Permissão para sentir - Sextante
Livro

Permissão para sentir

Marc Brackett, Ph.D.

Como compreender nossas emoções e usá-las com sabedoria para viver com equilíbrio e bem-estar

Como compreender nossas emoções e usá-las com sabedoria para viver com equilíbrio e bem-estar

 

“Não me canso de recomendar Permissão para sentir. Prático, estratégico e viável. Meu tipo preferido de livro. Eu simplesmente adorei!” – Brené Brown

“Marc Brackett nos mostra que a inteligência emocional não é um dom, mas uma habilidade que traz imensos benefícios e que todos nós podemos aprender.” – Angela Duckworth, autora de Garra

 

Diretor-fundador do Centro de Inteligência Emocional de Yale, Marc Brackett criou um sistema que ajuda crianças e adultos a compreenderem suas emoções e usá-las com sabedoria.

 

Quando criança, Marc Brackett era um menino assustado, tímido e tomado por uma raiva silenciosa. Tudo mudou quando um tio foi capaz de reconhecer seu sofrimento e perguntar: O que você está sentindo?

Com essa simples pergunta, pela primeira vez, o pequeno Marc compreendeu que não era “errado” se sentir daquele jeito.

Nas décadas seguintes, ele se dedicou a investigar as raízes do bem-estar emocional e, a partir daí, criou um sistema para nos ajudar a reconhecer, compreender, rotular, expressar e regular nossas emoções, sejam elas positivas ou negativas.

Aplicado em milhares de escolas nos Estados Unidos, esse sistema é uma abordagem de alto impacto e efeito rápido, comprovadamente eficaz para reduzir o estresse e a sensação de esgotamento, melhorar o desempenho acadêmico e profissional e promover a saúde mental de adultos e crianças.

Combinando pesquisas científicas e relatos pessoais, este livro mostra como aplicar o método para que você se permita sentir sem se tornar prisioneiro das suas emoções.

Como o autor descobriu na infância e nos seus 25 anos dedicados à ciência das emoções, aprender a lidar com o que sentimos é o caminho para uma vida equilibrada, realizada e mentalmente saudável.

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Ficha técnica
Lançamento 21/10/2021
Título original Permission to feel
Tradução Livia de Almeida
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 320
Peso 390 g
Acabamento Brochura
ISBN 978-65-5564-205-6
EAN 9786555642056
Preço R$ 49,90
Ficha técnica e-book
eISBN 978-65-5564-206-3
Preço R$ 29,99
Ficha técnica audiolivro
ISBN 9786555643183
Duração 10h 30min
Locutor Reinaldo Rodrigues
Preço US$ 7,99
Lançamento 21/10/2021
Título original Permission to feel
Tradução Livia de Almeida
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 320
Peso 390 g
Acabamento Brochura
ISBN 978-65-5564-205-6
EAN 9786555642056
Preço R$ 49,90

E-book

eISBN 978-65-5564-206-3
Preço R$ 29,99

Audiolivro

ISBN 9786555643183
Duração 10h 30min
Locutor Reinaldo Rodrigues
Preço US$ 7,99

Leia um trecho do livro

Prólogo

MUITO BEM, VAMOS COMEÇAR PELAS PERGUNTAS FÁCEIS: qual é o problema com o título deste livro? Desde quando alguém precisa de permissão para sentir?

É verdade que todos nós temos sentimentos de modo mais ou menos contínuo, isto é, eles surgem a cada momento – até mesmo nos sonhos – sem pedir nem obter a aprovação de ninguém. Parar de sentir seria como parar de pensar. Ou de respirar. Impossível. Nossas emoções constituem grande parte daquilo que nos torna humanos.

Mesmo assim, passamos a vida tentando fingir o contrário. Nossos sentimentos podem se revelar problemáticos, inconvenientes, confusos e até viciantes. Eles nos deixam vulneráveis, expostos, nus diante do mundo. E nos levam a fazer coisas que preferiríamos não ter feito. Não é de admirar que nossas emoções às vezes nos assustem, por parecerem tão fora de controle. Com frequência, fazemos de tudo para negá-las ou escondê-las – às vezes até de nós mesmos. Essas atitudes em relação às emoções são transmitidas a nossos filhos, que passam a seguir o exemplo dos pais e professores, seus principais modelos. As crianças absorvem essa mensagem com tal intensidade que, em pouco tempo, também aprendem a suprimir até os sinais mais urgentes vindos de seu interior. Exatamente como aprendemos e ensinamos a fazer.

Você mal começou a leitura deste livro, mas aposto que já sabe do que estou falando.

É nesse contexto que negamos a nós mesmos – e às outras pessoas – a permissão para sentir. Nós engolimos em seco, reprimimos, fingimos. Evitamos a conversa difícil com um colega, depois explodimos com um ente querido e devoramos um pacote inteiro de biscoito sem fazer ideia do motivo. Quando negamos a nós mesmos o direito de sentir, surge na sequência uma longa lista de resultados indesejados. Perdemos até a capacidade de identificar o que estamos sentindo. É como se, sem perceber, ficássemos um pouco entorpecidos por dentro. Quando isso acontece, não conseguimos entender por que estamos experimentando uma emoção ou o que está acontecendo em nossa vida para provocá-la. Por não sermos capazes de nomeá-la, também não conseguimos expressar o que sentimos de um modo que as pessoas ao nosso redor consigam compreender. E se não conseguimos reconhecer, compreender ou colocar em palavras nossas emoções, é impossível fazer qualquer coisa a respeito, seja dominar nossos sentimentos – não negá-los, mas aceitá-los, até mesmo abraçá-los –, seja aprender a fazer com que nossas emoções trabalhem a nosso favor e não contra nós.

