna. Embora seja a mesma água aos mesmos 18 graus que marca o termômetro, sua sensação varia de acordo com a estação do ano.

Jovem: Isso é uma ilusão causada pela mudança da temperatura ambiente.

Filósofo: Não, não é uma ilusão. Para você, naquele momento o frescor ou calor da água é um fato inegável. É isso que significa viver em um mundo subjetivo. A maneira como vemos as coisas é tudo. Neste momento, o mundo lhe parece um caos complicado e misterioso, mas, se você puder mudar seu modo de pensar, ele parecerá simples. Não se trata de como o mundo é, mas de como você é.

Jovem: Como eu sou?

Filósofo: Imagino que, para você, é tão natural enxergar o mundo através de óculos de sol que tudo acaba parecendo escuro. Se é isso, em vez de lamentar a escuridão do mundo, você poderia tirar os óculos. Talvez o mundo pareça terrivelmente brilhante e você acabe fechando os olhos sem querer, ou talvez queira colocar os óculos de volta… Mas será que consegue tirá-los, para começo de conversa? Consegue olhar direto para o mundo, sem filtro? Você tem essa coragem?

Jovem: Coragem?

Filósofo: Sim, é uma questão de coragem.

Jovem: Humm… Tudo bem. Posso fazer um monte de ressalvas a isso, mas tenho a impressão de que é melhor deixar para depois. Por ora, prefiro confirmar: você está sugerindo que as pessoas podem mudar, é isso? Se eu posso mudar, o mundo mudará e voltará a ser simples.

Filósofo: Claro que as pessoas podem mudar e, assim, encontrar a felicidade.

Jovem: Todas as pessoas, sem exceção?

Filósofo: Absolutamente nenhuma exceção. E todas podem encontrar a felicidade agora mesmo.

Jovem: A conversa está ficando interessante. Já tenho muitos questionamentos para fazer.

Filósofo: Não vou fugir nem esconder nada. Vamos discutir tudo com calma. Então você acredita que as pessoas não conseguem mudar?

Jovem: Exatamente. Na verdade, eu mesmo sofro por não conseguir mudar.

Filósofo: E, ao mesmo tempo, você gostaria de conseguir.

Jovem: Claro. Se eu conseguisse mudar, se pudesse recomeçar minha vida, eu daria o braço a torcer e me ajoelharia aos seus pés com o maior prazer. Mas, no fim, talvez seja você quem acabe se ajoelhando diante de mim.

Filósofo: Tudo bem. Nossa conversa vai ser ótima. Você me faz lembrar de mim mesmo na época de estudante, quando eu era um jovem audacioso em busca da verdade, percorrendo a cidade atrás de filósofos.

Jovem: Sim, estou à procura da verdade… A verdade sobre a vida.

Filósofo: Nunca senti necessidade de ter discípulos e nunca os tive. Porém, desde que me tornei um estudioso da filosofia grega e, mais tarde, entrei em contato com “outra filosofia”, sinto que, no fundo, venho esperando há muito tempo pela visita de um jovem como você.

Jovem: Outra filosofia? Qual?

Filósofo: Bem, meu gabinete é logo ali. Entre. Será uma longa noite. Vou fazer um café.

NOTA DOS AUTORES

Sigmund Freud, Carl Jung e Alfred Adler são gigantes no mundo da psicologia. Este livro é uma destilação das ideias e dos ensinamentos filosóficos e psicológicos de Adler na forma de um diálogo narrativo entre um filósofo e um jovem.

As teorias de Adler têm ampla base de aceitação na Europa e nos Estados Unidos e apresentam respostas simples e diretas à seguinte questão: como ser feliz? A psicologia adleriana talvez detenha a chave desse segredo. Agora vamos acompanhar o jovem e nos aventurar além da “porta”.

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Na periferia da cidade milenar vivia um
filósofo que ensinava que o mundo era simples e que a felicidade estava ao alcance de todos. Certo dia, um jovem insatisfeito com a vida foi visitar o filósofo para conversar sobre o assunto. Ele achava o mundo um lugar carregado de contradições e, a seus olhos ansiosos, qualquer noção de felicidade era completamente absurda.

INTRODUÇÃO

Jovem: Você acredita mesmo que o mundo é um lugar simples?

