Pare de fazer drama e aproveite a vida - Sextante
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AUTOAJUDA

Pare de fazer drama e aproveite a vida

Pare de fazer drama e aproveite a vida

RAFAEL SANTANDREU

Como superar a ansiedade, o medo e a negatividade e assumir o controle de suas emoções

Como superar a ansiedade, o medo e a negatividade e assumir o controle de suas emoções

“A depressão, a ansiedade e a obsessão são as nossas principais adversárias, e, quando nos deixamos levar por elas, perdemos a capacidade de viver plenamente. A vida está aí para ser desfrutada: amar, aprender, descobrir… E só podemos fazer isso quando superamos a neurose – ou o medo, seu principal sintoma.” – Rafael Santandreu

 

Muitas pessoas têm tendência a exagerar suas reações diante dos problemas do cotidiano, enxergando cada pequeno contratempo como uma grande tragédia. O objetivo deste livro é ensinar a mudar esse comportamento e construir uma vida emocional mais equilibrada.

Aqui você vai encontrar um método prático para transformar sua maneira de encarar os problemas e abandonar os pensamentos derrotistas.

O psicólogo Rafael Santandreu conta histórias de pacientes que se libertaram da depressão, do pânico e da ansiedade quando começaram a controlar seus pensamentos. Ter esse controle é uma questão de escolha.

Rafael mostra como evitar a preocupação excessiva, as ideias catastróficas e as crenças irracionais. Além disso, reúne lições para se enxergar a vida de forma diferente:

• As exigências que fazemos a nós mesmos, aos outros e ao mundo são a fonte da vulnerabilidade emocional. Como as coisas nem sempre são do jeito que gostaríamos, temos a impressão de que a vida é uma sucessão de frustrações.

• As pessoas emocionalmente fortes tomam muito cuidado para não fazer drama sobre as possibilidades negativas da vida – e é aí que reside a fonte de sua força.

• Quando aplicamos soluções exageradas a pequenos problemas, o remédio acaba sendo pior que a doença: derrubamos a casa e a mosca segue voando.

• Um dos melhores critérios para avaliar a gravidade de um fato é se perguntar: “Em que medida isso me impede de fazer coisas importantes na minha vida?”

****

É comum imaginarmos que existe uma relação direta entre aquilo que nos acontece e aquilo que sentimos. No entanto, entre os fatores externos e os efeitos emocionais há uma etapa intermediária: nossos pensamentos.

Se ficamos tristes quando um fato ocorre, não é pelo fato em si, mas pelo que pensamos a respeito dele. É isso que gera o medo, a angústia, a frustração, a irritabilidade e a depressão que atrapalham a nossa vida.

Com base nos mais recentes estudos da psicologia cognitiva – a área da psicologia que trata dos processos mentais que estão por trás do comportamento humano –, Rafael Santandreu ensina como mudar nossas reações diante dos obstáculos para que possamos assumir o controle de nossas emoções e aproveitar melhor as oportunidades que a vida nos oferece.

Neste livro, ele apresenta um método prático de transformação psicológica que parte de uma mudança fundamental: pare de fazer da vida um dramalhão mexicano, achando que o mundo está sempre contra você e que todos os seus problemas são absolutamente terríveis.

A verdade é que não é bem assim. A vida tem lá seus defeitos, mas não podemos achar que não vamos conseguir superá-los. Quando dominamos nossas emoções – em vez de sermos dominados por elas – somos capazes de relativizar as coisas, julgando com clareza o que é importante e o que não passa de exagero.

“A depressão, a ansiedade e a obsessão são as nossas principais adversárias, e, quando nos deixamos levar por elas, perdemos a capacidade de viver plenamente. A vida está aí para ser desfrutada: amar, aprender, descobrir… E só podemos fazer isso quando superamos a neurose – ou o medo, seu principal sintoma.” – Rafael Santandreu

 

Muitas pessoas têm tendência a exagerar suas reações diante dos problemas do cotidiano, enxergando cada pequeno contratempo como uma grande tragédia. O objetivo deste livro é ensinar a mudar esse comportamento e construir uma vida emocional mais equilibrada.