Lido com essas questões a cada minuto da minha carreira. Por meio de pesquisas acadêmicas e de experiências na vida real, sobretudo na área da educação, já vi o preço terrível que pagamos por nossa incapacidade de lidar de forma saudável com nossa vida emocional.

A seguir, há algumas evidências disso:

  • Em 2017, cerca de 8% dos adolescentes de 12 a 17 anos e 25% dos jovens adultos de 18 a 25 anos nos Estados Unidos eram usuários de drogas ilícitas.
  • O número de incidentes de bullying e assédio desde a pré-escola até o ensino médio relatados à Liga Antidifamação dobrou a cada ano entre 2015 e 2017 nos Estados Unidos.
  • De acordo com uma pesquisa Gallup de 2014, 46% dos professores americanos relatam alto nível de estresse diário durante o ano letivo. Empatam com enfermeiras, apresentando a taxa mais alta entre todos os grupos profissionais.
  • Uma pesquisa Gallup de 2018 revelou que mais de 50% dos trabalhadores americanos não se sentem motivados pelo que fazem; 13% deles se sentem “infelizes”.
  • De 2016 a 2017, mais de um a cada três alunos em 196 campi universitários dos Estados Unidos relataram diagnósticos de transtornos mentais. Alguns campi relataram um aumento de 30% nos problemas de saúde mental de um ano para o outro.
  • De acordo com o Relatório Mundial da Felicidade de 2019, os sentimentos negativos, incluindo preocupação, tristeza e raiva, têm aumentado em todo o mundo, chegando a 27% em 2018.
  • Os transtornos de ansiedade são as doenças mentais mais comuns nos Estados Unidos, afetando 25% das crianças entre 13 e 18 anos.
  • A depressão é a principal doença incapacitante em todo o mundo.
  • Problemas de saúde mental podem custar à economia global cerca de 16 trilhões de dólares até 2030. Isso inclui custos diretos com cuidados de saúde e medicamentos ou outras terapias e custos indiretos, como perda de produtividade.

Ao que parece, preferimos gastar mais dinheiro e esforço lidando com os efeitos de problemas emocionais a tentar preveni-los.

Tenho um interesse pessoal no que acontece de ruim dentro de nós quando negamos a nós mesmos a permissão para sentir. Isso significa que já passei por essa situação, mas, graças a alguém que se importou, consegui sair dela vivo. Falaremos mais a respeito disso.

Algumas pessoas podem alegar ter as habilidades apresentadas neste livro sem que tenham precisado buscá-las de forma consciente. Eu tive que aprendê-las. E elas são habilidades. Todos os tipos de personalidade – comunicativos ou quietos, imaginativos ou práticos, neuróticos ou despreocupados – as acharão acessíveis e até transformadoras. São habilidades claras, simples e testadas que podem ser desenvolvidas por qualquer pessoa de quase todas as faixas etárias.

Recentemente, fiz um treinamento com administradores num dos distritos escolares mais desafiadores dos Estados Unidos. Fui alertado: “Eles vão comê-lo vivo.” No almoço do primeiro dia, eu estava na fila do refeitório ao lado de um diretor e, para puxar assunto, perguntei: “E aí, o que está achando até agora?” Ele me encarou, depois olhou para a comida e respondeu: “As sobremesas parecem muito boas.” Naquele momento, percebi o que eu estava enfrentando. Estou acostumado a encontrar resistência, mas aquela atitude me atingiu com força. Decidi então que esse seria meu projeto. O superintendente estava totalmente convencido dos resultados do meu trabalho, mas tinha ficado claro que só teríamos sucesso naquele distrito se os diretores, pessoas como aquele sujeito, também acreditassem.

No final de alguns dias de ensino intensivo, esbarrei com aquele diretor outra vez. “Quando nos conhecemos, você não tinha tanta certeza de que esse curso funcionaria no seu caso”, falei. “Estou curioso. Agora que você passou dois dias aprendendo sobre as emoções e sobre a forma de integrar as habilidades emocionais em sua escola, o que acha?”

“Pois bem, vou te contar”, começou ele, fazendo uma pausa para organizar os pensamentos. “Agora percebo que eu não fazia ideia do que não sabia. A linguagem dos sentimentos era totalmente desconhecida para mim.”

Isso foi encorajador. Ele prosseguiu:

“Então, obrigado por me dar permissão para sentir.”

Vamos começar por aí.

PARTE UM

PERMISSÃO PARA SENTIR

COMO VOCÊ ESTÁ SE SENTINDO?

Essa é uma pergunta razoável quando se leva em consideração o tema deste livro. Aliás, eu a repetirei algumas vezes antes de chegarmos ao fim. Uma vez que essa pergunta costuma ser feita com enorme frequência, teoricamente deveria ser a mais fácil de responder, e não a mais difícil – dependendo do nível de sinceridade que vamos empregar na resposta.

