Nunca desista de seus sonhos - Sextante
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AUTOAJUDA

Nunca desista de seus sonhos

Nunca desista de seus sonhos

AUGUSTO CURY

Nunca desista de seus sonhos já vendeu mais de 2,3 milhões de livros no Brasil.

Augusto Cury é considerado o autor brasileiro mais lido da atualidade.

 

“Precisamos perseguir nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem que ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar. Não se esqueça de que você vai falhar 100% das vezes em que não tentar, vai perder 100% das vezes em que não procurar, vai estacionar 100% das vezes em que não ousar caminhar.” –Augusto Cury

 

Com 25 milhões de livros vendidos sobre temas como crescimento pessoal, inteligência e qualidade de vida, o psiquiatra Augusto Cury debruça-se aqui sobre nossa capacidade de sonhar e quanto ela é fundamental na realização de nossos projetos de vida.

Os sonhos são como uma bússola, indicando os caminhos que seguiremos e as metas que queremos alcançar. São eles que nos impulsionam, nos fortalecem e nos permitem crescer.

Se os sonhos são pequenos, nossas possibilidades de sucesso também serão limitadas. Desistir dos sonhos é abrir mão da felicidade, porque quem não persegue seus objetivos está condenado a fracassar 100% das vezes.

Analisando a trajetória vitoriosa de grandes sonhadores, como Jesus Cristo, Abraham Lincoln e Martin Luther King, Cury nos faz repensar nossa vida e nos inspira a não deixar nossos sonhos morrerem.

Nunca desista de seus sonhos já vendeu mais de 2,3 milhões de livros no Brasil.

Augusto Cury é considerado o autor brasileiro mais lido da atualidade.

 

“Precisamos perseguir nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem que ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar. Não se esqueça de que você vai falhar 100% das vezes em que não tentar, vai perder 100% das vezes em que não procurar, vai estacionar 100% das vezes em que não ousar caminhar.” –Augusto Cury

 

Com 25 milhões de livros vendidos sobre temas como crescimento pessoal, inteligência e qualidade de vida, o psiquiatra Augusto Cury debruça-se aqui sobre nossa capacidade de sonhar e quanto ela é fundamental na realização de nossos projetos de vida.

Os sonhos são como uma bússola, indicando os caminhos que seguiremos e as metas que queremos alcançar. São eles que nos impulsionam, nos fortalecem e nos permitem crescer.

Se os sonhos são pequenos, nossas possibilidades de sucesso também serão limitadas. Desistir dos sonhos é abrir mão da felicidade, porque quem não persegue seus objetivos está condenado a fracassar 100% das vezes.

Analisando a trajetória vitoriosa de grandes sonhadores, como Jesus Cristo, Abraham Lincoln e Martin Luther King, Cury nos faz repensar nossa vida e nos inspira a não deixar nossos sonhos morrerem.

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Ficha técnica
Lançamento 03/08/2015
Título original NUNCA DESISTA DE SEUS SONHOS
Tradução
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 160
Peso 170 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0255-9
EAN 9788543102559
Preço R$ 34,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788575426043
Preço R$ 19,99
Lançamento 03/08/2015
Título original NUNCA DESISTA DE SEUS SONHOS
Tradução
Formato 14 x 21 cm
Número de páginas 160
Peso 170 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-431-0255-9
EAN 9788543102559
Preço R$ 34,90

E-book

eISBN 9788575426043
Preço R$ 19,99

Leia um trecho do livro

Prefácio
Os sonhos alimentam a vida

Uma vida sem sonhos é uma manhã sem orvalhos, um céu sem estrelas, uma mente sem criatividade, uma emoção sem aventuras. Os sonhos não determinam o lugar aonde vamos, mas produzem a força necessária para nos tirar de onde estamos. Porém, eles não podem ser solitários, precisam enamorar-se da disciplina. Sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas, e disciplina sem sonhos produz pessoas autômatas,
que só obedecem às ordens dos outros.

Sonhos e disciplina, eis o casamento perfeito para o êxito. Divorciar os sonhos da disciplina, eis a receita infalível para o fracasso. Ao distanciar os sonhos da disciplina, executivos
perderam a capacidade de se reinventar, profissionais liberais esgotaram o ânimo para se atualizar, mulheres fragmentaram sua autoestima, jovens ficaram viciados no mundo digital e se tornaram meros consumidores de produtos e serviços.

Sonhar em ter uma empresa sustentável, em ser um profissional brilhante, em ter excelentes amigos, em conquistar um parceiro ou uma parceira inteligente e amável, em ter filhos para irrigar nossa história e em conhecer os mistérios da vida são aspirações que devem dominar o território de nossa mente. Mas, entre todos eles, o sonho mais relevante que devemos almejar é a saúde emocional. Sem ela, a tranquilidade fará parte dos dicionários, mas não da nossa existência, o sentido da vida se tornará uma miragem, a felicidade será uma utopia.

Sem saúde emocional, empresários empobreceram com altas somas de dinheiro no banco, casais se desgastaram e pais perderam os filhos mesmo sob seus cuidados. Mas para ter saúde emocional é necessário compreender que a vida é um contrato sem cláusulas definidas. Perdas e ganhos, elogios e frustrações, aplausos e vaias, fazem parte da trajetória de todo ser humano. Por isso, devemos proteger a mente, gerenciar a ansiedade, trabalhar as perdas – enfim, ter resiliência.

O que é a resiliência? É a capacidade de preservar a integridade diante das adversidades. É, acima de tudo, aprender a proteger a própria emoção. Sem filtro, a mente se torna terra de ninguém, facilmente se aprisiona dentro de si mesma. A segurança de um ser humano não se mede pela inteligência, pelo dinheiro, pelo poder político ou pelos guarda-costas que ele tem. Mas pela capacidade do Eu em proteger sua emoção. Protegê-la é usar a dor para lapidar a paciência, usar a angústia para refinar a tolerância, usar as falhas para corrigir as rotas.