Aqui você vai encontrar um método prático para transformar sua maneira de encarar os problemas e abandonar os pensamentos derrotistas.

O psicólogo Rafael Santandreu conta histórias de pacientes que se libertaram da depressão, do pânico e da ansiedade quando começaram a controlar seus pensamentos. Ter esse controle é uma questão de escolha.

Rafael mostra como evitar a preocupação excessiva, as ideias catastróficas e as crenças irracionais. Além disso, reúne lições para se enxergar a vida de forma diferente:

• As exigências que fazemos a nós mesmos, aos outros e ao mundo são a fonte da vulnerabilidade emocional. Como as coisas nem sempre são do jeito que gostaríamos, temos a impressão de que a vida é uma sucessão de frustrações.

• As pessoas emocionalmente fortes tomam muito cuidado para não fazer drama sobre as possibilidades negativas da vida – e é aí que reside a fonte de sua força.

• Quando aplicamos soluções exageradas a pequenos problemas, o remédio acaba sendo pior que a doença: derrubamos a casa e a mosca segue voando.

• Um dos melhores critérios para avaliar a gravidade de um fato é se perguntar: “Em que medida isso me impede de fazer coisas importantes na minha vida?”

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É comum imaginarmos que existe uma relação direta entre aquilo que nos acontece e aquilo que sentimos. No entanto, entre os fatores externos e os efeitos emocionais há uma etapa intermediária: nossos pensamentos.

Se ficamos tristes quando um fato ocorre, não é pelo fato em si, mas pelo que pensamos a respeito dele. É isso que gera o medo, a angústia, a frustração, a irritabilidade e a depressão que atrapalham a nossa vida.

Com base nos mais recentes estudos da psicologia cognitiva – a área da psicologia que trata dos processos mentais que estão por trás do comportamento humano –, Rafael Santandreu ensina como mudar nossas reações diante dos obstáculos para que possamos assumir o controle de nossas emoções e aproveitar melhor as oportunidades que a vida nos oferece.

Neste livro, ele apresenta um método prático de transformação psicológica que parte de uma mudança fundamental: pare de fazer da vida um dramalhão mexicano, achando que o mundo está sempre contra você e que todos os seus problemas são absolutamente terríveis.

A verdade é que não é bem assim. A vida tem lá seus defeitos, mas não podemos achar que não vamos conseguir superá-los. Quando dominamos nossas emoções – em vez de sermos dominados por elas – somos capazes de relativizar as coisas, julgando com clareza o que é importante e o que não passa de exagero.

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Ficha técnica
Lançamento 22/04/2014
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 192
Peso 220 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0079-1
EAN 9788543100791
Preço R$ 29,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788543100807
Preço R$ 19,99
Conteúdos especiais
Lançamento 22/04/2014
Título original
Tradução
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 192
Peso 220 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0079-1
EAN 9788543100791
Preço R$ 29,90

E-book

eISBN 9788543100807
Preço R$ 19,99

Leia um trecho do livro

PRIMEIRA PARTE
AS BASES

CAPÍTULO 1
TRANSFORMAR-SE É POSSÍVEL

APOSTANDO ALTO

Numa fria manhã de inverno de 1940, um jovem chamado
Robert Capa guardou na mala sua câmera fotográfica, uma montanha de rolos de filmes novos e algumas roupas. No bolso direito do paletó, levava uma passagem para embarcar em um navio rumo à Segunda Guerra Mundial. Capa foi um dos primeiros fotógrafos de guerra da história do jornalismo e um personagem maravilhoso. Bonito, simpático, bebedor inveterado, valente e às vezes até romântico, esse nova-iorquino nascido em Praga partira para uma aventura.

