“Um mês havia se passado desde o meu primeiro ataque de pânico. Embora tivesse sido assustador, eu acreditava que aquilo não passava de um acidente de percurso e que o assunto estava superado.
Mas voltei a sentir os mesmos sintomas. Quem já teve um ataque de pânico sabe: o medo não chega gritando, ele se aproxima de mansinho, feito um gato no escuro.
Senti o coração disparar. O quarto parecia menor a cada segundo – as paredes se aproximavam, o ar ficava pesado. As mãos formigavam, a testa suava, o estômago se revirava em ondas de pavor. Eu sabia que estava seguro, mas o corpo gritava o contrário: perigo, perigo, perigo!
Pensei que fosse morrer ali. Ou enlouquecer. Ou talvez as duas coisas. Meu coração batia tão rápido que parecia prestes a estourar; cada som – o ruído do ar-condicionado, o barulho do elevador lá fora – virava uma ameaça. Tentei me levantar, abrir a janela, mas as pernas tremiam demais.
Eu estava morrendo, de novo. E, mais uma vez, não morri.
Então ficou claro que havia alguma coisa errada e que eu precisava de ajuda.” – Marcelo Serrado