Estou falando agora não apenas como psicólogo e diretor de um centro dedicado ao bem-estar emocional, mas também como ser humano. Gostaria que alguém tivesse me feito essa pergunta quando eu era pequeno – claro, com o desejo sincero de saber a resposta, com a coragem de fazer algo em relação ao que eu revelaria.

Não fui uma criança feliz.

Eu me sentia assustado, com raiva, sem esperança. Intimidado. Isolado. Eu sofria bastante.

Nossa, como eu sofria!

Quando eu estava na escola, bastava olhar para mim para perceber que algo estava errado. Eu era um péssimo aluno, com notas medíocres. Minha alimentação era tão problemática que passei de magérrimo à faixa de sobrepeso. Além disso, não tinha amigos de verdade.

Meus pais me amavam e se importavam comigo – eu sabia disso. Mas eles tinham as próprias dores. Minha mãe era ansiosa e deprimida, tinha problemas com bebidas alcoólicas. Meu pai era raivoso, assustador, parecia sempre decepcionado com o fato de ter um filho que não era tão durão quanto ele. No entanto, os dois tinham pelo menos uma coisa em comum: não faziam a mínima ideia de como lidar com sentimentos – nem com os deles, nem com os meus.

Eu passava horas sozinho no quarto, chorando ou angustiado com o bullying que sofria em silêncio na escola. Mas minha principal reação à vida era a raiva. Eu respondia a minha mãe com grosseria, gritava, berrava. “Quem você pensa que é para falar assim comigo?”, ela esbravejava. “Espere até seu pai chegar em casa!” Quando isso acontecia, minha mãe contava como eu a tinha desrespeitado, e ele invadia meu quarto aos berros: “Se eu tiver que dizer mais uma vez para você parar de falar com sua mãe desse jeito, vou perder a cabeça!” Às vezes, ele me poupava do sermão e simplesmente começava a me bater.

Aí minha mãe se intrometia, e os dois brigavam por causa do modo como ele lidava com a situação. Por fim, meu pai desistia e minha mãe entrava no quarto, dizendo: “Marc, salvei você desta vez…”

Eu me perguntava: Do que ela acha que me salvou?

Sem querer, eles me ensinaram uma lição poderosa: eu devia guardar meus sentimentos. Ter a certeza de não permitir que os vissem. Mas isso só faria com que tudo fosse de mal a pior.

Foi nessa época que descobriram meu segredo mais terrível – que um vizinho, um amigo da família, estava abusando sexualmente de mim. Quando finalmente tomaram conhecimento, meu pai pegou um bastão no porão e quase matou o homem. Minha mãe chegou perto de ter um colapso nervoso. A polícia prendeu o vizinho, e logo todo o bairro soube. Descobriu-se depois que meu agressor também violentara dezenas de outras crianças.

Você pode estar imaginando que todos ficaram felizes por eu ter exposto esse horror. Errado. Tornei-me um pária no mesmo instante. Todos os adultos mandavam os filhos ficarem longe de mim. O bullying piorou ainda mais.

De uma hora para outra, a fonte das minhas explosões emocionais ficou clara para meus pais. O motivo das minhas notas ruins. Da bulimia. Do isolamento social. Do desespero. Da raiva.

Eles fizeram o mesmo que tantos outros pais sob tamanha pressão.

Surtaram.

Na verdade, nem tanto: eles tiveram clareza suficiente para me levar a um psicólogo. Mas estavam sobrecarregados demais com os próprios problemas para ter condições de lidar com a vida emocional de outra pessoa; tentavam apenas sobreviver. Eles não perceberam ou então ignoraram todos os sinais que eu enviava, o que não chega a ser uma surpresa de fato. Talvez se sentissem mais seguros sem fazer muitas perguntas sobre meu dia a dia na escola ou no bairro. Talvez estivessem com medo do que descobririam – medo de ter que tomar alguma atitude, caso soubessem.

Se meus avós tivessem feito a eles as perguntas certas e lhes ensinado como lidar com os sentimentos e o que fazer quando surgissem problemas, minha vida naquela época poderia ter sido diferente. Talvez meus pais tivessem sido capazes de perceber a dor que eu sentia e saber como me ajudar.

Isso nunca aconteceu.

Algumas dessas coisas podem soar familiares para você. Ao longo da carreira, tenho encontrado muitas pessoas que tiveram uma infância parecida com a minha. Sentimentos invisíveis, desconhecidos e considerados ruins eram bem enterrados. Não existem duas histórias idênticas. As pessoas me contam como sofreram agressões físicas. Ou como foram ignoradas e silenciadas. Como sofreram abusos emocionais. Como foram sufocadas por pais que viviam indiretamente por meio delas. Negligenciadas por pais alcoólicos ou viciados. Nossas reações nunca são iguais.

Às vezes os relatos não são tão dramáticos – algumas pessoas apenas cresceram em lares em que os problemas emocionais do dia a dia eram ignorados porque ninguém aprendeu a falar sobre eles ou a tomar medidas para lidar com eles. O cenário não precisava ser trágico para que alguém sentisse que sua vida emocional não importava a ninguém além dele mesmo.