No Dia D, centenas de milhares de jovens americanos se apinhavam nos barcos anfíbios a caminho das praias da Normandia. O terror os acompanhava ao som dos estrondos das bombas alemãs. Muitos vomitavam o café da manhã no interior daquele barco gelado; mas ninguém se queixava. Suas mentes não se detinham nesses detalhes. Entre aqueles garotos estava Capa, que tremia enquanto checava sua câmera repetidamente, como se o ritual de trabalho pudesse calar o barulho ensurdecedor da artilharia inimiga.

De repente, um baque sacudiu a embarcação, indicando que haviam chegado à margem. Em seguida, o sargento a cargo daquele pelotão gritou ainda mais alto que o trovejar das bombas: “Fora, rápido! Agrupamento a 20 metros! Agora!” Ele então pulou na água, segurando o fuzil sobre a cabeça e sentindo o coração acelerar enquanto corria.

Os rapazes saíram tropeçando em suas próprias pernas, mas mantiveram o olhar fixo nas costas de seu superior. Pior seria perder o sargento, seu único guia confiável naquele inferno. A confusão era enorme: pelotões às pressas em toda parte, gritos, explosões… Capa fez como os demais: atirou-se ao chão a uns
20 metros e cravou o olhar no sargento. O “veterano” de apenas 25 anos levantou de novo a voz para dizer: “Outra vez, corrida de 20 metros e reagrupamento! Agora!” E, como se arremessados por molas, lançaram-se duna acima.

Dos vinte garotos que Capa acompanhou naquela manhã, só dois sobreviveram. O fotógrafo teve tempo de capturar apenas algumas imagens desses poucos metros de batalha antes de ser obrigado a voltar para um dos navios aliados. Aquelas fotografias ligeiramente desfocadas foram as primeiras provas da libertação da Europa. No dia seguinte elas já estavam em todos os jornais da
Grã-Bretanha, e o mundo tinha as imagens da batalha final
da guerra pela liberdade do mundo.

Ao chegar a Londres, Capa teve dois meros dias de licença para usufruir ao lado de sua recém-conquistada namorada britânica. Várias garrafas de uísque depois, já estava a bordo de um avião do qual se jogaria de paraquedas, com a câmera em punho, para seguir os próximos passos do exército americano na Europa.

Você deve estar se perguntando: o que essa história tem a ver com um livro sobre psicologia? É simples. Capa fez valer seus dias, viveu intensamente. Apostou alto, sem medo, foi senhor de seu destino, de sua existência. Foi o melhor fotojornalista da história, marido de Gerda Taro, namorado de Ingrid Bergman e amigo íntimo de Hemingway. Seu espírito indomável o levou a ter uma vida de cinema antes de morrer na Guerra da Indochina, aos 41 anos de idade.

UMA MENTE EM FORMA, UMA VIDA EMOCIONANTE

Capa é para mim um mestre da vida. Há muitos outros: o explorador Ernest Shackleton, o músico e escritor Boris Vian, o físico Stephen Hawking, o “super-homem” Christopher Reeve, etc. Falarei de alguns deles ao longo destas páginas porque são bons modelos a seguir. Para a psicologia cognitiva, eles representam o contrário do que combatemos, o oposto ao viver mal.

O principal inimigo do psicólogo é aquilo que chamamos de neuroticismo – ou seja, a tendência a experimentar emoções negativas exageradas diante de circunstâncias difíceis. A depressão, a ansiedade e a obsessão são as nossas principais adversárias e, quando nos deixamos levar por elas, perdemos a capacidade de viver plenamente. A vida está aí para ser desfrutada: amar, aprender, descobrir… E só podemos fazer isso quando superamos a neurose (ou o medo, seu principal sintoma).

