Como curar sua vida - Sextante
Livro
AUTOAJUDA

Como curar sua vida

NICOLE LEPERA

Abandone velhos hábitos, pare de se sabotar e cuide do corpo, da mente e da alma

Abandone velhos hábitos, pare de se sabotar e cuide do corpo, da mente e da alma

 

Primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times

Com uma abordagem inovadora sobre a integração entre o corpo e a mente, a psicóloga Nicole LePera traz uma transformadora visão de temas como trauma, apego, autorresponsabilidade, autocompaixão e resiliência.

“Este livro é sobre compreender a si mesmo. É apenas quando nos entendemos profundamente que podemos nos curar.” – The Minimalists

“Temos muito mais impacto sobre nosso bem-estar mental do que podemos imaginar.

A cura é um processo consciente que pode ser vivido a cada dia por meio de mudanças em nossos hábitos e padrões.” –  Nicole LePera

 

Como psicóloga clínica, Nicole LePera se sentia frustrada com as limitações da terapia tradicional. Querendo mais para seus pacientes, ela desenvolveu uma filosofia unificada de saúde mental, física e espiritual que equipa as pessoas com ferramentas de várias disciplinas para curar a si mesmas.

Depois de experimentar os resultados que mudaram sua vida e de seus pacientes, ela decidiu compartilhar o que havia aprendido com outras pessoas, dando origem à psicologia holística.

Esse novo ramo da psicologia se concentra no poder que cada indivíduo tem de recuperar sua saúde por meio de ações intencionais e, assim, promover mudanças concretas.

Como curar sua vida traz exercícios práticos, histórias reais e estudos científicos que comprovam que nossa saúde é resultado das nossas escolhas – e não apenas do que nossos genes determinam.

Cada um de nós tem a chave para superar problemas físicos, curar feridas emocionais e se comprometer a criar uma vida melhor. Este livro nos mostra como começar a fazer isso agora mesmo.

Compartilhe: Email
Ficha técnica
Lançamento 17/09/2021
Título original How to Do the Work
Tradução Paulo Afonso
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 288
Peso 250 g
Acabamento brochura
ISBN 978-65-5564-199-8
EAN 9786555641998
Preço R$ 49,90
Ficha técnica e-book
eISBN 978-65-5564-200-1
Preço R$ 29,99
Lançamento 17/09/2021
Título original How to Do the Work
Tradução Paulo Afonso
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 288
Peso 250 g
Acabamento brochura
ISBN 978-65-5564-199-8
EAN 9786555641998
Preço R$ 49,90

E-book

eISBN 978-65-5564-200-1
Preço R$ 29,99

Leia um trecho do livro

Nota da autora

Uma longa e rica tradição do trabalho de transcender nossa experiência humana foi transmitida por diferentes mensageiros ao longo do tempo. As antigas tradições herméticas falavam de alquimias misteriosas, enquanto místicos modernos, como George Gurdjieff, incentivam os interessados nessa transcendência a se envolverem mais profundamente no mundo, para alcançar níveis mais elevados de consciência.

Uma abordagem semelhante é usada em treinamentos antirracistas e no desmantelamento da opressão sistêmica, bem como em modelos de recuperação do abuso de substâncias, como os programas de 12 passos. O que todas as variações desse trabalho têm em comum é a busca por uma percepção do Eu e do nosso lugar em nossa comunidade.

O objetivo do meu trabalho é fornecer a você as ferramentas para entender e aproveitar a complexa interconexão entre a mente, o corpo e a alma. Isso promoverá relacionamentos mais profundos, autênticos e significativos com você mesmo, com os outros e com a sociedade de modo geral. O que se segue é a minha jornada. Espero que ela o inspire a encontrar seu próprio caminho em busca da transcendência e da autocura.

 

 

A noite sombria da alma

O despertar transcendental de poetas e místicos costuma ocorrer em lugares bucólicos – no topo de uma montanha, enquanto contemplam o mar aberto, ou à beira de um riacho, por exemplo. O meu aconteceu em uma cabana de madeira no meio de uma floresta, quando me vi soluçando descontroladamente diante de uma tigela de mingau de aveia.

Eu estava de férias no norte do estado de Nova York, junto com minha parceira Lolly, tentando fugir do estresse da Filadélfia.

Durante o café da manhã, fiquei absorta num livro de outro psicólogo, minha versão de leitura leve. O tema? Mães emocionalmente indisponíveis. Enquanto lia – para enriquecimento profissional, ou assim eu pensava –, suas palavras desencadearam em mim uma resposta emocional inesperada e confusa.

