Jesus, o maior psicólogo que já existiu - Sextante
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Jesus, o maior psicólogo que já existiu

Jesus, o maior psicólogo que já existiu

Mark W. Baker

COMO OS ENSINAMENTOS DE CRISTO PODEM MELHORAR NOSSA SAÚDE EMOCIONAL E NOS AJUDAR A LIDAR COM OS DESAFIOS DA VIDA.

2 milhões de livros vendidos no Brasil.

“Uma visão inspiradora e sensível da importância dos ensinamentos de Cristo para o nosso crescimento e nossa paz interior.” – ARCHIBALD D. HART, professor de psicologia

 

Um dos mais populares e influentes livros dos últimos tempos, Jesus, o maior psicólogo que já existiu faz uma abordagem original da relação entre ciência e religião, ligando os principais ensinamentos de Jesus às descobertas recentes da psicologia.

Com base em sua experiência como terapeuta e no seu profundo conhecimento da Bíblia, Mark Baker demonstra por que a mensagem de Cristo é compatível com os princípios da psicologia: ela contém a chave da saúde emocional, do bem-estar e do crescimento pessoal.

Organizado em uma série de lições concisas, este livro traz valiosos exemplos práticos sobre como a sabedoria de Jesus pode nos ajudar a resolver os problemas do cotidiano, a repensar atitudes e a praticar o perdão, a solidariedade e a lealdade.

Você vai descobrir como essa sabedoria comprovada pelo tempo nos permite ver a vida de forma mais simples e amorosa.

COMO OS ENSINAMENTOS DE CRISTO PODEM MELHORAR NOSSA SAÚDE EMOCIONAL E NOS AJUDAR A LIDAR COM OS DESAFIOS DA VIDA.

2 milhões de livros vendidos no Brasil.

“Uma visão inspiradora e sensível da importância dos ensinamentos de Cristo para o nosso crescimento e nossa paz interior.” – ARCHIBALD D. HART, professor de psicologia

 

Um dos mais populares e influentes livros dos últimos tempos, Jesus, o maior psicólogo que já existiu faz uma abordagem original da relação entre ciência e religião, ligando os principais ensinamentos de Jesus às descobertas recentes da psicologia.

Com base em sua experiência como terapeuta e no seu profundo conhecimento da Bíblia, Mark Baker demonstra por que a mensagem de Cristo é compatível com os princípios da psicologia: ela contém a chave da saúde emocional, do bem-estar e do crescimento pessoal.

Organizado em uma série de lições concisas, este livro traz valiosos exemplos práticos sobre como a sabedoria de Jesus pode nos ajudar a resolver os problemas do cotidiano, a repensar atitudes e a praticar o perdão, a solidariedade e a lealdade.

Você vai descobrir como essa sabedoria comprovada pelo tempo nos permite ver a vida de forma mais simples e amorosa.

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Ficha técnica
Lançamento 04/11/2020
Título original The greatest psychologist who ever lived
Tradução Claudia Gerpe Duarte
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 224
Peso 300 g
Acabamento brochura
ISBN 978-65-5564-086-1
EAN 9786555640861
Preço R$ 39,90
Ficha técnica e-book
eISBN 978-65-5564-091-5
Preço R$ 24,99
Lançamento 04/11/2020
Título original The greatest psychologist who ever lived
Tradução Claudia Gerpe Duarte
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 224
Peso 300 g
Acabamento brochura
ISBN 978-65-5564-086-1
EAN 9786555640861
Preço R$ 39,90

E-book

eISBN 978-65-5564-091-5
Preço R$ 24,99

Leia um trecho do livro

INTRODUÇÃO

Jesus entendia as pessoas. Sabemos disso porque talvez ele seja quem mais influenciou a história. Culturas foram formadas, guerras travadas e vidas transformadas em decorrência do seu ministério há dois mil anos. Como psicólogo, sempre fui fascinado pela pergunta: por que os ensinamentos de Jesus tinham tanto poder? Depois de estudar muitos anos, descobri que se compreendêssemos seus ensinamentos à luz da psicologia poderíamos entender por que suas palavras exerceram tanto impacto em seus seguidores. As teorias psicológicas atuais nos permitem perceber que o fato de Jesus compreender tão profundamente as pessoas fazia com que elas quisessem ouvi-lo.

Há mais de vinte anos interesso-me pelo estudo tanto da teologia quanto da psicologia. Descobri que cada uma dessas disciplinas complementa meu entendimento da outra. Fico sempre admirado ao constatar como os pontos de concordância entre os princípios espirituais e os emocionais podem favorecer a saúde emocional e física.