Um dos meus primeiros pacientes foi um homem de 40 anos chamado Raul. Ele me procurou porque sofria de síndrome do pânico. Chegou ao meu consultório de táxi, acompanhado pela mãe. Raul vivia aterrorizado pela ideia de que, a qualquer momento, podia ter um ataque de ansiedade. Tinha medo de sair de casa. Aos 20 anos parou de trabalhar e vivia recluso desde então. Vinte anos de clausura por causa do medo!

O maior temor de Raul era sofrer um ataque de nervos no meio da rua, longe de casa ou de um hospital onde pudessem socorrê-lo; mas nos últimos tempos também começara a sentir pavor ao ver televisão, pois certa vez entrara em pânico ao assistir a cenas de guerra. Então, nem via mais TV. É bem verdade que a programação não anda muito boa, mas deixar de assistir televisão por causa do medo não dá!

Raul e Robert Capa têm experiências opostas: um está na zona cinza da existência; o outro, na mais colorida e brilhante área da vida.

Costumo dizer aos meus pacientes que meu maior objetivo é torná-los fortes no campo emocional. Essa força lhes permitirá aproveitar a vida em sua totalidade. “Não quero que vocês tenham vidas ‘normais’ ou simplesmente estáveis. Quero que aprendam a aproveitar todo o seu potencial”, digo a eles. A neurose é um freio à plenitude, e a saúde emocional é o passaporte para a paixão e a felicidade.

É POSSÍVEL APRENDER

Muitos não acreditam que podem se transformar em pessoas fortes e emocionalmente estáveis. No consultório, ouço com frequência: “Mas fui assim a minha vida toda! Como é que alguns meses de terapia vão me fazer mudar?”

A verdade é que essa pergunta faz sentido, pois a maioria de nós acredita que a personalidade não pode ser transformada. Meu avô, um sujeito durão que lutou na Guerra Civil Espanhola, costumava dizer em tom grave: “Se uma pessoa não é madura aos 20 anos, não será nunca!” E, em grande medida, ele tinha razão. Porque certamente não é comum alguém mudar de forma radical; mas isso não significa que seja impossível. Com a orientação adequada, é possível, sim. Mesmo as pessoas mais vulneráveis podem conseguir isso. A psicologia atual desenvolveu métodos para tal.

E este é um dos meus propósitos mais importantes: informar ao leitor que é possível se transformar em uma pessoa emocionalmente saudável. Tenho uma infinidade de provas que demonstram isso. Entre elas, a mudança que milhares de pessoas experimentaram quando se consultaram com um psicólogo. Em meu blog (www.rafaelsantandreu.wordpress.com), muitos dos meus pacientes deixam depoimentos sobre suas histórias de superação. Atendo centenas de pessoas todos os anos e posso afirmar que qualquer um pode mudar de vida.

Eis um caso real: María Luisa ia ao teatro várias noites por semana para representar uma comédia de muito sucesso em Madri. Quando as cortinas se abriam, ela surgia em cena com todo o esplendor, a graça e a elegância que só os atores clássicos possuem. Ao fim da apresentação, o desfecho era sempre o mesmo: quase dez minutos de aplausos ininterruptos por seu trabalho genial. Que boa atriz, que simpática, que mulher cheia de vida!

Mas o que o público não sabia era que, na volta para casa, o humor da atriz María Luisa Merlo mudava completamente. Aos 50 anos, ela vivia seu pior momento pessoal, ainda que por nenhum motivo em especial. O problema, segundo lhe disse sua psiquiatra, estava na sua cabeça. Ela tinha tendência à depressão e à ansiedade. Ficava o dia todo na cama e só saía de casa para fazer o trabalho que tanto amava, mas do qual nem sequer conseguia desfrutar.