Mas como ser resiliente se nosso Eu, que representa a consciência crítica e a capacidade de escolha, não é treinado e equipado para lidar com as intempéries da vida? Profissionais em todo o mundo se formam nas mais diversas universidades, mas estão despreparados para os desafios socioprofissionais e existenciais, não sabem o que fazer com seus fracassos, suas crises, seu caos e suas decepções. Foram preparados para navegar em céu de brigadeiro, mas não para enfrentar os terremotos emocionais.

Você verá neste livro histórias de personagens incríveis – como o Mestre dos mestres, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Beethoven – que foram feridos, desprezados, incompreendidos, atravessaram os vales sórdidos das perdas, dos vexames, do escárnio e dos deboches. Se não tivessem aprendido a ter resiliência, não sobreviveriam, teriam não só desenvolvido doenças mentais, como também enterrado seus sonhos nos solos da dor, das crises e das dificuldades.

Muitos registram janelas traumáticas (killer) diante das ofensas e das injustiças. É normal. Mas gravitar em torno dessas janelas é doentio. Ter um Eu que chafurda na lama do passado reflete sua necessidade neurótica de remoer mágoas e frustrações. Isso nos torna reféns de nossa história, e não autores dela.

Vale a pena viver a vida, mesmo quando o mundo parece ruir aos nossos pés. Para isso, devemos usar nossos sonhos para temperar a existência, nossas dores para nos construir e não para nos destruir. Devemos gritar em silêncio que os melhores dias estão por vir, enfrentar os períodos mais tristes da vida não como pontos finais, mas como vírgulas para continuar a escrever nossa trajetória.

Infelizmente, a juventude está perdendo a capacidade de sonhar. Os jovens têm muitos desejos, mas poucos sonhos. Desejos não resistem às dificuldades, já os sonhos são projetos de vida, sobrevivem ao caos. A culpa, porém, não é dos jovens. Os adultos criaram uma estufa intelectual que lhes destruiu a capacidade de sonhar. Eles estão adoecendo coletivamente: são agressivos, mas introvertidos; querem muito, mas se satisfazem pouco.

Se os sonhos são pequenos, sua visão será pequena, suas metas serão limitadas, seus alvos serão diminutos, sua capacidade de suportar as tormentas será frágil. A presença dos sonhos transforma os miseráveis em reis, e a ausência deles transforma os milionários em mendigos. A presença dos sonhos faz de idosos, jovens, e a ausência deles faz dos jovens, idosos.

Os sonhos trazem saúde para a emoção, equipam o frágil para ser autor de sua história, renovam as forças do ansioso, animam os deprimidos, transformam os inseguros em pessoas de raro valor. Os sonhos fazem os tímidos se encherem de ousadia e os derrotados serem construtores de oportunidades. Uma mente saudável deveria ser uma usina de sonhos, pois eles oxigenam a inteligência e irrigam a vida de prazer e sentido.

Este livro foi escrito para todos os que precisam sonhar (crianças, jovens, pais, profissionais) e não apenas para psicólogos e educadores. Ele fala sobre a ciência dos sonhos, a mente dos sonhadores, a personalidade dos que nunca desistiram dos seus sonhos. Acima de tudo, ele ensina a pensar. Provavelmente, ao lê-lo, você vai repensar a sua vida. Uma mente saudável deveria ser uma usina de sonhos. Pois os sonhos oxigenam a inteligência e irrigam a vida de prazer e sentido.

Você também verá parte da minha história nesta obra: crises, rejeições, dificuldades, algumas lágrimas que chorei e outras que não tive coragem de chorar. Mas acho que lágrimas são vírgulas invertidas. Quando o mundo desabou sobre mim precisei ser um comprador de vírgulas para continuar a compor minha história… Todos os sonhadores escreveram seus melhores capítulos nos dias mais dramáticos… Espero que você faça parte desse time.

Augusto Cury,
Julho de 2015

 

Introdução
Quem consegue decifrar o ser humano?

Os sonhos abrem as janelas da inteligência

Um paciente culto me disse certa vez que era capaz de enfrentar um cachorro bravio, mas morria de medo das borboletas. Quais são os riscos reais que uma borboleta produz?

Nenhum, a não ser encantar os olhos com sua beleza. O conflito desse paciente não são os perigos reais exteriores, mas os perigos imaginários. Seu drama não é gerado pela borboleta física, mas pela borboleta psicológica registrada de maneira distorcida nos solos da sua memória.

Sua mãe lhe disse na infância que, se tocasse numa borboleta com as mãos e as colocasse nos olhos, ficaria cego. Quando o menino tocou numa borboleta, sua mãe gritou. O grito de alerta cruzou com a imagem da borboleta. Ambos os estímulos foram registrados no mesmo lócus do inconsciente, na mesma janela da memória. A belíssima e inofensiva borboleta tornou-se um monstro.

Durante toda a infância, quando esse paciente enxergava uma imagem de uma borboleta bailando graciosamente no ar, ele detonava um gatilho psíquico que abria em milésimos de segundos a janela da memória em que a imagem doentia estava registrada. A borboleta imaginária era libertada do seu inconsciente, assaltava-lhe a emoção e roubava-lhe a tranqüilidade.

O grande problema é que todas as vezes em que ele tiver uma experiência angustiante diante de borboletas, ela será registrada novamente, contaminando inúmeras outras janelas da memória. Quanto mais áreas doentias estiverem comprometidas em seu inconsciente, mais ele irá reagir sem racionalidade. Se esse paciente não reescrever a sua história, poderá tornar-se uma pessoa fóbica, frágil, sem capacidade de lutar pelos seus sonhos e com tendência a inúmeros outros tipos de medos.