Filósofo: Sim, este mundo é espantosamente simples, assim como a própria vida.

Jovem: Este é um argumento idealista? Ou você está falando de uma teoria viável? Ou seja, está dizendo que todos os problemas que você, eu ou qualquer um enfrenta na vida são simples?

Filósofo: Sim, isso mesmo.

Jovem: Tudo bem, mas me deixe explicar por que decidi fazer esta visita. Primeiro, quero debater esse assunto com você até me dar por satisfeito e, depois, se possível, quero fazer você refutar sua própria teoria.

Filósofo: Muito bem, meu jovem!

Jovem: Já ouvi muita coisa a seu respeito. As pessoas dizem que existe um filósofo excêntrico morando aqui e que os ensinamentos e argumentos dele são difíceis de ignorar. Segundo ele, as pessoas podem mudar, o mundo é simples e todos podem ser felizes. Foi isso que ouvi, mas acho esse ponto de vista um tanto descabido, por isso quis confirmar pessoalmente. Se eu considerar que você disse algo absurdo, vou apontar e corrigir… Mas você não vai ficar irritado, vai?

Filósofo: Não, eu ficarei feliz com essa oportunidade. Venho querendo ouvir as ideias de um jovem como você e aprender o máximo possível com o que puder me contar.

Jovem: Obrigado. Não pretendo rejeitar logo de cara tudo o que você tem a dizer. Vou levar seus pontos de vista em consideração e pensar a respeito. Você afirma que o mundo é simples, e a vida, também; mas essa tese só pode ter o mínimo de verdade se for dita por uma criança. As crianças não têm obrigações óbvias, como pagar impostos ou trabalhar. São protegidas pelos pais e pela sociedade e podem passar dias e dias sem qualquer preocupação. Podem imaginar um futuro eterno e fazer o que quiserem. Não precisam encarar uma realidade sombria, pois têm os olhos vendados. Então, para elas, o mundo deve mesmo ser simples. O problema é que, à medida que a criança amadurece e se torna adulta, o mundo revela sua verdadeira natureza. Em pouco tempo, ela vai descobrir como as coisas são de verdade. Sua opinião vai mudar e ela passará a ver apenas impossibilidades. Aquela visão romântica acaba sendo substituída pelo realismo cruel.

Filósofo: Entendi. Interessante.

Jovem: E isso não é tudo. Quando crescer, a criança vai se envolver em relacionamentos complicados e receber todo tipo de responsabilidades. É assim que a vida será para ela no trabalho, em casa ou em qualquer papel que assumir na sociedade. Nem preciso dizer que ela se conscientizará de vários problemas sociais que não compreendia na infância, como a discriminação, a guerra e a desigualdade. Quando se der conta dessas coisas, não será capaz de ignorá-las. Estou errado?

Filósofo: Soa correto para mim. Por favor, continue.

Jovem: Se ainda vivêssemos numa época em que a religião predominava, a salvação poderia ser uma opção, porque os ensinamentos divinos eram a verdade do homem e significavam tudo. Só precisávamos obedecer aos ensinamentos e, consequentemente, tínhamos pouco em que pensar. Mas a religião perdeu o poder e agora não existe mais uma crença real em Deus. Como não temos mais nada em que confiar, estamos cheios de ansiedade e dúvidas. Cada um vive por si. Assim é a sociedade de hoje. Por isso, considerando tudo o que eu disse e sabendo que somos controlados por essa realidade, por favor, me responda: como você pode continuar afirmando que o mundo é simples?

Filósofo: Não mudo nada do que eu disse. O mundo é simples e a vida também.

Jovem: Como assim? Qualquer um vê que o mundo é um caos cheio de contradições.

Filósofo: Mas isso não acontece porque o mundo é complicado. Acontece porque você está transformando o mundo em algo complicado.

Jovem: Estou?

Filósofo: Não vivemos em um mundo objetivo, mas em um mundo subjetivo ao qual damos sentido. O mundo que você vê é diferente daquele que eu vejo e impossível de compartilhar com qualquer pessoa.

Jovem: Como isso é possível? Você e eu estamos vivendo no mesmo país, na mesma época, e estamos vendo as mesmas coisas!