Foi assim que eu reagi: tornei-me insensível a meus sentimentos. Bloqueei todas as emoções. Ativei o modo de sobrevivência.

E então um milagre aconteceu.

Seu nome era Marvin. Tio Marvin, na verdade.

Ele era irmão da minha mãe, professor durante o dia e líder de banda à noite e nos fins de semana. Nós viajávamos de Nova Jersey até os balneários nas montanhas Catskill para assistir às apresentações de nossa celebridade familiar. Tio Marvin era realmente um ponto fora da curva – singular entre todos os meus parentes e entre todos os adultos que conheci. Era como o personagem de Robin Williams em Sociedade dos poetas mortos.

Em seu trabalho diurno, já na década de 1970, tio Marvin tentava criar um currículo que incentivasse os alunos a expressar o que sentiam. Ele acreditava que esse era o elo perdido na educação desses jovens – isto é, acreditava que as habilidades emocionais melhorariam o aprendizado e a vida deles. Eu ajudava tio Marvin datilografando suas anotações enquanto ele as lia em voz alta. Deparei com termos como “desespero”, “alienação”, “compromisso” e “euforia” e me reconheci em muitos deles.

Numa tarde de verão, enquanto estávamos sentados juntos no quintal, tio Marvin perguntou se poderia me aplicar um teste de QI. Acontece que eu era mais inteligente do que meus boletins deploráveis sugeriam. Acho também que ele desconfiava que eu estava passando por turbulências profundas relacionadas à escola e aos abusos sofridos. Isso levou meu tio a me fazer uma pergunta que eu nunca tinha ouvido de um adulto ou de qualquer outra pessoa:

“Marc”, disse ele, “como você está se sentindo?”

Com essas palavras, a represa dentro de mim se rompeu e foi liberada a torrente de emoções. Todas as coisas terríveis que eu vivenciava na época e todos os sentimentos que tive em resposta a essas experiências, tudo veio à tona num turbilhão.

Essa breve pergunta foi o que bastou para mudar minha vida. Não foi apenas o que tio Marvin disse; foi a maneira como disse. Ele realmente queria ouvir a resposta. Sem me julgar pelo que eu sentia. Apenas ouviu, com receptividade e empatia, o que eu estava expressando. Não tentou me interpretar nem me explicar.

Eu me abri de verdade naquele dia.

“Não tenho amigos, sou péssimo em esportes, sou gordo e todas as crianças da escola me odeiam”, lamentei, aos prantos.

Tio Marvin apenas ouviu. Ele escutou minhas palavras. Meu tio foi a primeira pessoa que escolheu não se concentrar em meu comportamento externo – sarcástico, retraído, desafiador, com toda certeza alguém desagradável de se ter por perto. Em vez disso, sentiu que algo mais estava acontecendo, algo significativo que ninguém, nem mesmo eu, reconhecera.

Tio Marvin me deu permissão para sentir.

Considerando tudo isso, não surpreende que, nos últimos 25 anos, eu venha pesquisando e escrevendo sobre as emoções e tenha percorrido o mundo para falar com as pessoas sobre seus sentimentos. Tornou-se minha paixão, o principal trabalho de minha vida. Sou professor do Centro de Estudos da Criança de Yale e diretor-fundador do Centro de Inteligência Emocional de Yale. Lá, lidero uma equipe de cientistas e profissionais que conduzem pesquisas sobre emoções e habilidades emocionais, além de desenvolverem abordagens para ensinar a pessoas de todas as idades – desde pré-escolares a CEOs seniores– habilidades que podem ajudá-las a prosperar. O objetivo do nosso Centro é usar o poder das emoções para criar uma sociedade mais saudável e justa, inovadora e compassiva.

Todos os anos, faço dezenas de palestras para educadores, alunos, pais, executivos, empresários, líderes políticos, cientistas, médicos e qualquer tipo de pessoa que se possa imaginar, em todo o mundo. Minha mensagem é a mesma: se pudermos aprender a identificar, expressar e controlar nossos sentimentos, mesmo os mais desafiadores, poderemos usar essas emoções para nos ajudar a criar vidas positivas e satisfatórias.

Sempre que falo para um grupo, começo pedindo aos espectadores que passem alguns minutos pensando sobre como estão se sentindo no momento. Então, convido-os a compartilhar. As respostas revelam muito – não necessariamente sobre suas emoções, mas sobre nossa incapacidade de falar sobre nossa vida emocional. O que descobri é que não temos sequer o vocabulário necessário para descrever o que sentimos com precisão: três quartos das pessoas demonstram dificuldade para encontrar uma palavra que exprima seus sentimentos. Em geral, dão voltas, se enrolam e depois usam os lugares-comuns a que todos nós recorremos: Estou bem, legal, ok…

Isso faz você pensar: será que ao menos sei como estou me sentindo? Eu me dei permissão para perguntar? Eu já fiz essa pergunta a meu parceiro, meu filho, meu colega de trabalho? Hoje, quando quase todas as questões podem ser resolvidas instantaneamente por tecnologias como Siri, Google ou Alexa, estamos perdendo o hábito de olhar para dentro ou de procurar outras pessoas em busca de respostas. Mas nem a Siri sabe tudo. E o Google não pode dizer por que seu filho está desesperado ou animado, ou por que a pessoa amada não se sente tão amada ultimamente, ou por que você não consegue se livrar dessa ansiedade crônica que o sufoca.

