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AUTOAJUDA

Ichigo-ichie

Ichigo-ichie

FRANCESC MIRALLES E HÉCTOR GARCÍA

A arte japonesa de transformar cada instante em um momento precioso

A arte japonesa de transformar cada instante em um momento precioso

Dos mesmos autores de Ikigai.

“Na época da dispersão absoluta, da falta de escuta e da superficialidade, há, dentro de cada pessoa, uma chave capaz de abrir novamente as portas da atenção, da harmonia e do amor à vida.

Essa chave se chama Ichigo-ichie.” – Héctor García e Francesc Miralles

A expressão japonesa Ichigo-ichie foi usada pela primeira vez há meio milênio, pelo criador da tradicional cerimônia do chá, e pode ser traduzida como “o que estamos vivendo agora não se repetirá nunca mais”.

A partir dessa premissa, Francesc Miralles e Hector García apresentam um livro encantador, capaz de nos fazer enxergar a beleza efêmera de cada instante.

No entanto, mais do que lembrar que nossa existência é breve, o Ichigo-ichie ressalta que estamos vivos e que, por isso, devemos aproveitar plenamente todas as nossas experiências.

Mesclando histórias inspiradoras e dicas práticas, os autores nos ensinam a:

• Criar conexões mais profundas com as outras pessoas.

• Despertar nossos sentidos e abrir as portas para a sincronicidade.

• Abandonar a preocupação com o passado e o futuro para viver o agora. • Organizar encontros e celebrações memoráveis.

• Integrar à nossa vida a filosofia zen que inspirou Steve Jobs.

• Valorizar cada momento, conscientes de que ele nunca se repetirá da mesma forma.

Dos mesmos autores de Ikigai.

“Na época da dispersão absoluta, da falta de escuta e da superficialidade, há, dentro de cada pessoa, uma chave capaz de abrir novamente as portas da atenção, da harmonia e do amor à vida.

Essa chave se chama Ichigo-ichie.” – Héctor García e Francesc Miralles

A expressão japonesa Ichigo-ichie foi usada pela primeira vez há meio milênio, pelo criador da tradicional cerimônia do chá, e pode ser traduzida como “o que estamos vivendo agora não se repetirá nunca mais”.

A partir dessa premissa, Francesc Miralles e Hector García apresentam um livro encantador, capaz de nos fazer enxergar a beleza efêmera de cada instante.

No entanto, mais do que lembrar que nossa existência é breve, o Ichigo-ichie ressalta que estamos vivos e que, por isso, devemos aproveitar plenamente todas as nossas experiências.

Mesclando histórias inspiradoras e dicas práticas, os autores nos ensinam a:

• Criar conexões mais profundas com as outras pessoas.

• Despertar nossos sentidos e abrir as portas para a sincronicidade.

• Abandonar a preocupação com o passado e o futuro para viver o agora. • Organizar encontros e celebrações memoráveis.

• Integrar à nossa vida a filosofia zen que inspirou Steve Jobs.

• Valorizar cada momento, conscientes de que ele nunca se repetirá da mesma forma.

Compre agora:

Ficha técnica
Lançamento 13/05/2019
Título original ICHIGO ICHIE
Tradução BEATRIZ MEDINA
Formato 14 X 21 CM
Número de páginas 176
Peso 0.29 KG
Acabamento BROCHURA
ISBN 9788543107417
EAN 9788543107417
Preço R$ 34.90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788543107424
Preço R$ 19.99
Lançamento 13/05/2019
Título original ICHIGO ICHIE
Tradução BEATRIZ MEDINA
Formato 14 X 21 CM
Número de páginas 176
Peso 0.29 KG
Acabamento BROCHURA
ISBN 9788543107417
EAN 9788543107417
Preço R$ 34.90

E-book

eISBN 9788543107424
Preço R$ 19.99

Leia um trecho do livro

Em uma antiga casa de chá

Na tarde em que este livro estava prestes a nascer (embora ainda não soubéssemos disso), caiu uma tempestade sobre as avenidas de Gion. No coração de Quioto, lar das últimas gueixas e outros mistérios, nos refugiamos em uma chashitsu – uma casa de chá – que estava deserta por causa do temporal.

Sentados a uma mesa baixa ao lado da janela, nós, os futuros autores deste livro, observávamos a torrente que descia a rua estreita, arrastando pétalas de sakura das cerejeiras em flor.

A primavera avançava rumo ao verão, e logo não restaria nenhuma daquelas pétalas brancas que provocam furor nos japoneses.