Freud, no entanto, considerava a religião uma muleta que as pessoas usam para lidar com seus sentimentos de desamparo. Esta postura deu início a uma guerra entre a psicologia e a religião que continua até hoje. Alguns psicólogos encaram a religião como um culto que limita o potencial humano, e pela mesma razão algumas pessoas religiosas olham a psicologia com preconceito. Descobri que a animosidade existente em ambos os lados desse conflito tem origem no medo. O medo dificulta o entendimento. É necessário que as pessoas parem durante algum tempo de se sentir ameaçadas para que consigam ouvir umas às outras e comecem a atingir um entendimento mútuo.

Há alguns anos um colega pediu-me que o substituísse em uma palestra que iria dar num domingo numa igreja. Embora eu não soubesse nada a respeito dessa igreja, concordei em apresentar um dos meus textos sobre um tema psicológico que considero importante e que adaptei para uma audiência religiosa. Pouco depois de ter começado a palestra, um homem sentado no fundo da igreja levantou a mão e disse: “Este seria um seminário interessante para uma terça-feira à noite na biblioteca ou algo parecido, mas certamente não é adequado à Casa de Deus no dia do Senhor!” Infelizmente esta não foi a primeira nem a última vez que, ao fazer uma abordagem psicológica, despertei a hostilidade de pessoas religiosas.

Mas o contrário também ocorre. Certa vez, depois de uma série de conversas com um grupo de psicanalistas sobre o cristianismo, expressei meu desapontamento em relação ao preconceito que eles demonstravam contra as pessoas religiosas. A explicação de um dos psicanalistas para tal comportamento foi: “Acho que nunca conhecemos um único terapeuta que seja ao mesmo tempo inteligente e cristão.” Verifiquei naquele momento que o preconceito existe de ambas as partes.

Felizmente, psicólogos contemporâneos estão reavaliando muitas das ideias de Freud, inclusive seu preconceito em relação à religião. Venho acompanhando esse processo com entusiasmo há vários anos. Os pontos de concordância entre as teorias contemporâneas e os ensinamentos de Jesus têm me impressionado.

Muitos livros já foram escritos sobre esses ensinamentos. Entretanto, eu gostaria de acrescentar algumas reflexões a respeito dessa antiga sabedoria. Os estudos que fiz sobre as teorias psicanalíticas contemporâneas possibilitaram-me interpretar as palavras de Jesus sob um novo prisma e enriqueceram a minha vida e a dos meus pacientes. Em vez de achar que essas lições entram em contradição com as novas descobertas da psicologia, considero que elas produzem importantes percepções que eu não havia entendido antes. Neste livro vamos examinar de outra perspectiva algumas das parábolas mais conhecidas da Bíblia para aprender algo novo a respeito da sabedoria de Jesus.

Cada um dos capítulos que se seguem concentra-se em um conceito psicanalítico que ilustrarei com os ensinamentos de Jesus. Incluí notas no final do livro para aqueles que desejarem ler textos psicanalíticos técnicos mais elaborados. Esforcei-me para traduzir esses conceitos complicados em termos simples, sem sacrificar a integridade de seu significado.

Acredito que muitos desses princípios espirituais tragam benefícios em nossas tentativas de encontrar o equilíbrio e a paz. Procurei dar exemplos de como esses princípios se aplicam hoje em dia às nossas vidas. Os exemplos que usei foram extraídos das experiências de pessoas com quem trabalhei, que conheci ou a respeito de quem li. Por motivos confidenciais, cada caso é na verdade uma composição de várias histórias e não representa ninguém em particular. Independentemente das nossas crenças religiosas ou filosóficas, tenho certeza de que todos podemos nos beneficiar dessa eterna sabedoria.

 

 

PRIMEIRA PARTE

ENTENDENDO AS PESSOAS

 

CAPÍTULO 1 – ENTENDENDO COMO AS PESSOAS PENSAM

 

“Com que compararemos o reino de Deus ou que parábola usaremos para descrevê-lo? Ele é como a semente de mostarda, que é a menor semente que plantamos no solo. No entanto, quando plantada, ela cresce e torna-se a maior de todas as plantas do jardim, com ramos tão grandes que os pássaros do ar podem se abrigar à sua sombra.” Com muitas parábolas como esta Jesus anunciava a seus seguidores a Palavra conforme podiam entender. Ele não lhes falava nada a não ser em parábolas. Marcos 4:30-34

 

Jesus sabia que quase tudo o que fazemos na vida baseia-se simplesmente na fé. A maior parte das nossas decisões é tomada inicialmente em razão do que sentimos ou acreditamos. Só depois racionalizamos para justificar nossas escolhas. Jesus usava parábolas para nos fazer lidar com as nossas crenças, e não com nossos raciocínios lógicos.