Faz sentido, então, que tenhamos todo esse desconforto e essa estranheza ao expressar nossa vida emocional. Isso acontece mesmo quando estamos experimentando sentimentos positivos, mas se mostra especialmente verdade quando são desagradáveis – tristeza, ressentimento, medo, rejeição. Todos eles nos conectam com nossas fraquezas, e quem quer expô-las? O instinto de nos proteger escondendo nossa vulnerabilidade é natural. Até os animais selvagens fazem isso. É autopreservação, pura e simples.

No entanto, todos nós fazemos esta pergunta ou alguma parecida várias vezes por dia, e somos convocados a respondê-la com a mesma frequência:

Como você está? Como você anda? Como você está se sentindo?

Perguntamos de modo tão automático que mal nos ouvimos. E respondemos com o mesmo espírito:

Ótimo, obrigado e você? Está tudo bem! Ocupado!

Sem parar um segundo sequer para pensar antes de responder.

Esse é um dos grandes paradoxos da condição humana. Fazemos algumas variações da pergunta “Como você está se sentindo?” repetidamente, o que nos levaria a supor que atribuímos alguma importância a ela. No entanto nunca esperamos nem desejamos – muito menos fornecemos – uma resposta sincera.

Imagine o que aconteceria se, da próxima vez que um conhecido (ou o atendente da lanchonete) dissesse “Oi, como vai?”, você passasse cinco minutos dando uma resposta detalhada. Se realmente desnudasse a alma. Garanto que levaria muito tempo para que aquela pessoa voltasse a fazer essa pergunta.

Há algo significativo acontecendo na enorme desconexão entre nossa disposição de perguntar como nos sentimos e nossa relutância em responder com honestidade. Sabemos agora que, à possível exceção da saúde física, o estado emocional é um dos aspectos mais importantes de nossa vida. Ele governa todo o resto. Sua influência é incisiva. No entanto é também o que controlamos com mais cuidado. Nossa vida mais profunda, nosso âmago, é um território desconhecido até para nós mesmos, um lugar arriscado de se explorar.

A vida é saturada de emoções – tristeza, decepção, ansiedade, irritação, entusiasmo e até tranquilidade. Às vezes – na verdade, com frequência – os sentimentos são inconvenientes. Eles atrapalham nossa vida já cheia de ocupações, ou pelo menos é isso que dizemos. Portanto, fazemos o possível para ignorá-los. Esse comportamento está em toda parte, dos altos escalões dos governos aos pátios escolares e parquinhos infantis. Todos nós acreditamos que nossos sentimentos são importantes e merecem ser tratados de forma respeitosa e plena. Mas também consideramos as emoções perturbadoras e improdutivas – no trabalho, em casa e em qualquer lugar. Até a década de 1980, a maioria dos psicólogos via as emoções como um ruído estranho, uma estática inútil. Os sentimentos nos desaceleram e atrapalham a realização de nossos objetivos. Todos nós já ouvimos estes conselhos: Supere! Pare de pensar em si mesmo (como se isso fosse possível!). Não seja tão sensível. É hora de seguir em frente.

A ironia, porém, é que quando ignoramos nossos sentimentos, ou os suprimimos, eles se tornam mais fortes. Gostemos ou não, as emoções realmente poderosas se acumulam em nosso interior como uma força sombria que envenena tudo o que fazemos. Sentimentos que nos machucam não desaparecem por conta própria. Eles não se curam sozinhos. Se não expressamos nossas emoções, elas se acumulam como uma dívida que em algum momento será cobrada.

E não estou falando apenas dos momentos em que sentimos algo desagradável. Também podemos não entender o que sentimos quando as coisas vão bem. Ficamos satisfeitos em apreciar as emoções sem examiná-las em profundidade. É um erro, claro. Para fazer escolhas positivas no futuro, precisamos saber o que nos trará felicidade – e por quê.

Provas da nossa incapacidade de lidar de forma construtiva com a vida emocional estão ao nosso redor. Em 2015, em colaboração com a Fundação Robert Wood Johnson e a Fundação Born This Way (criada por Lady Gaga e sua mãe, Cynthia Germanotta), realizamos uma grande pesquisa com 22 mil adolescentes dos Estados Unidos e pedimos que descrevessem como se sentiam enquanto estavam na escola. Três quartos das palavras empregadas foram negativas, com “cansado”, “entediado” e “estressado” ocupando o topo da lista. Isso não foi surpreendente, dado que cerca de 30% dos alunos do ensino fundamental experimentam problemas de adaptação graves o suficiente para exigir aconselhamento contínuo. Em escolas economicamente desfavorecidas, essa parcela chega a 60%.

De acordo com um relatório do Unicef, atualmente os jovens americanos ocupam o último quarto entre as nações desenvolvidas em matéria de bem-estar e satisfação com a vida. Pesquisas mostram que eles apresentam níveis de estresse superiores aos dos adultos. Os adolescentes dos Estados Unidos são líderes mundiais em violência, consumo excessivo de álcool, uso de maconha e obesidade. Mais da metade dos estudantes universitários experimenta uma ansiedade avassaladora e um terço relata depressão intensa. E, nas últimas duas décadas, houve um aumento de 28% na taxa de suicídio.