Merlo conta que nunca foi uma pessoa equilibrada. Apesar de ter tido uma boa infância, começou a apresentar transtornos emocionais quando entrou na vida adulta. Embora tivesse essa tendência à depressão (a chamada depressão endógena), também possuía uma visão de mundo que a tornava vulnerável. Tudo
se complicou ainda mais quando ela começou a usar drogas e a se
automedicar: “Na minha primeira crise depressiva, me receitaram sedativos e calmantes, e comecei a criar uma compulsão pelos comprimidos. Tomava para dormir, para ficar acordada, para tudo. Havia dias em que eu chegava a tomar dez ou quinze comprimidos para coisas diferentes. Também fui viciada em haxixe e cocaína.”

Por fim, a carismática atriz tinha um prognóstico ruim. Mas, em dado momento, sua história deu uma reviravolta. Um resquício de esperança aliado à sua inesgotável força para lutar a colocaram nas mãos de bons terapeutas. E assim, passo a passo, ela saiu da depressão.

María Luisa transformou a si própria. E todos nós somos capazes de fazer o mesmo. O caráter é formado por uma gama de características inatas, mas também por toda uma série de aprendizagens adquiridas na infância e na juventude – é sobre essa estrutura mental que podemos atuar.

Como veremos ao longo deste livro, podemos levar uma vida livre de medos, aberta a aventuras e cheia de realizações. Quando tivermos transformado nossa mente, seremos capazes de desfrutar das pequenas e grandes experiências do dia a dia, poderemos amar – e deixar que nos amem – com mais intensidade e teremos mais serenidade. Seremos um pouco como o fotógrafo aventureiro Robert Capa, apaixonados pela vida – por nossa própria vida.

PRIMEIRA PARTE
AS BASES

CAPÍTULO 1
TRANSFORMAR-SE É POSSÍVEL

APOSTANDO ALTO

Numa fria manhã de inverno de 1940, um jovem chamado
Robert Capa guardou na mala sua câmera fotográfica, uma montanha de rolos de filmes novos e algumas roupas. No bolso direito do paletó, levava uma passagem para embarcar em um navio rumo à Segunda Guerra Mundial. Capa foi um dos primeiros fotógrafos de guerra da história do jornalismo e um personagem maravilhoso. Bonito, simpático, bebedor inveterado, valente e às vezes até romântico, esse nova-iorquino nascido em Praga partira para uma aventura.

No Dia D, centenas de milhares de jovens americanos se apinhavam nos barcos anfíbios a caminho das praias da Normandia. O terror os acompanhava ao som dos estrondos das bombas alemãs. Muitos vomitavam o café da manhã no interior daquele barco gelado; mas ninguém se queixava. Suas mentes não se detinham nesses detalhes. Entre aqueles garotos estava Capa, que tremia enquanto checava sua câmera repetidamente, como se o ritual de trabalho pudesse calar o barulho ensurdecedor da artilharia inimiga.

De repente, um baque sacudiu a embarcação, indicando que haviam chegado à margem. Em seguida, o sargento a cargo daquele pelotão gritou ainda mais alto que o trovejar das bombas: “Fora, rápido! Agrupamento a 20 metros! Agora!” Ele então pulou na água, segurando o fuzil sobre a cabeça e sentindo o coração acelerar enquanto corria.

Os rapazes saíram tropeçando em suas próprias pernas, mas mantiveram o olhar fixo nas costas de seu superior. Pior seria perder o sargento, seu único guia confiável naquele inferno. A confusão era enorme: pelotões às pressas em toda parte, gritos, explosões… Capa fez como os demais: atirou-se ao chão a uns
20 metros e cravou o olhar no sargento. O “veterano” de apenas 25 anos levantou de novo a voz para dizer: “Outra vez, corrida de 20 metros e reagrupamento! Agora!” E, como se arremessados por molas, lançaram-se duna acima.

Dos vinte garotos que Capa acompanhou naquela manhã, só dois sobreviveram. O fotógrafo teve tempo de capturar apenas algumas imagens desses poucos metros de batalha antes de ser obrigado a voltar para um dos navios aliados. Aquelas fotografias ligeiramente desfocadas foram as primeiras provas da libertação da Europa. No dia seguinte elas já estavam em todos os jornais da
Grã-Bretanha, e o mundo tinha as imagens da batalha final
da guerra pela liberdade do mundo.