A pessoa verdadeiramente sábia é sempre humilde. Jesus nunca escreveu um livro, sempre falou por meio de parábolas e conduziu as pessoas à verdade através do seu exemplo vivo. Ele era confiante sem ser arrogante, acreditava em valores absolutos sem ser rígido e tinha clareza sobre sua própria identidade sem julgar os outros.

Jesus abordava as pessoas com técnicas psicológicas que estamos apenas começando a entender. Em vez de mostrar-se superior, dando palestras eruditas baseadas no seu conhecimento teológico, ele humildemente dizia o que queria através de simples histórias. Falava de um modo que levava as pessoas a ouvirem, porque sabia o que as fazia querer escutar. Jesus foi um poderoso comunicador porque compreendia o que a psicologia está nos ensinando hoje: que baseamos a nossa vida mais no que acreditamos do que no que sabemos.

Suas críticas mais severas eram dirigidas aos professores de religião, embora fosse um deles. Jesus não os censurava pelo conhecimento que possuíam, mas pela arrogância que demonstravam. Para ele era claro que quanto mais aprendemos, mais deveríamos perceber que existem muitas coisas que ainda não sabemos. A arrogância é sinal de insegurança. Jesus entendia que as ideias humanas nunca expressam totalmente a realidade, e seu estilo de ensinar sempre levou este fato em consideração. Acredito que se desejarmos ser comunicadores mais eficazes precisamos aprender o que Jesus sabia a respeito da relação entre o conhecimento e a humildade. Os grandes pensadores são sempre humildes. Eles compreendem que a vida está mais ligada à fé do que ao conhecimento.

 

Por que Jesus falava por meio de parábolas

 

“E não lhes falava nada a não ser em parábolas.”

Marcos 4:34

 

Jesus compreendia a forma de pensar das pessoas. Ele foi um dos maiores professores da história porque sabia que cada pessoa só pode compreender as coisas a partir da sua perspectiva pessoal. Por isso ele ensinava por meio de parábolas.

A parábola é uma história que nos ajuda a compreender a realidade. Podemos extrair dela as verdades que formos capazes de entender e aplicá-las em nossas vidas. À medida que crescemos e evoluímos, podemos rever as parábolas para descobrir novos significados que nos guiem em nossos caminhos.

As parábolas me ajudaram a entender a vida. Isso aconteceu sobretudo durante um dos períodos mais difíceis, quando eu não estava conseguindo compreender meu sofrimento. Foi uma época em que passei a questionar tudo, pensando: como pode existir um Deus se estou sofrendo tanto? Eu estava completamente desesperado e nada era capaz de me ajudar.

Nessa ocasião, fui à casa do meu irmão para me queixar da minha situação. Tim é geólogo e passa a maior parte do tempo ao ar livre. Ele não costuma falar muito, mas, quando o faz, geralmente diz coisas muito proveitosas. Sempre o considerei um homem humilde, no melhor sentido da palavra.

Eu estava sentado na cozinha da casa dele, com um ar deprimido e sentindo-me sem esperanças, quando meu irmão disse: “Sabe, Mark, recentemente, quando eu estava fazendo uma pesquisa geológica, notei uma coisa interessante a respeito da maneira como o mundo é feito. Nossa equipe escalou a montanha mais alta da região e a vista nos deixou emocionados. As experiências no alto das montanhas são magníficas. No entanto, nessa altitude as árvores não conseguem sobreviver. No topo da montanha nada cresce, mas quando olhamos para baixo notamos uma coisa interessante: todo o crescimento está nos vales.”

A parábola de Tim me ensinou uma verdade essencial: o sofrimento nos causa dor, mas também nos faz crescer. Nunca esquecerei o que Tim disse naquele dia. As palavras dele não eliminaram a minha dor, mas de certa maneira a tornaram mais tolerável.

As parábolas não alteram os fatos da nossa vida – elas nos ajudam a olhá-los de outra maneira. Era o que Jesus pretendia ao contar as parábolas.

princípio espiritual: Só podemos entender as coisas a partir da nossa própria perspectiva.