O mecanismo que acabamos de descrever é um dos segredos da psicologia. Demoramos mais de um século para compreendê-lo. Por meio da teoria da Inteligência Multifocal estamos desvendando alguns fenômenos contidos nos bastidores da nossa mente que afetam todo o processo de construção de pensamentos e geram os traumas psíquicos. Não é a realidade concreta de um objeto que importa para nossa personalidade, mas a realidade interpretada, registrada.

Para alguns, um elevador é um lugar de passeio; para outros, um cubículo sem ar. Para uns, falar em público é uma aventura; para outros, um martírio que obstrui a inteligência. Para uns, as derrotas são lições de vida; para outros, um sufocante sentimento de culpa. Para uns, o desconhecido é um jardim; para outros, uma fonte de pavor. Para uns, uma perda é uma dor insuportável; para outros, um golpe que lapida o diamante da emoção.

Todos criamos monstros que dilaceram sonhos

Quantos monstros imaginários foram arquivados nos subsolos da sua mente furtando seu prazer de viver e dilacerando seus sonhos? Todos temos monstros escondidos por detrás da nossa gentileza e serenidade.

A maneira como enfrentamos as rejeições, decepções, erros, perdas, sentimentos de culpa, conflitos nos relacionamentos, críticas e crises profissionais pode gerar maturidade ou angústia, segurança ou traumas, líderes ou vítimas. Alguns momentos geraram conflitos que mudaram nossas vidas, ainda que não percebamos.

Algumas pessoas não se levantaram mais depois de certas derrotas. Outras nunca mais tiveram coragem de olhar para o horizonte com esperança depois de suas perdas. Pessoas sensíveis foram encarceradas pela culpa, tornaram-se reféns do seu passado depois de cometerem certas falhas. A culpa as asfixiou.

Alguns jovens extrovertidos perderam para sempre sua autoestima depois que foram humilhados publicamente. Outros perderam a primavera da vida porque foram rejeitados por seus defeitos físicos ou por não terem um corpo segundo o padrão doentio de beleza ditado pela mídia.

Alguns adultos nunca mais se levantaram depois de atravessar uma grave crise financeira. Mulheres e homens perderam o romantismo depois de fracassarem em seus relacionamentos afetivos, após terem sido traídos, incompreendidos, feridos ou não amados.

Filhos perderam a vivacidade nos olhos depois que um dos pais fechou os olhos para a existência. Sentiram-se sós no meio da multidão. Crianças perderam sua ingenuidade depois da separação traumática dos pais. Foram vítimas inocentes de uma guerra que nunca entenderam. Trocaram as brincadeiras pelo choro oculto e cálido.

A complexidade da mente humana nos faz transformar uma borboleta num dinossauro, uma decepção num desastre emocional, um ambiente fechado num cubículo sem ar, um sintoma físico num prenúncio da morte, um fracasso num objeto de vergonha.

Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas, nossa insanidade oculta (Foucault, 1998). Não podemos nunca esquecer que os sonhos, a motivação, o desejo de ser livre nos ajudam a superar esses monstros, vencê-los e utilizá-los como servos da nossa inteligência. Não tenha medo da dor, tenha medo de não enfrentá-la, criticá-la, usá-la.

Todos somos complexos e complicados

Na minha trajetória como cientista da psicologia e psiquiatra clínico eu me convenci de que nada é tão lógico quanto o ser humano e nada é tão contraditório quanto ele. Podemos criar no teatro das nossas mentes os extremos: o drama e a sátira, o pânico e o sorriso, a força e a fragilidade.

Somos tão criativos que, quando não temos problemas, nós os inventamos. Alguns são especialistas em sofrer por coisas que eles mesmos criaram. Outros têm motivos para serem alegres, mas mendigam o prazer. Possuem grandes depósitos nos bancos, mas estão endividados no âmago do seu ser. São ansiosos e
estressados.

Gandhi comentou com sensibilidade: “O que pensais, passais a ser.” O que pensamos afeta a emoção, infecta a memória e gera as misérias psíquicas. Nunca houve tantos miseráveis em carros importados, trabalhando em grandes escritórios, viajando de avião, saindo nas capas de revistas. Quem é escravo dos seus pensamentos não é livre para sonhar.

Ser complicado não é um privilégio de uma pessoa, de um povo, de um grupo social, de uma faixa etária. Adultos e crianças, psiquiatras e pacientes, intelectuais e alunos são complicados, têm momentos em que se irritam por pequenas coisas, sofrem desnecessariamente. Uns mais, outros menos.

É impossível estar livre de contradições e incoerências. Por quê? Porque temos uma complexa emoção que influencia a lógica dos pensamentos, as reações e atitudes humanas.

Qualquer pessoa que quer ser perfeita demais estará apta para ser um computador, mas não uma pessoa completa. Não devemos ficar aborrecidos por sermos tão complicados. Se, por um lado, nossas dores de cabeça surgem no campo que extrapola a lógica, as maravilhas da nossa inteligência também surgem nessa esfera.

Nossa capacidade de amar, tolerar, brincar, criar, intuir, sonhar é uma das maravilhas que surgem numa esfera que ultrapassa os limites da razão. Todas as pessoas muito racionais amam menos e sonham pouco. Os sensíveis sofrem mais, mas amam mais e sonham mais.

Inspiração e transpiração

Nem sempre os sonhos são definidos e bem organizados no teatro da mente. Às vezes nascem como pequenos traçados, simples esboços, idéias vagas que vão se desenhando e tomando forma ao longo da vida. Todas as grandes mudanças da humanidade no campo social, político, emocional, científico, tecnológico e espiritual surgiram por causa dos grandes sonhos.

Para ter grandes sonhos e produzir importantes mudanças na sociedade não é preciso ter características genéticas superiores ou privilégios dos gênios.