Uma anciã de quimono nos perguntou o que queríamos, e escolhemos a variedade mais especial do cardápio: um gyokuro de ­Ureshino, uma cidade ao sul do país conhecida por produzir o melhor chá do mundo.

Enquanto esperávamos pela chaleira fumegante e pelas xícaras, trocamos impressões sobre a antiga capital do Japão. Era maravilhoso saber que, nas colinas que rodeavam aquela cidade, já houve cerca de dois mil templos.

Depois, passamos a escutar em silêncio o fragor da chuva contra as pedras da calçada.

Quando a velha senhora retornou com a bandeja, a fragrância do chá nos arrancou daquela doce e breve letargia. Erguemos as xícaras para apreciar o verde intenso da infusão antes de nos regalar com o primeiro gole, amargo e doce ao mesmo tempo.

Naquele momento, uma jovem com um guarda-chuva passou de bicicleta lá fora e nos ofereceu um sorriso tímido antes de sumir na rua sob a tempestade.

Foi então que levantamos os olhos e vimos uma placa de madeira marrom-escura que pendia do teto e trazia a inscrição:

一期一会

Enquanto o vento úmido fazia soar uma sineta pendurada no beiral da casa de chá, passamos a decifrar aqueles ideogramas, pronunciados Ichigo-ichie, cujo sentido – “o que estamos vivendo agora não se repetirá nunca mais” – evidenciava o fato de cada momento ser um belo tesouro.

Essa mensagem descrevia com perfeição o que vivíamos naquela tarde chuvosa na velha Quioto.

Começamos, então, a falar sobre outros momentos impossíveis de se repetir, como aqueles que talvez tivéssemos deixado passar por estarmos ocupados demais com o passado, o futuro ou mesmo as distrações do presente.

Um estudante com a mochila nas costas, caminhando sob a chuva e conversando ao celular, representava claramente essa situação e nos fez pensar em uma frase de Henry David ­Thoreau: “Não podemos matar o tempo sem ferir a eternidade.”

Naquela tarde de primavera, com um lampejo de inspiração, entendemos algo que nos faria refletir pelos meses seguintes. Na época da dispersão absoluta, da cultura do instantâneo, da falta de escuta e da superficialidade, há, dentro de cada pessoa, uma chave capaz de abrir novamente as portas da atenção, da harmonia e do amor à vida.

Essa chave se chama Ichigo-ichie.

No decorrer destas páginas, vamos dividir uma experiência única e transformadora: aprender a tornar cada instante o melhor momento da vida.

Héctor García e Francesc Miralles

Ichigo-ichie

Os caracteres que formam o conceito central deste livro não apresentam equivalência exata em nossa língua, mas veremos duas interpretações que nos permitirão compreendê-lo.

É possível traduzir Ichigo-ichie como “uma vez, um encontro” ou “neste momento, uma oportunidade”.

O que se quer transmitir é o fato de que cada encontro, cada experiência vivenciada, é um tesouro único que nunca se repetirá da mesma maneira. Portanto, se o deixarmos escapar sem desfrutá-lo, ele estará perdido para sempre.

一期一会

Cada um dos quatro caracteres significa:

(um / uma)

(período) / (vez)

(um / uma)

(encontro / oportunidade)

As portas de Shambala

Uma lenda tibetana ilustra o conceito de Ichigo-ichie de maneira muito lúcida. Dizem que um caçador perseguia um cervo além dos cumes gelados do Himalaia quando encontrou uma enorme montanha com uma divisão no meio, permitindo que se visse o que havia do outro lado.

Junto à abertura, um ancião de barba longa acenou para que o caçador se aproximasse para olhar.

Obedecendo, o homem passou a cabeça pela fenda vertical, grande o suficiente para a passagem de uma pessoa, e perdeu o fôlego com o que viu.

Do outro lado da abertura havia um jardim fértil e ensolarado, a perder de vista. Crianças brincavam felizes entre árvores carregadas de frutas, e os animais andavam livremente por aquele mundo repleto de beleza, serenidade e abundância.

– Gosta do que vê? – perguntou o ancião ao perceber o assombro do homem.

– Claro que gosto. Isso… só pode ser o paraíso!

– É, sim, e você o encontrou. Por que não entra? Aqui poderá viver feliz pelo resto da vida.

Exultante, o caçador respondeu:

– Entrarei, mas antes quero buscar meus irmãos e amigos. Voltarei logo com eles.