 

Como conhecemos a verdade

 

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”

João 14:6

 

Don trouxe uma lista quando veio para a primeira sessão de terapia. Ele não gostava de perder tempo e, como o tratamento é caro, queria me apresentar logo os problemas que estava enfrentando e ouvir o meu conselho sobre o que deveria fazer para resolvê-los.

Embora eu goste de dar conselhos, logo vi que não era de conselhos que Don precisava. No entanto, ele achava que, se conseguisse o tipo certo de informação, poderia corrigir o que estava errado na sua vida.

No fim de uma sessão, Don me pediu que passasse algum dever de casa para que ele pudesse aproveitar o intervalo entre os nossos encontros.

– Não vou passar nenhum dever de casa – respondi.

– Por que não? – perguntou ele.

– Porque não é disso que você está precisando. Você veio aqui para aprender algo novo a respeito de si mesmo. Se for fazer o dever de casa vai colocar mais coisas na cabeça, quando o que precisamos é colocar mais coisas em seu coração.

Pouco a pouco a vida de Don começou a mudar, apesar de eu estar lhe dando poucos conselhos. O que ele recebeu de mim foi um tipo de relacionamento diferente dos que ele tinha na vida. Don começou a se concentrar menos no que pensava sobre as coisas e mais em como se sentia a respeito delas. Quando se tornou mais capaz de confiar no seu relacionamento comigo, começou a investigar áreas da sua vida que nunca explorara antes. Quanto mais ele aprendia sobre si mesmo, mais conseguia perceber os motivos que o levavam a tomar determinadas decisões. Don descobriu as verdades mais importantes sobre a sua vida, não por causa dos meus conselhos, mas porque o nosso relacionamento foi capaz de conduzi-lo a um entendimento mais profundo sobre si mesmo.

Jesus sabia que as pessoas jamais poderiam entender completamente a vida se usassem apenas o intelecto. Ele não dizia: “Vou ensinar a vocês o que é a verdade.” Ele dizia: “Eu sou a verdade.” Ele sabia que a mais elevada forma de conhecimento decorre dos relacionamentos em que existe confiança mútua, e não de grandes quantidades de informação. Jesus respondia às perguntas diretas com metáforas para atrair as pessoas para um diálogo e um relacionamento com ele.

Este princípio espiritual – que aprendemos as verdades mais profundas da vida através dos nossos relacionamentos – é a base do meu método terapêutico. Todos temos ideias conscientes e inconscientes que afetam a maneira como percebemos o mundo. Do ponto de vista da psicologia, é impossível colocar completamente de lado a influência da nossa mente sobre a maneira como percebemos as coisas, sobretudo porque na maioria das vezes não temos consciência de que tudo o que conhecemos intelectualmente passa pelo filtro das nossas crenças. A terapia proporciona às pessoas um relacionamento que pode levá-las a se conhecerem melhor, descobrindo, assim, as outras verdades da vida.

princípio espiritual: Aprendemos as verdades mais profundas através dos nossos relacionamentos.

 

Por que tentamos ser objetivos

 

“A sabedoria é demonstrada pelas suas ações.” Mateus 11:19

 

Craig e Betty tinham valores e metas semelhantes na vida, o que os tornava bons parceiros e fez com que o casamento dos dois desse certo durante os primeiros anos. No entanto, pouco a pouco, Betty foi ficando insatisfeita com o relacionamento. Nas primeiras vezes em que tentou conversar com Craig a respeito do que sentia, o diálogo foi tão difícil que ela desistiu, porque acabavam brigando. Betty respeitava Craig, mas nos últimos tempos não estava segura nem mesmo para falar com ele de seus temores, o que a incomodava terrivelmente.

– Nunca fui infiel e sempre proporcionei uma vida de qualidade a você e às crianças. Não acho que exista razão para sentir medo. Se você olhar objetivamente para as coisas, vai ver que temos um bom casamento – insistia Craig.

– Não se trata de definir quem está certo e quem está errado – retrucava Betty. – É que eu não me sinto suficientemente segura para dizer como me sinto.

– Segura? – espantava-se Craig. – Você está imaginando coisas! Você tem uma ótima casa, uma poupança e um seguro de vida de um milhão de dólares. A única maneira de ficar mais segura seria se eu morresse.

As conversas desse tipo nunca ajudaram Betty.

