A curvatura da banana - Sextante
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ESTAÇÃO BRASIL

A curvatura da banana

A curvatura da banana

MARCOS COSTA

Quem tem um projeto de nação para o Brasil?

Quem tem um projeto de nação para o Brasil?

Neste novo livro, Marcos Costa, consagrado autor de História do Brasil para quem tem pressa, apresenta uma espécie de doença social que acomete o Brasil desde a chegada dos portugueses e nos impede de construir um projeto de nação.

Relembrando fatos históricos conhecidos de todos nós, ele delineia as circunstâncias em que foi lançada a pedra fundamental que vem baseando nosso cotidiano ao longo dos últimos 500 anos e levanta questões que nos farão refletir sobre que país desejamos para os próximos cinco centenários.

 

“A recorrência, no Brasil, das relações espúrias entre governo e empresários ao longo de 500 anos de nossa história e a consequente falta de distinção entre o público e o privado devem ser objeto de uma reflexão profunda, por serem a vertente de nosso descompasso com a civilização, de nosso eterno voo de galinha como nação, de toda a nossa tragédia cotidiana.

Tendo a sociedade brasileira sido constituída desde o início da forma que foi, o resultado não poderia ter sido outro. É da natureza de um sistema completamente descompromissado com um projeto de nação gerar uma sociedade também extremamente personalista, cuja peculiaridade é a prevalência da parte sobre o todo. Assim como é da natureza da bananeira gerar um fruto como a banana, com todas as suas características, inclusive sua curvatura peculiar.

A corrupção está para o tipo de sociedade, de política e de economia que se praticam no Brasil como a sua curvatura peculiar está para a banana, ou seja, é sua mais primária natureza, sua genética, seu destino e sua disposição natural. Enquanto não houver uma nação, não haverá povo, não haverá cidadania. Assim como enquanto cultivarmos bananeiras não iremos colher outro fruto senão bananas.”

Marcos Costa

Neste novo livro, Marcos Costa, consagrado autor de História do Brasil para quem tem pressa, apresenta uma espécie de doença social que acomete o Brasil desde a chegada dos portugueses e nos impede de construir um projeto de nação.

Relembrando fatos históricos conhecidos de todos nós, ele delineia as circunstâncias em que foi lançada a pedra fundamental que vem baseando nosso cotidiano ao longo dos últimos 500 anos e levanta questões que nos farão refletir sobre que país desejamos para os próximos cinco centenários.

 

“A recorrência, no Brasil, das relações espúrias entre governo e empresários ao longo de 500 anos de nossa história e a consequente falta de distinção entre o público e o privado devem ser objeto de uma reflexão profunda, por serem a vertente de nosso descompasso com a civilização, de nosso eterno voo de galinha como nação, de toda a nossa tragédia cotidiana.

Tendo a sociedade brasileira sido constituída desde o início da forma que foi, o resultado não poderia ter sido outro. É da natureza de um sistema completamente descompromissado com um projeto de nação gerar uma sociedade também extremamente personalista, cuja peculiaridade é a prevalência da parte sobre o todo. Assim como é da natureza da bananeira gerar um fruto como a banana, com todas as suas características, inclusive sua curvatura peculiar.

A corrupção está para o tipo de sociedade, de política e de economia que se praticam no Brasil como a sua curvatura peculiar está para a banana, ou seja, é sua mais primária natureza, sua genética, seu destino e sua disposição natural. Enquanto não houver uma nação, não haverá povo, não haverá cidadania. Assim como enquanto cultivarmos bananeiras não iremos colher outro fruto senão bananas.”

Marcos Costa

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Ficha técnica
Lançamento 14/05/2018
Título original A CURVATURA DA BANANA
Tradução
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 240
Peso 480 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-5608-031-8
EAN 9788556080318
Preço R$ 39,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788556080325
Preço R$ 24,99
Selo
Estação Brasil
Lançamento 14/05/2018
Título original A CURVATURA DA BANANA
Tradução
Formato 16 x 23 cm
Número de páginas 240
Peso 480 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-5608-031-8
EAN 9788556080318
Preço R$ 39,90

E-book

eISBN 9788556080325
Preço R$ 24,99

Selo

Estação Brasil

Leia um trecho do livro

Introdução

De início é bom ter em mente e deixar claro que todos os problemas do Brasil – sociais, de desigualdade extrema – são oriundos de decisões políticas históricas, portanto, deliberadas. Uma situação construída a partir de opções políticas que, se fossem outras, poderiam ter nos levado a uma realidade diferente.