“Você está exausta”, disse Lolly. “Precisa dar uma desacelerada. Tente relaxar.”

Ignorei o comentário dela. Eu sabia que não era a única pessoa a me sentir assim. Ouvia reclamações semelhantes de muitos clientes e amigos. Quem não sai da cama de manhã com medo do dia que tem pela frente? Quem não se distrai no trabalho? Quem não se sente distante das pessoas que ama? Quem pode dizer, sinceramente, que não vive em função das férias? Não é o que acontece quando envelhecemos?

Pouco antes dessas férias eu havia “comemorado” meu aniversário de 30 anos e pensei: Então é isso? Mesmo já tendo realizado muitos dos sonhos que eu tinha desde criança – morar na cidade que eu quisesse, ter meu próprio consultório, encontrar um amor –, eu ainda sentia que alguma coisa essencial em meu ser continuava perdida, ou talvez nunca tivesse feito parte de mim. Depois de anos em relacionamentos em que me sentia emocionalmente sozinha, eu enfim conhecera alguém que parecia a pessoa certa, pois era muito diferente de mim. Enquanto eu me mostrava hesitante e muitas vezes desinteressada, Lolly era apaixonada e obstinada. Ela me desafiava de formas que eu achava empolgantes. Eu deveria estar feliz, ou, pelo menos, contente. Em vez disso, eu me sentia fora de mim, distante, sem emoção. Não sentia nada.

Além de tudo, estava com problemas de saúde graves, impossíveis de ignorar. Um deles era uma névoa no cérebro que me consumia de tal forma que às vezes não só me fazia esquecer palavras ou frases como também me dava um branco total. Isso era particularmente preocupante, sobretudo porque também acontecia durante sessões com meus clientes. Problemas intestinais persistentes, que me atormentavam havia anos, começaram a fazer com que eu me sentisse pesada e prostrada. Então, certo dia, desmaiei na casa de uma amiga, deixando todos apavorados.

Então ali, sentada em um lugar tranquilo, numa cadeira de balanço diante da tigela de mingau, senti que minha vida era um imenso vazio. Sem energia, tomada por um desespero existencial, frustrada por não conseguir ajudar meus clientes, irritada com minha incapacidade de cuidar deles e de mim mesma, além de profundamente inibida por uma morosidade intermitente, me vi tomada por uma insatisfação que me fez questionar o sentido de tudo. Em casa, na correria do dia a dia, eu conseguiria mascarar esses sentimentos perturbadores canalizando as energias para ações, como limpar a cozinha, passear com o cachorro ou fazer planos. Sempre em movimento. Quem me olhasse de longe poderia admirar minha alta eficiência. Caso chegasse um pouco mais perto, perceberia que eu movimentava o corpo para me distrair de sentimentos não resolvidos, profundamente enraizados. Mas no meio de uma floresta, sem nada para fazer exceto ler sobre os efeitos duradouros dos traumas de infância, não consegui mais escapar de mim mesma. O livro expunha sentimentos parecidos com os que eu reprimira por tanto tempo em relação à minha mãe e à minha família. Foi como me olhar no espelho. Lá estava eu, nua, sem distrações e muito constrangida com o que via.

Quando olhei para mim mesma com mais honestidade, foi difícil não notar que muitos dos problemas que eu tinha refletiam o que eu via nas dificuldades de minha mãe, mais especificamente na relação dela com seu corpo e suas emoções. Eu a via lutar de várias formas, com dores quase incessantes nos joelhos e nas costas, além de ansiedade e preocupações frequentes. À medida que cresci, fui ficando diferente dela em muitos aspectos. Priorizava os cuidados com o corpo, era fisicamente ativa, fazia exercícios e me alimentava de forma saudável. Aos 20 anos, cheguei a me tornar vegetariana. Após fazer amizade com uma vaca em um santuário de animais, eu não conseguia mais sequer pensar em voltar a comer qualquer tipo de carne. A maior parte de minha dieta passou a girar em torno de carne vegetal ultraprocessada e junk food vegano – principalmente cheesesteaks veganos –, mas pelo menos me importava com o que consumia (exceto quando o assunto era álcool, que eu ainda ingeria em excesso). Porém, às vezes levava esses cuidados ao extremo, fazendo muitas restrições e comendo sem prazer.