Foi só depois que os dois foram procurar uma terapia de casal que o problema começou a se esclarecer. Craig passou a entender que os fatos objetivos que ele tentava mostrar para a esposa não a estavam ajudando. Ela queria apenas que ele compreendesse que ela sentia medo e precisava de apoio. Ela não esperava que ele eliminasse seus temores, queria só compartilhar seus sentimentos na esperança de se sentir mais perto dele. Craig se sentia muito melhor examinando os fatos, mas percebeu que essa atitude não melhorava a situação, pois Betty precisava que ele a escutasse, a entendesse e respondesse com compaixão. Existem momentos em que a objetividade não faz entender a essência da questão. Quando Craig tornou-se consciente do que estava acontecendo, foi capaz de ajudar Betty.

As pessoas valorizam demais a objetividade. Dizemos coisas como: “Por favor, limite-se a me apresentar os fatos”, como se obter os fatos fosse realmente a coisa mais importante a ser feita. Conclusões baseadas em fatos objetivos nos conferem uma sensação de segurança. No entanto, para Jesus, agir com sabedoria era muito mais importante do que acumular fatos objetivos. Para ele, o conhecimento devia se traduzir sempre nos atos e não nos discursos racionais. Foi isso que ele quis dizer quando falou: “A sabedoria é demonstrada pelas suas ações.” Podemos estar objetiva e racionalmente certos a respeito de algo que tem consequências devastadoras nos nossos relacionamentos com os outros, mas a sabedoria vai sempre considerar os resultados das nossas ações.

Jesus ensinou que insistir em chegar aos fatos objetivos sobre as coisas às vezes pode ser perigoso. Guerras foram deflagradas, religiões divididas, casamentos terminados, crianças repudiadas e amizades desfeitas por causa dessa atitude. Às vezes, vencer numa discussão pode nos custar um relacionamento. Como diz o antigo ditado, temos duas escolhas no casamento: podemos ter razão ou podemos ser felizes.

princípio espiritual: Busquem mais a sabedoria do que o conhecimento.

INTRODUÇÃO

Jesus entendia as pessoas. Sabemos disso porque talvez ele seja quem mais influenciou a história. Culturas foram formadas, guerras travadas e vidas transformadas em decorrência do seu ministério há dois mil anos. Como psicólogo, sempre fui fascinado pela pergunta: por que os ensinamentos de Jesus tinham tanto poder? Depois de estudar muitos anos, descobri que se compreendêssemos seus ensinamentos à luz da psicologia poderíamos entender por que suas palavras exerceram tanto impacto em seus seguidores. As teorias psicológicas atuais nos permitem perceber que o fato de Jesus compreender tão profundamente as pessoas fazia com que elas quisessem ouvi-lo.

Há mais de vinte anos interesso-me pelo estudo tanto da teologia quanto da psicologia. Descobri que cada uma dessas disciplinas complementa meu entendimento da outra. Fico sempre admirado ao constatar como os pontos de concordância entre os princípios espirituais e os emocionais podem favorecer a saúde emocional e física.

Freud, no entanto, considerava a religião uma muleta que as pessoas usam para lidar com seus sentimentos de desamparo. Esta postura deu início a uma guerra entre a psicologia e a religião que continua até hoje. Alguns psicólogos encaram a religião como um culto que limita o potencial humano, e pela mesma razão algumas pessoas religiosas olham a psicologia com preconceito. Descobri que a animosidade existente em ambos os lados desse conflito tem origem no medo. O medo dificulta o entendimento. É necessário que as pessoas parem durante algum tempo de se sentir ameaçadas para que consigam ouvir umas às outras e comecem a atingir um entendimento mútuo.

Há alguns anos um colega pediu-me que o substituísse em uma palestra que iria dar num domingo numa igreja. Embora eu não soubesse nada a respeito dessa igreja, concordei em apresentar um dos meus textos sobre um tema psicológico que considero importante e que adaptei para uma audiência religiosa. Pouco depois de ter começado a palestra, um homem sentado no fundo da igreja levantou a mão e disse: “Este seria um seminário interessante para uma terça-feira à noite na biblioteca ou algo parecido, mas certamente não é adequado à Casa de Deus no dia do Senhor!” Infelizmente esta não foi a primeira nem a última vez que, ao fazer uma abordagem psicológica, despertei a hostilidade de pessoas religiosas.

Mas o contrário também ocorre. Certa vez, depois de uma série de conversas com um grupo de psicanalistas sobre o cristianismo, expressei meu desapontamento em relação ao preconceito que eles demonstravam contra as pessoas religiosas. A explicação de um dos psicanalistas para tal comportamento foi: “Acho que nunca conhecemos um único terapeuta que seja ao mesmo tempo inteligente e cristão.” Verifiquei naquele momento que o preconceito existe de ambas as partes.