Ao chegar a Londres, Capa teve dois meros dias de licença para usufruir ao lado de sua recém-conquistada namorada britânica. Várias garrafas de uísque depois, já estava a bordo de um avião do qual se jogaria de paraquedas, com a câmera em punho, para seguir os próximos passos do exército americano na Europa.

Você deve estar se perguntando: o que essa história tem a ver com um livro sobre psicologia? É simples. Capa fez valer seus dias, viveu intensamente. Apostou alto, sem medo, foi senhor de seu destino, de sua existência. Foi o melhor fotojornalista da história, marido de Gerda Taro, namorado de Ingrid Bergman e amigo íntimo de Hemingway. Seu espírito indomável o levou a ter uma vida de cinema antes de morrer na Guerra da Indochina, aos 41 anos de idade.

UMA MENTE EM FORMA, UMA VIDA EMOCIONANTE

Capa é para mim um mestre da vida. Há muitos outros: o explorador Ernest Shackleton, o músico e escritor Boris Vian, o físico Stephen Hawking, o “super-homem” Christopher Reeve, etc. Falarei de alguns deles ao longo destas páginas porque são bons modelos a seguir. Para a psicologia cognitiva, eles representam o contrário do que combatemos, o oposto ao viver mal.

O principal inimigo do psicólogo é aquilo que chamamos de neuroticismo – ou seja, a tendência a experimentar emoções negativas exageradas diante de circunstâncias difíceis. A depressão, a ansiedade e a obsessão são as nossas principais adversárias e, quando nos deixamos levar por elas, perdemos a capacidade de viver plenamente. A vida está aí para ser desfrutada: amar, aprender, descobrir… E só podemos fazer isso quando superamos a neurose (ou o medo, seu principal sintoma).

Um dos meus primeiros pacientes foi um homem de 40 anos chamado Raul. Ele me procurou porque sofria de síndrome do pânico. Chegou ao meu consultório de táxi, acompanhado pela mãe. Raul vivia aterrorizado pela ideia de que, a qualquer momento, podia ter um ataque de ansiedade. Tinha medo de sair de casa. Aos 20 anos parou de trabalhar e vivia recluso desde então. Vinte anos de clausura por causa do medo!

O maior temor de Raul era sofrer um ataque de nervos no meio da rua, longe de casa ou de um hospital onde pudessem socorrê-lo; mas nos últimos tempos também começara a sentir pavor ao ver televisão, pois certa vez entrara em pânico ao assistir a cenas de guerra. Então, nem via mais TV. É bem verdade que a programação não anda muito boa, mas deixar de assistir televisão por causa do medo não dá!

Raul e Robert Capa têm experiências opostas: um está na zona cinza da existência; o outro, na mais colorida e brilhante área da vida.

Costumo dizer aos meus pacientes que meu maior objetivo é torná-los fortes no campo emocional. Essa força lhes permitirá aproveitar a vida em sua totalidade. “Não quero que vocês tenham vidas ‘normais’ ou simplesmente estáveis. Quero que aprendam a aproveitar todo o seu potencial”, digo a eles. A neurose é um freio à plenitude, e a saúde emocional é o passaporte para a paixão e a felicidade.

É POSSÍVEL APRENDER

Muitos não acreditam que podem se transformar em pessoas fortes e emocionalmente estáveis. No consultório, ouço com frequência: “Mas fui assim a minha vida toda! Como é que alguns meses de terapia vão me fazer mudar?”