Thomas Edison acreditava que as conquistas humanas compõem-se de 1% de inspiração e 99% de transpiração. O inventor da “luz exterior” teve uma luz interior. Acredito que seu princípio tem fundamento, mas precisa de correção.

Creio que as conquistas dependem de 50% de inspiração, criatividade e sonhos, e 50% de disciplina, trabalho árduo e determinação. São duas pernas que devem caminhar juntas. Uma depende da outra, caso contrário nossos projetos tornam-se miragens, nossas metas não se concretizam.

Quem quer atingir a excelência nos seus estudos, nas suas relações afetivas e na sua profissão precisa libertar a criatividade para ser um sonhador e libertar a coragem para ser um empreendedor. Estes dois pilares contribuem para formar o caráter de um líder.

Os segredos dos que mudaram a história

A maior genialidade não é aquela que vem da carga genética nem a que é produzida pela cultura acadêmica, mas a que é construída nos vales dos medos, no deserto das dificuldades, nos invernos da existência, no mercado dos desafios.

Muitos sonhadores desenvolveram áreas nobres da sua inteligência, áreas que todos têm condições de desenvolver. Eles atravessaram turbulências quase que insuperáveis. Supor taram pressões que poucos tolerariam. Viveram dias ansiosos, sentiram-se pequenos diante dos obstáculos.

Alguns foram chamados de loucos, outros, de tolos. Zombaram de alguns, outros foram discriminados. Tinham todos os motivos para desistir dos seus sonhos e, em certos momentos, até da própria vida. Mas não desistiram. Quais foram os seus segredos?

Eles fizeram da vida uma aventura. Não foram aprisionados pela rotina. Claro, é impossível escapar da rotina. Em muitos momentos ela é um calmante necessário. Mas esses sonhadores passaram pelo menos 10% do seu tempo criando, inventando, descobrindo.

Tiveram uma visão panorâmica da existência em templo nublado. Foram empreendedores, estrategistas, persuasivos, amigos do otimismo. Foram sociáveis, observadores, analíticos, críticos.

Fizeram escolhas, traçaram metas e as executaram com paciência. Para o filósofo Kant, “a paciência é amarga, mas seus frutos são doces”. A paciência é o diamante da personalidade. Muitos discorrem sobre ela, poucos são seus amantes. Mas os que a conquistam colherão os mais excelentes frutos.

Para Plutarco, “a paciência tem mais poder do que a força”. Não meça um ser humano pelo seu poder político e financeiro. Meça-o pela grandeza dos seus sonhos e pela paciência em executá-los. Mas a paciência precisa de outro remo para conduzir o barco dos sonhos. Qual?

Precisa da coragem para correr riscos. Os maiores riscos para quem sonha são as pedras do caminho. Tropeçamos nas pequenas pedras e não nas grandes montanhas. Quem é controlado pelos riscos e pelos perigos das jornadas não tem resistência emocional. Cedo recua.Você tem essa resistência?

Epicuro acreditava que “os grandes navegadores deviam sua reputação aos temporais e às tempestades”. Se você tiver medo das tempestades, nunca navegará pelos mares desconhecidos. Jamais conquistará outros continentes.

Os que transformaram seus sonhos em realidade aprenderam a ser líderes de si mesmos para depois liderar o mundo que os cercava. Tinham uma ambição positiva, queriam transformar a sua sociedade, a sua empresa, seu espaço afetivo. Eram pessoas inconformadas tanto com os problemas sociais quanto com suas mazelas psíquicas.

Seus sonhos se tornaram realidade porque ganharam um combustível emocional que jamais se apagou, mesmo ao atravessarem chuvas torrenciais. Qual é esse combustível? A paixão pela vida, o amor pela humanidade. Foram dominados por um desejo incontrolável de serem úteis para os outros. Quem vive
para si mesmo não tem raízes internas.

É possível destruir o sonho de um ser humano quando ele sonha para si, mas é impossível destruir seu sonho quando ele sonha para os outros, a não ser que lhe tirem a vida. Os ditadores jamais destruíram os sonhos dos que sonharam com a liberdade do seu povo. Morreram os ditadores, enferrujaram-se as armas, mas não se destruíram os sonhos de quem ama ser livre.

Garimpando ouro nos escombros das derrotas

Farei neste livro uma análise aberta, livre e crítica sobre o funcionamento da mente de quatro personagens que construíram belíssimos sonhos e que fizeram outros sonharem. Escolhi quatro personagens apaixonados pela humanidade. E que passaram por momentos em que foram desacreditados, excluídos, feridos, considerados loucos, tolos, audaciosos.

Eles atravessaram o território do medo e escalaram os penhascos das dificuldades. Tombaram pelo caminho, feriram-se, mas continuaram caminhando quando muitos não acreditavam que se levantariam.

Tinham tudo para não dar certo, mas brilharam. Não eram especiais por fora, mas garimparam pedras preciosas nas ruínas dos seus traumas.Você sabe garimpar ouro em seus conflitos?

A maioria dos adultos da atualidade teria desistido dos seus sonhos e adoecido psiquicamente se tivesse vivido uma pequena parte dos transtornos que esses personagens suportaram.

Muitos jovens recuariam diante de obstáculos semelhantes. A juventude está despreparada para viver nessa estressante sociedade. Os jovens precisam desenvolver urgentemente resistência intelectual e emocional para suportar perdas, derrotas, humilhações, injustiças.

O que diferencia os jovens que fracassam dos que têm sucesso não é a cultura acadêmica, mas a capacidade de superação das adversidades da vida.

Estudaremos as reações desses quatro personagens diante das suas derrotas, veremos sua capacidade de superação, sua competência para serem líderes de si mesmos, sua coragem para correrem riscos, seus talentos intelectuais, sua intuição, sua visão multifocal da realidade.

