A arte de querer bem - Sextante
Livro
Livro
ESTAÇÃO BRASIL

A arte de querer bem

A arte de querer bem

RUY CASTRO

Crônicas

Crônicas

Vencedor do prêmio Jabuti e um dos maiores autores brasileiros, Ruy Castro completa 70 anos em 2018.

A arte de querer bem é a forma que encontrou para homenagear o que o faz apaixonado pela vida.

 

No ano em que completa 70 anos, Ruy Castro, um dos maiores escritores brasileiros, reúne neste A arte de querer bem mais de uma centena de crônicas em que exercita o amor por sua profissão, por seus amigos, por seus ídolos, por sua cidade, pela música, pela vida.

Escritos entre 2008 e 2017, os pequenos textos que compõem este livro nos permitem conhecer um pouco mais da alma desse escritor multifacetado.

É hora de celebrar o amor.

Vencedor do prêmio Jabuti e um dos maiores autores brasileiros, Ruy Castro completa 70 anos em 2018.

A arte de querer bem é a forma que encontrou para homenagear o que o faz apaixonado pela vida.

 

No ano em que completa 70 anos, Ruy Castro, um dos maiores escritores brasileiros, reúne neste A arte de querer bem mais de uma centena de crônicas em que exercita o amor por sua profissão, por seus amigos, por seus ídolos, por sua cidade, pela música, pela vida.

Escritos entre 2008 e 2017, os pequenos textos que compõem este livro nos permitem conhecer um pouco mais da alma desse escritor multifacetado.

É hora de celebrar o amor.

Compre agora:

Compartilhe: Email
Ficha técnica
Lançamento 04/06/2018
Título original A ARTE DE QUERER BEM
Tradução
Formato 12 x 18 cm
Número de páginas 256
Peso 240 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-5608-037-0
EAN 9788556080370
Preço R$ 34,90
Ficha técnica e-book
eISBN 9788556080387
Preço R$ 19,99
Selo
Estação Brasil
Lançamento 04/06/2018
Título original A ARTE DE QUERER BEM
Tradução
Formato 12 x 18 cm
Número de páginas 256
Peso 240 g
Acabamento BROCHURA
ISBN 978-85-5608-037-0
EAN 9788556080370
Preço R$ 34,90

E-book

eISBN 9788556080387
Preço R$ 19,99

Selo

Estação Brasil

Leia um trecho do livro

Ruy e a palavra – Ruy é a palavra
por Pascoal Soto

A mãe lia em voz alta as crônicas que um certo Nelson Rodrigues escrevia na Última Hora. Em seu colo, o menino de seus 4 ou 5 anos de idade ouvia tudo em silêncio enquanto mirava as palavras impressas no jornal. Amor.

O menino não tardou em perceber que as palavras impressas tinham o condão de guardar histórias, emoções, personagens. Aprendeu a ler sozinho, movido pela curiosidade e… pelo amor. Ainda em menino, começou a escrever suas próprias histórias. Talvez já soubesse que aquilo seria o seu destino, a sua sina. Amor.

O menino se tornou homem e tudo o que construiu na vida está relacionado à palavra escrita. Dessa relação íntima e apaixonada surgiram algumas das mais preciosas obras da literatura brasileira, entre elas uma que se chama O anjo pornográfico, biografia de… Nelson Rodrigues. Amor.

Heloisa Seixas, companheira e musa, diz que a persona particular de Ruy é bem diferente da que todos conhecem. “Ruy é um poço de ternura”, diz, emocionada. Amor.

Neste A arte de querer bem, reunimos algumas das crônicas em que Ruy Castro exercita o seu amor pela vida, pelos amigos, pela sua cidade, pelos seus ídolos, pelo seu ofício.

Pela palavra.

Exercícios de amor

Por um palmo

Foi há sessenta anos, numa pequena cidade mineira. Getúlio se matara naquela manhã de 24 de agosto. Dera no Repórter Esso, com a voz de Heron Domingues dividindo a história do Brasil em antes e depois. Ao observar os adultos à sua volta, o menino de 6 anos dividiu-a de outra maneira. Havia os que choravam pela morte do líder e os que, como seu pai, pareciam cabreiros –, detestavam o líder, mas não esperavam por tal desfecho.

Algumas horas depois, levado pela mão, o garoto estava ao lado de seu pai numa esquina em que se discutia a morte de Getúlio. Era uma roda de homens de terno, alguns de chapéu e todos, embora da oposição, consternados – nenhum deles ostentava triunfalismo ou deboche. E, de repente, cai de uma sacada sobre eles uma máquina de escrever – a um palmo do menino.

Era uma máquina preta, alta, de mesa, talvez uma Royal. Veio de uma altura de pelo menos 5 metros e espatifou-se na calçada, teclas de aço voando para todo lado. No sobrado morava um ardente getulista, certamente desesperado. Não sei se meu pai subiu na hora para tomar satisfações ou se alguém fez isso por ele. Investigação posterior revelou que o homem estava embriagado.