Sempre achei que eu não era nada parecida com minha mãe, mas à medida que meus problemas emocionais, e depois físicos, foram se infiltrando em todos os aspectos da minha vida, percebi que era hora de começar a questionar as coisas. Foi essa percepção que me fez chorar em frente a uma tigela de mingau. Havia uma mensagem importante nessa imagem triste e um tanto patética. Aquela reação era tão fora do comum, tão dissonante da minha personalidade típica que eu não poderia ignorar esse sinal. Algo implorava a minha atenção, e, no meio da floresta, eu não tinha onde me esconder. Era hora de ficar cara a cara com meu sofrimento, minha dor, meus traumas e, enfim, meu verdadeiro Eu.

Hoje chamo esse incidente de noite sombria da minha alma, meu fundo do poço. Chegar a esse ponto é quase como uma morte e, em alguns casos, pode de fato aproximar a pessoa do óbito. Como a morte possibilita o renascimento, decidi descobrir o que estava errado. Aquele momento doloroso me trouxe a luz, revelou-me quanto de mim eu havia enterrado. De repente, tudo ficou claro: preciso mudar. Eu não fazia ideia de que tal revelação me levaria a um despertar físico, psicológico e espiritual, e ainda acabaria se tornando um movimento internacional.

Inicialmente, concentrei-me no problema mais urgente: meu corpo. Avaliei meu físico: qual era minha doença e onde ela se manifestava? Eu sabia intuitivamente que o caminho de volta começaria com alimentação e movimento. Assim, pedi a Lolly – a quem chamo de motivadora do meu autoaperfeiçoamento – que me ajudasse a parar de maltratar meu próprio corpo. Na manhã seguinte, ela me fez levantar da cama, colocou halteres em minhas mãos e me forçou a me movimentar junto com ela várias vezes ao dia. Imersas em pesquisas sobre nutrição, descobrimos que muitas de nossas ideias a respeito do que era “saudável” eram discutíveis. Iniciamos também um ritual matinal diário que incluía respiração e meditação. No início, eu ficava relutante, o que acarretou dias perdidos, lágrimas, músculos doloridos e ameaças de desistência. Porém, depois de muitos meses consegui estabelecer uma rotina. Comecei a ansiar por esses momentos pela manhã e passei a me sentir física e mentalmente forte como nunca antes em toda a minha vida.

Conforme meu corpo apresentava sinais de cura, comecei a questionar outras verdades que sempre considerei absolutas. Aprendi novas maneiras de pensar sobre o bem-estar mental. Percebi que uma desconexão entre mente, corpo e alma pode se manifestar como doença e desequilíbrio. Descobri que nossos genes não determinam nosso destino e que, para mudar, temos que nos tornar conscientes de nossos hábitos e padrões de pensamento, moldados principalmente pelas pessoas de quem gostamos – que também foram moldadas por pessoas de quem gostam. Descobri uma definição mais ampla de trauma, que leva em consideração os profundos efeitos espirituais que o estresse e as experiências adversas na infância têm sobre o sistema nervoso. Percebi que alguns traumas iniciados na infância continuavam a me afetar todos os dias.

Quanto mais eu aprendia, mais integrava os conhecimentos adquiridos às novas escolhas diárias que fazia com consistência. Com o tempo, adaptei-me a essas mudanças e iniciei uma grande transformação. Depois que meu corpo começou a se recuperar, fui mais fundo, aproveitando o aprendizado que acumulava em minha experiência clínica e o aplicando ao conhecimento sobre a integração da pessoa como um todo – sob os aspectos físico, psicológico e espiritual. Conheci minha criança interior, examinei os vínculos traumáticos que me mantinham refém, aprendi a estabelecer limites e passei a me relacionar com o mundo com uma maturidade emocional que nunca achara possível. Percebi que esse trabalho interno não se mantinha dentro de mim, mas se estendia para fora, alcançando meus relacionamentos e a comunidade como um todo.

Hoje, escrevo para você de um lugar de cura contínua. Meus sintomas de ansiedade e pânico praticamente desapareceram. Já não sou mais reativa e aprendi a ser compassiva. Sinto-me conectada com meus entes queridos e presente em relação a eles também – e consigo estabelecer limites quando estou com pessoas que não participam ativamente da minha jornada. Pela primeira vez, sinto-me consciente. Devo dizer que não foi quando cheguei ao fundo do poço que percebi isso. Nem mesmo um ano depois. Mas hoje sei que não estaria aqui, escrevendo este livro, se não tivesse acessado as profundezas do meu desespero.