– Como quiser, mas veja bem: as portas de Shambala se abrem uma única vez – advertiu o ancião, franzindo ligeiramente a testa.

– Não vou demorar – informou o caçador antes de sair correndo.

Entusiasmado pelo que acabara de ver, o homem refez o caminho que o levara até ali, cruzando vales, rios e montes, até chegar à aldeia, onde comunicou a descoberta aos dois irmãos e a três amigos que o acompanhavam desde a infância.

O grupo partiu com rapidez, guiado pelo caçador, e, antes que o sol se pusesse no horizonte, eles chegaram à alta montanha que dava acesso a Shambala.

No entanto, a passagem havia se fechado e não voltaria a se abrir.

Assim, o descobridor daquele mundo maravilhoso teve que continuar caçando pelo resto da vida.

Agora ou nunca

As escrituras budistas utilizam a primeira parte da palavra Ichigo-ichie (一期) para se referir ao tempo que passa desde o momento em que nascemos até nossa morte. Como no conto tibetano apresentado, a oportunidade ou o encontro com a vida é o que se oferece agora. Se não o aproveitar, você o perderá para sempre.

Como prega o ditado, só se vive uma vez. Assim, cada momento é uma porta de Shambala que se abre, e não haverá outra oportunidade de cruzá-la.

Isso é algo que todos nós, como seres humanos, sabemos, mas acabamos esquecendo quando nos deixamos consumir pelos afazeres e pelas preocupações do dia a dia.

Assim, tomar consciência do Ichigo-ichie nos ajuda a tirar o pé do acelerador e recordar que cada manhã, cada encontro com nossos filhos, cada momento com nossos entes queridos é infinitamente valioso e merece toda a nossa atenção.

Não sabemos quando a vida termina. Cada dia pode ser o último, pois, ao se deitar, ninguém é capaz de assegurar que voltará a abrir os olhos.

Segundo consta, há um mosteiro na Espanha onde os monges, toda vez que se encontram no corredor, dizem uns aos outros: “Recorde, irmão, que um dia você vai morrer.” Isso os deixa com uma consciência permanente do agora que, em vez de causar tristeza ou inquietação, os leva a desfrutar plenamente cada instante.

Como diz Marco Aurélio em suas Meditações, o drama da existência não é morrer, mas nunca ter começado a viver.

Nesse sentido, o Ichigo-ichie representa um convite muito adequado à filosofia do “agora ou nunca”, pois, ainda que vivamos muitos anos, a essência de cada momento é única e não se repetirá.

Podemos nos encontrar com as mesmas pessoas no mesmo lugar, mas estaremos mais velhos, nossa situação e nosso humor serão diferentes, teremos outras prioridades e experiências. O universo está em constante mudança, e nós também. Por isso, nada acontecerá novamente do mesmo modo.

Origens da expressão

O primeiro registro escrito do Ichigo-ichie consta de um caderno de anotações do mestre do chá Yamanoue Soji, em 1588, no qual se lia:

“Deverá tratar teu anfitrião como se o encontro só ocorresse uma única vez durante tua vida.”

Se usássemos a expressão japonesa central deste livro, a frase poderia ser escrita da seguinte maneira: “Trata teu anfitrião com Ichigo-ichie.”

Quando incluiu essa frase em seu caderno, Yamanoue Soji estava registrando o que aprendia sobre a cerimônia do chá sob a tutela do mestre Sen no Rikyu, considerado um dos fundadores do wabi-cha, estilo que enfatiza a simplicidade acima de tudo.

No entanto, para exprimir o conceito, Soji recorreu ao japonês antigo e usou os símbolos 一期一度, que, embora quase iguais ao original 一期一会, apresentam diferença no último caractere, cujo significado é “vez”, e não “encontro”.

Essa importante mudança nos permite entender o caráter único de cada momento para além da cerimônia do chá, à qual dedicaremos um capítulo inteiro a fim de entender sua profundidade filosófica.

Em uma antiga casa de chá

Na tarde em que este livro estava prestes a nascer (embora ainda não soubéssemos disso), caiu uma tempestade sobre as avenidas de Gion. No coração de Quioto, lar das últimas gueixas e outros mistérios, nos refugiamos em uma chashitsu – uma casa de chá – que estava deserta por causa do temporal.

Sentados a uma mesa baixa ao lado da janela, nós, os futuros autores deste livro, observávamos a torrente que descia a rua estreita, arrastando pétalas de sakura das cerejeiras em flor.