Filósofo: Sim, mas preste atenção: você já bebeu água que acabou de ser tirada do poço?

Jovem: Sim. Faz muito tempo, havia um poço na casa da minha avó, no interior. Eu lembro que gostava de beber aquela água fresquinha nos dias quentes de verão.

Filósofo: Você já deve saber que a água de poço permanece praticamente o ano inteiro na mesma temperatura, 18 graus. Mas quando você bebe a água no verão, ela parece fresca. Já quando bebe a água no inverno, parece morna. Embora seja a mesma água aos mesmos 18 graus que marca o termômetro, sua sensação varia de acordo com a estação do ano.

Jovem: Isso é uma ilusão causada pela mudança da temperatura ambiente.

Filósofo: Não, não é uma ilusão. Para você, naquele momento o frescor ou calor da água é um fato inegável. É isso que significa viver em um mundo subjetivo. A maneira como vemos as coisas é tudo. Neste momento, o mundo lhe parece um caos complicado e misterioso, mas, se você puder mudar seu modo de pensar, ele parecerá simples. Não se trata de como o mundo é, mas de como você é.

Jovem: Como eu sou?

Filósofo: Imagino que, para você, é tão natural enxergar o mundo através de óculos de sol que tudo acaba parecendo escuro. Se é isso, em vez de lamentar a escuridão do mundo, você poderia tirar os óculos. Talvez o mundo pareça terrivelmente brilhante e você acabe fechando os olhos sem querer, ou talvez queira colocar os óculos de volta… Mas será que consegue tirá-los, para começo de conversa? Consegue olhar direto para o mundo, sem filtro? Você tem essa coragem?

Jovem: Coragem?

Filósofo: Sim, é uma questão de coragem.

Jovem: Humm… Tudo bem. Posso fazer um monte de ressalvas a isso, mas tenho a impressão de que é melhor deixar para depois. Por ora, prefiro confirmar: você está sugerindo que as pessoas podem mudar, é isso? Se eu posso mudar, o mundo mudará e voltará a ser simples.

Filósofo: Claro que as pessoas podem mudar e, assim, encontrar a felicidade.

Jovem: Todas as pessoas, sem exceção?

Filósofo: Absolutamente nenhuma exceção. E todas podem encontrar a felicidade agora mesmo.

Jovem: A conversa está ficando interessante. Já tenho muitos questionamentos para fazer.

Filósofo: Não vou fugir nem esconder nada. Vamos discutir tudo com calma. Então você acredita que as pessoas não conseguem mudar?

Jovem: Exatamente. Na verdade, eu mesmo sofro por não conseguir mudar.

Filósofo: E, ao mesmo tempo, você gostaria de conseguir.

Jovem: Claro. Se eu conseguisse mudar, se pudesse recomeçar minha vida, eu daria o braço a torcer e me ajoelharia aos seus pés com o maior prazer. Mas, no fim, talvez seja você quem acabe se ajoelhando diante de mim.

Filósofo: Tudo bem. Nossa conversa vai ser ótima. Você me faz lembrar de mim mesmo na época de estudante, quando eu era um jovem audacioso em busca da verdade, percorrendo a cidade atrás de filósofos.

Jovem: Sim, estou à procura da verdade… A verdade sobre a vida.

Filósofo: Nunca senti necessidade de ter discípulos e nunca os tive. Porém, desde que me tornei um estudioso da filosofia grega e, mais tarde, entrei em contato com “outra filosofia”, sinto que, no fundo, venho esperando há muito tempo pela visita de um jovem como você.

Jovem: Outra filosofia? Qual?

Filósofo: Bem, meu gabinete é logo ali. Entre. Será uma longa noite. Vou fazer um café.

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Ichiro Kishimi

Sobre o autor

Ichiro Kishimi

Nasceu em 1956 na cidade de Kyoto, no Japão. É filósofo, especialista em Platão, e psicólogo da linha adleriana. Traduziu para o japonês diversos escritos de Alfred Adler e é autor de vários livros de psicologia e filosofia. Atualmente, é professor na Faculdade Meiji de Medicina Oriental e tem uma clínica particular, além de dar palestras e oferecer aconselhamento para jovens em clínicas psiquiátricas.

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Veja no Blog da Sextante

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