Muitos outros personagens mereceriam ser descritos aqui, como Buda, Confúcio, Dostoiévski, Kant, Montaigne, John Kennedy, Gandhi, Thomas Edison, Einstein, porque foram grandes sonhadores. Por falta de espaço, não os analisarei, mas usarei as idéias de vários deles para me ajudarem na árdua tarefa de interpretação.

Creio que ao analisar a mente dos quatro personagens escolhidos estarei dissecando alguns princípios fundamentais que alicerçaram a inteligência dos grandes sonhadores de todas as eras. Teremos uma visão global (Morin, 2000) sobre a formação de pensadores.

As histórias que reconstruirei são baseadas em fatos reais. Não tenho a intenção de escrever uma biografia dos quatro personagens, portanto raramente mencionarei datas. Seguirei apenas uma seqüência dos fatos mais importantes para minha interpretação.

O passado é uma cortina de vidro. Felizes os que observam o passado para poder caminhar no futuro. Penetraremos juntos como um cientista analisando as reações desses personagens em alguns eventos marcantes de suas vidas.

Ficaremos surpresos com suas histórias. Creio que elas nutrirão nossa inteligência, nos estimularão a desenterrar nossos sonhos e nos darão ferramentas para que possamos nos reconstruir.

Vamos penetrar no espetacular mundo que produz pesadelos e constrói sonhos.

Prefácio
Os sonhos alimentam a vida

Uma vida sem sonhos é uma manhã sem orvalhos, um céu sem estrelas, uma mente sem criatividade, uma emoção sem aventuras. Os sonhos não determinam o lugar aonde vamos, mas produzem a força necessária para nos tirar de onde estamos. Porém, eles não podem ser solitários, precisam enamorar-se da disciplina. Sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas, e disciplina sem sonhos produz pessoas autômatas,
que só obedecem às ordens dos outros.

Sonhos e disciplina, eis o casamento perfeito para o êxito. Divorciar os sonhos da disciplina, eis a receita infalível para o fracasso. Ao distanciar os sonhos da disciplina, executivos
perderam a capacidade de se reinventar, profissionais liberais esgotaram o ânimo para se atualizar, mulheres fragmentaram sua autoestima, jovens ficaram viciados no mundo digital e se tornaram meros consumidores de produtos e serviços.

Sonhar em ter uma empresa sustentável, em ser um profissional brilhante, em ter excelentes amigos, em conquistar um parceiro ou uma parceira inteligente e amável, em ter filhos para irrigar nossa história e em conhecer os mistérios da vida são aspirações que devem dominar o território de nossa mente. Mas, entre todos eles, o sonho mais relevante que devemos almejar é a saúde emocional. Sem ela, a tranquilidade fará parte dos dicionários, mas não da nossa existência, o sentido da vida se tornará uma miragem, a felicidade será uma utopia.

Sem saúde emocional, empresários empobreceram com altas somas de dinheiro no banco, casais se desgastaram e pais perderam os filhos mesmo sob seus cuidados. Mas para ter saúde emocional é necessário compreender que a vida é um contrato sem cláusulas definidas. Perdas e ganhos, elogios e frustrações, aplausos e vaias, fazem parte da trajetória de todo ser humano. Por isso, devemos proteger a mente, gerenciar a ansiedade, trabalhar as perdas – enfim, ter resiliência.

O que é a resiliência? É a capacidade de preservar a integridade diante das adversidades. É, acima de tudo, aprender a proteger a própria emoção. Sem filtro, a mente se torna terra de ninguém, facilmente se aprisiona dentro de si mesma. A segurança de um ser humano não se mede pela inteligência, pelo dinheiro, pelo poder político ou pelos guarda-costas que ele tem. Mas pela capacidade do Eu em proteger sua emoção. Protegê-la é usar a dor para lapidar a paciência, usar a angústia para refinar a tolerância, usar as falhas para corrigir as rotas.

Mas como ser resiliente se nosso Eu, que representa a consciência crítica e a capacidade de escolha, não é treinado e equipado para lidar com as intempéries da vida? Profissionais em todo o mundo se formam nas mais diversas universidades, mas estão despreparados para os desafios socioprofissionais e existenciais, não sabem o que fazer com seus fracassos, suas crises, seu caos e suas decepções. Foram preparados para navegar em céu de brigadeiro, mas não para enfrentar os terremotos emocionais.

Você verá neste livro histórias de personagens incríveis – como o Mestre dos mestres, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Beethoven – que foram feridos, desprezados, incompreendidos, atravessaram os vales sórdidos das perdas, dos vexames, do escárnio e dos deboches. Se não tivessem aprendido a ter resiliência, não sobreviveriam, teriam não só desenvolvido doenças mentais, como também enterrado seus sonhos nos solos da dor, das crises e das dificuldades.

Muitos registram janelas traumáticas (killer) diante das ofensas e das injustiças. É normal. Mas gravitar em torno dessas janelas é doentio. Ter um Eu que chafurda na lama do passado reflete sua necessidade neurótica de remoer mágoas e frustrações. Isso nos torna reféns de nossa história, e não autores dela.

Vale a pena viver a vida, mesmo quando o mundo parece ruir aos nossos pés. Para isso, devemos usar nossos sonhos para temperar a existência, nossas dores para nos construir e não para nos destruir. Devemos gritar em silêncio que os melhores dias estão por vir, enfrentar os períodos mais tristes da vida não como pontos finais, mas como vírgulas para continuar a escrever nossa trajetória.

Infelizmente, a juventude está perdendo a capacidade de sonhar. Os jovens têm muitos desejos, mas poucos sonhos. Desejos não resistem às dificuldades, já os sonhos são projetos de vida, sobrevivem ao caos. A culpa, porém, não é dos jovens. Os adultos criaram uma estufa intelectual que lhes destruiu a capacidade de sonhar. Eles estão adoecendo coletivamente: são agressivos, mas introvertidos; querem muito, mas se satisfazem pouco.