Com que clareza as crianças pensam quando se sentem cansadas, entediadas e estressadas? Será que absorvem bem novas informações quando estão ansiosas? Levam seus estudos a sério? Sentem-se inclinadas a expressar sua curiosidade e buscar o aprendizado?

A seguir, conto uma história que me diz muito sobre a atmosfera emocional nas escolas.

A superintendente de um importante distrito metropolitano nos Estados Unidos estava realizando visitas a escolas. Enquanto caminhava pelos corredores com o diretor, ela viu uma menina indo para uma das salas de aula e a cumprimentou, tentando iniciar uma conversa.

A menina se recusou a cumprimentá-la.

“Ela nem me respondeu”, contou a superintendente. Depois de um momento de confusão mútua, a menininha baixou a cabeça e seguiu em frente. Ao que parecia, tinham recomendado aos alunos que caminhassem em silêncio sobre uma linha branca pintada no centro dos corredores. “Sair da linha para falar comigo seria desobedecer às regras”, disse a superintendente.

Nunca saberemos como essa conversa poderia ter sido. O instinto natural da aluna e da educadora de se envolverem foi reprimido pela demanda da escola, que colocava a ordem acima de tudo.

O que pode acontecer num simples diálogo, num momento de conversa fiada no corredor? Provavelmente muito pouco. Embora você talvez tenha algumas memórias da primeira infância que se destacam em meio à névoa dos anos, cenas que perduraram com o passar do tempo apenas pelo fato de que um adulto abriu espaço em sua vida para você, reservou-lhe um momento. Foi o que aconteceu comigo. Uma coisa pequena como essa, se for sincera, pode reverberar.

Não são apenas os alunos que se sentem oprimidos. E quanto aos professores? Em 2017, em colaboração com o New Teacher Center, realizamos uma pesquisa com mais de 5 mil educadores e descobrimos que eles passam quase 70% de seu tempo de trabalho se sentindo “frustrados”, “oprimidos” e “estressados”. Isso está de acordo com os dados da Gallup, mostrando que quase metade dos professores dos Estados Unidos relata alto estresse diário. Um retrato assustador desse sistema educacional, não concorda?

Quão eficazes são os educadores quando se sentem tão frustrados, oprimidos e estressados quanto as crianças? Será que conseguem dar seu melhor nas aulas? São agressivos verbalmente com os alunos sem querer ou ignoram suas necessidades porque estão emocionalmente exaustos? Será que saem do trabalho se sentindo esgotados, temendo o retorno para a sala de aula no dia seguinte?

Se não entendermos nem encontrarmos estratégias para lidar com as emoções, elas assumirão o controle de nossa vida, como aconteceu comigo quando era criança. O medo e a ansiedade impossibilitavam que eu tentasse lidar com meus problemas. Eu me sentia paralisado. Hoje em dia, a ciência já demonstra as razões disso. Se houvesse alguém para me ensinar as habilidades emocionais – ao menos alguém para me dizer simplesmente que existiam tais habilidades –, talvez eu sentisse que tinha mais controle da situação. No entanto, tudo o que pude fazer foi suportar.

Durante as palestras, costumo fazer a observação de que atualmente as crianças vivem num estado de crise permanente. Em geral, isso faz com que alguém faça uma pergunta que na verdade é uma opinião: “Você não acha que faltam a esses garotos a dureza e a fibra moral que se tinha há algumas gerações?”

Minha resposta para essa pergunta amadureceu com o passar dos anos. No passado, uma declaração dessas realmente me deixaria irritado. Parece que alguém está procurando motivo para se sentir superior e culpar as vítimas. Hoje em dia, acho que essa pergunta é irresponsável.

Suponha que falte mesmo às crianças de hoje a força emocional que nós ou outra geração tínhamos em abundância. Vamos presumir que, no passado, os jovens passavam pelos mesmos desafios – ou talvez por outros, maiores –, mas eram capazes de lidar com os problemas.

E daí?

Será que isso significa que abdicamos da responsabilidade de fazer o melhor possível para ajudar as crianças de hoje? Se elas exigem alguma ajuda, não seria nosso dever ajudá-las, sem julgar? E se precisam mesmo de tanto apoio, como foi que chegaram a essa condição? Teria alguma relação com a forma como as criamos?

Houve um momento – e nem faz tanto tempo assim – em que as crianças tinham uma necessidade básica que não era atendida. Em 1945, enquanto a Segunda Guerra Mundial ainda se desenrolava, um general (e ex-professor) chamado Lewis B. Hershey testemunhou perante o Congresso americano que quase metade de todos os recrutas do Exército foi rejeitada por motivos relacionados à má nutrição. O general tinha fundamentos para afirmar isso: Hershey era o responsável pelo Sistema de Serviço Seletivo. Ele via rapazes desnutridos e percebia sua incapacidade para a guerra.

O Congresso não emitiu qualquer declaração condenando a irresponsabilidade da geração mais jovem. Pelo contrário: um projeto bipartidário foi aprovado – a Lei Nacional de Merenda Escolar.

Em outras palavras, passamos a alimentar as crianças.