A partir desse pressuposto é possível começar a compreender o Brasil.

Que o poder econômico sempre determinou a política brasileira todos nós sabemos. Mas, nos dias em que vivemos, essa determinação chegou às raias da loucura.

A história do Brasil é um palíndromo perfeito, reportando de trás para a frente e da frente para trás uma mesma sequência de acontecimentos, assim como uma palavra palindrômica apresenta exatamente a mesma sequência de letras quando lida nos dois sentidos. A recorrência de certas práticas ao longo de nossa história revela um elo assustador e profundo entre os que aqui chegaram em 1500 e os que aqui hoje estão. Isso porque, em todo o seu percurso, “a realidade histórica brasileira demonstrou a persistência secular da estrutura patrimonial, resistindo galhardamente, inviolavelmente, à repetição, em fase progressiva, da experiência capitalista”. Um mesmo objetivo animava e anima o espírito dos agentes públicos de ontem e de hoje: a espoliação, a expropriação, o lucro, a exploração.

No Brasil, o estamento – que, segundo Max Weber, é uma teia de relacionamentos que constitui o poder – se renova num ciclo de 30 a 50 anos. Esse espaço de tempo corresponde precisamente ao período de renovação dos políticos no poder. Em geral os políticos entram para o estamento em torno dos 40 anos de idade. Passados 30 ou 40 anos, são forçosamente substituídos pela ação do tempo, e novos membros surgem com novos pleitos e novas demandas. Quase todas essas transições de três a cinco décadas ocorreram com abalos imensos, como um ciclone, um tsunami.

Desse modo, pode-se dizer que o Brasil sofre de uma espécie de psicopatia incurável. Cíclica, ela às vezes adormece, nos dá a impressão de ter sido extinta, mas sempre ressurge – como toda psicopatia – e é, invariavelmente, devastadora. O primeiro desses ciclos se dá entre a independência, em 1822, e 1850, com o fim do tráfico negreiro e o surto desenvolvimentista; o segundo, de 1851 até 1889, com o golpe militar que instituiu a República; o terceiro, de 1890 até 1930-1937, com o golpe militar que estabeleceu o Estado Novo; o quarto, de 1931 até 1964, quando um golpe militar impôs a ditadura; o quinto, de 1965 até 1988, com a abertura política e a redemocratização; e, por fim, o sexto ciclo, de 1989 até 2017, com uma crise política, econômica e ética sem precedentes.

As três partes deste livro fazem esse percurso por meio da seguinte periodicidade:

De 1500 a 1888, 388 anos nos quais predominou o trabalho escravo – e o mais absurdo é que o fim da escravidão só se deu por meio de uma ruptura drástica, não por um consenso de que a situação social da escravidão era uma insanidade, um atentado contra a humanidade (vejam só como chega às raias da loucura a defesa de certos interesses setoriais ou de classe no Brasil).

De 1889 a 1984, quando três golpes militares impuseram ao país mudanças abruptas, antidemocráticas, porque em todas as ocasiões o povo foi completamente ignorado, desprezado e tratado como incapaz de tomar decisões.

E, por fim, do período de redemocratização, de 1985 até 2017, quando várias crises convergiram para um desencontro e uma desesperança como nunca se viram no Brasil – crise política, crise econômica, crise institucional, crise ética, crise de representatividade – e expuseram ao mundo nossas vísceras, nossa incapacidade, nossa pobreza, nossa canalhice cotidiana.

Tais crises expuseram também o abismo que existe entre Estado e sociedade civil. Romperam as já tênues linhas que nos separavam da barbárie. Descobrimos, estupefatos, que não fizemos a passagem do estado de natureza para o contrato social e que vivemos, no fundo, numa lógica primitiva em que prevalece a luta de todos contra todos. Levaram-nos ou mantiveram-nos esse tempo todo nesse estado porque nele tudo é permitido, e os mais fortes – aqueles que têm ao seu lado o aparelhamento do Estado – se sobrepõem aos mais fracos: o povo, vítima desse estamento.