Lancei o site The Holistic Psychologist (A psicóloga holística) em 2018, após decidir que desejava compartilhar com outras pessoas as ferramentas de autocura que eu descobrira. Eu precisava fazer isso. Pouco depois que comecei a contar minha história no Instagram, passei a receber uma enxurrada de relatos sobre traumas, curas e resiliência emocional. Minhas mensagens sobre cura holística ressoaram na mente coletiva, cruzando barreiras etárias e culturais. Hoje, mais de 4 milhões de pessoas seguem minha página e assumiram a identidade de SelfHealers – pessoas adeptas da autocura –, ou seja, participantes ativas do próprio bem-estar mental, físico e espiritual. Apoiar esta comunidade se tornou o trabalho da minha vida.

Comemorei o aniversário de um ano do The Holistic Psychologist organizando um encontro de meditação na Costa Oeste, no intuito de criar uma oportunidade de me conectar a essa comunidade na vida real, celebrando nossas jornadas compartilhadas. Dias antes, pesquisei “pontos de encontro em Venice Beach” no Google e escolhi um local. Ofereci ingressos grátis no Instagram e fiquei torcendo para que meus seguidores se interessassem. Em poucas horas, 3 mil pessoas se inscreveram. Mal pude acreditar.

Sentada sob o sol quente no meio da vasta extensão de Venice Beach, dirigi minha atenção para as ondas quebrando na praia. A areia quente sob meus pés e a fria umidade dos meus cabelos, molhados pela maresia, me deixaram profundamente consciente do meu corpo no espaço e no tempo. Senti-me muito presente e muito viva enquanto levantava as mãos em oração, imaginando os vários caminhos pelos quais a vida trouxera para aquela praia, naquela manhã, cada um dos notáveis seres humanos que me circundavam. Observei a multidão e, por um instante, me intimidei com tantos olhos fixados em mim. Então falei:

Alguma coisa trouxe vocês aqui. Algo aí dentro veio aqui com um profundo desejo de cura. Um desejo de serem a melhor versão de si mesmos. Isso é algo a ser celebrado. Todos nós tivemos uma infância que criou nossa realidade atual e, hoje, escolhemos nos curar do nosso passado para criar um novo futuro.

A parte de vocês que sabe que isso é verdade é a sua intuição. Ela sempre esteve presente. Mas simplesmente desenvolvemos o hábito de não escutá-la ou de não acreditar no que ela nos diz. Estar aqui hoje é um passo em direção à cura dessa quebra de confiança que temos dentro de nós.

 

Tão logo enunciei essas palavras, encontrei o olhar de uma mulher na multidão. Ela sorriu para mim e colocou a mão na altura do coração, como se quisesse me agradecer. De repente, meus olhos se encheram de lágrimas. Eu estava chorando – mas não com as mesmas lágrimas que derramara em meu mingau de aveia tantos anos antes. Eram lágrimas de amor, de aceitação, de alegria. Eram lágrimas de cura.

Sou a prova viva desta verdade: o despertar não é uma experiência reservada apenas a monges, místicos e poetas. Não é apenas para pessoas “espirituais”. O despertar acontece para cada um de nós que anseia por mudanças – que deseja se curar, crescer, brilhar.

Quando você desperta sua consciência, tudo se torna possível.

 

 

A psicologia holística

Como curar sua vida é o testemunho de uma abordagem revolucionária sobre bem-estar mental, físico e espiritual chamada psicologia holística. Trata-se de um movimento de empoderamento comprometido com a prática diária de criarmos o nosso próprio bem- -estar por meio da quebra de padrões negativos, curando-nos do passado e criando um Eu consciente.

A psicologia holística tem como objetivo colocar a mente, o corpo e a alma a serviço do reequilíbrio do corpo, do sistema nervoso e da cura de feridas emocionais não resolvidas. Essa abordagem dá a você o poder de se transformar na pessoa que sempre foi em essência. E conta uma história nova, empolgante, em que sintomas físicos e psicológicos são mensagens, não diagnósticos permanentes que só podem ser controlados. Essa abordagem chega às raízes da dor crônica, do estresse, da fadiga, da ansiedade, da disfunção intestinal e dos desequilíbrios do sistema nervoso, há muito descartadas, ou ignoradas, pela medicina ocidental tradicional. Isso ajuda a explicar por que tantos de nós nos sentimos travados, desconectados ou desorientados. A psicologia holística oferece ferramentas práticas que lhe permitirão criar novos hábitos, compreender o comportamento dos outros e se libertar da ideia de que seu valor é determinado por pessoas ou coisas alheias a você. Caso você se comprometa a fazer sua parte todos os dias, chegará um momento em que se olhará no espelho e ficará admirado com a pessoa que verá.