Está na hora de voltar a alimentá-las.

No Centro de Inteligência Emocional de Yale, é só o que pensamos: como podemos ajudar as pessoas a identificar suas emoções, a compreender a influência de seus sentimentos sobre todos os aspectos da vida e a desenvolver habilidades que garantam que usem as emoções de formas produtivas e saudáveis.

Certa vez, após uma conversa com profissionais de saúde mental num grande hospital, o chefe da psiquiatria infantil se aproximou de mim e disse: “Marc, ótimo trabalho. Mas, sabe, de acordo com nossos dados, vamos precisar de mais 8 mil psiquiatras infantis para lidar com os problemas que essas crianças terão.”

Fiquei estarrecido.

“Você me entendeu mal. Na verdade, quero deixar todos vocês sem ter o que fazer”, respondi em tom de brincadeira.

Na perspectiva dele, todas aquelas crianças problemáticas precisariam de intervenções profissionais para lidar com a vida. No entanto, o que eu afirmava era que precisávamos repensar a educação para que as escolas passassem a ensinar habilidades emocionais – de forma que as intervenções profissionais se tornassem menos necessárias.

Já se passaram quase trinta anos desde que a ideia de inteligência emocional foi introduzida por meus mentores, Peter Salovey, professor de psicologia e atual presidente da Universidade Yale, e Jack Mayer, professor de psicologia da Universidade de New Hampshire. Já se passou um quarto de século desde que Daniel Goleman publicou seu best-seller Inteligência emocional, que popularizou o conceito. E ainda temos dificuldades com as perguntas mais básicas, por exemplo: “Como você está se sentindo?”

Os sentimentos são um tipo de informação. São como notícias vindas do interior de nossa psique, enviando mensagens sobre o que está acontecendo dentro da pessoa singular que cada um de nós é, diante de quaisquer eventos internos ou externos. Precisamos acessar essas informações e, em seguida, descobrir o que elas nos dizem. Assim podemos tomar decisões mais fundamentadas.

Os sentimentos são um tipo de informação. São como notícias vindas do interior de nossa psique, enviando mensagens sobre o que está acontecendo dentro da pessoa singular que cada um de nós é, diante de quaisquer eventos internos ou externos. Precisamos acessar essas informações e, em seguida, descobrir o que elas nos dizem. Assim podemos tomar decisões mais fundamentadas.

Um exemplo: a raiva por vezes pode parecer não provocada ou inexplicável, no entanto, em quase todos os casos ela é uma resposta ao que percebemos como um tratamento injusto. Sofremos algum tipo de injustiça, grande ou pequena, e isso nos deixa furiosos. Alguém fura a fila na sua frente – e você se irrita. Você merecia uma promoção no trabalho, mas ela foi dada à sobrinha do chefe – e você fica indignado. É a mesma dinâmica básica em funcionamento.

A maioria de nós não gosta de lidar com a raiva, seja ela nossa ou de outra pessoa. Quando o pai, a mãe ou um professor depara com o que talvez seja uma criança com raiva, em muitas ocasiões o primeiro impulso é ameaçar com castigos – se você não parar de gritar, de falar com grosseria ou de bater os pés, vai ficar sem ver TV/ vai ficar sem recreio.

Quando um adulto está com raiva, nossa reação não é muito diferente. Recuamos de imediato. Paramos de ouvir com compaixão. Nós nos sentimos sob ataque, o que torna quase impossível lidar com as informações que a pessoa irritada está transmitindo. Mas essa raiva é uma mensagem importante. Se pudermos apaziguar a injustiça que a desencadeou, a raiva irá embora porque perde a utilidade. Do contrário, vai se transformar numa chaga aberta, mesmo que pareça ceder.

Felizmente, existe uma ciência para compreender a emoção. Não é apenas uma questão de intuição, de opinião ou de instinto visceral. Não nascemos com um talento inato para reconhecer o que nós ou qualquer outra pessoa está sentindo e por quê. Todos temos que aprender. Eu tive que aprender.

Como ocorre com qualquer ciência, há um processo de descoberta, um método de investigação. Depois de três décadas de pesquisa e experiência prática, nós do Centro de Inteligência Emocional de Yale identificamos os talentos necessários para nos tornarmos o que chamamos de “cientistas da emoção”.

Aqui estão as cinco habilidades que identificamos. Precisamos:

  • Reconhecer nossas emoções e as dos outros, não apenas por meio do que pensamos, sentimos e dizemos, mas também pelas expressões faciais, linguagem corporal, tom de voz e outros sinais não verbais.
  • Compreender esses sentimentos e determinar sua origem – quais foram as experiências que os provocaram –, para então ver como eles influenciaram nosso comportamento.
  • Rotular as emoções com um vocabulário variado.
  • Expressar nossos sentimentos de acordo com as normas culturais e contextos sociais de modo a informar o ouvinte e provocar sua empatia.
  • Regular as emoções, em vez de permitir que elas nos regulem, descobrindo estratégias práticas para lidar com o que nós e os outros sentimos.

O restante deste livro é dedicado a ensinar essas habilidades e o modo de usá-las.