Dali a meses, com a família no Rio, meu pai soube que o Palácio do Catete abrira ao público o quarto onde Getúlio se matara. Foi até lá para ver e me levou com ele. Ainda me lembro dos móveis, da cama e, incrivelmente, sobre esta, o famoso pijama listrado, com o buraco da bala. Acho que meu pai queria se certificar de que Getúlio morrera mesmo. Na saída, assinamos o livro de visitas. Se ainda existir, terá o meu nome nele, em dezembro de 1954.

Nada de mais em tudo isso. Exceto que, por um palmo, eu poderia ter sido morto pelo objeto – a máquina de escrever – que, um dia, se tornaria minha extensão em cabeça, tronco e membros, a ponto de nem eu enxergar os limites.

Ruy e a palavra – Ruy é a palavra
por Pascoal Soto

A mãe lia em voz alta as crônicas que um certo Nelson Rodrigues escrevia na Última Hora. Em seu colo, o menino de seus 4 ou 5 anos de idade ouvia tudo em silêncio enquanto mirava as palavras impressas no jornal. Amor.

O menino não tardou em perceber que as palavras impressas tinham o condão de guardar histórias, emoções, personagens. Aprendeu a ler sozinho, movido pela curiosidade e… pelo amor. Ainda em menino, começou a escrever suas próprias histórias. Talvez já soubesse que aquilo seria o seu destino, a sua sina. Amor.

O menino se tornou homem e tudo o que construiu na vida está relacionado à palavra escrita. Dessa relação íntima e apaixonada surgiram algumas das mais preciosas obras da literatura brasileira, entre elas uma que se chama O anjo pornográfico, biografia de… Nelson Rodrigues. Amor.

Heloisa Seixas, companheira e musa, diz que a persona particular de Ruy é bem diferente da que todos conhecem. “Ruy é um poço de ternura”, diz, emocionada. Amor.

Neste A arte de querer bem, reunimos algumas das crônicas em que Ruy Castro exercita o seu amor pela vida, pelos amigos, pela sua cidade, pelos seus ídolos, pelo seu ofício.

Pela palavra.

Exercícios de amor

Por um palmo

Foi há sessenta anos, numa pequena cidade mineira. Getúlio se matara naquela manhã de 24 de agosto. Dera no Repórter Esso, com a voz de Heron Domingues dividindo a história do Brasil em antes e depois. Ao observar os adultos à sua volta, o menino de 6 anos dividiu-a de outra maneira. Havia os que choravam pela morte do líder e os que, como seu pai, pareciam cabreiros –, detestavam o líder, mas não esperavam por tal desfecho.

Algumas horas depois, levado pela mão, o garoto estava ao lado de seu pai numa esquina em que se discutia a morte de Getúlio. Era uma roda de homens de terno, alguns de chapéu e todos, embora da oposição, consternados – nenhum deles ostentava triunfalismo ou deboche. E, de repente, cai de uma sacada sobre eles uma máquina de escrever – a um palmo do menino.

Era uma máquina preta, alta, de mesa, talvez uma Royal. Veio de uma altura de pelo menos 5 metros e espatifou-se na calçada, teclas de aço voando para todo lado. No sobrado morava um ardente getulista, certamente desesperado. Não sei se meu pai subiu na hora para tomar satisfações ou se alguém fez isso por ele. Investigação posterior revelou que o homem estava embriagado.

Dali a meses, com a família no Rio, meu pai soube que o Palácio do Catete abrira ao público o quarto onde Getúlio se matara. Foi até lá para ver e me levou com ele. Ainda me lembro dos móveis, da cama e, incrivelmente, sobre esta, o famoso pijama listrado, com o buraco da bala. Acho que meu pai queria se certificar de que Getúlio morrera mesmo. Na saída, assinamos o livro de visitas. Se ainda existir, terá o meu nome nele, em dezembro de 1954.

Nada de mais em tudo isso. Exceto que, por um palmo, eu poderia ter sido morto pelo objeto – a máquina de escrever – que, um dia, se tornaria minha extensão em cabeça, tronco e membros, a ponto de nem eu enxergar os limites.

LEIA MAIS

Ruy Castro

Sobre o autor

Ruy Castro

Escritor e jornalista. Entre seus livros estão biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda e a história da bossa nova e do samba-canção. Mora no Rio de Janeiro, do qual é cidadão benemérito. É casado com a escritora Heloisa Seixas e tem um casal de gatos, Bing e Dixie.

VER PERFIL COMPLETO

Gosta da Editora Sextante?

Assine a nossa newsletter e receba as novidades.

Administração, negócios e economia
Autoajuda
Bem-estar, espiritualidade e mindfulness
Biografias, crônicas e histórias reais
Lançamentos do mês
Mais vendidos
Audiolivros
Selecionar todas
Administração, negócios e economia Lançamentos do mês
Autoajuda Mais vendidos
Bem-estar, espiritualidade e mindfulness Audiolivros
Biografias, crônicas e histórias reais Selecionar todas