Felizmente, psicólogos contemporâneos estão reavaliando muitas das ideias de Freud, inclusive seu preconceito em relação à religião. Venho acompanhando esse processo com entusiasmo há vários anos. Os pontos de concordância entre as teorias contemporâneas e os ensinamentos de Jesus têm me impressionado.

Muitos livros já foram escritos sobre esses ensinamentos. Entretanto, eu gostaria de acrescentar algumas reflexões a respeito dessa antiga sabedoria. Os estudos que fiz sobre as teorias psicanalíticas contemporâneas possibilitaram-me interpretar as palavras de Jesus sob um novo prisma e enriqueceram a minha vida e a dos meus pacientes. Em vez de achar que essas lições entram em contradição com as novas descobertas da psicologia, considero que elas produzem importantes percepções que eu não havia entendido antes. Neste livro vamos examinar de outra perspectiva algumas das parábolas mais conhecidas da Bíblia para aprender algo novo a respeito da sabedoria de Jesus.

Cada um dos capítulos que se seguem concentra-se em um conceito psicanalítico que ilustrarei com os ensinamentos de Jesus. Incluí notas no final do livro para aqueles que desejarem ler textos psicanalíticos técnicos mais elaborados. Esforcei-me para traduzir esses conceitos complicados em termos simples, sem sacrificar a integridade de seu significado.

Acredito que muitos desses princípios espirituais tragam benefícios em nossas tentativas de encontrar o equilíbrio e a paz. Procurei dar exemplos de como esses princípios se aplicam hoje em dia às nossas vidas. Os exemplos que usei foram extraídos das experiências de pessoas com quem trabalhei, que conheci ou a respeito de quem li. Por motivos confidenciais, cada caso é na verdade uma composição de várias histórias e não representa ninguém em particular. Independentemente das nossas crenças religiosas ou filosóficas, tenho certeza de que todos podemos nos beneficiar dessa eterna sabedoria.

 

 

PRIMEIRA PARTE

ENTENDENDO AS PESSOAS

 

CAPÍTULO 1 – ENTENDENDO COMO AS PESSOAS PENSAM

 

“Com que compararemos o reino de Deus ou que parábola usaremos para descrevê-lo? Ele é como a semente de mostarda, que é a menor semente que plantamos no solo. No entanto, quando plantada, ela cresce e torna-se a maior de todas as plantas do jardim, com ramos tão grandes que os pássaros do ar podem se abrigar à sua sombra.” Com muitas parábolas como esta Jesus anunciava a seus seguidores a Palavra conforme podiam entender. Ele não lhes falava nada a não ser em parábolas. Marcos 4:30-34

 

Jesus sabia que quase tudo o que fazemos na vida baseia-se simplesmente na fé. A maior parte das nossas decisões é tomada inicialmente em razão do que sentimos ou acreditamos. Só depois racionalizamos para justificar nossas escolhas. Jesus usava parábolas para nos fazer lidar com as nossas crenças, e não com nossos raciocínios lógicos.

A pessoa verdadeiramente sábia é sempre humilde. Jesus nunca escreveu um livro, sempre falou por meio de parábolas e conduziu as pessoas à verdade através do seu exemplo vivo. Ele era confiante sem ser arrogante, acreditava em valores absolutos sem ser rígido e tinha clareza sobre sua própria identidade sem julgar os outros.

Jesus abordava as pessoas com técnicas psicológicas que estamos apenas começando a entender. Em vez de mostrar-se superior, dando palestras eruditas baseadas no seu conhecimento teológico, ele humildemente dizia o que queria através de simples histórias. Falava de um modo que levava as pessoas a ouvirem, porque sabia o que as fazia querer escutar. Jesus foi um poderoso comunicador porque compreendia o que a psicologia está nos ensinando hoje: que baseamos a nossa vida mais no que acreditamos do que no que sabemos.

Suas críticas mais severas eram dirigidas aos professores de religião, embora fosse um deles. Jesus não os censurava pelo conhecimento que possuíam, mas pela arrogância que demonstravam. Para ele era claro que quanto mais aprendemos, mais deveríamos perceber que existem muitas coisas que ainda não sabemos. A arrogância é sinal de insegurança. Jesus entendia que as ideias humanas nunca expressam totalmente a realidade, e seu estilo de ensinar sempre levou este fato em consideração. Acredito que se desejarmos ser comunicadores mais eficazes precisamos aprender o que Jesus sabia a respeito da relação entre o conhecimento e a humildade. Os grandes pensadores são sempre humildes. Eles compreendem que a vida está mais ligada à fé do que ao conhecimento.

