“Eu não vivia, só cumpria tarefas.
Em algum momento eu tinha tomado a direção errada, quebrado a bússola interior, e isso me limitava e me pressionava ao mesmo tempo.
Até alguns anos antes, eu me sentia leve e feliz, amava o que fazia. Mas fui perdendo minha liberdade. Não foi uma decisão consciente – aconteceu pouco a pouco.
Fui me tornando uma dessas pessoas que só valorizam o trabalho. Era exigente comigo mesmo, rara - mente estava satisfeito ou relaxado, vivia estressado.
Naquela manhã, eu me sentia um pássaro exausto, preso na gaiola. Nada parecia certo. Minha vida não tinha nada a ver com quem eu realmente queria ser.
Enquanto corria pela floresta, sem rumo e sem destino, pensei numa coisa que tinha lido dias antes: quando a pessoa está sobrecarregada, seus pensamentos ficam girando em círculos, e é preciso romper esse padrão. Por isso devemos fazer algo inusitado, fora do habitual.
Parei para pensar nas possibilidades e me veio à cabeça a imagem do lago na entrada da floresta. Logo me dei conta de que não estava com roupa de banho e que a água estaria gelada.
Mas também pensei que poderia ser uma pequena aventura no meio da minha rotina.
E me lembrei do que fazia na piscina quando criança, quando não queria ver, ouvir nem sentir nada: pulava na água e deixava o corpo afundar. O mundo sumia e se calava.
Era só mergulhar. Que ideia tentadora.
Mudei de direção e corri para o lago.” – STEPHAN SCHÄFER