Se os sonhos são pequenos, sua visão será pequena, suas metas serão limitadas, seus alvos serão diminutos, sua capacidade de suportar as tormentas será frágil. A presença dos sonhos transforma os miseráveis em reis, e a ausência deles transforma os milionários em mendigos. A presença dos sonhos faz de idosos, jovens, e a ausência deles faz dos jovens, idosos.

Os sonhos trazem saúde para a emoção, equipam o frágil para ser autor de sua história, renovam as forças do ansioso, animam os deprimidos, transformam os inseguros em pessoas de raro valor. Os sonhos fazem os tímidos se encherem de ousadia e os derrotados serem construtores de oportunidades. Uma mente saudável deveria ser uma usina de sonhos, pois eles oxigenam a inteligência e irrigam a vida de prazer e sentido.

Este livro foi escrito para todos os que precisam sonhar (crianças, jovens, pais, profissionais) e não apenas para psicólogos e educadores. Ele fala sobre a ciência dos sonhos, a mente dos sonhadores, a personalidade dos que nunca desistiram dos seus sonhos. Acima de tudo, ele ensina a pensar. Provavelmente, ao lê-lo, você vai repensar a sua vida. Uma mente saudável deveria ser uma usina de sonhos. Pois os sonhos oxigenam a inteligência e irrigam a vida de prazer e sentido.

Você também verá parte da minha história nesta obra: crises, rejeições, dificuldades, algumas lágrimas que chorei e outras que não tive coragem de chorar. Mas acho que lágrimas são vírgulas invertidas. Quando o mundo desabou sobre mim precisei ser um comprador de vírgulas para continuar a compor minha história… Todos os sonhadores escreveram seus melhores capítulos nos dias mais dramáticos… Espero que você faça parte desse time.

Augusto Cury,
Julho de 2015

 

Introdução
Quem consegue decifrar o ser humano?

Os sonhos abrem as janelas da inteligência

Um paciente culto me disse certa vez que era capaz de enfrentar um cachorro bravio, mas morria de medo das borboletas. Quais são os riscos reais que uma borboleta produz?

Nenhum, a não ser encantar os olhos com sua beleza. O conflito desse paciente não são os perigos reais exteriores, mas os perigos imaginários. Seu drama não é gerado pela borboleta física, mas pela borboleta psicológica registrada de maneira distorcida nos solos da sua memória.

Sua mãe lhe disse na infância que, se tocasse numa borboleta com as mãos e as colocasse nos olhos, ficaria cego. Quando o menino tocou numa borboleta, sua mãe gritou. O grito de alerta cruzou com a imagem da borboleta. Ambos os estímulos foram registrados no mesmo lócus do inconsciente, na mesma janela da memória. A belíssima e inofensiva borboleta tornou-se um monstro.

Durante toda a infância, quando esse paciente enxergava uma imagem de uma borboleta bailando graciosamente no ar, ele detonava um gatilho psíquico que abria em milésimos de segundos a janela da memória em que a imagem doentia estava registrada. A borboleta imaginária era libertada do seu inconsciente, assaltava-lhe a emoção e roubava-lhe a tranqüilidade.

O grande problema é que todas as vezes em que ele tiver uma experiência angustiante diante de borboletas, ela será registrada novamente, contaminando inúmeras outras janelas da memória. Quanto mais áreas doentias estiverem comprometidas em seu inconsciente, mais ele irá reagir sem racionalidade. Se esse paciente não reescrever a sua história, poderá tornar-se uma pessoa fóbica, frágil, sem capacidade de lutar pelos seus sonhos e com tendência a inúmeros outros tipos de medos.

O mecanismo que acabamos de descrever é um dos segredos da psicologia. Demoramos mais de um século para compreendê-lo. Por meio da teoria da Inteligência Multifocal estamos desvendando alguns fenômenos contidos nos bastidores da nossa mente que afetam todo o processo de construção de pensamentos e geram os traumas psíquicos. Não é a realidade concreta de um objeto que importa para nossa personalidade, mas a realidade interpretada, registrada.

Para alguns, um elevador é um lugar de passeio; para outros, um cubículo sem ar. Para uns, falar em público é uma aventura; para outros, um martírio que obstrui a inteligência. Para uns, as derrotas são lições de vida; para outros, um sufocante sentimento de culpa. Para uns, o desconhecido é um jardim; para outros, uma fonte de pavor. Para uns, uma perda é uma dor insuportável; para outros, um golpe que lapida o diamante da emoção.

Todos criamos monstros que dilaceram sonhos

Quantos monstros imaginários foram arquivados nos subsolos da sua mente furtando seu prazer de viver e dilacerando seus sonhos? Todos temos monstros escondidos por detrás da nossa gentileza e serenidade.

A maneira como enfrentamos as rejeições, decepções, erros, perdas, sentimentos de culpa, conflitos nos relacionamentos, críticas e crises profissionais pode gerar maturidade ou angústia, segurança ou traumas, líderes ou vítimas. Alguns momentos geraram conflitos que mudaram nossas vidas, ainda que não percebamos.

Algumas pessoas não se levantaram mais depois de certas derrotas. Outras nunca mais tiveram coragem de olhar para o horizonte com esperança depois de suas perdas. Pessoas sensíveis foram encarceradas pela culpa, tornaram-se reféns do seu passado depois de cometerem certas falhas. A culpa as asfixiou.

Alguns jovens extrovertidos perderam para sempre sua autoestima depois que foram humilhados publicamente. Outros perderam a primavera da vida porque foram rejeitados por seus defeitos físicos ou por não terem um corpo segundo o padrão doentio de beleza ditado pela mídia.