 

Por que Jesus falava por meio de parábolas

 

“E não lhes falava nada a não ser em parábolas.”

Marcos 4:34

 

Jesus compreendia a forma de pensar das pessoas. Ele foi um dos maiores professores da história porque sabia que cada pessoa só pode compreender as coisas a partir da sua perspectiva pessoal. Por isso ele ensinava por meio de parábolas.

A parábola é uma história que nos ajuda a compreender a realidade. Podemos extrair dela as verdades que formos capazes de entender e aplicá-las em nossas vidas. À medida que crescemos e evoluímos, podemos rever as parábolas para descobrir novos significados que nos guiem em nossos caminhos.

As parábolas me ajudaram a entender a vida. Isso aconteceu sobretudo durante um dos períodos mais difíceis, quando eu não estava conseguindo compreender meu sofrimento. Foi uma época em que passei a questionar tudo, pensando: como pode existir um Deus se estou sofrendo tanto? Eu estava completamente desesperado e nada era capaz de me ajudar.

Nessa ocasião, fui à casa do meu irmão para me queixar da minha situação. Tim é geólogo e passa a maior parte do tempo ao ar livre. Ele não costuma falar muito, mas, quando o faz, geralmente diz coisas muito proveitosas. Sempre o considerei um homem humilde, no melhor sentido da palavra.

Eu estava sentado na cozinha da casa dele, com um ar deprimido e sentindo-me sem esperanças, quando meu irmão disse: “Sabe, Mark, recentemente, quando eu estava fazendo uma pesquisa geológica, notei uma coisa interessante a respeito da maneira como o mundo é feito. Nossa equipe escalou a montanha mais alta da região e a vista nos deixou emocionados. As experiências no alto das montanhas são magníficas. No entanto, nessa altitude as árvores não conseguem sobreviver. No topo da montanha nada cresce, mas quando olhamos para baixo notamos uma coisa interessante: todo o crescimento está nos vales.”

A parábola de Tim me ensinou uma verdade essencial: o sofrimento nos causa dor, mas também nos faz crescer. Nunca esquecerei o que Tim disse naquele dia. As palavras dele não eliminaram a minha dor, mas de certa maneira a tornaram mais tolerável.

As parábolas não alteram os fatos da nossa vida – elas nos ajudam a olhá-los de outra maneira. Era o que Jesus pretendia ao contar as parábolas.

princípio espiritual: Só podemos entender as coisas a partir da nossa própria perspectiva.

 

Como conhecemos a verdade

 

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”

João 14:6

 

Don trouxe uma lista quando veio para a primeira sessão de terapia. Ele não gostava de perder tempo e, como o tratamento é caro, queria me apresentar logo os problemas que estava enfrentando e ouvir o meu conselho sobre o que deveria fazer para resolvê-los.

Embora eu goste de dar conselhos, logo vi que não era de conselhos que Don precisava. No entanto, ele achava que, se conseguisse o tipo certo de informação, poderia corrigir o que estava errado na sua vida.

No fim de uma sessão, Don me pediu que passasse algum dever de casa para que ele pudesse aproveitar o intervalo entre os nossos encontros.

– Não vou passar nenhum dever de casa – respondi.

– Por que não? – perguntou ele.

– Porque não é disso que você está precisando. Você veio aqui para aprender algo novo a respeito de si mesmo. Se for fazer o dever de casa vai colocar mais coisas na cabeça, quando o que precisamos é colocar mais coisas em seu coração.

Pouco a pouco a vida de Don começou a mudar, apesar de eu estar lhe dando poucos conselhos. O que ele recebeu de mim foi um tipo de relacionamento diferente dos que ele tinha na vida. Don começou a se concentrar menos no que pensava sobre as coisas e mais em como se sentia a respeito delas. Quando se tornou mais capaz de confiar no seu relacionamento comigo, começou a investigar áreas da sua vida que nunca explorara antes. Quanto mais ele aprendia sobre si mesmo, mais conseguia perceber os motivos que o levavam a tomar determinadas decisões. Don descobriu as verdades mais importantes sobre a sua vida, não por causa dos meus conselhos, mas porque o nosso relacionamento foi capaz de conduzi-lo a um entendimento mais profundo sobre si mesmo.

Jesus sabia que as pessoas jamais poderiam entender completamente a vida se usassem apenas o intelecto. Ele não dizia: “Vou ensinar a vocês o que é a verdade.” Ele dizia: “Eu sou a verdade.” Ele sabia que a mais elevada forma de conhecimento decorre dos relacionamentos em que existe confiança mútua, e não de grandes quantidades de informação. Jesus respondia às perguntas diretas com metáforas para atrair as pessoas para um diálogo e um relacionamento com ele.