No fim da década de 1990, tio Marvin e eu começamos a levar essas habilidades para as escolas. Fracassamos. Estávamos preparados para dar instruções em sala de aula para as crianças. Mas alguns professores resistiram. “Ensinar as crianças sobre ansiedade me deixa nervoso”, confessou um deles. “Não vou abrir a caixa de Pandora que é falar sobre como as crianças se sentem”, afirmou outro. Se os professores não acreditassem na importância das habilidades emocionais, nunca seriam eficazes em instruir seus alunos. Então, Marvin e eu, junto com os novos colegas de Yale, voltamos aos estudos. Vimos que nunca alcançaríamos as crianças se primeiro não recrutássemos professores que entendessem a importância das habilidades emocionais. E logo depois percebemos que só poderíamos transformar sistemas escolares inteiros se houvesse comprometimento no topo da hierarquia escolar, nos comitês escolares, junto aos superintendentes e diretores.

Então, ficou claro que essas habilidades precisam ser compartilhadas de forma mais ampla. Todos nós, adultos, precisamos entender como as emoções nos influenciam e como influenciam as pessoas a nossa volta, não apenas as crianças em idade escolar. Precisamos desenvolver habilidades emocionais e nos tornar modelos positivos. Educadores e pais devem demonstrar a capacidade de identificar, discutir e regular as próprias emoções antes de ensinar essas habilidades a outras pessoas. Nossa pesquisa em sala de aula mostra que se o professor é emocional[1]mente habilidoso, os alunos fazem menos bagunça, se concentram mais e têm melhor desempenho acadêmico. Nossos estudos comprovam que onde há um diretor emocionalmente habilidoso, há professores menos estressados e mais satisfeitos. E onde há um pai emocionalmente habilidoso, há filhos com uma capacidade maior de identificar e de regular as emoções.

E assim, quando nossos filhos se tornarem adultos emocionalmente habilidosos, toda a cultura mudará – para melhor. Porém aprender essas habilidades e aprimorar a maneira como respondemos aos nossos sentimentos não significa que de repente ficaremos felizes o tempo todo. A felicidade permanente não pode ser nosso objetivo – não é assim que a vida real funciona. Precisamos da capacidade de experimentar e expressar todas as emoções para diminuir ou aumentar as que são agradáveis ou desagradáveis, a fim de alcançar um maior bem-estar, tomar as decisões de modo mais fundamentado, construir e manter relacionamentos significativos e concretizar nosso potencial.

Esse movimento começa com nós mesmos. Se você é pai ou mãe, pergunte-se o seguinte: quais são as qualidades que você mais deseja que seus filhos tenham à medida que crescem? São habilidades matemáticas, conhecimento científico, desempenho atlético? Ou confiança, bondade, senso de propósito, sabedoria para construir relacionamentos saudáveis e duradouros? Quando consultamos líderes de empresas, eles nos dizem que estão à procura de funcionários que perseveram numa tarefa, que assumem responsabilidade por seu trabalho, que podem se dar bem com outras pessoas e funcionar como integrantes de uma equipe. Antes de habilidades técnicas ou de conhecimentos especializados, as empresas procuram os atributos emocionais. Um colega da RAND Corporation me disse que a tecnologia avança com tamanha rapidez nos dias de hoje que as empresas não contratam os funcionários por conta de suas habilidades atuais – na verdade, estão em busca daqueles que demonstram flexibilidade, que conseguem apresentar novas ideias, inspirar cooperação em grupo, gerir e comandar equipes e assim por diante.

Podemos adquirir algumas dessas habilidades por “osmose”, observando e imitando aqueles que as possuem. Mas, para a maioria, elas devem ser ensinadas. E são aprendidas mais facilmente no seio das comunidades. Habilidades emocionais são ao mesmo tempo pessoais e coletivas. Podem ser usadas em particular, mas a melhor aplicação se dá quando alcançam toda uma comunidade, de modo que uma rede emerge para reforçar sua própria influência. Já vi isso acontecer, pois essas habilidades estão sendo implantadas em milhares de escolas em todo o mundo, com resultados impressionantes. As crianças se beneficiam porque há menos bullying e estresse emocional, menos suspensões e melhor desempenho acadêmico. Além disso, também vimos que as escolas onde essas habilidades são ensinadas têm professores com níveis mais baixos de estresse e de esgotamento, com menos intenções de deixar a profissão, maior satisfação no trabalho e capacidade de dar aulas mais envolventes.

Todos nós queremos que nossa vida e a vida das pessoas que amamos sejam livres de adversidades e de acontecimentos perturbadores.

Não podemos fazer com que isso aconteça.

Todos nós queremos que nossa vida seja repleta de relacionamentos saudáveis, de compaixão e de um senso de propósito.

Isso nós podemos fazer acontecer.

Tio Marvin me mostrou como. Começa com a permissão para sentir, o primeiro passo do processo.

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Marc Brackett, Ph.D.

Sobre o autor

Marc Brackett, Ph.D.

MARC BRACKETT, Ph.D., é psicólogo, pesquisador, diretor-fundador do Centro de Inteligência Emocional de Yale e professor do Centro de Estudos da Criança de Yale. Publicou mais de cem artigos acadêmicos sobre o papel das emoções e da inteligência emocional na aprendizagem, tomada de decisão, criatividade, relacionamentos, saúde e desempenho.

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