O que o país precisa para romper essa patologia cíclica é de um projeto de nação. Mesmo que as ideias de projeto e de nação possam parecer envelhecidas e antiquadas. Nesse sentido, a Operação Lava Jato é fundamental, porque ela se pôs, justamente em um momento de transição, entre a velha política brasileira e a sua renovação, interrompendo um ciclo reprodutor secular no Brasil. Daí estarmos vivendo um momento extremamente conturbado, turbulento, dividido entre dois mundos: “um quase definitivamente morto”– representante do atraso –, mas que luta com todas as forças para não expirar; e outro – que quer um país novo – “que luta por vir à luz” e sair das trevas.

Acabar com a corrupção e resgatar alguns valores perdidos no percurso, tais como ética e honestidade, é apenas o passo inicial. A partir daí outros deverão ser dados, alguns de curta e outros de longa duração, para projetar um horizonte e construir uma perspectiva para o presente e para o futuro. Embora cada país tenha sua especificidade, precisamos aprender com os outros – esta é a única vantagem do nosso atraso: a possibilidade de queimar etapas em direção a um país mais justo. Temos todas as condições para construir um grande país – o território, a riqueza natural, o povo –; o que nos falta é um projeto de nação.

Devemos fazer algumas perguntas apenas e ver se somos ou não capazes de respondê-las. Temos que criar alguns desafios e ver se somos ou não capazes de vencê-los. Precisamos definir metas e ver se somos ou não capazes de cumpri-las. Cabe a nós definir que país queremos e fazer com que ele aconteça.

Estamos em meio a mais um ciclone devastador. Porém, após o desastre, as perguntas que temos colocadas na mesa são:

Quem está disposto a construir um novo país?

Quem tem um projeto de nação para o Brasil?

Introdução

De início é bom ter em mente e deixar claro que todos os problemas do Brasil – sociais, de desigualdade extrema – são oriundos de decisões políticas históricas, portanto, deliberadas. Uma situação construída a partir de opções políticas que, se fossem outras, poderiam ter nos levado a uma realidade diferente.

A partir desse pressuposto é possível começar a compreender o Brasil.

Que o poder econômico sempre determinou a política brasileira todos nós sabemos. Mas, nos dias em que vivemos, essa determinação chegou às raias da loucura.

A história do Brasil é um palíndromo perfeito, reportando de trás para a frente e da frente para trás uma mesma sequência de acontecimentos, assim como uma palavra palindrômica apresenta exatamente a mesma sequência de letras quando lida nos dois sentidos. A recorrência de certas práticas ao longo de nossa história revela um elo assustador e profundo entre os que aqui chegaram em 1500 e os que aqui hoje estão. Isso porque, em todo o seu percurso, “a realidade histórica brasileira demonstrou a persistência secular da estrutura patrimonial, resistindo galhardamente, inviolavelmente, à repetição, em fase progressiva, da experiência capitalista”. Um mesmo objetivo animava e anima o espírito dos agentes públicos de ontem e de hoje: a espoliação, a expropriação, o lucro, a exploração.

No Brasil, o estamento – que, segundo Max Weber, é uma teia de relacionamentos que constitui o poder – se renova num ciclo de 30 a 50 anos. Esse espaço de tempo corresponde precisamente ao período de renovação dos políticos no poder. Em geral os políticos entram para o estamento em torno dos 40 anos de idade. Passados 30 ou 40 anos, são forçosamente substituídos pela ação do tempo, e novos membros surgem com novos pleitos e novas demandas. Quase todas essas transições de três a cinco décadas ocorreram com abalos imensos, como um ciclone, um tsunami.

Desse modo, pode-se dizer que o Brasil sofre de uma espécie de psicopatia incurável. Cíclica, ela às vezes adormece, nos dá a impressão de ter sido extinta, mas sempre ressurge – como toda psicopatia – e é, invariavelmente, devastadora. O primeiro desses ciclos se dá entre a independência, em 1822, e 1850, com o fim do tráfico negreiro e o surto desenvolvimentista; o segundo, de 1851 até 1889, com o golpe militar que instituiu a República; o terceiro, de 1890 até 1930-1937, com o golpe militar que estabeleceu o Estado Novo; o quarto, de 1931 até 1964, quando um golpe militar impôs a ditadura; o quinto, de 1965 até 1988, com a abertura política e a redemocratização; e, por fim, o sexto ciclo, de 1989 até 2017, com uma crise política, econômica e ética sem precedentes.