Os métodos holísticos – exercícios que utilizam o poder físico (respiração e trabalho corporal), o psicológico (pensamentos e experiências passadas) e o espiritual (conexão entre o Eu autêntico e o coletivo) – são eficazes porque corpo, mente e alma são conectados e porque se baseiam na ciência da epigenética, assim como no fato de que temos muito mais impacto sobre nosso bem-estar mental do que podemos imaginar. A cura é um processo consciente que pode ser vivido a cada dia por meio de mudanças em nossos hábitos e padrões.

Muitos de nós existimos em estado de inconsciência. Navegamos pelo mundo no piloto automático, reproduzindo comportamentos que não nos beneficiam nem refletem quem somos em essência ou o que desejamos profundamente. A prática da psicologia holística nos ajuda a restabelecer a conexão com nosso sistema de orientação interior, do qual nos desconectamos em função de padrões aprendidos na primeira infância. A psicologia holística nos inspira a encontrar essa voz intuitiva, a confiar nela e a abandonar a “personalidade” moldada pela sociedade em geral – sobretudo pais, amigos e professores –, permitindo-nos trazer consciência para nosso eu inconsciente.

Nas próximas páginas, você encontrará em detalhes uma nova perspectiva de cura que integra mente, corpo e alma. Observe que não estou sugerindo que as ferramentas da psicoterapia convencional e de outros modelos terapêuticos não têm valor. Estou apenas propondo uma abordagem que abrange aspectos de diversas áreas – da psicologia e da neurociência a práticas de atenção plena e espiritualidade – em um esforço para desenvolver o que acredito serem as técnicas mais eficazes e integradoras de cura e bem-estar. Incorporei lições e insights de modelos tradicionais como terapia cognitivo-comportamental (TCC) e psicanálise, às quais acrescentei aspectos holísticos que (pelo menos até o momento em que escrevo) não são plenamente aceitos pela psicologia convencional. É importante entender que a prática da psicologia holística está ligada à liberdade, às escolhas e, em última instância, ao empoderamento. Algumas técnicas vão funcionar, outras não. O objetivo é usar as ferramentas que funcionam melhor para você. O simples ato de escolher já o ajudará a se conectar de forma mais profunda com sua intuição e seu autêntico Eu.

Aprender a curar a si mesmo é um ato de autoempoderamento. A autocura é possível sobretudo porque ninguém além de nós mesmos pode saber o que é melhor para nós, em nossa singularidade. Infelizmente, cuidados médicos de qualidade estão fora do alcance de bastante gente – em particular quando se trata de saúde mental. Vivemos em um mundo em que, dependendo de quem somos, de onde vivemos e de nossa aparência, estamos sujeitos a várias injustiças. Mesmo os que têm o privilégio de poder pagar pelo tipo de cuidado de que precisam muitas vezes se deparam com o fato de que nem todos os cuidados são iguais. E se tivermos sorte de encontrar alguém realmente prestativo, ficaremos limitados ao tempo das consultas com este profissional. Este livro oferece a você um modelo autodirigido de aprendizagem com informações que permitirão que você realize o trabalho de cura todos os dias. Compreender verdadeiramente o seu passado, ouvi-lo, testemunhá-lo e aprender com ele é um processo que possibilita mudanças verdadeiras, profundas e duradouras.