A verdade é que essa pergunta faz sentido, pois a maioria de nós acredita que a personalidade não pode ser transformada. Meu avô, um sujeito durão que lutou na Guerra Civil Espanhola, costumava dizer em tom grave: “Se uma pessoa não é madura aos 20 anos, não será nunca!” E, em grande medida, ele tinha razão. Porque certamente não é comum alguém mudar de forma radical; mas isso não significa que seja impossível. Com a orientação adequada, é possível, sim. Mesmo as pessoas mais vulneráveis podem conseguir isso. A psicologia atual desenvolveu métodos para tal.

E este é um dos meus propósitos mais importantes: informar ao leitor que é possível se transformar em uma pessoa emocionalmente saudável. Tenho uma infinidade de provas que demonstram isso. Entre elas, a mudança que milhares de pessoas experimentaram quando se consultaram com um psicólogo. Em meu blog (www.rafaelsantandreu.wordpress.com), muitos dos meus pacientes deixam depoimentos sobre suas histórias de superação. Atendo centenas de pessoas todos os anos e posso afirmar que qualquer um pode mudar de vida.

Eis um caso real: María Luisa ia ao teatro várias noites por semana para representar uma comédia de muito sucesso em Madri. Quando as cortinas se abriam, ela surgia em cena com todo o esplendor, a graça e a elegância que só os atores clássicos possuem. Ao fim da apresentação, o desfecho era sempre o mesmo: quase dez minutos de aplausos ininterruptos por seu trabalho genial. Que boa atriz, que simpática, que mulher cheia de vida!

Mas o que o público não sabia era que, na volta para casa, o humor da atriz María Luisa Merlo mudava completamente. Aos 50 anos, ela vivia seu pior momento pessoal, ainda que por nenhum motivo em especial. O problema, segundo lhe disse sua psiquiatra, estava na sua cabeça. Ela tinha tendência à depressão e à ansiedade. Ficava o dia todo na cama e só saía de casa para fazer o trabalho que tanto amava, mas do qual nem sequer conseguia desfrutar.

Merlo conta que nunca foi uma pessoa equilibrada. Apesar de ter tido uma boa infância, começou a apresentar transtornos emocionais quando entrou na vida adulta. Embora tivesse essa tendência à depressão (a chamada depressão endógena), também possuía uma visão de mundo que a tornava vulnerável. Tudo
se complicou ainda mais quando ela começou a usar drogas e a se
automedicar: “Na minha primeira crise depressiva, me receitaram sedativos e calmantes, e comecei a criar uma compulsão pelos comprimidos. Tomava para dormir, para ficar acordada, para tudo. Havia dias em que eu chegava a tomar dez ou quinze comprimidos para coisas diferentes. Também fui viciada em haxixe e cocaína.”

Por fim, a carismática atriz tinha um prognóstico ruim. Mas, em dado momento, sua história deu uma reviravolta. Um resquício de esperança aliado à sua inesgotável força para lutar a colocaram nas mãos de bons terapeutas. E assim, passo a passo, ela saiu da depressão.

María Luisa transformou a si própria. E todos nós somos capazes de fazer o mesmo. O caráter é formado por uma gama de características inatas, mas também por toda uma série de aprendizagens adquiridas na infância e na juventude – é sobre essa estrutura mental que podemos atuar.

Como veremos ao longo deste livro, podemos levar uma vida livre de medos, aberta a aventuras e cheia de realizações. Quando tivermos transformado nossa mente, seremos capazes de desfrutar das pequenas e grandes experiências do dia a dia, poderemos amar – e deixar que nos amem – com mais intensidade e teremos mais serenidade. Seremos um pouco como o fotógrafo aventureiro Robert Capa, apaixonados pela vida – por nossa própria vida.

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Rafael Santandreu

Sobre o autor

Rafael Santandreu

Trabalha como psicólogo em sua clínica em Barcelona. Na década de 2000, foi professor na Universidad Ramon Llull, traduziu diversos livros de psicologia e foi editor-chefe da revista Mente Sana. Hoje divide seu tempo entre o consultório – sua grande paixão –, a divulgação de suas ideias através dos livros e a formação de médicos e psicólogos.

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