Este princípio espiritual – que aprendemos as verdades mais profundas da vida através dos nossos relacionamentos – é a base do meu método terapêutico. Todos temos ideias conscientes e inconscientes que afetam a maneira como percebemos o mundo. Do ponto de vista da psicologia, é impossível colocar completamente de lado a influência da nossa mente sobre a maneira como percebemos as coisas, sobretudo porque na maioria das vezes não temos consciência de que tudo o que conhecemos intelectualmente passa pelo filtro das nossas crenças. A terapia proporciona às pessoas um relacionamento que pode levá-las a se conhecerem melhor, descobrindo, assim, as outras verdades da vida.

princípio espiritual: Aprendemos as verdades mais profundas através dos nossos relacionamentos.

 

Por que tentamos ser objetivos

 

“A sabedoria é demonstrada pelas suas ações.” Mateus 11:19

 

Craig e Betty tinham valores e metas semelhantes na vida, o que os tornava bons parceiros e fez com que o casamento dos dois desse certo durante os primeiros anos. No entanto, pouco a pouco, Betty foi ficando insatisfeita com o relacionamento. Nas primeiras vezes em que tentou conversar com Craig a respeito do que sentia, o diálogo foi tão difícil que ela desistiu, porque acabavam brigando. Betty respeitava Craig, mas nos últimos tempos não estava segura nem mesmo para falar com ele de seus temores, o que a incomodava terrivelmente.

– Nunca fui infiel e sempre proporcionei uma vida de qualidade a você e às crianças. Não acho que exista razão para sentir medo. Se você olhar objetivamente para as coisas, vai ver que temos um bom casamento – insistia Craig.

– Não se trata de definir quem está certo e quem está errado – retrucava Betty. – É que eu não me sinto suficientemente segura para dizer como me sinto.

– Segura? – espantava-se Craig. – Você está imaginando coisas! Você tem uma ótima casa, uma poupança e um seguro de vida de um milhão de dólares. A única maneira de ficar mais segura seria se eu morresse.

As conversas desse tipo nunca ajudaram Betty.

Foi só depois que os dois foram procurar uma terapia de casal que o problema começou a se esclarecer. Craig passou a entender que os fatos objetivos que ele tentava mostrar para a esposa não a estavam ajudando. Ela queria apenas que ele compreendesse que ela sentia medo e precisava de apoio. Ela não esperava que ele eliminasse seus temores, queria só compartilhar seus sentimentos na esperança de se sentir mais perto dele. Craig se sentia muito melhor examinando os fatos, mas percebeu que essa atitude não melhorava a situação, pois Betty precisava que ele a escutasse, a entendesse e respondesse com compaixão. Existem momentos em que a objetividade não faz entender a essência da questão. Quando Craig tornou-se consciente do que estava acontecendo, foi capaz de ajudar Betty.

As pessoas valorizam demais a objetividade. Dizemos coisas como: “Por favor, limite-se a me apresentar os fatos”, como se obter os fatos fosse realmente a coisa mais importante a ser feita. Conclusões baseadas em fatos objetivos nos conferem uma sensação de segurança. No entanto, para Jesus, agir com sabedoria era muito mais importante do que acumular fatos objetivos. Para ele, o conhecimento devia se traduzir sempre nos atos e não nos discursos racionais. Foi isso que ele quis dizer quando falou: “A sabedoria é demonstrada pelas suas ações.” Podemos estar objetiva e racionalmente certos a respeito de algo que tem consequências devastadoras nos nossos relacionamentos com os outros, mas a sabedoria vai sempre considerar os resultados das nossas ações.

Jesus ensinou que insistir em chegar aos fatos objetivos sobre as coisas às vezes pode ser perigoso. Guerras foram deflagradas, religiões divididas, casamentos terminados, crianças repudiadas e amizades desfeitas por causa dessa atitude. Às vezes, vencer numa discussão pode nos custar um relacionamento. Como diz o antigo ditado, temos duas escolhas no casamento: podemos ter razão ou podemos ser felizes.

princípio espiritual: Busquem mais a sabedoria do que o conhecimento.

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Mark W. Baker

Sobre o autor

Mark W. Baker

MARK W. BAKER, Ph.D., é diretor-executivo da clínica La Vie Counseling Center e tem um consultório particular em Santa Monica, Califórnia. É muito solicitado como orador em igrejas e universidades.

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