Alguns adultos nunca mais se levantaram depois de atravessar uma grave crise financeira. Mulheres e homens perderam o romantismo depois de fracassarem em seus relacionamentos afetivos, após terem sido traídos, incompreendidos, feridos ou não amados.

Filhos perderam a vivacidade nos olhos depois que um dos pais fechou os olhos para a existência. Sentiram-se sós no meio da multidão. Crianças perderam sua ingenuidade depois da separação traumática dos pais. Foram vítimas inocentes de uma guerra que nunca entenderam. Trocaram as brincadeiras pelo choro oculto e cálido.

A complexidade da mente humana nos faz transformar uma borboleta num dinossauro, uma decepção num desastre emocional, um ambiente fechado num cubículo sem ar, um sintoma físico num prenúncio da morte, um fracasso num objeto de vergonha.

Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas, nossa insanidade oculta (Foucault, 1998). Não podemos nunca esquecer que os sonhos, a motivação, o desejo de ser livre nos ajudam a superar esses monstros, vencê-los e utilizá-los como servos da nossa inteligência. Não tenha medo da dor, tenha medo de não enfrentá-la, criticá-la, usá-la.

Todos somos complexos e complicados

Na minha trajetória como cientista da psicologia e psiquiatra clínico eu me convenci de que nada é tão lógico quanto o ser humano e nada é tão contraditório quanto ele. Podemos criar no teatro das nossas mentes os extremos: o drama e a sátira, o pânico e o sorriso, a força e a fragilidade.

Somos tão criativos que, quando não temos problemas, nós os inventamos. Alguns são especialistas em sofrer por coisas que eles mesmos criaram. Outros têm motivos para serem alegres, mas mendigam o prazer. Possuem grandes depósitos nos bancos, mas estão endividados no âmago do seu ser. São ansiosos e
estressados.

Gandhi comentou com sensibilidade: “O que pensais, passais a ser.” O que pensamos afeta a emoção, infecta a memória e gera as misérias psíquicas. Nunca houve tantos miseráveis em carros importados, trabalhando em grandes escritórios, viajando de avião, saindo nas capas de revistas. Quem é escravo dos seus pensamentos não é livre para sonhar.

Ser complicado não é um privilégio de uma pessoa, de um povo, de um grupo social, de uma faixa etária. Adultos e crianças, psiquiatras e pacientes, intelectuais e alunos são complicados, têm momentos em que se irritam por pequenas coisas, sofrem desnecessariamente. Uns mais, outros menos.

É impossível estar livre de contradições e incoerências. Por quê? Porque temos uma complexa emoção que influencia a lógica dos pensamentos, as reações e atitudes humanas.

Qualquer pessoa que quer ser perfeita demais estará apta para ser um computador, mas não uma pessoa completa. Não devemos ficar aborrecidos por sermos tão complicados. Se, por um lado, nossas dores de cabeça surgem no campo que extrapola a lógica, as maravilhas da nossa inteligência também surgem nessa esfera.

Nossa capacidade de amar, tolerar, brincar, criar, intuir, sonhar é uma das maravilhas que surgem numa esfera que ultrapassa os limites da razão. Todas as pessoas muito racionais amam menos e sonham pouco. Os sensíveis sofrem mais, mas amam mais e sonham mais.

Inspiração e transpiração

Nem sempre os sonhos são definidos e bem organizados no teatro da mente. Às vezes nascem como pequenos traçados, simples esboços, idéias vagas que vão se desenhando e tomando forma ao longo da vida. Todas as grandes mudanças da humanidade no campo social, político, emocional, científico, tecnológico e espiritual surgiram por causa dos grandes sonhos.

Para ter grandes sonhos e produzir importantes mudanças na sociedade não é preciso ter características genéticas superiores ou privilégios dos gênios.

Thomas Edison acreditava que as conquistas humanas compõem-se de 1% de inspiração e 99% de transpiração. O inventor da “luz exterior” teve uma luz interior. Acredito que seu princípio tem fundamento, mas precisa de correção.

Creio que as conquistas dependem de 50% de inspiração, criatividade e sonhos, e 50% de disciplina, trabalho árduo e determinação. São duas pernas que devem caminhar juntas. Uma depende da outra, caso contrário nossos projetos tornam-se miragens, nossas metas não se concretizam.

Quem quer atingir a excelência nos seus estudos, nas suas relações afetivas e na sua profissão precisa libertar a criatividade para ser um sonhador e libertar a coragem para ser um empreendedor. Estes dois pilares contribuem para formar o caráter de um líder.

Os segredos dos que mudaram a história

A maior genialidade não é aquela que vem da carga genética nem a que é produzida pela cultura acadêmica, mas a que é construída nos vales dos medos, no deserto das dificuldades, nos invernos da existência, no mercado dos desafios.

Muitos sonhadores desenvolveram áreas nobres da sua inteligência, áreas que todos têm condições de desenvolver. Eles atravessaram turbulências quase que insuperáveis. Supor taram pressões que poucos tolerariam. Viveram dias ansiosos, sentiram-se pequenos diante dos obstáculos.

Alguns foram chamados de loucos, outros, de tolos. Zombaram de alguns, outros foram discriminados. Tinham todos os motivos para desistir dos seus sonhos e, em certos momentos, até da própria vida. Mas não desistiram. Quais foram os seus segredos?

Eles fizeram da vida uma aventura. Não foram aprisionados pela rotina. Claro, é impossível escapar da rotina. Em muitos momentos ela é um calmante necessário. Mas esses sonhadores passaram pelo menos 10% do seu tempo criando, inventando, descobrindo.

Tiveram uma visão panorâmica da existência em templo nublado. Foram empreendedores, estrategistas, persuasivos, amigos do otimismo. Foram sociáveis, observadores, analíticos, críticos.