As três partes deste livro fazem esse percurso por meio da seguinte periodicidade:

De 1500 a 1888, 388 anos nos quais predominou o trabalho escravo – e o mais absurdo é que o fim da escravidão só se deu por meio de uma ruptura drástica, não por um consenso de que a situação social da escravidão era uma insanidade, um atentado contra a humanidade (vejam só como chega às raias da loucura a defesa de certos interesses setoriais ou de classe no Brasil).

De 1889 a 1984, quando três golpes militares impuseram ao país mudanças abruptas, antidemocráticas, porque em todas as ocasiões o povo foi completamente ignorado, desprezado e tratado como incapaz de tomar decisões.

E, por fim, do período de redemocratização, de 1985 até 2017, quando várias crises convergiram para um desencontro e uma desesperança como nunca se viram no Brasil – crise política, crise econômica, crise institucional, crise ética, crise de representatividade – e expuseram ao mundo nossas vísceras, nossa incapacidade, nossa pobreza, nossa canalhice cotidiana.

Tais crises expuseram também o abismo que existe entre Estado e sociedade civil. Romperam as já tênues linhas que nos separavam da barbárie. Descobrimos, estupefatos, que não fizemos a passagem do estado de natureza para o contrato social e que vivemos, no fundo, numa lógica primitiva em que prevalece a luta de todos contra todos. Levaram-nos ou mantiveram-nos esse tempo todo nesse estado porque nele tudo é permitido, e os mais fortes – aqueles que têm ao seu lado o aparelhamento do Estado – se sobrepõem aos mais fracos: o povo, vítima desse estamento.

O que o país precisa para romper essa patologia cíclica é de um projeto de nação. Mesmo que as ideias de projeto e de nação possam parecer envelhecidas e antiquadas. Nesse sentido, a Operação Lava Jato é fundamental, porque ela se pôs, justamente em um momento de transição, entre a velha política brasileira e a sua renovação, interrompendo um ciclo reprodutor secular no Brasil. Daí estarmos vivendo um momento extremamente conturbado, turbulento, dividido entre dois mundos: “um quase definitivamente morto”– representante do atraso –, mas que luta com todas as forças para não expirar; e outro – que quer um país novo – “que luta por vir à luz” e sair das trevas.

Acabar com a corrupção e resgatar alguns valores perdidos no percurso, tais como ética e honestidade, é apenas o passo inicial. A partir daí outros deverão ser dados, alguns de curta e outros de longa duração, para projetar um horizonte e construir uma perspectiva para o presente e para o futuro. Embora cada país tenha sua especificidade, precisamos aprender com os outros – esta é a única vantagem do nosso atraso: a possibilidade de queimar etapas em direção a um país mais justo. Temos todas as condições para construir um grande país – o território, a riqueza natural, o povo –; o que nos falta é um projeto de nação.

Devemos fazer algumas perguntas apenas e ver se somos ou não capazes de respondê-las. Temos que criar alguns desafios e ver se somos ou não capazes de vencê-los. Precisamos definir metas e ver se somos ou não capazes de cumpri-las. Cabe a nós definir que país queremos e fazer com que ele aconteça.

Estamos em meio a mais um ciclone devastador. Porém, após o desastre, as perguntas que temos colocadas na mesa são:

Quem está disposto a construir um novo país?

Quem tem um projeto de nação para o Brasil?

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Marcos Costa

Sobre o autor

Marcos Costa

Formou-se em história na Unesp e tornou-se mestre e doutor em história social pela mesma universidade. Professor universitário, pesquisador e escritor, escreveu inúmeros artigos para revistas científicas. É organizador dos dois volumes de Sérgio Buarque de Holanda: Escritos coligidos e autor de O reino que não era deste mundo e A história do Brasil para quem tem pressa.

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