A primavera avançava rumo ao verão, e logo não restaria nenhuma daquelas pétalas brancas que provocam furor nos japoneses.

Uma anciã de quimono nos perguntou o que queríamos, e escolhemos a variedade mais especial do cardápio: um gyokuro de ­Ureshino, uma cidade ao sul do país conhecida por produzir o melhor chá do mundo.

Enquanto esperávamos pela chaleira fumegante e pelas xícaras, trocamos impressões sobre a antiga capital do Japão. Era maravilhoso saber que, nas colinas que rodeavam aquela cidade, já houve cerca de dois mil templos.

Depois, passamos a escutar em silêncio o fragor da chuva contra as pedras da calçada.

Quando a velha senhora retornou com a bandeja, a fragrância do chá nos arrancou daquela doce e breve letargia. Erguemos as xícaras para apreciar o verde intenso da infusão antes de nos regalar com o primeiro gole, amargo e doce ao mesmo tempo.

Naquele momento, uma jovem com um guarda-chuva passou de bicicleta lá fora e nos ofereceu um sorriso tímido antes de sumir na rua sob a tempestade.

Foi então que levantamos os olhos e vimos uma placa de madeira marrom-escura que pendia do teto e trazia a inscrição:

一期一会

Enquanto o vento úmido fazia soar uma sineta pendurada no beiral da casa de chá, passamos a decifrar aqueles ideogramas, pronunciados Ichigo-ichie, cujo sentido – “o que estamos vivendo agora não se repetirá nunca mais” – evidenciava o fato de cada momento ser um belo tesouro.

Essa mensagem descrevia com perfeição o que vivíamos naquela tarde chuvosa na velha Quioto.

Começamos, então, a falar sobre outros momentos impossíveis de se repetir, como aqueles que talvez tivéssemos deixado passar por estarmos ocupados demais com o passado, o futuro ou mesmo as distrações do presente.

Um estudante com a mochila nas costas, caminhando sob a chuva e conversando ao celular, representava claramente essa situação e nos fez pensar em uma frase de Henry David ­Thoreau: “Não podemos matar o tempo sem ferir a eternidade.”

Naquela tarde de primavera, com um lampejo de inspiração, entendemos algo que nos faria refletir pelos meses seguintes. Na época da dispersão absoluta, da cultura do instantâneo, da falta de escuta e da superficialidade, há, dentro de cada pessoa, uma chave capaz de abrir novamente as portas da atenção, da harmonia e do amor à vida.

Essa chave se chama Ichigo-ichie.

No decorrer destas páginas, vamos dividir uma experiência única e transformadora: aprender a tornar cada instante o melhor momento da vida.

Héctor García e Francesc Miralles

Ichigo-ichie

Os caracteres que formam o conceito central deste livro não apresentam equivalência exata em nossa língua, mas veremos duas interpretações que nos permitirão compreendê-lo.

É possível traduzir Ichigo-ichie como “uma vez, um encontro” ou “neste momento, uma oportunidade”.

O que se quer transmitir é o fato de que cada encontro, cada experiência vivenciada, é um tesouro único que nunca se repetirá da mesma maneira. Portanto, se o deixarmos escapar sem desfrutá-lo, ele estará perdido para sempre.

一期一会

Cada um dos quatro caracteres significa:

(um / uma)

(período) / (vez)

(um / uma)

(encontro / oportunidade)

As portas de Shambala

Uma lenda tibetana ilustra o conceito de Ichigo-ichie de maneira muito lúcida. Dizem que um caçador perseguia um cervo além dos cumes gelados do Himalaia quando encontrou uma enorme montanha com uma divisão no meio, permitindo que se visse o que havia do outro lado.

Junto à abertura, um ancião de barba longa acenou para que o caçador se aproximasse para olhar.

Obedecendo, o homem passou a cabeça pela fenda vertical, grande o suficiente para a passagem de uma pessoa, e perdeu o fôlego com o que viu.

Do outro lado da abertura havia um jardim fértil e ensolarado, a perder de vista. Crianças brincavam felizes entre árvores carregadas de frutas, e os animais andavam livremente por aquele mundo repleto de beleza, serenidade e abundância.

– Gosta do que vê? – perguntou o ancião ao perceber o assombro do homem.

– Claro que gosto. Isso… só pode ser o paraíso!

– É, sim, e você o encontrou. Por que não entra? Aqui poderá viver feliz pelo resto da vida.