Fizeram escolhas, traçaram metas e as executaram com paciência. Para o filósofo Kant, “a paciência é amarga, mas seus frutos são doces”. A paciência é o diamante da personalidade. Muitos discorrem sobre ela, poucos são seus amantes. Mas os que a conquistam colherão os mais excelentes frutos.

Para Plutarco, “a paciência tem mais poder do que a força”. Não meça um ser humano pelo seu poder político e financeiro. Meça-o pela grandeza dos seus sonhos e pela paciência em executá-los. Mas a paciência precisa de outro remo para conduzir o barco dos sonhos. Qual?

Precisa da coragem para correr riscos. Os maiores riscos para quem sonha são as pedras do caminho. Tropeçamos nas pequenas pedras e não nas grandes montanhas. Quem é controlado pelos riscos e pelos perigos das jornadas não tem resistência emocional. Cedo recua.Você tem essa resistência?

Epicuro acreditava que “os grandes navegadores deviam sua reputação aos temporais e às tempestades”. Se você tiver medo das tempestades, nunca navegará pelos mares desconhecidos. Jamais conquistará outros continentes.

Os que transformaram seus sonhos em realidade aprenderam a ser líderes de si mesmos para depois liderar o mundo que os cercava. Tinham uma ambição positiva, queriam transformar a sua sociedade, a sua empresa, seu espaço afetivo. Eram pessoas inconformadas tanto com os problemas sociais quanto com suas mazelas psíquicas.

Seus sonhos se tornaram realidade porque ganharam um combustível emocional que jamais se apagou, mesmo ao atravessarem chuvas torrenciais. Qual é esse combustível? A paixão pela vida, o amor pela humanidade. Foram dominados por um desejo incontrolável de serem úteis para os outros. Quem vive
para si mesmo não tem raízes internas.

É possível destruir o sonho de um ser humano quando ele sonha para si, mas é impossível destruir seu sonho quando ele sonha para os outros, a não ser que lhe tirem a vida. Os ditadores jamais destruíram os sonhos dos que sonharam com a liberdade do seu povo. Morreram os ditadores, enferrujaram-se as armas, mas não se destruíram os sonhos de quem ama ser livre.

Garimpando ouro nos escombros das derrotas

Farei neste livro uma análise aberta, livre e crítica sobre o funcionamento da mente de quatro personagens que construíram belíssimos sonhos e que fizeram outros sonharem. Escolhi quatro personagens apaixonados pela humanidade. E que passaram por momentos em que foram desacreditados, excluídos, feridos, considerados loucos, tolos, audaciosos.

Eles atravessaram o território do medo e escalaram os penhascos das dificuldades. Tombaram pelo caminho, feriram-se, mas continuaram caminhando quando muitos não acreditavam que se levantariam.

Tinham tudo para não dar certo, mas brilharam. Não eram especiais por fora, mas garimparam pedras preciosas nas ruínas dos seus traumas.Você sabe garimpar ouro em seus conflitos?

A maioria dos adultos da atualidade teria desistido dos seus sonhos e adoecido psiquicamente se tivesse vivido uma pequena parte dos transtornos que esses personagens suportaram.

Muitos jovens recuariam diante de obstáculos semelhantes. A juventude está despreparada para viver nessa estressante sociedade. Os jovens precisam desenvolver urgentemente resistência intelectual e emocional para suportar perdas, derrotas, humilhações, injustiças.

O que diferencia os jovens que fracassam dos que têm sucesso não é a cultura acadêmica, mas a capacidade de superação das adversidades da vida.

Estudaremos as reações desses quatro personagens diante das suas derrotas, veremos sua capacidade de superação, sua competência para serem líderes de si mesmos, sua coragem para correrem riscos, seus talentos intelectuais, sua intuição, sua visão multifocal da realidade.

Muitos outros personagens mereceriam ser descritos aqui, como Buda, Confúcio, Dostoiévski, Kant, Montaigne, John Kennedy, Gandhi, Thomas Edison, Einstein, porque foram grandes sonhadores. Por falta de espaço, não os analisarei, mas usarei as idéias de vários deles para me ajudarem na árdua tarefa de interpretação.

Creio que ao analisar a mente dos quatro personagens escolhidos estarei dissecando alguns princípios fundamentais que alicerçaram a inteligência dos grandes sonhadores de todas as eras. Teremos uma visão global (Morin, 2000) sobre a formação de pensadores.

As histórias que reconstruirei são baseadas em fatos reais. Não tenho a intenção de escrever uma biografia dos quatro personagens, portanto raramente mencionarei datas. Seguirei apenas uma seqüência dos fatos mais importantes para minha interpretação.

O passado é uma cortina de vidro. Felizes os que observam o passado para poder caminhar no futuro. Penetraremos juntos como um cientista analisando as reações desses personagens em alguns eventos marcantes de suas vidas.

Ficaremos surpresos com suas histórias. Creio que elas nutrirão nossa inteligência, nos estimularão a desenterrar nossos sonhos e nos darão ferramentas para que possamos nos reconstruir.

Vamos penetrar no espetacular mundo que produz pesadelos e constrói sonhos.

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Augusto Cury

Sobre o autor

Augusto Cury

Augusto Cury é psiquiatra, cientista, pesquisador e escritor. Publicado em mais de 70 países, é considerado o autor brasileiro mais lido da década. Você é insubstituível foi o primeiro livro de Cury publicado pela Sextante e já vendeu mais de 2 milhões de exemplares. Entre seus sucessos estão O homem mais inteligente da história, O homem mais feliz da história, Armadilhas da mente, O futuro da humanidade, A ditadura da beleza e a revolução das mulheres, O código da inteligência, O vendedor de sonhos, Ansiedade, Pais brilhantes, professores fascinantes e Nunca desista de seus sonhos.

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