Como curar sua vida é dividido em três partes. A primeira examina o momento em que tomamos consciência de nosso Eu, do poder de nossos pensamentos e da influência do estresse e de traumas sofridos na infância sobre todos os sistemas de nosso corpo. Isso nos permite entender como o desequilíbrio físico nos impede de avançar mental e emocionalmente. Na segunda parte, focaremos na mente. Vamos explorar o funcionamento do consciente e do subconsciente para aprender como o poderoso condicionamento de nossas figuras parentais moldou nosso mundo, criando padrões de pensamento e comportamento que persistem até hoje. Ainda nessa parte, mergulharemos um pouco mais fundo para encontrar nossa criança interior. Aprenderemos sobre as histórias criadas pelo ego para nos proteger, levando-nos a repetir padrões de relacionamento adquiridos na infância. Na terceira e última parte, que considero a essência do processo de autocura, aprenderemos como aplicar o conhecimento adquirido para atingir a maturidade emocional capaz de dar mais autenticidade à nossa conexão com os outros. Nenhuma pessoa é uma ilha. Somos criaturas sociais. Só depois de conseguirmos incorporar de fato nosso autêntico Eu é que vamos poder nos conectar profundamente com as pessoas que amamos – criando a base sobre a qual nos uniremos com o “nós” coletivo, ou com algo maior do que nós. Ao longo do caminho, incluí instruções e ferramentas que lhe serão úteis onde quer que você se encontre em sua jornada.

Para iniciar essa transformação, você só precisa de seu Eu consciente, de um desejo profundo de olhar para dentro e da compreensão de que mudar não é fácil e de que o caminho à frente por vezes será tortuoso. Não há soluções rápidas aqui. Isso é difícil de aceitar, especialmente para muitos de nós que fomos condicionados a acreditar na ilusão das soluções mágicas. Sou a primeira a dizer que o trabalho de cura é apenas isto: um trabalho. Não há atalhos e ninguém poderá fazê-lo por você. Ser um agente da própria cura pode ser desconfortável ou até assustador no começo, mas conhecer a si mesmo e sua capacidade não é apenas fortalecedor e transformador – é também uma das experiências mais profundas da vida.

Algumas pessoas que acompanham meu trabalho me dizem que entrego verdades embrulhadas em cobertores bonitos e aconchegantes. Considero isso um elogio, mas sendo bem realista: não é bom nos sentirmos confortáveis demais. A cura raramente ocorre sem dificuldades. Muitas vezes é um processo doloroso e assustador. Implica abrir mão de narrativas que paralisam e prejudicam. Significa deixarmos uma parte de nós morrer para que outra possa renascer. Nem todo mundo quer se tornar uma pessoa melhor. E não há problema nisso. Algumas pessoas têm sua identidade ligada a uma doença. Outras temem o verdadeiro bem-estar, pois se trata de uma sensação desconhecida, e o desconhecido é imprevisível. É reconfortante saber com exatidão como será nossa vida, mesmo que seja uma realidade que nos faça mal. Nossa mente é uma máquina em busca de familiaridade. Aquilo que já conhecemos parece seguro até ensinarmos a nós mesmos que o desconforto é temporário e uma parte necessária da transformação.

Você saberá quando estiver pronto para começar a jornada. A partir daí, vai se questionar e querer desistir, mas é neste momento que se tornará mais importante se manter comprometido – até que esta rotina se torne uma disciplina. No final, a disciplina se transformará em confiança, a confiança em mudança e a mudança em transformação. O verdadeiro trabalho de cura não tem nada a ver com qualquer coisa externa. Tem a ver com o que está dentro de você. O trabalho vem de você.

O primeiro passo, surpreendentemente desafiador, é começar a imaginar um futuro diferente do presente. Feche os olhos. Quando for capaz de imaginar uma realidade alternativa à que está vivendo, você estará pronto para seguir em frente. Caso não consiga imaginar essa realidade, saiba que não é o único. Há uma razão para esse bloqueio mental. Fique comigo. Este livro foi escrito para você, pois eu também passei por isso.

Vamos começar.

 

LEIA MAIS

Nicole LePera

Sobre o autor

Nicole LePera

NICOLE LEPERA é psicóloga holística, com especializações em psicologia clínica na Universidade Cornell e na New School for Social Research. Por meio de sua conta no Instagram – @the.holistic.psychologist –, que já possui mais de 4 milhões de seguidores, estende seu alcance publicando conteúdos diários gratuitos. É criadora do movimento #SelfHealers, em que pessoas de todo o mundo buscam alcançar a autocura. Atualmente mora em Los Angeles.

VER PERFIL COMPLETO

Assine a nossa Newsletter

Administração, negócios e economia
Autoajuda
Bem-estar, espiritualidade e mindfulness
Biografias, crônicas e histórias reais
Lançamentos do mês
Mais vendidos
Selecionar todas
Administração, negócios e economia Lançamentos do mês
Autoajuda Mais vendidos
Bem-estar, espiritualidade e mindfulness Biografias, crônicas e histórias reais
Selecionar todas

Sobre o uso de cookie neste site: usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.