Exultante, o caçador respondeu:

– Entrarei, mas antes quero buscar meus irmãos e amigos. Voltarei logo com eles.

– Como quiser, mas veja bem: as portas de Shambala se abrem uma única vez – advertiu o ancião, franzindo ligeiramente a testa.

– Não vou demorar – informou o caçador antes de sair correndo.

Entusiasmado pelo que acabara de ver, o homem refez o caminho que o levara até ali, cruzando vales, rios e montes, até chegar à aldeia, onde comunicou a descoberta aos dois irmãos e a três amigos que o acompanhavam desde a infância.

O grupo partiu com rapidez, guiado pelo caçador, e, antes que o sol se pusesse no horizonte, eles chegaram à alta montanha que dava acesso a Shambala.

No entanto, a passagem havia se fechado e não voltaria a se abrir.

Assim, o descobridor daquele mundo maravilhoso teve que continuar caçando pelo resto da vida.

Agora ou nunca

As escrituras budistas utilizam a primeira parte da palavra Ichigo-ichie (一期) para se referir ao tempo que passa desde o momento em que nascemos até nossa morte. Como no conto tibetano apresentado, a oportunidade ou o encontro com a vida é o que se oferece agora. Se não o aproveitar, você o perderá para sempre.

Como prega o ditado, só se vive uma vez. Assim, cada momento é uma porta de Shambala que se abre, e não haverá outra oportunidade de cruzá-la.

Isso é algo que todos nós, como seres humanos, sabemos, mas acabamos esquecendo quando nos deixamos consumir pelos afazeres e pelas preocupações do dia a dia.

Assim, tomar consciência do Ichigo-ichie nos ajuda a tirar o pé do acelerador e recordar que cada manhã, cada encontro com nossos filhos, cada momento com nossos entes queridos é infinitamente valioso e merece toda a nossa atenção.

Não sabemos quando a vida termina. Cada dia pode ser o último, pois, ao se deitar, ninguém é capaz de assegurar que voltará a abrir os olhos.

Segundo consta, há um mosteiro na Espanha onde os monges, toda vez que se encontram no corredor, dizem uns aos outros: “Recorde, irmão, que um dia você vai morrer.” Isso os deixa com uma consciência permanente do agora que, em vez de causar tristeza ou inquietação, os leva a desfrutar plenamente cada instante.

Como diz Marco Aurélio em suas Meditações, o drama da existência não é morrer, mas nunca ter começado a viver.

Nesse sentido, o Ichigo-ichie representa um convite muito adequado à filosofia do “agora ou nunca”, pois, ainda que vivamos muitos anos, a essência de cada momento é única e não se repetirá.

Podemos nos encontrar com as mesmas pessoas no mesmo lugar, mas estaremos mais velhos, nossa situação e nosso humor serão diferentes, teremos outras prioridades e experiências. O universo está em constante mudança, e nós também. Por isso, nada acontecerá novamente do mesmo modo.

Origens da expressão

O primeiro registro escrito do Ichigo-ichie consta de um caderno de anotações do mestre do chá Yamanoue Soji, em 1588, no qual se lia:

“Deverá tratar teu anfitrião como se o encontro só ocorresse uma única vez durante tua vida.”

Se usássemos a expressão japonesa central deste livro, a frase poderia ser escrita da seguinte maneira: “Trata teu anfitrião com Ichigo-ichie.”

Quando incluiu essa frase em seu caderno, Yamanoue Soji estava registrando o que aprendia sobre a cerimônia do chá sob a tutela do mestre Sen no Rikyu, considerado um dos fundadores do wabi-cha, estilo que enfatiza a simplicidade acima de tudo.

No entanto, para exprimir o conceito, Soji recorreu ao japonês antigo e usou os símbolos 一期一度, que, embora quase iguais ao original 一期一会, apresentam diferença no último caractere, cujo significado é “vez”, e não “encontro”.

Essa importante mudança nos permite entender o caráter único de cada momento para além da cerimônia do chá, à qual dedicaremos um capítulo inteiro a fim de entender sua profundidade filosófica.

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Francesc Miralles

Sobre o autor

Francesc Miralles

Especialista em coaching e em literatura de autoajuda e desenvolvimento pessoal. Autor premiado, já trabalhou como editor, tradutor e ghost-writer, além de atuar como consultor editorial para várias editoras espanholas. Ele também publica sob pseudônimos, como Allan Percy. Seus livros já venderam cerca de 800 mil exemplares no Brasil.

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